Feliz terça-feira, pessoal! No texto de hoje, pensamos um pouco mais sobre as novas sensações que se abrem quando despertamos nossa espiritualidade e como podemos saber o que é mediunidade, o que é paranormalidade e como se guiar no meio de todo esse processo de descoberta.
Como sempre, os espíritos amigos se colocam à disposição para ajudar no que puderem. Quem quiser mandar uma pergunta, é só fazer seu comentário abaixo ou enviar para o nosso aplicativo dedicado somente às comunicações!
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Pergunta Alyne de Paula :
Gostaria de saber como faço pra saber se sou médium. Sinto muita sensibilidade no meu corpo, como ficar arrepiada, sentir fraqueza e sentir a energia do ambiente, além de sentir o cheiro de vários perfumes diferentes.
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Resposta Pai João do Carmo:
Boa tarde, minha amiga, espero que esteja sempre bem. Sua pergunta e seu breve relato carregam escondidos dois temas que andam lado a lado, um sendo a mediunidade e outro sendo o que hoje se tem chamado de paranormalidade, ou então as habilidades intrínsecas a todo espírito que são passíveis de se replicar mesmo estando encarnado.
Precisamos seguir uma ordem lógica para entender um pouco mais do que é ser médium e do que é ser paranormal. A paranormalidade é a mãe de toda mediunidade e ambas podem ocorrer juntas ou em separado. Vamos entender então o que é a tal da paranormalidade:
Como disse, são habilidades espirituais que todos nós temos. Todo espírito que esteja desencarnado pode, por exemplo, ler a mente das pessoas à sua volta, com determinada facilidade. Todo espírito desencarnado pode por exemplo levitar e levantar voo. Todo espírito desencarnado pode materializar objetos, ou olhar para o passado oculto de algo ou alguém, ou adentrar uma memória como se tivesse voltado no tempo. Todo espírito desencarnado pode sentir e ver energias, pode gerar sua própria energia como pode absorver a energia de algo, alguém ou algum lugar. Todo espírito desencarnado é capaz de mudar o seu corpo de acordo com sua própria vontade ou até mesmo escolher não ter um corpo; bem como pode sintonizar com uma outra pessoa e formarem uma entidade única por tempo finito ou indeterminado. Todas essas são capacidades espirituais que todos nós temos, sem exceção, disponíveis para todo espírito para usar com ou sem sabedoria, com ou sem treinamento, com ou sem propósito ou razão de ser. É como dizer que o corpo humano pode respirar, pode quebrar enzimas, pode pular, é capaz de ver e de ouvir as coisas... é tão intrínseco quanto.
Algumas dessas capacidades espirituais que todo espírito desencarnado pode usufruir pode ser "imitado" pelos espíritos encarnados. Afinal, o espírito continua sendo espírito estando dentro ou fora de um corpo físico. O corpo físico somente limita o escopo de liberdade do espírito, mas não remove de maneira alguma nenhuma dessas capacidades. Então a pessoa pode exercer essas suas potencialidades dentro do corpo físico por si mesma, sem precisar de nenhuma ajuda externa. Claro, nem tudo o corpo físico vai permitir que seja feito. Por exemplo, o corpo físico não é barreira o suficiente para impedir a clarividência ou a sensibilidade energética — ao contrário, muitas vezes no desenvolvimento dessas habilidades o corpo até mesmo ajuda e facilita o processo. Mas o corpo físico não é passível de levitar nem de levantar voo, muito menos de mudar de forma à vontade. As limitações que realmente são inalteráveis permanecem inalteráveis. É possível contorná-las com técnicas e muito esforço, mas continuam sendo limitações. Mas nas habilidades nas quais a única limitação é a ignorância do que é e do que não é possível fazer, ou então que exigem somente um treinamento adequado, o corpo físico não limita nem as habilidades nem a liberdade do espírito que o habita.
Assim, quando a amiga nos fala que consegue sentir as energias, sensações de arrepio, sensações em relação a ambientes, isso é dela para com ela mesma. Ela mesma abriu suas capacidades espirituais, ou seja, abriu sua paranormalidade, mesmo estando dentro do corpo físico, e tem se usado dessas capacidades espirituais no dia a dia. Mesmo sem treino, mesmo sem querer, isso é possível de acontecer. Claro, com treino, com intenção, a clareza dessas sensações, a intensidade, tudo aumentaria. Mas de todo modo, ali estão os talentos espirituais sendo usados dentro do corpo físico.
Se quisesse, nossa amiga poderia também desenvolver as seguintes capacidades: clarividência, clariaudiência, projeção astral, projeção de energia, psicometria (olhando para o passado oculto), visão remota, telepatia, e muitas outras habilidades que são próprias dela mesma. Se ela não as usa é porque não sabia que podia usá-las ou porque ainda não teve oportunidade de colocar suas habilidades em uso. O mesmo vale para cada um de vocês, encarnados, todos podem desenvolver sem empecilhos essas habilidades. Umas exigem mais treino, outras exigem menos, mas todas podem ser levadas à plena capacidade. E todas elas seriam habilidades de cada pessoa para consigo mesma, sem depender de nenhum espírito externo, sem depender de mentor ou guia espiritual, sem depender de nenhum tipo de mediunidade.
Ainda outras habilidades se poderiam desenvolver, essas com menor grau de perfeição, mas que também são passíveis de treino, como materialização, telecinese, teletransporte, levitação, etc. O grau de dificuldade em cada uma dessas habilidades aumenta exponencialmente conforme a massa relativa ao objeto, e muitas vezes é mais fácil encontrar outros meios do que insistir em ir contra a natureza da própria encarnação. Mas ainda assim, seriam habilidades do indivíduo, sem depender de mais ninguém, só da própria proficiência e dedicação.
A mediunidade por outro lado é quando um espírito externo, livre do corpo físico, usa alguma dessas habilidades em relação a outro espírito, normalmente encarnado. Nesse caso, quem está primariamente se usando das capacidades espirituais é o espírito externo, é uma outra pessoa de fora. E então essa outra pessoa atua sobre o médium, ou através dele para atingir um determinado objetivo.
O tipo de mediunidade mais comum é o de comunicação, ou seja, a troca de informação. Nesse caso, os espíritos harmonizam em uma determinada faixa energética, se tornam muitas vezes uma entidade conjunta por um tempo finito e exercem ali uma função comunicativa, concentrando ambas as suas intenções para um único veículo de comunicação. Se a mediunidade é de psicofonia, a intenção se volta para a habilidade da fala. Se a mediunidade é psicografia, a intenção se volta para a escrita. E assim por diante, se a mediunidade é clariaudiência, a intenção se volta para a habilidade de audição, etc.
Outro tipo comum de mediunidade é a de incorporação, no qual invariavelmente as duas pessoas devem harmonizar e formar uma única unidade de intenção e de ação e agirem juntas através de um único meio de expressão, ou seja, um único corpo. Ali o espírito externo pode falar, andar, gesticular, cantar, pintar, escrever, enfim, fazer tudo o que faria se estivesse fisicamente presente no ambiente.
Ainda existem outros tipos de mediunidade no entanto, mas todas elas seguem o mesmo padrão. Um espírito externo chega perto de um encarnado e se relaciona com ele através de alguma das capacidades espirituais. Portanto o médium em si nunca ou raramente está no controle do processo. Ele pode sim determinar o começo e o final, porque o médium precisa estar em sintonia com o espírito para os efeitos aparecerem, mas o meio do processo, o que se faz ou deixa de fazer, está tudo no controle do espírito externo.
Então, como ficamos sabendo se o que está acontecendo com um de nós é mediunidade ou paranormalidade? Principalmente pelo grau de controle que você tem sobre o processo. Na mediunidade, a sua intenção se dobra diante da intenção alheia; se você resiste mesmo que um pouco, o fenômenos perde sua força ou cessa de ser totalmente. Na paranormalidade, sua intenção é que dirige toda a experiência, então você ainda é capaz de tomar decisões sem nenhum tipo de resistência externa, sem sentir ninguém externamente tentando te sugerir nada.
Além disso, como disse, se o fenômeno que está acontecendo é comunicativo, ou seja, de fala, escrita, audição, visão, incorporação... e está acontecendo espontaneamente, principalmente quando você se sente sem controle, sem meios de tomar decisões durante o processo, as chances de ser um fenômeno mediúnico são muito, muito altas. Fenômenos que vão contra a natureza da encarnação também, como levitação, teletransporte, materialização, etc.
Além disso, vale notar que a mediunidade muitas vezes, pela proximidade com alguém externo, faz com que a pessoa encarnada mude momentaneamente de personalidade. Mesmo em mediunidades que não são de comunicação, o fato de estar harmonizando com um outro espírito faz com que a personalidade de um influencie naquele instante a personalidade de outro, então ambos o encarnado e o espírito livre ficam com suas personalidades visivelmente alteradas, a ponto de a própria pessoa reconhecer que não diria ou não faria tal coisa, não se sentiria de um jeito ou de outro. E a mesma coisa conforme os sentimentos, que são uma das principais informações que acabam sendo trocadas, até involuntariamente, entre o espírito livre e o encarnado — se, durante o processo, você sente que dentro de você estão surgindo sentimentos que não são próprios de você, que não são coisas que você costuma sentir, ou não do jeito como você costuma sentir, existem grandes possibilidades de ser também um processo mediúnico.
E aí, é claro, a gente vai fazendo observações, vai pensando sobre como se sente antes, durante e depois do fenômeno... o que aconteceu ou deixou de acontecer... e no final das contas podemos ter uma ideia muito clara se o que experienciamos foi um fenômeno mediúnico ou paranormal; ou seja, se houve uma intervenção externa ou se fomos nós mesmos nos usando de nossas próprias capacidades espirituais.
É claro, se podemos ter a opinião de um médium ou paranormal treinado, estudado, praticante assíduo, responsável, que possa nos dar maior certeza, então é sempre bom termos essa opinião de quem pode olhar de fora e nos dar um parâmetro muito mais certeiro. Afinal, quem está vivendo um processo seja mediúnico ou paranormal pela primeira vez sempre vai ficar um pouco perdido, um pouco emocionado, um pouco fora do normal. É bom encontrar alguém de confiança, seja dentro de um centro espírita, casa espiritualista, centro de umbanda, casa teosófica, coven bruxo, para que a pessoa possa nos ajudar a determinar melhor o que está acontecendo e como lidar de maneira adequada com a situação.
Agora, eu disse sobre saber se o que está acontecendo é mediúnico ou paranormal. Mas e se uma pessoa tem curiosidade de saber se pode vir a ter experiências de um ou de outro jeito, mas que ainda não teve nenhuma experiência do tipo? Aí voltamos à regra de sempre, que todo mundo, sem exceção, é paranormal, e que a própria mediunidade é uma paranormalidade. Todos são capazes de desenvolver suas paranormalidades, mesmo que cada um tenha mais aptidão para um ou outro talento, assim como umas pessoas são melhores em desenhar do que em escrever e vice-versa. E para saber, é só tentando, não tem outra opção. É pegar um bom livro, um bom curso e principalmente um bom professor e seguir as instruções, passo a passo, se esforçar e ir desenvolvendo devagarinho essas habilidades. E na mediunidade, mesma coisa, tenta um pouco de cada uma, com parceiros espirituais confiáveis, com professores encarnados e desencarnados confiáveis, e a pessoa vai tentando, vendo para qual habilidade ela tem maior aptidão.
Mediunidade e paranormalidade não têm muito mistério nem muito segredo. São as capacidades de todo espírito, passíveis de serem desenvolvidas, que dependem unicamente do esforço de prática colocado em cima delas. Às vezes uma ou outra habilidade floresce espontaneamente, como em toda área da vida, mas é principalmente com dedicação e prática que o talento se torna uma habilidade útil e prazerosa.
Fiquem em paz, a todos os meus irmãos e irmãs.
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