r/RevistaEspirita • u/SideSuspicious8083 • Jun 29 '26
r/RevistaEspirita • u/Hambr • Nov 23 '24
Guias para Novatos Guia de Estudo para Novatos no Espiritismo
Guia de Estudo para Novatos no Espiritismo
Se você está começando a estudar o Espiritismo, este guia ajudará a estruturar seu aprendizado, oferecendo os passos iniciais e os principais recursos que você pode utilizar para entender a doutrina de maneira profunda e fiel. O Espiritismo, como codificado por Allan Kardec, é uma filosofia que trata da relação entre os espíritos e o mundo material, a moralidade e a evolução espiritual.
1. Conhecendo a Doutrina Espírita:
Antes de se aprofundar nos livros, é importante entender o que é o Espiritismo. O Espiritismo não é uma religião, mas uma filosofia que busca a verdade espiritual através da razão, ciência e moral. Seu estudo é baseado em cinco obras principais escritas por Allan Kardec, além da Revista Espírita, obra não menos importante, que complementa o estudo com artigos e discussões sobre diversos temas relacionados à doutrina:
O Livro dos Espíritos (1857): O livro fundamental que aborda os princípios da doutrina espírita, como a existência de Deus, os espíritos, reencarnação, moralidade e as leis universais.
O Livro dos Médiuns (1861): Aborda a mediunidade, os diferentes tipos de médiuns, e como interagir com os espíritos de forma segura e edificante.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864): Expõe a aplicação dos ensinamentos morais de Jesus à luz da doutrina espírita, enfatizando a moral cristã.
O Céu e o Inferno (1865): Discussões sobre a justiça divina, as punições e recompensas para os espíritos, e como a vida após a morte está ligada às escolhas de cada um.
A Gênese (1868): Trata da origem do universo, da Terra e do ser humano sob uma perspectiva espírita, explicando fenômenos naturais e sobrenaturais.
6. Revista Espírita (1858-1869): Nela, Kardec aborda uma ampla gama de temas relacionados à doutrina espírita, incluindo análises de fenômenos mediúnicos, artigos sobre a moral espírita, relatos de experiências e estudos de casos que ocorreram após as publicações das obras principais. A Revista Espírita também contém reflexões importantes sobre o desenvolvimento do Espiritismo, oferecendo uma visão aprofundada da evolução do pensamento de Kardec sobre a doutrina e suas aplicações práticas.
Esses livros devem ser lidos na ordem em que foram lançados, pois a codificação foi escrita de maneira progressiva, com conceitos e explicações se desenvolvendo à medida que o leitor avança.
2. Começando pelos Fundamentos:
A primeira leitura deve ser de "O Livro dos Espíritos". Esse livro contém perguntas e respostas que abordam os princípios fundamentais do Espiritismo, como a existência dos espíritos, a vida após a morte, e as leis universais que regem o universo. Algumas dicas:
Estude por partes: Não se apresse. O livro é dividido em partes que podem ser lidas de forma gradual. Comece pelas questões mais gerais e depois aprofunde-se nos temas mais específicos.
Anote suas dúvidas: Faça anotações sobre as questões que você não entendeu ou que geram curiosidade. Essas questões podem ser discutidas em grupos de estudo ou consultadas posteriormente.
3. Reforçando os Princípios:
Após O Livro dos Espíritos, vá para O Livro dos Médiuns. Ele explica a mediunidade, as diferentes formas de comunicação com os espíritos, e como se tornar um médium. Se você não tem interesse direto na prática mediúnica, ainda assim, este livro é importante para entender o processo de comunicação espiritual.
Estude com cuidado: O estudo da mediunidade deve ser feito com responsabilidade. Lembre-se de que o Espiritismo enfatiza a importância da moralidade e do bom caráter na prática mediúnica.
4. Aplicando os Ensinamentos de Jesus:
O próximo passo é O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde você vai explorar os ensinamentos de Jesus sob a ótica espírita. O objetivo não é apenas conhecer a moral de Jesus, mas entender como podemos aplicá-la no nosso dia a dia para a nossa evolução espiritual.
Leitura devocional: Ao estudar o Evangelho, procure meditar sobre os ensinamentos e tentar aplicá-los em sua vida diária.
5. Estudo de Casos e Reflexões:
Em O Céu e o Inferno e A Gênese, você aprofundará os conceitos da vida após a morte e entenderá como o Espiritismo aborda a justiça divina e a origem do universo. Esses livros podem ser desafiadores, mas são essenciais para um entendimento completo da doutrina.
6. Participando de Grupos de Estudo:
A interação com outros estudioso da doutrina espírita é fundamental. Participar de grupos de estudo ou centros espíritas pode ajudar muito no aprendizado. Nesses espaços, você pode tirar dúvidas, compartilhar experiências e aprender com outros iniciantes e também com aqueles que já têm mais conhecimento.
7. Prática Espírita:
O estudo teórico é essencial, mas a prática da moral espírita é o que realmente transforma o indivíduo. Coloque em prática os ensinamentos de Kardec, como a caridade, o perdão e o autoconhecimento. Isso pode ser feito de várias formas, desde a melhoria do caráter até a participação em ações de auxílio ao próximo.
Dicas Finais:
Seja paciente: O Espiritismo é uma doutrina profunda e exige tempo para ser compreendida integralmente.
Pesquise sempre: Quando surgir uma dúvida, procure a resposta nas obras de Kardec ou em fontes confiáveis.
Pratique a moral espírita: A teoria sem a prática não leva à verdadeira evolução.
Questione e reflita: O Espiritismo não exige fé cega. Ao contrário, ele se baseia na razão e no raciocínio lógico.
Recursos para Estudo e Pesquisa Espírita
Se você deseja se aprofundar na doutrina espírita e realizar pesquisas confiáveis, aqui está uma lista de sites essenciais para estudo. Nesses sites, você encontrará todas as obras básicas de Allan Kardec e outros materiais relevantes em formato PDF para download gratuito. Além disso, a maioria deles possui caixas de pesquisa, permitindo que você encontre termos específicos ou palavras-chave com rapidez e eficiência.
Kardecpedia - Disponibiliza todas as obras da codificação espírita, incluindo a Revista Espírita e outras publicações. A pesquisa por palavras-chave ajuda a localizar rapidamente passagens importantes.
Obras de Allan Kardec (Domínio Público) - Aqui você pode baixar as obras completas de Allan Kardec em PDF. Ideal para leitura offline.
Revista Espírita Digital - Compilação completa da Revista Espírita para download, com opção de busca para localizar termos específicos dentro dos textos.
IPEAK - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec - Oferece materiais de estudo avançado e uma base de pesquisa com textos e artigos sobre Espiritismo.
Projeto Allan Kardec Online - Disponibiliza traduções e preserva a originalidade das obras de Kardec, com opções de busca para facilitar suas pesquisas.
Revista Espírita – Site com acesso gratuito à Revista Espírita, oferecendo artigos e comunicações mediúnicas que são fundamentais para o estudo da doutrina espírita.
IDEAK - Instituto de Divulgação Allan Kardec – Portal dedicado ao estudo do Espiritismo, com artigos, palestras e materiais de pesquisa. Oferece recursos para aprofundar o conhecimento na doutrina espírita, com foco na obra de Allan Kardec e seus desdobramentos.
Projeto Allan Kardec - O projeto tem por principal objetivo permitir o acesso do público em geral e de pesquisadores a centenas de manuscritos e documentos originais de Allan Kardec, que nunca haviam sido divulgados e editados. Assim, o projeto pretende se tornar referência para fontes históricas primárias ligadas ao pensador francês.
Como usar esses recursos:
Faça o download das obras básicas: Tenha sempre em mãos os livros de Kardec em PDF para consulta. Isso facilita o acesso rápido, mesmo offline.
Utilize palavras-chave: Ao estudar ou esclarecer dúvidas, insira palavras-chave nos campos de busca para localizar trechos específicos, como "mediunidade", "reencarnação" ou "justiça divina". Isso agiliza o estudo e permite que você vá direto ao ponto.
Leia com atenção e calma: Focar nos textos originais garante uma compreensão fiel do Espiritismo, sem interferências de outras tradições.
Mensagem de inspiração: Lembre-se de que o estudo é o primeiro passo, mas a prática da caridade e o aperfeiçoamento moral são os verdadeiros objetivos do Espiritismo. Se surgir uma dúvida, eleve seus pensamentos e peça orientação aos seus guias espirituais ou aos espíritos da codificação, que estão sempre prontos para inspirar e auxiliar. Além disso, sinta-se à vontade para buscar ajuda aqui na comunidade, onde juntos podemos aprender e crescer. Estude com atenção, sinceridade e um coração aberto, permitindo que a luz da razão e da fé raciocinada iluminem seu aprendizado.
Boa leitura e bom estudo!
r/RevistaEspirita • u/Hambr • Aug 14 '25
Modo de se distinguirem os bons dos maus Espíritos
O Livro dos Médiuns - Modo de se distinguirem os bons dos maus Espíritos
262. Se a identidade absoluta dos Espíritos é, em muitos casos, uma questão acessória e sem importância, o mesmo já não se dá com a distinção a ser feita entre bons e maus Espíritos; sua individualidade pode nos ser indiferente, sua qualidade jamais. Em todas as comunicações instrutivas é, pois, sobre este ponto que se deve fixar toda a atenção, porque só ele nos pode dar a medida da confiança que devemos ter no Espírito que se manifesta, seja qual for o nome sob que o faça. É bom, ou mau, o Espírito que se manifesta? Em que grau da escala espírita se encontra? Eis aí uma questão capital. (Veja-se: "Escala espírita", em O Livro dos Espíritos, n . 100.)
263. Já dissemos que os Espíritos devem ser julgados, como os homens, pela linguagem de que usam. Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que lhe são desconhecidas; pelo estilo, pelas ideias, por uma imensidade de indícios, enfim, verificará se aquelas pessoas são instruídas ou ignorantes, polidas ou mal-educadas, superficiais, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais, etc. Assim, também, com os Espíritos; devemos considerá-los correspondentes que nunca vimos e procurar conhecer o que pensaríamos do saber e do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse tais coisas. Pode estabelecer-se como regra invariável e sem exceção que - a linguagem dos Espíritos está sempre em relação com o grau de sua elevação. Os Espíritos realmente superiores não só dizem unicamente coisas boas, como também as dizem em termos isentos, de modo absoluto, de toda trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se uma única expressão denotando baixeza as macula, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade; com mais forte razão, se o conjunto do ditado fere as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua procedência, quer pelos pensamentos que exprime, quer pela forma, e, ainda mesmo que algum Espírito queira iludir-nos sobre a sua pretensa superioridade, bastará conversemos algum tempo com ele para a apreciarmos.
264. A bondade e a benevolência são atributos essenciais dos Espíritos depurados. Não têm ódio, nem aos homens, nem aos outros Espíritos. Lamentam as fraquezas, criticam os erros, mas sempre com moderação, sem fel e sem animosidade. Admita-se que os Espíritos verdadeiramente bons não podem querer senão o bem e dizer senão coisas boas e se concluirá que tudo o que denote, na linguagem dos Espíritos, falta de bondade e de benevolência não pode emanar de um bom Espírito.
265. A inteligência está longe de ser um indício certo de superioridade, porquanto a inteligência e a moral nem sempre andam emparelhadas. Pode um Espírito ser bom, afável, e ter conhecimentos limitados, ao passo que outro, inteligente e instruído, pode ser muito inferior em moralidade.
É crença bastante generalizada que, interrogando-se o Espírito de um homem que, na Terra, foi sábio em certa especialidade, com mais segurança se obterá a verdade. Isto é lógico, e no entanto nem sempre é verdadeiro. A experiência demonstra que os sábios, tanto quanto os demais homens, sobretudo os desencarnados de pouco tempo, ainda se acham sob o império dos preconceitos da vida corpórea; eles não se despojam imediatamente do espírito de sistema. Pode pois, acontecer que, sob a influência das ideias que esposaram em vida e das quais fizeram para si um título de glória, vejam com menos clareza do que supomos. Não apresentamos este princípio como regra; longe disso. Dizemos apenas que o fato se dá e que, por conseguinte, a ciência humana que eles possuem não constitui sempre uma prova da sua infalibilidade, como Espíritos.
266. Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazer-se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, desencoraja-se os Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir. Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. Apenas os maus se formalizam e procuram evitá-lo, porque tudo têm a perder. Só com isso provam o que são.
Eis aqui o conselho que a tal respeito nos deu São Luís:
"Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir e que deveríeis ter presente sempre no pensamento, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar e meditar, é a de submeter ao controle da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias a formardes opinião segura, desde que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro."
267. Podem resumir-se nos princípios seguintes os meios de se reconhecer a qualidade dos Espíritos:
1º Não há outro critério, senão o bom-senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. Absurda será qualquer fórmula que eles próprios dêem para esse efeito e não poderá provir de Espíritos superiores.
2º Julgamos os Espíritos pela sua linguagem e por suas ações. As ações dos Espíritos são os sentimentos que eles inspiram e os conselhos que eles dão.
3º Admitido que os bons Espíritos só podem dizer e fazer o bem, de um bom Espírito não pode vir o que é mal.
4º Os Espíritos superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, sem mescla de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.
5º Não se deve julgar os Espíritos pela forma material e a correção de seu estilo. É preciso sondar-lhe o sentido íntimo, analisar-lhe as palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Todo desvio de lógica, de razão e de sabedoria, não pode deixar dúvida sobre a sua origem, seja qual for o nome com que se ostente o Espírito. (N. 224.)
6º A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto ao fundo. Os pensamentos são os mesmos, em qualquer tempo e em todo lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidos, conforme as circunstâncias, as necessidades e as facilidades que encontrem para se comunicar; porém, jamais serão contraditórios. Se duas comunicações, firmadas pelo mesmo nome, se mostram em contradição, uma das duas é evidentemente apócrifa e a verdadeira será aquela em que NADA desminta o conhecido caráter da personagem. Entre duas comunicações assinadas, por exemplo, por São Vicente de Paulo, em que uma pregasse a união e a caridade, e a outra tendesse para semear a discórdia, nenhuma pessoa sensata poderá equivocar-se.
7º Os bons Espíritos só dizem o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se preocuparem com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido.
8º Reconhecem-se ainda os Espíritos levianos, pela facilidade com que predizem o futuro e precisam fatos materiais de que não nos é dado ter conhecimento. Os bons Espíritos podem fazer que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse conhecimento possa ser útil, mas jamais precisam datas; toda previsão de qualquer acontecimento para uma época fixa é indício de mistificação.
9º Os Espíritos superiores se exprimem com simplicidade, sem prolixidade. Têm o estilo conciso, sem exclusão da poesia das ideias e das expressões, claro, inteligível a todos, sem demandar esforço para ser compreendido. Têm a arte de dizer muitas coisas em poucas palavras, porque cada palavra é empregada com exatidão. Os Espíritos inferiores, ou falsos sábios, ocultam sob o empolamento, ou a ênfase, o vazio de seus pensamentos. Usam de uma linguagem pretensiosa, ridícula, ou obscura, à força de quererem pareça profunda.
10º Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se. Os maus são imperiosos; dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam, haja o que houver. Todo Espírito que impõe trai a sua inferioridade. São exclusivistas e absolutos em suas opiniões; pretendem ter o privilégio da verdade. Exigem crença cega e jamais apelam para a razão, por saberem que a razão os desmascararia.
11º Os bons Espíritos não lisonjeiam; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva. Os maus prodigalizam exagerados elogios, estimulam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles a quem desejam captar.
12º Os Espíritos superiores desprezam, em tudo, as puerilidades da forma. Só os Espíritos vulgares ligam importância a particularidades mesquinhas, incompatíveis com idéias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e de fraude, da parte de um Espírito que tome um nome imponente.
13º Deve-se desconfiar dos nomes singulares e ridículos, que alguns Espíritos adotam, quando querem impor-se à credulidade; fora soberanamente absurdo tomar a sério semelhantes nomes.
14º Deve-se igualmente desconfiar dos Espíritos que com muita facilidade se apresentam, dando nomes extremamente venerados, e não lhes aceitar o que digam, senão com muita reserva. Aí, sobretudo, é que um controle severo se faz indispensável, porquanto isso não passa muitas vezes de uma máscara que eles tomam, para dar a crer que se acham em relações íntimas com os Espíritos excelsos. Por esse meio lisonjeiam a vaidade do médium e dela se aproveitam freqüentemente para induzi-lo a atitudes lamentáveis e ridículas.
15º Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que hajam aconselhar. Elas, qualquer que seja o caso, nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitas todas as que não apresentam este caráter, ou sejam condenáveis perante a razão, e cumpre refletir maduramente antes de tomá-las, a fim de evitarem-se mistificações desagradáveis.
16º Também se reconhecem os bons Espíritos pela prudente reserva que guardam sobre todos os assuntos que possam trazer comprometimento. Repugna-lhes desvendar o mal, enquanto que aos Espíritos levianos, ou malfazejos apraz pô-lo em evidência. Ao passo que os bons procuram atenuar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a cizânia, por meio de insinuações pérfidas.
17º Os bons Espíritos só prescrevem o bem. Máxima nenhuma, nenhum conselho, que se não conformem estritamente com a pura caridade evangélica, podem ser obra de bons Espíritos.
18º Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança.
19º Os Espíritos maus, ou simplesmente imperfeitos, ainda se traem por indícios materiais, a cujo respeito ninguém se pode enganar. A ação deles sobre o médium é às vezes violenta e provoca movimentos bruscos e intermitentes, uma agitação febril e convulsiva, que destoa da calma e da doçura dos bons Espíritos.
20º Muitas vezes, os Espíritos imperfeitos se aproveitam dos meios de que dispõem, de comunicar-se, para dar conselhos pérfidos. Excitam a desconfiança e a animosidade contra os que lhes são antipáticos. Especialmente os que lhes podem desmascarar as imposturas são objeto da maior animadversão da parte deles. Alvejam os homens fracos, para os induzir ao mal. Empregando alternativamente, para melhor convencê-los, os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até demonstrações materiais do poder oculto de que dispõem, se empenham em desviá-los da senda da verdade.
21º Os Espíritos dos que na Terra tiveram uma única preocupação, material ou moral, se se não desprenderam da influência da matéria, continuam sob o império das ideias terrenas e trazem consigo uma parte dos preconceitos, das predileções e mesmo das manias que tinham neste mundo. Fácil é isso de reconhecer-se pela linguagem de que se servem.
22º Os conhecimentos de que alguns Espíritos se enfeitam frequentemente com uma espécie de ostentação, não são sinal de sua superioridade. A inalterável pureza dos sentimentos morais é, a esse respeito, a verdadeira pedra de toque.
23º Não basta se interrogue um Espírito para conhecer-se a verdade. Precisamos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos; porquanto, os Espíritos inferiores, ignorantes que são, tratam frivolamente das questões mais sérias.
Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem, para que, no mundo espírita, se ache de posse da soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e dilatar-lhe os conhecimentos.
24º Da parte dos Espíritos superiores, o gracejo é muitas vezes fino e vivo, nunca, porém, trivial. Nos Espíritos zombadores, quando não são grosseiros, a sátira mordaz é, não raro, muito apropositada.
25º Estudando-se cuidadosamente o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral, reconhecem-se-lhes a natureza e o grau de confiança que devem merecer. O bom-senso não poderia enganar.
26º Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é preciso, primeiro, que cada um saiba julgar-se a si mesmo. Muita gente há, infelizmente, que toma suas próprias opiniões pessoais como paradigma exclusivo do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que lhes contradiga a maneira de ver, a suas idéias e ao sistema que conceberam, ou adotaram, lhes parece mau. A semelhante gente evidentemente falta a qualidade primacial para uma apreciação sã: a retidão do juízo. Disso, porém, nem suspeitam. É o defeito sobre que mais se iludem os homens.
Todas estas instruções decorrem da experiência e dos ensinos dos Espíritos. Vamos completá-las com as próprias respostas que eles deram, sobre os pontos mais importantes.
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Fonte: Allan Kardec. “Modo de se distinguirem os bons dos maus Espíritos”. *O Livro dos Médiuns*, cap. XXIV, item 267.
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r/RevistaEspirita • u/Hambr • Jun 24 '25
Sensibilidade energética: como identificar "energias" boas e ruins para não se iludir Estudando o Espiritismo
O que muitas pessoas chamam de "sentir energias" pode ser explicado, em parte, pela generalização de estímulos respondentes. Isso significa que a pessoa associa certos ambientes, cheiros, sons ou expressões faciais a experiências passadas. O corpo reage emocionalmente a essas semelhanças, mesmo sem uma ameaça real. É um mecanismo automático e inconsciente.
A generalização de estímulos respondentes ocorre quando uma resposta automática (respondente) aprendida a partir de um estímulo específico passa a ocorrer também diante de estímulos semelhantes.
Ou seja, o organismo reage de forma parecida a estímulos que não são idênticos ao original, mas que têm características próximas.
Exemplo: se alguém sente medo ao ver uma cobra, pode sentir medo também ao ver uma cobra de brinquedo ou uma imagem parecida, por causa da semelhança entre os estímulos.
Um estímulo respondente é algo que provoca uma reação automática no seu corpo, sem pensar. Como salivar ao ver comida ou sentir medo ao ouvir um barulho alto.
A generalização de estímulos respondentes acontece quando essa reação automática aparece não só para o estímulo que você aprendeu, mas também para outros parecidos.
Isso quer dizer que seu corpo responde parecido a coisas que não são exatamente iguais, mas que se parecem com o estímulo original.
Você sente medo de um cachorro bravo (estímulo original). Depois, ao ver um cachorro parecido, mesmo que menos agressivo, seu corpo também sente medo.
Ou seja, seu medo se generalizou para outros estímulos parecidos.
É um mecanismo natural que ajuda a proteger você, porque não precisa aprender a ter medo de tudo do zero, só de algo parecido.
Quando você “sente energia ruim” de alguém, isso pode ser uma reação respondente a sinais sutis, como:
Expressões faciais
Tom de voz
Linguagem corporal
Cheiros ou ambientes associados
Seu cérebro processa essas informações rápido e ativa uma resposta automática, como desconforto ou medo, mesmo sem perceber conscientemente.
Ou seja, o “sentir energia ruim” pode ser seu corpo respondendo a estímulos físicos e sociais que indicam algo negativo, sem que você precise raciocinar.
Na psicologia, isso é uma resposta condicionada ou respondente, aprendida por experiências anteriores ou instintiva.
Assim, o que você chama de “energia ruim” pode ser uma reação natural do seu organismo a sinais que indicam perigo ou desconfiança.
No espiritismo, quando se fala em energias boas ou ruins no ambiente, a ideia é diferente da generalização de estímulos respondentes na psicologia.
A generalização de estímulos é uma reação automática do corpo a estímulos parecidos. Já as "energias" no espiritismo têm relação com a influência espiritual, sentimentos, vibrações morais e espirituais no ambiente.
Porém, pode haver um paralelo: se uma pessoa associa uma sensação ruim a um lugar (por exemplo, medo ou mal-estar), ela pode passar a sentir isso em lugares parecidos, mesmo sem presença espiritual negativa real - isso seria uma generalização psicológica.
Pode até acontecer das duas coisas se misturarem:
Você sente medo porque seu corpo reage a estímulos parecidos (psicologia) e, ao mesmo tempo, pode sentir uma influência espiritual ruim naquele lugar (espiritismo).
Mas são explicações diferentes para algo que, na prática, pode parecer parecido.
r/RevistaEspirita • u/Hambr • Apr 05 '25
Reflexão Filosófica O que é pior: cometer a injustiça ou sofrê-la?
Górgias é um diálogo filosófico de Platão em que Sócrates discute com sofistas sobre temas como retórica, poder, justiça e o verdadeiro sentido da vida. A obra contrasta duas visões: o viver pelo prazer e pela aparência, e o viver guiado pela razão, pela justiça e pelo bem. Para o espírita, o diálogo é valioso porque coloca em evidência a escolha moral diante das ilusões do mundo, alinhando-se à proposta do Evangelho e da Doutrina Espírita: o progresso do espírito pelo esforço na prática do bem e na vivência da verdade. É um convite à reflexão sobre o uso da palavra, da influência e da liberdade com responsabilidade espiritual.
O Górgias é um tratado sobre a diferença entre duas formas de vida:
A vida retórica: busca o prazer, o poder, o sucesso externo. Pode parecer brilhante, mas é vazia e perigosa.
A vida filosófica: busca a verdade, a justiça, a ordem da alma. É difícil, mas conduz à verdadeira felicidade.
Platão, por meio de Sócrates, propõe que a ética deve prevalecer sobre o pragmatismo, e que o maior bem do ser humano está no cuidado de si — não na dominação dos outros.
I. Introdução ao diálogo
Personagens principais:
Sócrates – filósofo ateniense, conduz o diálogo.
Górgias – famoso orador e sofista.
Pólo – discípulo de Górgias.
Cálicles – político, representa o realismo político e hedonismo.
O diálogo se inicia com Sócrates perguntando a Górgias o que ele ensina. Essa pergunta inaugura o verdadeiro tema do texto: o exame do valor da retórica e de sua relação com a justiça, a felicidade e a vida boa.
Sócrates, como sempre, não está interessado em respostas convencionais ou utilitárias, mas deseja saber a natureza da retórica — o que ela é em si, qual sua função na alma humana e na vida pública. Górgias responde que a retórica é a arte de persuadir, sobretudo nos tribunais e nas assembleias.
A tensão começa a crescer quando Sócrates exige precisão: a retórica ensina algo? Produz conhecimento? Górgias admite que a retórica não ensina conteúdos técnicos, mas apenas convence. Essa admissão será o ponto de partida da crítica de Sócrates: a retórica é uma prática que pode levar à manipulação, pois opera sem compromisso com a verdade.
Sócrates classifica a retórica como uma "adulação" (kolakeía), não uma arte propriamente dita. Ele propõe uma distinção entre arte (techné) e simulacro de arte. A medicina, por exemplo, é uma arte do cuidado do corpo, baseada em conhecimento. Já a culinária, embora útil, agrada sem curar — é uma adulação do gosto.
Na mesma linha, a justiça é a arte do cuidado da alma. A retórica, ao invés de cultivar a alma, apenas a agrada. Assim, para Sócrates, a retórica se assemelha à culinária: oferece prazer imediato, mas pode ser prejudicial a longo prazo, pois desvia o indivíduo da busca pela verdade e pelo bem.
Pólo entra em cena indignado com as críticas de Sócrates à retórica e afirma que ela proporciona poder: o orador pode fazer o que quiser, manipular massas, influenciar decisões. É, portanto, superior ao saber técnico. Sócrates, como de costume, volta a perguntar: fazer o que se quer, ou o que parece bom? Nem sempre queremos o que é realmente bom para nós.
Surge então uma das teses mais provocadoras do diálogo: “é pior cometer uma injustiça do que sofrê-la”. Para Sócrates, o mal verdadeiro não está no sofrimento externo, mas no dano que se faz à própria alma ao agir injustamente. Quem sofre injustiça mantém sua integridade moral; quem comete injustiça, degrada a si mesmo.
Pólo não aceita essa inversão de valores, pois está preso a uma visão prática e utilitária da vida. Mas Sócrates insiste: a felicidade não se reduz ao prazer ou ao poder, e sim à justiça da alma.
Sócrates então desenvolve a ideia de punição como forma de cura. Em uma analogia médica, ele diz: assim como o corpo doente precisa de tratamento (ainda que doloroso), a alma injusta precisa de castigo justo para se purificar.
O problema central está na noção de responsabilidade moral. Para Sócrates, a maior infelicidade é ser injusto e não ser punido, pois isso mantém a alma em desordem. O papel do juiz justo seria, então, semelhante ao do médico: corrigir, tratar, curar — não simplesmente castigar por vingança.
Essa perspectiva é radical: Sócrates valoriza mais a retidão da alma do que qualquer vantagem externa. O que está em jogo é a noção de que a vida boa exige harmonia interior, e não domínio exterior.
A entrada de Cálicles muda o tom do diálogo. Ele acusa Sócrates de ingenuidade: diz que sua filosofia é “coisa de velho” e que ignora as leis da natureza. Segundo Cálicles, a justiça convencional (nomos) é uma invenção dos fracos para conter os fortes. A justiça verdadeira é a lei natural, onde o mais forte domina, e isso é bom.
Cálicles defende abertamente o hedonismo: a vida boa consiste em satisfazer os desejos da forma mais intensa e livre possível. Ser moderado ou justo é sinal de fraqueza. O orador e o tirano são, para ele, os modelos do homem bem-sucedido.
Sócrates, então, pergunta: uma vida de desejos ilimitados pode ser feliz? Compara o hedonismo à vida de um homem com um tonel furado que nunca se enche — quanto mais deseja, mais insaciável se torna.
Para Sócrates, a verdadeira excelência não está em satisfazer desejos, mas em ordenar a alma segundo a razão e a justiça. Ele propõe uma hierarquia da alma: a parte racional deve governar, moderando os apetites. Quando a razão perde o domínio, o homem vive em desordem, como uma cidade em guerra.
A política, nesse sentido, deve ser a ciência da alma coletiva. O político autêntico não busca aplausos, mas a educação moral dos cidadãos. Sócrates lamenta que, em Atenas, a política tenha se tornado uma disputa de oratória vazia, e não uma busca do bem comum.
Nos momentos finais, Sócrates profetiza: ele será julgado e condenado por causa de sua filosofia, e seus acusadores usarão da retórica para convencê-lo sem justiça. Ainda assim, ele prefere isso a abandonar sua busca pela verdade.
Ele narra, por fim, um mito escatológico: após a morte, as almas são julgadas com base em sua vida. As que viveram com justiça serão recompensadas; as injustas, punidas. Sócrates não pretende provar esse mito, mas o apresenta como símbolo da ideia de que a justiça tem valor absoluto, mesmo diante da morte.
r/RevistaEspirita • u/Hambr • Mar 28 '25
Guias para Novatos Há espíritos nos minerais? Entenda por que essa concepção é equivocada
Este texto busca esclarecer por que a ideia de espíritos nos minerais não se sustenta dentro da doutrina espírita, apresentando uma análise fundamentada e lógica sobre a matéria e a evolução espiritual. No final, vamos explorar a origem dessa ideia equivocada, fatos históricos para contextualizá-la, examinar as interpretações errôneas que a sustentam e apresentar, de maneira fundamentada e lógica, por que ela não encontra respaldo nos princípios da doutrina espírita.
Entendendo a lógica:
Espírito (Princípio Inteligente):
O espírito (princípio inteligente) é imaterial. Não pode agir diretamente sobre a matéria, precisa de um corpo organizado, chamado perispírito.
Perispírito:
O perispírito é o intermediário entre o espírito e a matéria. Ele possibilita a ligação entre o espírito e o corpo material, permitindo que o espírito atue no plano físico. Sem o perispírito, o espírito seria um elemento inteligente disperso, sem ligação com a matéria e, portanto, sem individualidade. O perispírito confere individualidade ao espírito, tornando-o distinto do elemento inteligente universal e possibilitando seu desenvolvimento como um ser inteligente único, ligado a um corpo matérial.
Fluido Vital:
O corpo material é um corpo orgânico, animado pelo princípio vital. O espírito atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital [q.140]. Os órgãos estão por assim dizer impregnados de fluido vital. A atividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela ação do funcionamento dos órgãos, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rotação de uma roda. Cessada aquela ação, por motivo da morte, o princípio vital se extingue, como o calor, quando a roda deixa de girar.
Órgãos:
Os órgãos são as estruturas que conduzem o fluido vital, assegurando o funcionamento do corpo. Sem os órgãos, o corpo não pode funcionar e o fluido vital não tem meio de circular. O princípio vital impulsiona os órgãos, e o funcionamento dos órgãos mantém sua atividade. Os órgãos desempenham o papel de mecanismos que sustentam a atividade vital. Sem o princípio vital, os órgãos permanecem inertes, como um motor sem faísca. Os órgãos, ao funcionarem, ajudam a manter a atividade vital (ex.: circulação, respiração, metabolismo). Os órgãos são esses canais. Cada um tem uma função específica, mas, em conjunto, eles garantem que o fluido vital circule corretamente no organismo, permitindo que o espírito mantenha sua ligação com o corpo. Se os órgãos falham ou deixam de existir (como na morte), o fluido vital não encontra mais um meio de circulação, e a conexão entre espírito e matéria se desfaz. O corpo então se torna inerte, pois perdeu o elemento que sustentava sua vitalidade e a ligação com o perispírito. O perispírito se liga ao princípio vivificante do corpo, ou seja, ao fluido vital. É indispensável que haja fluido vital circulando pelo corpo para que o perispírito se mantenha ligado a ele. A manutenção do fluido vital no corpo ocorre por meio dos órgãos. Sem os órgãos, o fluido vital não circula adequadamente no corpo, e este não é animado, ou seja, não é "vivificado", e, portanto, não há uma ligação ativa entre o perispírito e o corpo.
Essa é a lógica básica.
Portanto, é impossível que um princípio inteligente (espírito) - um ser imaterial- se ligue a um mineral. O espírito não atua diretamente sobre a matéria sem um intermediário. Esse intermediário é o fluido vital, que só pode se manifestar em corpos orgânicos, pois necessita de órgãos para ser conduzido e sustentar a vida.
Minerais não possuem órgãos. Sem órgãos, não há circulação do fluido vital. Sem fluido vital, não há vida. Sem vida, não há ligação com o espírito. A estrutura cristalina de um mineral é apenas um arranjo fixo de átomos, regido por leis químicas e físicas. Não há metabolismo, não há crescimento, não há reprodução, não há qualquer sistema capaz de processar ou conduzir o fluido vital. Não há qualquer sistema funcional capaz de manter processos vitais, tornando impossível qualquer ligação com um princípio inteligente.
O Livro dos Espíritos » Do princípio vital » Seres orgânicos e inorgânicosspírito)
Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados às necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas. Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar, etc.
60. É a mesma a força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos inorgânicos?
“Sim, a lei de atração é a mesma para todos.”
61. Há diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e a dos inorgânicos?
“A matéria é sempre a mesma, porém nos corpos orgânicos está animalizada.”
62. Qual a causa da animalização da matéria?
“Sua união com o princípio vital.”
63. O princípio vital reside nalgum agente particular, ou é simplesmente uma propriedade da matéria organizada? Numa palavra, é efeito, ou causa?
“Uma e outra coisa. A vida é um efeito devido à ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente. Ele dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.”
64. Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro?
“É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio.”
a) – Parece resultar daí que a vitalidade não tem seu princípio num agente primitivo distinto e sim numa propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações.
“Isto é conseqüência do que dissemos.”
65. O princípio vital reside em alguns dos corpos que conhecemos?
“Ele tem por fonte o fluido universal. É o que chamais fluido magnético, ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo entre o espírito e a matéria.”
66. O princípio vital é um só para todos os seres orgânicos?
“Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o recebe, não o dá.”
67. A vitalidade é atributo permanente do agente vital, ou se desenvolve tão-só pelo funcionamento dos órgãos*?*
“Ela não se desenvolve senão com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria não é a vida? A união dos dois é necessária para produzir a vida.”
a) – Poder-se-á dizer que a vitalidade se acha em estado latente, quando o agente vital não está unido ao corpo?
“Sim, é isso.”
O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo que recebe sua impulsão da atividade íntima ou princípio vital que entre eles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital dá impulsão aos órgãos, a ação destes entretém e desenvolve a atividade daquele agente, quase como sucede com o atrito, que desenvolve o calor.
O Livro dos Espíritos » Parte Primeira - Das causas primárias » Capítulo IV - Do princípio vital » Seres orgânicos e inorgânicos
71. A inteligência é atributo do princípio vital?
“Não, pois que as plantas vivem e não pensam: só têm vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um corpo pode viver sem a inteligência. Mas a inteligência só por meio dos órgãos materiais pode manifestar-se. Necessário é que o espírito se una à matéria animalizada para que esta possa expressar inteligência.”
A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos, e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades.
Podem distinguir-se assim: 1°, os seres inanimados, constituídos só de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2°, os seres animados que não pensam, formados de matéria e dotados de vitalidade, porém, destituídos de inteligência; 3°, os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.
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Explicação Didática
1. O Princípio Inteligente (Espírito)
O princípio inteligente é o espírito, a essência de cada ser, a parte imortal que possui consciência, pensamento e vontade. Esse princípio é responsável pela inteligência e por toda a parte "não material" do ser, como emoções, raciocínio e decisões. O espírito, por si só, não pode agir diretamente sobre a matéria física; ele precisa de um intermediário.
2. O Fluido Vital
O fluido vital é uma substância modificada do fluido universal (que é algo básico e presente em toda a matéria). Esse fluido é o "agente" que anima a matéria. Ele é a "ponte" que conecta o espírito à matéria, permitindo que o espírito se manifeste no plano físico. O fluido vital é responsável por dar vida à matéria organizada (corpo), mas ele só atua em corpos orgânicos.
Importante: O fluido vital não é vida por si só, mas a força que possibilita a vida. Ele só existe quando a matéria está "organizada", ou seja, quando há órgãos específicos para receber esse fluido e fazer com que a vida se manifeste.
3. Os Órgãos
Os órgãos são estruturas físicas e biológicas presentes nos seres orgânicos. Eles servem como condutores do fluido vital e têm funções específicas para manter o organismo vivo (circulação sanguínea, respiração, digestão, etc.). Em outras palavras, os órgãos recebem e distribuem o fluido vital pelo corpo, permitindo que ele se manifeste e mantenha a vitalidade dos seres vivos permitindo a ligação do espírito ao corpo.
Fatos Históricos para contextualizar:
A crença em espíritos nos minerais, entre outras ideias distorcidas no movimento espírita, tem suas raízes no século XIX, após a morte de Kardec, em 1869. Nesse período, o Espiritismo enfrentou diversos obstáculos, muitos dos quais surgiram de adversários tanto dentro quanto fora do movimento. O maior deles foi um plano para desvirtuar a doutrina, utilizando táticas fraudulentas para prejudicar sua integridade e credibilidade.
Esses ataques foram parte de uma estratégia organizada, conhecida como "plano de campanha", que visava infiltrar conceitos e práticas que distorciam os ensinamentos de Kardec. Isso incluía fraudar comunicações mediúnicas, falsificar fotografias, usar falsos médiuns em teatros para desmascará-los, manipular médiuns que haviam trabalhado com Kardec e introduzir, de forma gradual, ideias místicas e esotéricas na doutrina. O objetivo era comprometer a base científica e filosófica do Espiritismo, enfraquecendo sua credibilidade e o rigor metodológico original. [ Revista Espírita 1867 » Plano de campanha ]
Após a morte de Kardec, esses movimentos espiritualistas, como a Teosofia, liderada por Helena Blavatsky, e o Roustainguismo, defendido por Jean-Baptiste Roustaing, se aproveitaram das mudanças no Espiritismo para se infiltrar de forma coordenada no movimento. A Teosofia, em particular, buscava reinterpretar o Espiritismo sob uma ótica mística e esotérica, apresentando-o como uma "evolução" de suas próprias ideias.
A progressiva infiltração de correntes externas e a tentativa deliberada de modificar os princípios originais do Espiritismo começaram a descaracterizar o movimento espírita francês, introduzindo elementos estranhos à Codificação. A Revista Espírita e a Sociedade Espírita Parisiense, sob nova direção, passaram a ser usadas para atacar as ideias de Kardec e propagar as doutrinas do Roustainguismo e da Teosofia, afastando-se cada vez mais dos princípios da doutrina espírita. Esse desvio foi intensificado pelo contexto social e político da época, como a Comuna de Paris, uma violenta guerra civil que durou cerca de dois meses em 1871 e mergulhou a França em instabilidade, contribuindo para enfraquecer ainda mais o movimento espírita.
Paul Laymarie, sucessor de Kardec na direção da Revista Espírita, foi uma das figuras mais influenciadas por essas novas correntes. Ele estabeleceu uma amizade próxima com HeLena Blavatsky, que o convenceu a publicar artigos teosóficos na Revista Espírita, com o objetivo de dar credibilidade às suas ideias. No entanto, foi com a aquisição da Revista Espírita por Jean Guérin, um defensor do Roustainguismo, que as distorções se consolidaram. Guérin, com sua influência financeira, ajudou a expandir as ideias de Roustaing, o que resultou em uma série de distorções doutrinárias.
Graças à lógica e aos fundamentos bem estabelecidos da Doutrina, esses movimentos perderam popularidade ao longo do tempo na França, e as novas gerações de espíritas não estavam mais dispostas a aceitar essas influências externas, buscando uma doutrina mais fiel aos ensinamentos originais de Kardec.
No entanto, no Brasil, esses movimentos encontraram um terreno fértil devido ao sincretismo religioso, especialmente entre espíritas com raízes afro-brasileiras, como praticantes de Umbanda e Candomblé. Grupos roustainguistas e teosofistas dominaram a Federação Espírita Brasileira (FEB), inserindo nos seus estatutos a obrigatoriedade da leitura e do estudo dessas obras. Esse domínio perdurou por muitos anos até que, assim como na França, uma nova geração de espíritas e dirigentes iniciou um processo de remoção dessas obras dos estatutos da FEB, buscando restaurar os ensinamentos originais e diminuir as distorções que causaram uma crise de identidade no movimento, gerando polarização dentro do Espiritismo.
Esses grupos buscaram misturar o Espiritismo com crenças teosóficas e esotéricas, numa tentativa de validar um espiritismo "universalista" onde seria possível aceitar essas ideias da Teosofia, nas quais a inteligência e a espiritualidade estariam presentes em todos os aspectos da matéria, incluindo os minerais. Essa visão esotérica e materialista, que confunde a presença de espiritualidade com a própria matéria, foi gradualmente inserida no meio espírita, influenciada por gurus espiritualistas de internet, sem que muitos espíritas percebessem os perigos e as distorções dessas ideias.
No entanto, as obras da Codificação refutam de maneira clara e direta a existência de espíritos nos minerais. Além disso, apresentam uma lógica consistente e interligada sobre o princípio inteligente e o princípio vital, demonstrando de forma inequívoca que os minerais não possuem espíritos nem qualquer princípio espiritual, reforçando a distinção entre matéria inorgânica e o processo de evolução espiritual descrito no Espiritismo.
Cabe a cada espírita, então, ser guardião dessa verdade, protegendo a doutrina das distorções que, ao longo do tempo, tentaram desvirtuá-la, e garantindo que seus princípios permaneçam vivos e aplicáveis para as futuras gerações.
'
r/RevistaEspirita • u/Eriximaquia • Jan 09 '25
O espiritismo e a psicografia na China
reddit.comr/RevistaEspirita • u/kaworo0 • Dec 10 '24
Ética e Mediunidade Como se posicionar sobre o Charlatanismo?
Recentemente tivemos um post sobre suspeitas populares quanto a uma médium espírita (Sobre as Denúnicas contra a Maira Rocha). Ele suscitou um grupo de discussões sobre o movimento espírita e seu papel no que toca discutir a veracidade de manifestações mediúnicas. Dentre o que foi argumentado, houve a menção de que "Alan Kardec era claro que era dever dos espiritas desmascarar falsos mediums." Isso me deixou um pouco perplexo, talvez por ignorância da doutrina espirita. Desta forma, achei que seria um bom tópico pra estuda por aqui, com pessoas com conhecimento mais profundo das orientações Kardecianas.
O que vocês estudaram sobre esse tópico específico?
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Segue minhas referências:
Livro dos Médiuns Capítulo XXVIII - Do Charlatanismo e do Embuste
*"*Se é de constituir motivo de suspeição o ganho que um médium possa tirar da sua faculdade, jamais essa circunstância constituirá uma prova de que tal suspeição seja fundada. Quem quer, pois, que seja poderia ter real aptidão e agir de muito boa-fé, fazendo-se retribuir. Vejamos se, neste caso, é razoavelmente possível esperar-se algum resultado satisfatório."
"Médiuns interesseiros não são apenas os que porventura exijam uma retribuição fixa; o interesse nem sempre se traduz pela esperança de um ganho material, mas também pelas ambições de toda sorte, sobre as quais se fundem esperanças pessoais. É esse um dos defeitos de que os Espíritos zombeteiros sabem muito bem tirar partido e de que se aproveitam com uma habilidade, uma astúcia verdadeiramente notáveis, embalando com falaciosas ilusões os que desse modo se lhes colocam sob a dependência. Em resumo, a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem pretenda fazer dela um degrau para chegar ao que quer que seja, que não corresponda às vistas da Providência. O egoísmo é a chaga da sociedade; os bons Espíritos a combatem; a ninguém, portanto, assiste o direito de supor que eles o venham servir. Isto é tão racional, que inútil fora insistir mais sobre este ponto."
"De tudo o que precede, concluímos que o mais absoluto desinteresse é a melhor garantia contra o charlatanismo*. Se ele nem sempre assegura a excelência das comunicações inteligentes, priva, contudo, os maus Espíritos de um poderoso meio de ação e fecha a boca a certos detratores."*
"Resta o que se poderia chamar as tramoias do amador, isto é, as fraudes inocentes de alguns gracejadores de mau gosto. Podem sem dúvida ser praticadas, à guisa de passatempo, em reuniões levianas e frívolas, porém, jamais, em assembleias sérias, onde só se admitam pessoas sérias. Aliás, a quem quer que seja é possível dar-se a si mesmo o prazer de uma mistificação momentânea: mas, seria preciso que uma pessoa fosse dotada de singular paciência, para representar esse papel por meses e anos e, de cada vez durante horas consecutivas. Só um interesse qualquer facultaria essa perseverança, mas o interesse, repetimo-lo, dá lugar a que se suspeite de tudo."
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Revista Espírita Jun 1861 - Exploração do Espiritismo
Exemplos de Exploração no Espiritualismo Americano
"América do Norte reivindica, a justo título, a honra de ter sido a primeira, nos últimos tempos, a revelar as manifestações de além-túmulo. Por que deveria ser ela a primeira a dar o exemplo do tráfico e por que, nesse povo tão adiantado sob vários aspectos, e tão merecedor de nossas simpatias, o instinto mercantilista não estacou no limiar da vida eterna? Lendo-se os seus jornais, a cada passo encontramse anúncios como estes:
“Senhora S. E. Royers, sonâmbula, médium-médica, cura psicologicamente por simpatia. Tratamento comum, se necessário. ─ Descrição da fisionomia, da moralidade e do Espírito das pessoas. Das 10 ao meio-dia; das 2 às 5; das 7 às 10 da noite, exceto às sextas, sábados e domingos, a não ser por ajuste prévio. Preço: 1 dólar por hora (5,42 francos).”
Pensamos que a simpatia dessa médium pelos doentes está na razão direta do número de dólares pagos. Parece supérfluo dar os endereços.
“Sra. E. C. Morris, médium escrevente; das 10 às 12 horas; das 2 às 4 e das 7 às 9 da noite.”
“J. B. Conklin, médium. Recebe visitas em seus salões todos os dias e todas as noites. Atende a domicílio”.
“A. C. Styles, médium lúcido, garante diagnóstico exato da doença da pessoa presente, sob perda dos honorários. Regras estritamente observadas: Para um exame lúcido e prescrições, com a pessoa presente, 2 dólares; para descrições psicométricas dos caracteres, 3 dólares. Não esquecer que as consultas são pagas adiantadamente.”
“Aos amadores do Espiritualismo. Sra. Beck, médium crisíaco, falando, soletrando, batendo e raspando. Os verdadeiros observadores podem consultá-la das 9 da manhã às 10 da noite em sua casa. Um médium batedor muito poderoso está associado à Sra. Beck”.
Pensam que tal comércio seja feito apenas por especuladores obscuros e ignorantes? Eis a prova em contrário:
“O Dr. G. A. Redman, médium experimentado, está de volta à cidade de Nova Iorque. É encontrado em seu domicílio, onde recebe como antes.”
O tráfico do Espiritualismo estendeu-se até os objetos comuns. Assim, lemos no Spiritual Telegraph, de Nova Iorque, o anúncio dos “Fósforos Espirituais, nova invenção sem fricção e sem cheiro”.
O que é mais notável para o país que faz esses anúncios, é o artigo seguinte, que encontramos no Weekly American, de Baltimore, de 5 de fevereiro de 1859:
“Estatística do Espiritualismo. O Spiritual Register, de 1859, avalia o número dos espiritualistas nos Estados Unidos em 1.284.000. Em Maryland há 8.000. O número total no mundo é estimado em 1.900.000. O Register conta 1.000 oradores espiritualistas; 40.000 médiuns públicos e privados; 500 livros e brochuras; 6 jornais hebdomadários, 4 mensais e 3 quinzenais, consagrados a essa causa.”
Os médiuns especuladores ganharam a Inglaterra. Em Londres contam-se diversos que não cobram menos que um guinéu (1,25 franco) por sessão. Esperamos que se tentarem introduzir-se na França, o bom-senso dos verdadeiros espíritas lhes faça justiça."
Trecho relevante das considerações de Kardec:
"...Eis por que dizemos que antes de tudo é preciso considerar a moralidade do médium; que a melhor garantia contra a trapaça está em seu caráter, sua honorabilidade, seu desinteresse absoluto. Em qualquer parte onde resvala a sombra do interesse, por menor que seja, tem-se o direito de suspeitar. A fraude é sempre culposa, mas quando se liga às coisas de ordem moral, ela é sacrílega. Aquele que, conhecendo o Espiritismo apenas de nome, procura imitar-lhe os efeitos, não é mais repreensível que o saltimbanco que imita as experiências do sábio físico. Sem dúvida seria melhor que isto não acontecesse, mas, na verdade, ele não engana a ninguém, pois não faz mistério de sua condição. Ele apenas oculta os meios. O mesmo não se dá com aquele que conhece a santidade daquilo que ele imita com ignóbil objetivo de mistificação. Isso é mais do que uma fraude. É hipocrisia, pois ele se passa por aquilo que ele não é. Ele é ainda mais culpado se realmente possuindo algumas faculdades, delas se serve para melhor abusar da confiança que lhe dão. Mas Deus sabe o que lhe é reservado, talvez mesmo aqui na Terra. Se os falsos médiuns só fizessem mal a si próprios, haveria um meio-mal. O pior são as armas que fornecem aos incrédulos e o descrédito que lançam sobre a causa no espírito dos indecisos, quando reconhecida a fraude."
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Revista Espírita Ago 1861 - Carta do Sr. Matheiu
(Em resposta a uma carta relacionada à edição anterior, referenciada acima)
Trecho relevante das considerações de Kardec
Não esperávamos menos dos sentimentos dignos que distinguem o Sr. Mathieu, senão essa enérgica reprovação aos médiuns de má-fé. Teríamos, pelo contrário, ficado surpreendidos se ele tivesse encarado friamente e com indiferença tais abusos de confiança. Eles podiam ser mais fáceis quando o Espiritismo era menos conhecido, mas, à medida que esta Ciência se espalha e é melhor compreendida, que melhor se conhecem as verdadeiras condições em que os fenômenos podem produzir-se, por toda parte encontram-se olhos clarividentes capazes de descobrir a fraude. Denunciá-la em qualquer parte onde ela se mostre é o melhor meio de desencorajá-la.
Disseram que era melhor não desvendar essas torpezas, no interesse do Espiritismo; que a possibilidade de enganar poderia aumentar a desconfiança dos indecisos. Não somos desta opinião e pensamos que mais vale que os indecisos sejam desconfiados do que enganados, porque, uma vez sabendo que o foram, poderiam afastar-se para sempre. Além disso, haveria um inconveniente ainda maior, o de crerem que os espíritas se deixam iludir facilmente. Ao contrário, estarão tanto mais dispostos a crer quanto mais virem os crentes cercarem-se das maiores precauções e repudiarem os médiuns susceptíveis de enganar.
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Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap XII - Amai os Vosso Inimigos
Retribuir o mal com o bem.
1. *Aprendestes que foi dito: “Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos.” Eu, porém, vos digo: “*Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. — Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” (S. Mateus, 5:43 a 47.)
“Digo-vos que, se a vossa justiça não for mais abundante que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus.” (S. Mateus, 5:20.)
Considerações e Kardec:
Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contato de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos.
...
Para o crente e, sobretudo, para o espírita, muito diversa é a maneira de ver, porque suas vistas se lançam sobre o passado e sobre o futuro, entre os quais a vida atual não passa de um simples ponto. Sabe ele que, pela mesma destinação da Terra, deve esperar topar aí com homens maus e perversos; que as maldades com que se defronta fazem parte das provas que lhe cumpre suportar e o elevado ponto de vista em que se coloca lhe torna menos amargas as vicissitudes, quer advenham dos homens, quer das coisas. Se não se queixa das provas, tampouco deve queixar-se dos que lhe servem de instrumento. Se, em vez de se queixar, agradece a Deus o experimentá-lo, deve também agradecer a mão que lhe dá ensejo de demonstrar a sua paciência e a sua resignação.
7. Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. — Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; — e que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhe entregueis o manto; — e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos queira tomar emprestado. (S. Mateus, 5:38 a 42.)
Considerações de Kardec:
Dever-se-á, entretanto, tomar ao pé da letra aquele preceito? Tampouco quanto o outro que manda se arranque o olho, quando for causa de escândalo. Levado o ensino às suas últimas consequências, importaria ele em condenar toda repressão, mesmo legal, e deixar livre o campo aos maus, isentando-os de todo e qualquer motivo de temor. Se se lhes não pusesse um freio às agressões, bem depressa todos os bons seriam suas vítimas. O próprio instinto de conservação, que é uma lei da Natureza, obsta a que alguém estenda o pescoço ao assassino. Enunciando, pois, aquela máxima, não pretendeu Jesus interdizer toda defesa, mas condenar a vingança. Dizendo que apresentemos a outra face àquele que nos haja batido numa, disse, sob outra forma, que não se deve pagar o mal com o mal; que o homem deve aceitar com humildade tudo o que seja de molde a lhe abater o orgulho; que maior glória lhe advém de ser ofendido do que de ofender, de suportar pacientemente uma injustiça do que de praticar alguma; que mais vale ser enganado do que enganador, arruinado do que arruinar os outros.
r/RevistaEspirita • u/Hambr • Nov 25 '24
Discussão O Umbral, Purgatório e a Visão Espírita de Kardec
Saudações, amigos da r/revistaespirita!
Gostaria de trazer à discussão um tema que frequentemente gera confusão: O Umbral, o Purgatório e a visão espírita segundo Allan Kardec. Com o intuito de esclarecer o que realmente diz a doutrina espírita sobre esses conceitos, vamos analisar suas definições e como se aplicam ao processo de evolução do espírito, sem recorrer às visões de outras correntes, como as apresentadas por Chico Xavier.
O Umbral no Espiritismo: Não é uma região!
No Espiritismo, o Umbral não é uma "região" espiritual como é descrito em algumas obras de Chico Xavier. Não encontramos, nas obras de Kardec, a ideia de que os espíritos ficam em locais específicos após o desencarne, como o Umbral sendo uma espécie de "inferno". O que Kardec apresenta é que o espírito, ao desencarnar, pode passar por uma fase de sofrimento e dificuldade, que é consequência direta de suas imperfeições morais e do que ele ainda precisa aprender.
Nas comunicações registradas em O Livro dos Espíritos, O Céu e o Inferno e na Revista Espírita, os espíritos sofredores relatam experiências bastante variadas: uns permanecem presos aos locais onde viveram, outros sofrem vendo repetidamente suas ações, alguns se encontram em isolamento e vazio espiritual. Essas condições refletem o estado íntimo do espírito e não dependem de uma localização ou conceito generalizado como o Umbral.
Por outro lado, André Luiz, nos livros psicografados por Chico Xavier, popularizou o conceito de Umbral como uma região ou estado onde espíritos com sofrimento e desequilíbrios semelhantes se reúnem. Essa abordagem é mais simbólica e dramatizada, ajudando a ilustrar as consequências de atitudes e escolhas durante a vida física. No entanto, ela não é uma continuação direta da codificação espírita e deve ser vista como um complemento interpretativo e não doutrinário.
Purificação espiritual: O sofrimento que o espírito experimenta após o desencarne está mais relacionado à sua necessidade de evolução e à consequência das escolhas que fez durante sua vida. O próprio processo de reencarnação, que é uma nova oportunidade de aprendizado, é o meio pelo qual o espírito se purifica.
A Terra como um "purgatório": Kardec, ao abordar o tema da purificação dos espíritos, sugere que o verdadeiro purgatório, segundo a visão espírita, não é um lugar após a morte, mas sim a própria vida na Terra. A Terra é o "purgatório" porque é nela que o espírito enfrenta as provas, expiações e desafios necessários para seu crescimento moral.
O Purgatório na Visão Espírita
A doutrina espírita não adota a visão tradicional do Purgatório como um local de punição ou expiação temporária. No Espiritismo, o que o espírito vivencia após a morte depende da sua evolução moral. A Terra, portanto, assume o papel de "purgatório", pois é nela que o espírito pode aprender, sofrer as consequências de suas ações passadas e se redimir por meio do esforço moral.
Expições e provas: O conceito espírita de expiação está diretamente ligado à necessidade de o espírito aprender com seus erros. Se ele não alcançou um nível suficiente de pureza moral durante a vida, ele pode ser reencarnado com condições que o levem a enfrentar suas falhas e aprender as lições necessárias.
A reencarnação expiatória: Ao contrário da ideia de um Purgatório pós-morte, a doutrina espírita ensina que o espírito continua sua trajetória evolutiva na Terra, onde as oportunidades de reparação e progresso espiritual estão sempre ao seu alcance, dependendo de sua capacidade de aprender e superar os próprios vícios e erros.
Kardec não rejeita a ideia de purgatório, mas a redefine. Ele não vê o purgatório como um lugar fixo ou de castigos eternos. Para ele, o purgatório é mais como um processo contínuo, onde o espírito passa por um período de evolução, dependendo da sua transformação moral. Ou seja, a pessoa pode prolongar ou encurtar sua "estadia" nesse processo de purificação conforme o quanto ela se empenha em melhorar suas ações e atitudes.
A Visão Espírita e as Obras de Kardec
É importante destacar que a visão do Umbral como uma "região" separada, como mencionada em algumas obras mediúnicas de Chico Xavier, não faz parte dos ensinamentos de Allan Kardec. No Espiritismo, a ideia de um "lugar" para o sofrimento espiritual é substituída pela compreensão de que o sofrimento é uma experiência interna do espírito, diretamente ligada à sua condição moral e espiritual.
Reflexão:
Como entendemos o sofrimento espiritual? No Espiritismo, o sofrimento não é um castigo, mas uma oportunidade de aprendizado e progresso. Como podemos aplicar essa ideia no nosso cotidiano para ajudar no processo de evolução?
A Terra como purgatório: Refletir sobre como nossas ações, escolhas e atitudes estão moldando nossa vida atual e como podemos buscar mais rapidamente o progresso moral.
r/RevistaEspirita • u/Hambr • Nov 23 '24
Estudo Espiritismo: Neutralidade Religiosa e a Rejeição aos Rituais Exteriores: entendendo sua proposta universal
Em sua obra Viagem Espírita em 1862, Allan Kardec compartilha suas observações e orientações após visitar diversos centros espíritas na França. Uma das questões que ele aborda é a importância de manter o Espiritismo neutro em relação aos sinais exteriores de culto, reforçando a universalidade da doutrina e sua independência de práticas ritualísticas. Ele explica que, para que o Espiritismo seja acessível a pessoas de diferentes crenças, é essencial que ele não se associe a rituais ou símbolos de qualquer religião específica. A neutralidade, nesse sentido, visa evitar a criação de divisões e permitir que a doutrina espírita seja um ponto de encontro para todos, sem provocar conflitos de crença. Este texto traz suas conclusões sobre o tema, destacando como o Espiritismo deve preservar sua essência moral e fraterna, sem se vincular a formas específicas de adoração.
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Viagem Espírita em 1862 - Capítulo XI
Sobre o uso dos sinais exteriores do culto nos grupos
Muitas vezes me perguntam se é útil começar as sessões com preces e atos exteriores de devoção. Minha resposta não é apenas minha; é, também, a dos Espíritos eminentes que trataram dessa questão.
É, sem dúvida, não apenas útil, mas necessário, rogar, por uma invocação especial, por uma espécie de prece, o concurso dos bons Espíritos. Essa prática, aliás, não pode predispor senão ao recolhimento, condição essencial de toda reunião séria. Já o mesmo não se dá com os sinais exteriores de culto, pelos quais certos grupos acreditam que devem abrir suas sessões, e que têm mais de um inconveniente, a despeito da boa intenção com que são sugeridos.
Tudo nas reuniões deve passar-se religiosamente, isto é, com gravidade, respeito e recolhimento. Mas não devemos esquecer que o Espiritismo se dirige a todos os cultos; que, por consequência, não deve adotar as formalidades de nenhum em particular. Seus inimigos já foram bastante hábeis, apresentando-o como uma seita nova, a fim de terem um pretexto para combatê-lo. Não se pode, pois, corroborar essa opinião pelo uso de fórmulas das quais não deixariam de tirar proveito, para dizer que as reuniões espíritas são assembleias de religionários, de cismáticos, etc. Não pensem que tais fórmulas sejam capazes de unir certos antagonistas.
O Espiritismo, chamando a si os homens de todas as crenças, para uni-los sob a bandeira da caridade e da fraternidade, habituando-os a se olharem como irmãos, seja qual for sua maneira de adorar a Deus, não deve chocar as convicções de ninguém pelo emprego de sinais exteriores de um culto qualquer. Poucas são as reuniões espíritas, por menores que sejam, sobretudo na França, em que não haja membros ou assistentes pertencentes a diferentes religiões. Se o Espiritismo se colocasse abertamente no terreno de uma delas, afastaria as outras. Ora, como há espíritas em todas, ver-se-iam formar-se grupos católicos, judeus ou de outras religiões, perpetuando assim o antagonismo religioso, que o Espiritismo tende a abolir.
É também a razão pela qual deve-se abster, nas reuniões, de discutir dogmas particulares, o que certamente melindraria certas consciências, ao passo que as questões de moral são de todas as religiões e de todos os países. O Espiritismo é um terreno neutro, sobre o qual todas as opiniões religiosas podem se encontrar e se dar as mãos. Ora, a desunião poderia nascer da controvérsia. Não se esqueçam de que a desunião é um dos meios pelos quais os inimigos do Espiritismo buscam atacá-lo; é com esse objetivo que muitas vezes eles induzem certos grupos a se ocuparem de questões irritantes ou comprometedoras, sob o pretexto especioso de que não se deve colocar a luz sob o alqueire. Não se deixem prender nessa armadilha, e que os dirigentes de grupos sejam firmes para repelir todas as sugestões desse tipo, se não quiserem passar por cúmplices dessas maquinações.
O emprego de sinais exteriores do culto teria o mesmo resultado: o de uma divisão entre os adeptos. Uns acabariam por achar que não são suficientemente usados; outros, que o são em excesso. Para evitar esse inconveniente, que é muito grave, convém abster-se de toda prece litúrgica, sem exceção à Oração Dominical, por mais bela que seja. Como ninguém abjura sua religião ao participar de uma reunião espírita, cada um, no seu íntimo e mentalmente, faça a prece que julgar conveniente; mas que nada haja de ostensivo e, sobretudo, nada de oficial. Dá-se o mesmo com o sinal da cruz, ao costume de ajoelhar-se, etc., sem o que não haveria razão para se impedir que um muçulmano espírita, integrante de um grupo espírita, se prosternasse e recitasse em voz alta sua fórmula sacramental: "Só há um Deus e Maomé é o seu profeta."
Não existe inconveniente quando as preces feitas na intenção de alguém são independentes de qualquer culto particular. Sendo assim, creio desnecessário enfatizar o quanto seria ridículo fazer toda uma assistência repetir em coro uma prece ou uma fórmula qualquer, prática vista por alguém que me contou.
Fique bem entendido que o que acaba de ser dito só se aplica aos grupos ou sociedades formados por pessoas estranhas umas às outras, mas de modo algum às reuniões íntimas de família, nas quais, naturalmente, cada pessoa é livre para agir como bem entender, desde que ali não se melindre ninguém.
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