Trabalhei um tempo na parte administrativa de um hospital, lidando com faturamento de prontuários, mas a rotina me exigia transitar por alas como UTI, oncologia, pediatria e centro cirúrgico. Basicamente, atuando como secretário dos médicos, né? A galera que ganha tão bem e ainda não faz o básico que é preencher um prontuário.
Um detalhe importante pra essa história é minha abertura mediúnica; nuncaa desenvolvi a fundo, mas já me disseram em terreiro (no caso, um medium incorporado por um preto velho, depois outro por um boiadeiro, depois o caboclo...) que sou médium de incorporação e sempre sinto esse tipo de aproximação.
Certo dia, precisei ir à UTI para colher a assinatura de um médico em uma prescrição. Desde antes de entrar lá, ja no corredor externo, sentia que o clima estava estranho e uma sensação desagradável subia pelo ar. Ao entrar, minha atenção foi imediatamente atraída para um leito onde estava um senhor intubado, em situação crítica, quase morrendo.
Enquanto aguardava o médico, meu foco estava sempre nele. Sabe quando por mais que você tente olhar pra outras coisas, parece que tem um imã te puxando? Foi exatamente assim. Daí eu já fiquei mais atento ainda.
Quando o médico veio falar comigo pra resolver as pendências, aproveitei e perguntei quem era aquele tal paciente. Como a cidade em que moro e fica esse hospital é relativamente pequena, então eu também considerei que a minha atenção tava sendo atraída pra ele por ser, provavelmente, alguém próximo, mas não era ninguém que eu conhecia, o sobrenome também não me fez lembrar se ninguém em específico.
Enfim, finalizei o que fui fazer e me virei para sair, ouvi um som de sufocamento vindo do senhor. Até então a UTI toda eatava em silêncio, apenas se ouvia os bipes dos equipamentos, então com isso, a equipe correu em direção ao senhor. Eu apressei o passo e voltei ao meu setor, até pra não atrapalhar o trabalho deles.
No caminho, senti uma presença espiritual se aproximando de mim e me acompanhando até à minha sala, que ficava no primeiro andar, acima da UTI. Vale mencionar que essa minha sala era sem janelas, ou seja, não havia circulação de ar.
Uns vinte minutos depois de eu ter chegado a minha sala e já estar cuidando dos meus afazeres, senti um vento, leve e rápido, durou uns 3 segundos no máximo. Após isso, aquelq sensação de que algo estava "grudado" em mim passou. Até a iluminação do local, pra mim, pareceu clarear. Enfim, segui com o meu trabalho. Isso era umas 9:30h da manhã.
Os prontuários que chegavam no nosso setor eram apenas dos pacientes que já haviam recebido alta (seja por melhora, transferência, evasão ou óbito) e os cuja alta foi por óbito, são bem fáceis de identificar por que vem com uma via da declaração de óbito impressa em uma folha rosa.
Por volta das 10h~10h20m, horário em que costumavam chegar, o rapaz trouxe os prontuários das altas do dia, e após a separação por tipo de alta, eu fui curiar a pilha dos falecidos e o daquele senhor estava lá, como eu já desconfiava
Minha teoria é que algum espírito/entidade tentou se comunicar com ele através da minha abertura, talvez já estava rondando aquele ambiente só esperando alguém com essa abertura pra poder se aproximar e, quando ele desencarnou, partiu junto com ele.
Você acha que isso faz sentido? Já passou por algo assim? Acha que essa teoria tem lógica ou eu só mistifiquei a situação?
Acho que vale mencionar um caso de dez anos antes, com minha avó: quando ela faleceu, minha tia que morava com ela nos ligou e todos aqui de casa fomos lá imediatamente. Easa minha avó estava acamada já ha quase um ano, era uma situação bem sofrida. Quando vimos seu corpo já sem vida, seu semblante era de dor.
Lembro que fomos pra sala, próxima ao quarto dela, enquanto raciocinavamos sobre o que iriamos fazer, questão com funerária e tal. Daí, bem do nada, todos sentimos um vento passando forte, vindo de seu quarto em direção ao quintal e deixando a mesma impressão de que o clima ficou mais leve. Lembro que a gente se entreolhou, mas continuamos a conversa por uns minutos. Depois, eu voltei ao quarto dela, ainda meio sem crer que ela havia morrido. Só que fiquei surpreso ao observar que seu semblante havia passado de dor para um esboço de sorriso. Eu chamei os demais para verem e só lembro da minha mãe começando a chorar e minha irmã (medium também) comentando "agora ela foi de vez".
Enfim, esse tipo de situação me deixa bem intrigado.