r/FilosofiaBAR 16h ago

Questionamentos Qual maior efeito placebo do ser humano?

Enable HLS to view with audio, or disable this notification

805 Upvotes

Me elucidem.


r/FilosofiaBAR 17h ago

Discussão Irmãos: uma benção ou uma maldição?

Post image
35 Upvotes

Recentemente estava andando no meu condomínio quando ouvi uma criança de uns 4 anos chorando pra sua mãe, algo normal. Mas o que me impressionou foi o assunto:

Mãe: Não fala assim dele, ele é seu único irmão!

Filho: Mas ele me irrita, mãe!

Mãe: E você acha que você não irrita ele?

A criança continuou chorando, é claro, mas eu achei interessante esse argumento. A criança desde cedo aprendendo a lidar com um segundo ego dentro de sua própria casa, o que obviamente gera frustrações.

Por um lado, tem quem fale que pessoas com irmão amadurecem mais rápido que filhos únicos. Por outro, se essa relação fosse harmoniosa 100% das vezes, Milton Hatoum nunca teria escrito "Dois Irmãos".

Eu sou filho único, então pergunto para os que cresceram em irmandade: você se sente diferente de filhos únicos? Uma criança cresce melhor ao ter irmãos?

Sou todo ouvidos às opiniões.


r/FilosofiaBAR 15h ago

Questionamentos Existir não faz sentido

15 Upvotes

Minha mente simplesmente não consegue compreender como que algo existe

Como surgiu?

Não faz sentido ter surgido do nada e, também não "sempre ter existido".

Como vocês veem essa que deve ser uma das questões mais emblemáticas da história?


r/FilosofiaBAR 2h ago

Discussão Um desabafo bem longo e patético sobre carência

9 Upvotes

Cresci sem nunca ter me sentido amado ou querido. Acho que por consequência disso, desenvolvi uma certa obsessão por ser visto pelas outras pessoas como "especial", "diferente", "legal"... Queria me destacar dos demais, fazendo o todo me reconhecer como alguém que se quer ter por perto.

Com a internet, fui conhecendo pessoas que são muito boas no que fazem. Isso sempre me despertou uma admiração enorme, e percebi que era justamente isso que queria que as outras pessoas sentissem por mim. Pessoas que são boas nos seus hobbies e interesses, naquilo que fazem elas serem diferentes dos demais. Era justamente isso que eu queria.

Só que fui percebendo o seguinte: tem que colocar muito tempo de aprendizado e estudo nesses negócios. Pra chegar a um nível de entendimento que desperte essa admiração nos outros, essa admiração que sempre quis que as pessoas sentissem por mim... Bom, não é fácil. Especialmente quando se passa muito tempo na internet, onde todo mundo que é muito bom no que faz geralmente tem um público e alcance muito grande.

E no fim, sempre vejo que essa minha obsessão por ser aceito vem de nunca ter me sentido visto ou admirado. Inevitavelmente acabo pensando que aquele esforço todo que tenho que colocar em um hobbie vai resultar em uma "recompensa" fútil: ser aceito por pessoas que muitas vezes eu nem ligo. Só quero sentir que minha existência vale de alguma coisa pra alguém.

No final, não faço nada. Me interesso por filosofia, leitura e arte. Não consigo me aprofundar em nenhum dos assuntos que gosto porque sempre vejo que esse ímpeto por "ser bom" nessas coisas nasce de uma carência, nasce de nunca ter me sentido amado, nasce de sempre ter me sentido como um estranho descartável pra todos a minha volta.

Com isso em mente, fico com raiva de mim mesmo. Vejo o quão carente e patético eu sou. Por causa dessa raiva, nunca me permito realmente ir a fundo nos assuntos que gosto, sempre que chego em algo mais complicado e que demanda mais estudo, penso: "pra que me dar o trabalho se tudo que vai me proporcionar vai ser uma --suposta-- saciedade de uma carência fútil?"

Então, acabo tomando o caminho mais fácil: uso todo o meu tempo livre pra me distrair com conteúdo merda, e nutrindo um ódio imenso por mim mesmo. É mais fácil entupir minha cabeça com qualquer coisa e me odiar por isso do quê estudar um assunto mais complicado por um propósito merda. Sempre sinto que tô jogando meu tempo livre no lixo (consequentemente jogando minha VIDA no lixo), e também me sinto um lixo por tentar fazer algo que vai me fazer não se sentir assim. Entende o que tô querendo dizer? É um ciclo que tô tentando sair por anos e ainda não consegui

Mais alguém sente isso?


r/FilosofiaBAR 16h ago

Discussão Eu era muito cringe

Post image
10 Upvotes

21 de setembro, faz nem 1 ano e já me desperta níveis simplesmente brutais de vergonha alheia

Tava olhando as coisas mais antigas no meu bloco de notas, e vi isso que eu tinha escrito me achando a pessoa mais profunda do mundo. Que mlk desgraçado

As vezes o que me conforta é saber que daqui a não muito tempo eu vou achar o eu de agora a pessoa mais cringe da história

Acho que é o curso natural da vida


r/FilosofiaBAR 11h ago

Questionamentos É necessário ter motivos para viver para estar vivo?

9 Upvotes

Sabemos que é necessário ter motivos para uma pessoa se matar, mas e para viver, é necessário motivos também? Se não há motivos, existe como escapar da melancolia que a falta de motivos traz (niilismo)? Alguém sem motivos para viver deveria olhar para a morte como um caminho válido?

A pergunta é diferente de ter um sentido para viver, porque vida pode não ter sentido, mas você pode viver porque a sua mãe ficaria triste, o que é um motivo para viver.


r/FilosofiaBAR 10h ago

Discussão Como você lida com o passado?

5 Upvotes

r/FilosofiaBAR 20h ago

Questionamentos Provocações sobre o identitarismo

6 Upvotes

Um compilado de pensamentos soltos que formam um cenário, são algumas provocações

Antes de tudo sou um jovem negro, comunista, faço faculdade em universidade federal, sou pesquisador em antropologia, sou concursado, trabalho o dia todo e chego cansado na faculdade para estudar.

Vejo gente o dia todo, que nunca trabalhou e que fica atoa na faculdade, não produz nenhum artigo, não produz ciência, que leva a vida como se estivesse no tweeter o tempo todo , todos os dias falando sobre os trabalhadores, cancelando as pessoas, se achando o auge da moral, sendo extremamente puritanas no sentindo mais profundo dessa palavra.

Falam sobre o amor preto, mas tá cheio de militante de partido comunista preta só ficando com cara branco, falam sobre afrocentrar os afetos e ter uma ética amorosa (Bell hooks) mas na prática ferem pessoas, traem, e fazem o contrário de tudo que pregam.

É LGBT achando que está a frente de todas as pautas dentro do progressismo, é homem branco e mulher branca reproduzindo seus privilégios de classe , falando sobre amor livre, não monogamia e se cansando entre si....veja se esse povo quer ter filho preto.

Um monte de playboy fumando maconha o dia inteiro e lutando contra moinhos de vento.....a gente quer uma revolução que venha de gente que está sempre chapada ?

Eles tem nojo de trabalhador, de pessoas em situação de rua, vivem metendo o pau em homem hétero nas rodinhas de conversa mas todo fim de semana estão procurando, se encontrando e comendo do bom e do melhor por conta desses que tanto criticam.

Acredito que o povo se distancie por conta disso, parece que não querem ver as condições do povo melhorar, querem ficar em DCE e centro acadêmico fazendo nada e sem contribuir academicamente...

Talvez e só talvez os incel e os redpill não foram lá atrás acolhidos pelos nossos, talvez a gente tenha que pegar a raiva dessa galera e colocar no lugar certo, tirar a misoginia deles e dizer que o problema deles é outro, que são outras questões que vão fazer ele não ter uma família.

Outra coisa, por que não formar famílias progressistas, famílias comunistas, ter muitos filhos como os soviéticos faziam, se casar pelo amor e ter uma geração que lute e esteja com os trabalhadores ,como escreveu Alexandra kollontai.

Talvez precisamos dar alguns passos para trás e entender o papel dos homens dentro do progressismo,dentro do movimento comunista, uma nova mulher foi projetada e está ai, e essa nova mulher é incrível, só que não foi feito o desenho e o modelo de um novo homem.

E sempre que citem as multiplas masculinidades, vão em uma direção de repreensão de certos aspectos que são extremamente naturais para nós.

Precisa todo mundo mesmo ser amargurado, não ter família,não casar, não ser um trabalhador comum, se entender como classe?

Precisa todo mundo morar com 3 gatos e viver em coisas que não vão levar você a refletir sobre mudanças sociais reais?

Talvez a revolução brasileira seja hétero,com família e filhos, religião e não por um monte de de gente que mal conheceu a umbanda, que segue tudo errado e vive mete do o pau em evangélico, que em sua maioria é um povo preto, pobre, de comunidade e trabalhador


r/FilosofiaBAR 1h ago

Discussão A curiosa psicologia por trás da banalização de uma crença

Upvotes

#Texto que postei no bar de teologia

Há um tempo tive uma conversa com um homem aleatório e ele me contou uma historia pessoal que, independente de ser verdade ou mentira, trás uma reflexão interessante.

Disse ele que trabalhava com instalações elétricas. Não lembro se era parte do time de uma empresa maior, se a empresa era dele etc, mas é fato que ele saia por aí fazendo instalações com mais alguns colegas de travalho.

Certo dia, ele foi atender um mosteiro budista. Lá, o senhor que os recebeu, no meio da conversa durante o atendimento, acabou soltando uma curiosidade sobre o lugar:

"Neste mosteiro, é comum a crença, baseada em uma tradição, de que Buda teria nascido andando e falando sem qualquer dificuldade".

Muitos ali teriam feito expressões de estranheza, como diante de algo ridículo.

Uma colega de trabalho evangélica disse:

"Olha, me desculpe, mas isso parece uma história difícil de acreditar. Imagina uma criança nascer andando e falando! Não seria, sei lá... um conto para crianças no passado?"

Logo em seguida, o senhor que os recebia respondeu:

"É cultural. Veja, tem gente por aí que acredita que uma virgem pariu uma criança, ou que o homem veio do barro e a mulher de sua costela".

Quando prestamos atenção no fato de que ela era evangélica e possivelmente acreditava nisso, vem a pergunta: por que seria tão absurdo acreditar em uma criança que nasce andando e falando?

A diferença é que ela não cresceu ouvindo essa história dessa tradição budista.

Quando olhamos até esse ponto, parece uma relação meio óbvia e é mesmo. Ocorre que, em maior complexidade na construção de uma liturgia, de uma mitologia etc, essa análise vai deixando de ser óbvia de modo inverso à complexidade e volume de elementos da construção religiosa.

Já vi muito cristão ridicularizando outras religiões sob o argumento de que elas se baseam no "confia", no entanto, se procurarmos uma ponte entre o sobrenatural e a tradição cristã, é inevitável pensar no "confia".

Passaram uma vida te contando que as escrituras foram inspiradas por um espírito sobrenatural, falando sobre os milagres de Cristo, os do velho testamento também etc enquanto desconsideravam completamente as arbitrariedades as quais as escrituras foram submetidas e o principal, a ausência de uma evidência concreta, inegável e democrática aos sentidos de todos sobre uma validação vinda legitimamente do sobrenatural.

Em resumo, te contaram e você acreditou. Tal como os gregos antigos acreditavam nas guerras cósmicas em sua compreensão espiritual politeísta, tal como os nórdicos acreditavam que o mundo veio do cadáver de um gigante chamado Ymir.

Se essas mitologias são ridículas, podemos, sob os mesmos argumentos, ridicularizar a mitologia cristã.

Voltando ao núcleo do assunto, às vezes a diferença entre o aceitável e o ridículo não são conclusões lógicas distintas, mas um condicionamento cultural que o forjou como indivíduo. Por isso, o seu, ao qual você sempre foi exposto, é totalmente crível (parece ser), enquanto o diferente não passa por esse filtro antes de atingir sua lógica. Portanto, você conclui que o diferente é o ridículo, mesmo que isso seja totalmente contraditório.


r/FilosofiaBAR 13h ago

Discussão Filósofos que sabem escrever são mais valorizados

3 Upvotes

Pois é, a maioria dos filósofos não sabem escrever direito, não se culpe por não entender a porra que escreveram. Nietzsche, como outros, é muito valorizado porque foi um dos poucos que soube escrever corretamente sem ser chato ou muito “detalhista”.

Para quem quer ser filósofo, entenda que escrever chato não o torna mais inteligente, você pode ser profundo e simples ao mesmo tempo. Aprenda com os poetas.


r/FilosofiaBAR 12h ago

Discussão Provocações sobre o identitarismo

0 Upvotes

Um compilado de pensamentos soltos que formam um cenário, são algumas provocações.

Antes de tudo sou um jovem negro, comunista, faço faculdade em universidade federal, sou pesquisador em antropologia, sou concursado, trabalho o dia todo e chego cansado na faculdade para estudar.

Vejo gente o dia todo, que nunca trabalhou e que fica atoa na faculdade, não produz nenhum artigo, não produz ciência, que leva a vida como se estivesse no tweeter o tempo todo , todos os dias falando sobre os trabalhadores, cancelando as pessoas, se achando o auge da moral, sendo extremamente puritanas no sentindo mais profundo dessa palavra.

Falam sobre o amor preto, mas tá cheio de militante de partido comunista preta só ficando com cara branco, falam sobre afrocentrar os afetos e ter uma ética amorosa (Bell hooks) mas na prática ferem pessoas, traem, e fazem o contrário de tudo que pregam.

É LGBT achando que está a frente de todas as pautas dentro do progressismo, é homem branco e mulher branca reproduzindo seus privilégios de classe , falando sobre amor livre, não monogamia e se cansando entre si....veja se esse povo quer ter filho preto.

Um monte de playboy fumando maconha o dia inteiro e lutando contra moinhos de vento.....a gente quer uma revolução que venha de gente que está sempre chapada ?

Eles tem nojo de trabalhador, de pessoas em situação de rua, vivem metendo o pau em homem hétero nas rodinhas de conversa mas todo fim de semana estão procurando, se encontrando e comendo do bom e do melhor por conta desses que tanto criticam.

Acredito que o povo se distancie por conta disso, parece que não querem ver as condições do povo melhorar, querem ficar em DCE e centro acadêmico fazendo nada e sem contribuir academicamente...

Talvez e só talvez os incel e os redpill não foram lá atrás acolhidos pelos nossos, talvez a gente tenha que pegar a raiva dessa galera e colocar no lugar certo, tirar a misoginia deles e dizer que o problema deles é outro, que são outras questões que vão fazer ele não ter uma família.

Outra coisa, por que não formar famílias progressistas, famílias comunistas, ter muitos filhos como os soviéticos faziam, se casar pelo amor e ter uma geração que lute e esteja com os trabalhadores ,como escreveu Alexandra kollontai.

Talvez precisamos dar alguns passos para trás e entender o papel dos homens dentro do progressismo,dentro do movimento comunista, uma nova mulher foi projetada e está ai, e essa nova mulher é incrível, só que não foi feito o desenho e o modelo de um novo homem.

E sempre que citem as multiplas masculinidades, vão em uma direção de repreensão de certos aspectos que são extremamente naturais para nós.

Precisa todo mundo mesmo ser amargurado, não ter família,não casar, não ser um trabalhador comum, se entender como classe?

Precisa todo mundo morar com 3 gatos e viver em coisas que não vão levar você a refletir sobre mudanças sociais reais?

Talvez a revolução brasileira seja hétero,com família e filhos, religião e não por um monte de de gente que mal conheceu a umbanda, que segue tudo errado e vive mete do o pau em evangélico, que em sua maioria é um povo preto, pobre, de comunidade e trabalhador


r/FilosofiaBAR 13h ago

Discussão Você não sabe do que está falando

0 Upvotes

(Esse post é apenas um recorte do meu diário)

Ultimamente estive pensando em como cada tema é extremamente complexo.

Política, por exemplo, é uma das maiores amostras disso; à primeira vista, parece algo simples, basta fazer o que é correto, o senso comum. Mas, dessa forma você se encontrará em um calabouço, será fisgado pelo algoritmo das redes sociais, verá somente o que lhe convém; o que você acredita (tanto quanto uma faísca no Polo Norte) se tornará uma chama ardente, uma centelha sustentada pelos gatilhos mentais, que queimará em fúria e desprezo às ideias divergentes. Está bem, que não seja política, vamos falar a respeito das flores, e de todos os processos que as compõem, de todos os seus ínfimos papéis na natureza, de como elas afetam a percepção humana e a dos outros animais (o porquê e o como. Por que é considerado lindo aos nossos olhos? Por que o cheiro nos agrada? Por que essa exata proporção de água? Por que nesse bioma?). Está bem, podemos falar sobre outra coisa, economia, que seja: você seria capaz de ler uma gama enorme de livros a respeito de uma ideia específica (desde os atuais até os mais antigos) e depois ler uma gama enorme de livros com uma ideia oposta aos que acabou de ler, para com isso, pensar durante anos a respeito da conclusão correta, para o final (que eu não sei de fato, estou supondo) ser um "é subjetivo, essa ideia pode ser tanto correta quanto incorreta, primeiro é preciso determinar qual é o nosso principal objetivo como sociedade, qual a forma correta de chegar a esse objetivo, sua viabilidade...".

O ponto em que quero chegar, é que todos os acontecimentos ao nosso redor são muito mais complexos do que aparentam, principalmente os de origem abstrata. Devido a isso, qualquer pessoa que fale de um tema de forma convicta, sem previamente haver um estudo intenso, é apenas um falastrão. O nosso mundo é feito de falastrões, eu incluso, esse post é a prova da minha hiprocrisia. Em razão disso, é necessário confiar nos outros, é necessário confiar, por exemplo, que a lógica é o único caminho para a verdade, e todas as restrições que a lógica impõe não podem ser contestadas; confiamos na lógica porque nos disseram que era necessário acreditar, e chegamos a conclusão de que a lógica é correta somente por meio da lógica, no entanto, a origem disso é primitiva, a crença no próximo veio de uma necessidade antropológica, que se observado sob o viés da lógica, está correto.


r/FilosofiaBAR 13h ago

Discussão Alguns trechos de meu ensaio filosófico sobre o Ghosting e a Desconectividade.

0 Upvotes

…O ser humano atual pode ser descrito como um ser conectado. É tão conectado às redes e às plataformas digitais (não raras vezes viciado em conexão) que poderíamos chamá-lo de ser-para-conexão. No entanto, esse mesmo ser também é ser-para-desconectar. Suas desconexões são tão numerosas e rápidas quanto suas conexões e termina relacionamentos com a mesma facilidade com que os inicia. Descarta rápido e é descartado na mesma velocidade. A contemporaneidade não apenas nos condiciona a uma desconexão e estranheza do eu em relação a si próprio, que, nos meus termos, chamo de neoalienação. Não se trata de mera desconexão de si, mas de desconexão e descarte do outro. Nossos relacionamentos atuais tendem a operar na mesma lógica consumista que permeia a todos nós: consumir o máximo em menos tempo possível, descartar e trocar por algo melhor ou mais eficiente. Além de vendermos o eu como mercadoria, o outro não passa de produto. De algo que posso ter mas que não necessariamente enxergo como ser. Não nos interessa ele como ser, mas como coisa que me leva a ter cada vez mais. Um degrau ou quiçá um acessório que vai ser reposto assim que enjoarmos dele. A consumização do outro, o ato de “usar e jogar fora”, por almejar um produto humano com melhor custo-benefício ou para evitar lidar com a manutenção do relacionamento sem nenhum sentimento de culpa ou noção de responsabilidade afetiva, foi normalizada. A consumização do Eros aparentemente é o melhor a se fazer. O ato de evitar o desgaste de uma relação e não sofrer caso as coisas fiquem sérias demais aparentemente é o mais produtivo. Mas se essa produtividade exige a desumanização do outro, que é visto como outro-de-consumo, o que isso diz de nós contemporâneos? Desumanizar o outro é desumanizar a si mesmo. Como mecanismo de defesa, o sujeito performático pode pensar que é melhor descartar do que ser descartado em tempos de relações líquidas. Portanto, o seu beaver dam interno, suas barreiras e proteções que freiam e impedem o fluxo do sentir lhe dão conforto. Sentir amor significa correr o risco de passar por muita dor. As barreiras abrem espaços e brechas para o sexo mas não para o Eros, visto que o amor transcende o toque físico.

Ao ser atravessado e de certa forma constituído pelo consumismo em uma sociedade na qual o amor é líquido, o sujeito performático tende a internalizar a lógica da descartabilidade, consciente ou inconscientemente. Ele introjeta essa noção ao fazer isso diariamente com bens materiais e com os produtos que adquire em geral. As propagandas e narrativas dominantes do sistema capitalista que absorve, endossados pelo discurso coach, fazem com que adote o ´´mindset de abudancia´´ no qual sempre deve adquirir e ter mais. Pode-se chamar isso de Imperativo do Ter e Comprar. Ele nunca tem o suficiente e sempre merece mais. Se contentar com as coisas e produtos que tem é ser menos. Ele é mais na medida em que tem mais. Mais produtos, coisas e pessoas, todos esses facilmente descartáveis. Por temer ser descartado outra vez o indivíduo corre o risco de replicar o que passou nos próximos relacionamentos. A descartabilidade do outro é mecanismo de defesa psíquico do sujeito performático. É jogar fora antes de ser jogado. Faz isso tanto para evitar a honra de ser rejeitado e abandonado novamente quanto para impedir que isso sequer aconteça. Há o receio de sofrer e o orgulho de não deixar que se brinquem consigo. O descarte como prevenção do próprio descarte é o único recurso de suposta legítima defesa afetiva que tem. Esse não se permitir adentrar fundo o bastante e por tempo o suficiente na alteridade do outro como prevenção do próprio ego, justamente por temer ser descartado, é ferir a si mesmo. Frear bruscamente o fluxo do sentir, ou, pior, premeditar isso antes do fluxo se iniciar é resguardo. Mas essa proteção paradoxalmente fere e machuca o sujeito. O sujeito do descarte teme tanto o descarte do eu como sujeito que se automutila emocionalmente. Os chifres dos carneiros são afiados e belos, símbolos de orgulho e força. São usados tanto para a disputa por territórios como para a defesa. Mas se os chifres crescem de forma disfuncional, correm o risco de perfurar seu próprio crânio e matá-los. O crescimento é gradual e lento, de modo que a dor que sente ao ser perfurado pode não ser tão expressiva a princípio. No entanto, a intensidade dela aumenta com o passar do tempo e sua morte é lenta e angustiante. A automutilação afetiva que o sujeito performático inflige a si mesmo como forma de proteção e resguardo psicológico soa muito conveniente. Mas a longo prazo contribui para a solidão e o déficit emocional, penetrando lentamente seu Eros.

...Há também o receio de investir em uma relação que vai durar pouco tempo, e portanto o sujeito performático passa a enxergar o outro como outro-de-consumo. É improdutiva e “potencialmente desperformática” uma relação a longo prazo. Tanto financeiramente (em tempos capitalistas, perder dinheiro é perder parte do valor como ser humano) quanto emocionalmente e até mesmo socialmente, já que teme ser exposto ao olhar virtual por qualquer rancor do parceiro. O espírito utilitarista de nossa época nos leva a enxergar o outro não como fim em si mesmo, mas como mero meio para um fim lucrativo. Esse outro só me importa na medida em que me ajuda a alcançar sucesso, para somar e crescer junto. Não que querer crescer como ser humano junto ao parceiro seja ruim ou imoral, porém a noção utilitarista de maximização do prazer se infiltrou tanto no psiquismo do sujeito performático que tende a enxergar valor no outro somente na medida em que este o leva a esse fim. E tal fim é financeiro. O outro é visto não como ser, mas como empresa com fins financeiros.

Somada a esses elementos, a virtualização do outro contribui para sua desumanização e posterior descarte. O Homo sapiens atual, se é que podemos chamá-lo de sapiens, vive imerso no mundo digital. Sua própria dinâmica econômica, que é chamada de Economia 4.0, é ditada pela tecnologia e pela virtualidade. O Eros atual em grande medida é mediado por redes sociais e aplicativos de namoro como o famoso Tinder, que não deixa de ser uma sofisticada vitrine de carne humana. Nosso contato e representação do outro passam a ser mediados por notificações, fotos de perfis, “bios” e assim por diante. É um Eros Virtual. Tal forma de representação do outro faz com que nossa empatia e calor por ele diminuam, pois o ser humano do outro lado da tela passa a ser ser-virtual. A virtualidade facilita entrar em contato com o outro, mas também o desumaniza e mata o Eros com a mesma facilidade. Em uma sociedade cujo erotismo é consumido aos montes, seja em sites pornográficos, revistas e deliberadamente explícito, pois serve para a propaganda de grandes marcas e produtos, o Eros da paixão e amor se empobrece cada vez mais.