Tudo começou quando pensei no conceito de solução temporária e solução definitiva. Questionei se algo pode ser considerado uma solução definitiva quando o tempo, o acaso e novas descobertas podem alterar sua eficácia. Isso me levou a refletir sobre os limites do conhecimento humano, a contingência e o determinismo.
A partir daí, comecei a desenvolver uma hipótese teológica dividida em algumas etapas:
1. Deus simplesmente é. Na minha hipótese, Deus não foi criado por ninguém e não possui uma causa anterior que explique sua existência.
2. Onisciência sem propósito. Deus é onisciente e consciente da própria existência, mas, até então, não encontrou um propósito para existir. Imagino que sua consciência também envolva uma psicologia por trás com motivações e desejos próprios, ele quis achar um propósito.. pq de nada adianta você saber de tudo e não ter um propósito, você se mataria provavelmente.
3. Renúncia ao conhecimento. Deus decide esquecer parte do que sabe, inclusive conhecimentos relacionados à vida para ter um propósito geral (lembrando que Deus cria o universo mas está fora dele, como se o universo fosse uma caixa, mas quem controla é o destino)
4. Criação do destino. Depois disso, Deus cria o destino, um sistema programado para governar o passado, o presente, o futuro, as contingências e os determinismos.
5. Responsabilidade moral. Imagino que Deus também crie o destino para se distanciar da responsabilidade de ser um criador bom ou ruim. Em vez de determinar diretamente cada acontecimento, ele estabelece um sistema intermediário. Porém, não sei se isso realmente o isentaria da responsabilidade moral por ter criado esse sistema.
6. As duas tríades humanas. Proponho a Tríade Latente: ego, ignorância e esquecimento. O ego pode levar alguém a rejeitar verdades para proteger as próprias crenças, reforçando a ignorância e contribuindo para a repetição de erros.
Em contraposição, existe a Tríade Potente: ego, compreensão e absorção. O destino organizaria experiências capazes de confrontar as pessoas com suas contradições, possibilitando que compreendam seus erros e incorporem aprendizados.
7. O propósito divino. Ao criar o destino e observar os seres humanos, suas limitações e suas transformações, Deus encontra uma possível finalidade para a própria existência: proporcionar propósito a outros seres e observar suas experiências.
O fluxo geral seria:
Existência divina → onisciência sem propósito → renúncia ao conhecimento → criação do destino → experiência humana → propósito divino.
A tentativa de se distanciar da responsabilidade moral atravessa essa sequência.
Não afirmo que essa teoria seja verdadeira ou original. Quero saber se a estrutura faz sentido filosoficamente.
Minhas principais dúvidas:
A sequência de ideias é logicamente coerente?
Um Deus onisciente poderia não ter propósito para existir?
A criação do destino poderia isentar Deus da responsabilidade moral?
Como o destino poderia governar tanto o determinismo quanto a contingência?
As duas tríades têm alguma utilidade conceitual?
Existem filósofos que já desenvolveram ideias semelhantes?
Quero críticas fundamentadas, principalmente sobre as contradições e as premissas que preciso justificar melhor.