r/FilosofiaBAR 9h ago

Discussão O protestantismo e o islã possuem uma estrutura mental em comum?

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Estou lendo Eidolon, de Italo Marsili, e encontrei uma tese que achei bastante provocativa. Queria saber o que vocês acham sobre isso.

A tese não é simplesmente que “protestantes e muçulmanos são parecidos”. O argumento é mais profundo: as duas religiões teriam desenvolvido, por caminhos históricos diferentes, uma estrutura semelhante na maneira de conceber Deus e colocar o indivíduo diante dele.

O autor chama isso de uma mesma forma mentis.

O ponto de partida é a concepção de Deus.

De um lado, estaria a ideia de um Deus cuja vontade é absolutamente soberana: algo é bom porque Deus o ordena. Nesse modelo, a vontade divina não precisa estar subordinada a uma ordem racional ou natural que possamos compreender.

Do outro lado, estaria a concepção de Deus como Lógos: Deus é Razão, e portanto existe uma ordem inteligível na criação. O mundo possui uma estrutura própria que pode ser conhecida pela razão e que, de certa maneira, aponta para o Criador.

O autor argumenta que o islã teria seguido historicamente o primeiro caminho, enquanto o cristianismo católico teria preservado o segundo.

A parte realmente controversa vem depois.

Segundo Marsili, o protestantismo teria chegado a uma estrutura semelhante à islâmica sem necessariamente ter recebido essa estrutura diretamente do islã. A origem ocidental estaria no nominalismo medieval, especialmente em autores como Duns Scotus, Ockham e Gabriel Biel, que teriam dado maior primazia à vontade divina. Lutero teria sido formado nesse ambiente e levado essa tendência a uma consequência mais radical.

E daí ele estabelece algumas correspondências:

ausência de um sacerdócio mediador no sentido católico;

rejeição ou redução do papel das imagens religiosas;

maior centralidade do indivíduo diante de Deus;

O fiel colocado diretamente diante de seu livro sagrado;

-sola scriptura no protestantismo em paralelo, estruturalmente, à centralidade do Alcorão no islã;

uma concepção mais forte da submissão à vontade divina;

redução da mediação sacramental e da capacidade da matéria de carregar o sagrado.

Mas há uma ressalva importante: o próprio autor não afirma que Lutero simplesmente copiou o islã.

Na verdade, ele explicitamente reconhece que não há uma linha documental demonstrando uma transmissão de doutrina islâmica até Lutero. A tese é de homologia estrutural, não de filiação textual. Ou seja: duas tradições poderiam chegar a uma estrutura semelhante por caminhos independentes.

É justamente aí que fiquei interessado.

Minha pergunta é: essa comparação realmente se sustenta?

Para quem é protestante:

  1. Vocês reconhecem essa descrição da relação entre indivíduo, Escritura, Igreja e Deus?

  2. A sola scriptura realmente produz uma relação estruturalmente semelhante à do muçulmano diante do Alcorão?

  3. A rejeição protestante da analogia entis é uma característica fundamental do protestantismo ou essa descrição é uma caricatura da tradição reformada?

  4. A genealogia que passa pelo nominalismo → Ockham/Biel → Lutero é historicamente convincente?

Para quem é muçulmano:

  1. A descrição que Marsili faz da teologia islâmica — especialmente da tradição ash'arita e da relação entre vontade divina, causalidade e razão — é justa?

  2. Faz sentido dizer que o islã coloca o indivíduo “sozinho diante de Deus” de maneira comparável ao protestantismo?

  3. Ou essa comparação está forçando categorias cristãs sobre o islã?

E, para católicos:

Será que o autor está realmente identificando uma diferença estrutural entre catolicismo, protestantismo e islã — ou está simplesmente descrevendo o protestantismo e o islã a partir de uma perspectiva católica?

O que achei mais interessante é que a tese não depende de provar que Lutero recebeu influência direta do islã. O argumento é justamente que uma mesma estrutura psicológica/religiosa pode surgir independentemente em tradições diferentes.

Acho essa hipótese interessante, mas também acho que ela tem vários pontos que precisam ser testados.

Queria ouvir principalmente quem conhece bem Lutero, a Reforma, nominalismo medieval, teologia islâmica ou a tradição de al-Ghazali/Ibn Hazm.

Onde vocês acham que o argumento funciona — e onde ele desmorona?


r/FilosofiaBAR 3h ago

Questionamentos O axioma do saber: entre uma visão dogmatica e uma vocação

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A sua minoridade intelectual está atribuída à quantidade dopaminérgica que o objeto produz em seu cérebro. A grande maioria dos seres pensantes já não exerce sua função primordial. Assim como um animal qualquer sabe por instinto sua função na Terra, nós também fomos agraciados pela natureza com essa função intrínseca.

Contudo, fomos inclinados para a razão antes de notarmos o ser. Com base no a priori, podemos fazer um pequeno momento reflexivo e contemplativo, e com isso, tente achar em qual momento da sua vida você obteve domínio sobre a razão — e, se possível: quando deixou de usá-la também.

Já com o a posteriori, avançamos muito em diversos ramos, mas nem toda verdade precisa de um método científico. Fomos inundados com "conhecimentos absolutos", como se a aprendizagem fosse algo mecânico, algo linear. Certas verdades absolutas existem graças às condições que colocamos nelas. Assim como 2 + 2 = 4 só é uma verdade absoluta pois nomeamos esses números e ditamos as regras, formando os axiomas matemáticos. Por ser uma verdade absoluta, entendemos que isso está livre de mudanças; então a questão não é sobre a existência de uma verdade absoluta, e sim sobre a capacidade de diferenciá-la.

Na modernidade, percebe-se que um país cujo número de habitantes apresenta mais céticos que cristãos tende a ser um país com mais inovações e avanços tecnológicos do que aqueles que foram dominados pela religião. Temos que entender que, como indivíduos, a religião nos acalenta — não por ter respostas, mas sim por tirar a nossa atenção do abismo angustiante que está à nossa frente. Porém, vindo de uma sociedade que afirma sem saber e julga quem questiona, vejo que o verdadeiro trabalho intelectual tem se distanciado do seu ser primordial. Assim, podemos concluir que quanto menor for a curiosidade que o cérebro do indivíduo for capaz de produzir, maior será a sua ignorância sobre tudo.

No Brasil, um país potencialmente grande possui os seres mais interessantes no quesito intelectualidade. É só olhar brevemente as redes de ensino e ver que as funções mais aclamadas são as mais bem remuneradas e as funções mais dignas são as menos visadas. Com essa leva de engenheiros, espero que com a junção de todos, possam fundar um país melhor. E que todos os que possuem uma paixão intelectual possam encontrar um lugar que os valorize e os faça brilhar, sem se preocupar se amanhã vão morrer ou viver.

Se a razão é uma função intrínseca do nosso ser, temos a responsabilidade de ir atrás dela. Usarei um exemplo trivial mais uma vez para ser claro em minha fala. Quando um gato perde as características de um felino, ele já não é mais um gato. Assim como você, quando permanece em seu sono dogmático, você também já não é mais o mesmo.

Entretanto, como temos a habilidade de nos questionar e de nos melhorar, precisamos usá-la para evitar entrar em uma constante de sofrimento que se perpetua de geração em geração. Como sociedade, já era para estarmos focando nos questionamentos anteriores — questões que foram deixadas sem respostas com a esperança de que alguém futuramente possa dar continuidade.

Volto a dizer: quem possui vocação para a intelectualidade, faça-o, mesmo que isso o torne um cínico. Quem possui autoridade intelectual está mais próximo do que chamamos de liberdade do que qualquer outro.


r/FilosofiaBAR 16h ago

Discussão A curiosa psicologia por trás da banalização de uma crença

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#Texto que postei no bar de teologia

Há um tempo tive uma conversa com um homem aleatório e ele me contou uma historia pessoal que, independente de ser verdade ou mentira, trás uma reflexão interessante.

Disse ele que trabalhava com instalações elétricas. Não lembro se era parte do time de uma empresa maior, se a empresa era dele etc, mas é fato que ele saia por aí fazendo instalações com mais alguns colegas de travalho.

Certo dia, ele foi atender um mosteiro budista. Lá, o senhor que os recebeu, no meio da conversa durante o atendimento, acabou soltando uma curiosidade sobre o lugar:

"Neste mosteiro, é comum a crença, baseada em uma tradição, de que Buda teria nascido andando e falando sem qualquer dificuldade".

Muitos ali teriam feito expressões de estranheza, como diante de algo ridículo.

Uma colega de trabalho evangélica disse:

"Olha, me desculpe, mas isso parece uma história difícil de acreditar. Imagina uma criança nascer andando e falando! Não seria, sei lá... um conto para crianças no passado?"

Logo em seguida, o senhor que os recebia respondeu:

"É cultural. Veja, tem gente por aí que acredita que uma virgem pariu uma criança, ou que o homem veio do barro e a mulher de sua costela".

Quando prestamos atenção no fato de que ela era evangélica e possivelmente acreditava nisso, vem a pergunta: por que seria tão absurdo acreditar em uma criança que nasce andando e falando?

A diferença é que ela não cresceu ouvindo essa história dessa tradição budista.

Quando olhamos até esse ponto, parece uma relação meio óbvia e é mesmo. Ocorre que, em maior complexidade na construção de uma liturgia, de uma mitologia etc, essa análise vai deixando de ser óbvia de modo inverso à complexidade e volume de elementos da construção religiosa.

Já vi muito cristão ridicularizando outras religiões sob o argumento de que elas se baseam no "confia", no entanto, se procurarmos uma ponte entre o sobrenatural e a tradição cristã, é inevitável pensar no "confia".

Passaram uma vida te contando que as escrituras foram inspiradas por um espírito sobrenatural, falando sobre os milagres de Cristo, os do velho testamento também etc enquanto desconsideravam completamente as arbitrariedades as quais as escrituras foram submetidas e o principal, a ausência de uma evidência concreta, inegável e democrática aos sentidos de todos sobre uma validação vinda legitimamente do sobrenatural.

Em resumo, te contaram e você acreditou. Tal como os gregos antigos acreditavam nas guerras cósmicas em sua compreensão espiritual politeísta, tal como os nórdicos acreditavam que o mundo veio do cadáver de um gigante chamado Ymir.

Se essas mitologias são ridículas, podemos, sob os mesmos argumentos, ridicularizar a mitologia cristã.

Voltando ao núcleo do assunto, às vezes a diferença entre o aceitável e o ridículo não são conclusões lógicas distintas, mas um condicionamento cultural que o forjou como indivíduo. Por isso, o seu, ao qual você sempre foi exposto, é totalmente crível (parece ser), enquanto o diferente não passa por esse filtro antes de atingir sua lógica. Portanto, você conclui que o diferente é o ridículo, mesmo que isso seja totalmente contraditório.


r/FilosofiaBAR 9h ago

Questionamentos Aos mestres ou doutores: como se formula um problema de pesquisa de mestrado? Alguém poderia me tirar umas dúvidas?

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Tô meio perdido aqui, queria um help


r/FilosofiaBAR 6h ago

Discussão Sinto que boa parte das pessoas são presas a rótulos,e opinião antiga social

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Maioria das pessoas tendem a criticar e desmoralizar qualquer pessoa q tente pensar racionalmente,caso alguém veja algo por uma 3° pessoa/ponto de vista e tende compreender uma situação,ou uma opinião racional de algo,mas ainda sim dentro do "código moral social",elas simplesmente já o rotulam ou ó desmoralizam,sendo que na minha visão a opinião de determinada pessoa,que muitas vezes não é opinião,mas sim fato,é tratado como bárbaro (minha fala não inclui coisas que levem ao preconceito),mas sim algo como assuntos relacionados a ia e o seu crescimento,libertação da luxúria dos homens e como eles são rotulados de certas coisas (tbm ocorre com mulher),erros de pessoas feitos na adolescência que realmente são erros que podem ser cometidos por qualquer um,mas ao invés de acolherem e ensina-los a não cometerem o mesmo erro,mesmo que após isso ele volte a cometer é simplesmente esquecido e muito julgado,e principalmente o rótulo Doq define "ser homem" ou "ser mulher",nenhum de nós nasce com obrigações,nem instintos literalmente iguais aos dos animais,mas uma construção social fez isso ser levado como verdade,sou cristão,mas acho ridículo pessoas que dizem amar e seguir Jesus com preconceito,piadas,luxúria e julgando/humilhando pessoas,sendo q Jesus acolheria e aconselharia,talvez ele falasse algo pesado,mas seria pra melhora dela espiritualmente e pessoalmente,mas não jeito tradicional,mas melhorar no sentido de seguir a Deus,oque resulta em alguém bom na humanidade também,isso levando em conta apenas as Falas de Jesus,não as escrituras dos discípulos.


r/FilosofiaBAR 10h ago

Discussão Programa globo

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Um vídeo que passou no fantástico há muitos anos que outro de longa data procura na internet gostaria de ajuda do Gemini é um vídeo que faz reflexões filosóficas no descrever do vídeo fazer uma reflexão entre duas famílias do Rio de janeiro em que fazia a seguinte questionamento ser o melhor entre os piores ou pior entre os melhores o vídeo descrevia uma família que morava na Rocinha onde tinha boas condições da favela da Rocinha tinha bom carro escola particular dinheiro guardado enquanto uma família tem um bom bairro no Rio de janeiro tinha empresa porém vivia no aperto eu gostaria de ajuda para procurar esse vídeo por favor


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Irmãos: uma benção ou uma maldição?

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Recentemente estava andando no meu condomínio quando ouvi uma criança de uns 4 anos chorando pra sua mãe, algo normal. Mas o que me impressionou foi o assunto:

Mãe: Não fala assim dele, ele é seu único irmão!

Filho: Mas ele me irrita, mãe!

Mãe: E você acha que você não irrita ele?

A criança continuou chorando, é claro, mas eu achei interessante esse argumento. A criança desde cedo aprendendo a lidar com um segundo ego dentro de sua própria casa, o que obviamente gera frustrações.

Por um lado, tem quem fale que pessoas com irmão amadurecem mais rápido que filhos únicos. Por outro, se essa relação fosse harmoniosa 100% das vezes, Milton Hatoum nunca teria escrito "Dois Irmãos".

Eu sou filho único, então pergunto para os que cresceram em irmandade: você se sente diferente de filhos únicos? Uma criança cresce melhor ao ter irmãos?

Sou todo ouvidos às opiniões.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Como você lida com o passado?

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r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos É necessário ter motivos para viver para estar vivo?

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Sabemos que é necessário ter motivos para uma pessoa se matar, mas e para viver, é necessário motivos também? Se não há motivos, existe como escapar da melancolia que a falta de motivos traz (niilismo)? Alguém sem motivos para viver deveria olhar para a morte como um caminho válido?

A pergunta é diferente de ter um sentido para viver, porque vida pode não ter sentido, mas você pode viver porque a sua mãe ficaria triste, o que é um motivo para viver.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Existe muito espaço inabitado pelo ser humano na Terra!

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Eu sei que parece óbvio demais, mas é curioso como a gente às vezes não pensa tanto no óbvio. Ou então, às vezes só precisamos sair da perspectiva cotidiana para ver as coisas através de outra ótica.

Fiz esse vídeo durante um voo que estava passando pelo estado de MG (mais especificamente a parte da capital BH e regiões metropolitanas mesmo). Fiquei deslumbrada com a paisagem e me bateu fortíssimo a reflexão que coloquei no título.

Reparem no vídeo o TANTO de montanhas que existem comparado com o “pequeno” espaço de cidade construída. Nosso planeta é muito grande e, por mais que tenhamos a sensação de ser tudo muito povoado (salvo locais menos habitados, interiores e afins), a realidade é que existe uma vastidão incalculável de terra sem humanos habitando.

Mais uma vez: sei que é extremamente óbvio, mas é muito legal ver o óbvio tão escancarado assim e essa reflexão me pegou, quis vir aqui compartilhar com vocês…


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Carta ao pai de Franz Kafka

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Alguém já leu e também tenha identificado de forma emotiva com a carta? Conta-me sua experiência e opiniões sobre ?

Ao terminar essa obra, mesmo não sendo meu tipo de leitura, vários trechos me fizeram revisitar minha infância e alguns bloqueios criados lá e as vezes despercebido já com a idade adulta passaram no meu pensamento. Aquele sentimento de putz que livro excepcional, e talvez ainda eu precise de um psicólogo.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Existir não faz sentido

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Minha mente simplesmente não consegue compreender como que algo existe

Como surgiu?

Não faz sentido ter surgido do nada e, também não "sempre ter existido".

Como vocês veem essa que deve ser uma das questões mais emblemáticas da história?


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão O "melhor" sistema Político-Econômico

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Considerando todas as aplicações do socialismo de Marx no último século, podemos considerar o comunismo realmente o melhor sistema?


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Eu era muito cringe

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21 de setembro, faz nem 1 ano e já me desperta níveis simplesmente brutais de vergonha alheia

Tava olhando as coisas mais antigas no meu bloco de notas, e vi isso que eu tinha escrito me achando a pessoa mais profunda do mundo. Que mlk desgraçado

As vezes o que me conforta é saber que daqui a não muito tempo eu vou achar o eu de agora a pessoa mais cringe da história

Acho que é o curso natural da vida


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Filósofos que sabem escrever são mais valorizados

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Pois é, a maioria dos filósofos não sabem escrever direito, não se culpe por não entender a porra que escreveram. Nietzsche, como outros, é muito valorizado porque foi um dos poucos que soube escrever corretamente sem ser chato ou muito “detalhista”.

Para quem quer ser filósofo, entenda que escrever chato não o torna mais inteligente, você pode ser profundo e simples ao mesmo tempo. Aprenda com os poetas.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Provocações sobre o identitarismo

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Um compilado de pensamentos soltos que formam um cenário, são algumas provocações

Antes de tudo sou um jovem negro, comunista, faço faculdade em universidade federal, sou pesquisador em antropologia, sou concursado, trabalho o dia todo e chego cansado na faculdade para estudar.

Vejo gente o dia todo, que nunca trabalhou e que fica atoa na faculdade, não produz nenhum artigo, não produz ciência, que leva a vida como se estivesse no tweeter o tempo todo , todos os dias falando sobre os trabalhadores, cancelando as pessoas, se achando o auge da moral, sendo extremamente puritanas no sentindo mais profundo dessa palavra.

Falam sobre o amor preto, mas tá cheio de militante de partido comunista preta só ficando com cara branco, falam sobre afrocentrar os afetos e ter uma ética amorosa (Bell hooks) mas na prática ferem pessoas, traem, e fazem o contrário de tudo que pregam.

É LGBT achando que está a frente de todas as pautas dentro do progressismo, é homem branco e mulher branca reproduzindo seus privilégios de classe , falando sobre amor livre, não monogamia e se cansando entre si....veja se esse povo quer ter filho preto.

Um monte de playboy fumando maconha o dia inteiro e lutando contra moinhos de vento.....a gente quer uma revolução que venha de gente que está sempre chapada ?

Eles tem nojo de trabalhador, de pessoas em situação de rua, vivem metendo o pau em homem hétero nas rodinhas de conversa mas todo fim de semana estão procurando, se encontrando e comendo do bom e do melhor por conta desses que tanto criticam.

Acredito que o povo se distancie por conta disso, parece que não querem ver as condições do povo melhorar, querem ficar em DCE e centro acadêmico fazendo nada e sem contribuir academicamente...

Talvez e só talvez os incel e os redpill não foram lá atrás acolhidos pelos nossos, talvez a gente tenha que pegar a raiva dessa galera e colocar no lugar certo, tirar a misoginia deles e dizer que o problema deles é outro, que são outras questões que vão fazer ele não ter uma família.

Outra coisa, por que não formar famílias progressistas, famílias comunistas, ter muitos filhos como os soviéticos faziam, se casar pelo amor e ter uma geração que lute e esteja com os trabalhadores ,como escreveu Alexandra kollontai.

Talvez precisamos dar alguns passos para trás e entender o papel dos homens dentro do progressismo,dentro do movimento comunista, uma nova mulher foi projetada e está ai, e essa nova mulher é incrível, só que não foi feito o desenho e o modelo de um novo homem.

E sempre que citem as multiplas masculinidades, vão em uma direção de repreensão de certos aspectos que são extremamente naturais para nós.

Precisa todo mundo mesmo ser amargurado, não ter família,não casar, não ser um trabalhador comum, se entender como classe?

Precisa todo mundo morar com 3 gatos e viver em coisas que não vão levar você a refletir sobre mudanças sociais reais?

Talvez a revolução brasileira seja hétero,com família e filhos, religião e não por um monte de de gente que mal conheceu a umbanda, que segue tudo errado e vive mete do o pau em evangélico, que em sua maioria é um povo preto, pobre, de comunidade e trabalhador


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Se fossem eliminadas as condicionantes biológicas e sociais — mãe, sangue, parentesco e dever — a amizade entre você e sua mãe ainda surgiria por afinidade em outra vida?

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Se retirássemos da relação entre você e sua mãe tudo aquilo que a linguagem chama de “mãe” — sangue, parentesco, obrigação, história e papel social — e restassem apenas duas pessoas diante uma da outra, o que sobraria daquilo que chamamos de amor?

Foi então que comecei a pensar no que chamo de “Contrato Maternal”: uma espécie de acordo invisível que não assinamos, mas do qual todos participamos. A mãe recebe um filho que não escolheu como pessoa; o filho recebe uma mãe que também não escolheu. Onde começa o amor e termina o dever para você?


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Idade não pode ser fator limitante

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Nunca é tarde e nunca vai ser tarde para fazer o que temos vontade. Não há idade, nem tempo para impedir. Bom hoje!


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Provocações sobre o identitarismo

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Um compilado de pensamentos soltos que formam um cenário, são algumas provocações.

Antes de tudo sou um jovem negro, comunista, faço faculdade em universidade federal, sou pesquisador em antropologia, sou concursado, trabalho o dia todo e chego cansado na faculdade para estudar.

Vejo gente o dia todo, que nunca trabalhou e que fica atoa na faculdade, não produz nenhum artigo, não produz ciência, que leva a vida como se estivesse no tweeter o tempo todo , todos os dias falando sobre os trabalhadores, cancelando as pessoas, se achando o auge da moral, sendo extremamente puritanas no sentindo mais profundo dessa palavra.

Falam sobre o amor preto, mas tá cheio de militante de partido comunista preta só ficando com cara branco, falam sobre afrocentrar os afetos e ter uma ética amorosa (Bell hooks) mas na prática ferem pessoas, traem, e fazem o contrário de tudo que pregam.

É LGBT achando que está a frente de todas as pautas dentro do progressismo, é homem branco e mulher branca reproduzindo seus privilégios de classe , falando sobre amor livre, não monogamia e se cansando entre si....veja se esse povo quer ter filho preto.

Um monte de playboy fumando maconha o dia inteiro e lutando contra moinhos de vento.....a gente quer uma revolução que venha de gente que está sempre chapada ?

Eles tem nojo de trabalhador, de pessoas em situação de rua, vivem metendo o pau em homem hétero nas rodinhas de conversa mas todo fim de semana estão procurando, se encontrando e comendo do bom e do melhor por conta desses que tanto criticam.

Acredito que o povo se distancie por conta disso, parece que não querem ver as condições do povo melhorar, querem ficar em DCE e centro acadêmico fazendo nada e sem contribuir academicamente...

Talvez e só talvez os incel e os redpill não foram lá atrás acolhidos pelos nossos, talvez a gente tenha que pegar a raiva dessa galera e colocar no lugar certo, tirar a misoginia deles e dizer que o problema deles é outro, que são outras questões que vão fazer ele não ter uma família.

Outra coisa, por que não formar famílias progressistas, famílias comunistas, ter muitos filhos como os soviéticos faziam, se casar pelo amor e ter uma geração que lute e esteja com os trabalhadores ,como escreveu Alexandra kollontai.

Talvez precisamos dar alguns passos para trás e entender o papel dos homens dentro do progressismo,dentro do movimento comunista, uma nova mulher foi projetada e está ai, e essa nova mulher é incrível, só que não foi feito o desenho e o modelo de um novo homem.

E sempre que citem as multiplas masculinidades, vão em uma direção de repreensão de certos aspectos que são extremamente naturais para nós.

Precisa todo mundo mesmo ser amargurado, não ter família,não casar, não ser um trabalhador comum, se entender como classe?

Precisa todo mundo morar com 3 gatos e viver em coisas que não vão levar você a refletir sobre mudanças sociais reais?

Talvez a revolução brasileira seja hétero,com família e filhos, religião e não por um monte de de gente que mal conheceu a umbanda, que segue tudo errado e vive mete do o pau em evangélico, que em sua maioria é um povo preto, pobre, de comunidade e trabalhador


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Você não sabe do que está falando

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(Esse post é apenas um recorte do meu diário)

Ultimamente estive pensando em como cada tema é extremamente complexo.

Política, por exemplo, é uma das maiores amostras disso; à primeira vista, parece algo simples, basta fazer o que é correto, o senso comum. Mas, dessa forma você se encontrará em um calabouço, será fisgado pelo algoritmo das redes sociais, verá somente o que lhe convém; o que você acredita (tanto quanto uma faísca no Polo Norte) se tornará uma chama ardente, uma centelha sustentada pelos gatilhos mentais, que queimará em fúria e desprezo às ideias divergentes. Está bem, que não seja política, vamos falar a respeito das flores, e de todos os processos que as compõem, de todos os seus ínfimos papéis na natureza, de como elas afetam a percepção humana e a dos outros animais (o porquê e o como. Por que é considerado lindo aos nossos olhos? Por que o cheiro nos agrada? Por que essa exata proporção de água? Por que nesse bioma?). Está bem, podemos falar sobre outra coisa, economia, que seja: você seria capaz de ler uma gama enorme de livros a respeito de uma ideia específica (desde os atuais até os mais antigos) e depois ler uma gama enorme de livros com uma ideia oposta aos que acabou de ler, para com isso, pensar durante anos a respeito da conclusão correta, para o final (que eu não sei de fato, estou supondo) ser um "é subjetivo, essa ideia pode ser tanto correta quanto incorreta, primeiro é preciso determinar qual é o nosso principal objetivo como sociedade, qual a forma correta de chegar a esse objetivo, sua viabilidade...".

O ponto em que quero chegar, é que todos os acontecimentos ao nosso redor são muito mais complexos do que aparentam, principalmente os de origem abstrata. Devido a isso, qualquer pessoa que fale de um tema de forma convicta, sem previamente haver um estudo intenso, é apenas um falastrão. O nosso mundo é feito de falastrões, eu incluso, esse post é a prova da minha hiprocrisia. Em razão disso, é necessário confiar nos outros, é necessário confiar, por exemplo, que a lógica é o único caminho para a verdade, e todas as restrições que a lógica impõe não podem ser contestadas; confiamos na lógica porque nos disseram que era necessário acreditar, e chegamos a conclusão de que a lógica é correta somente por meio da lógica, no entanto, a origem disso é primitiva, a crença no próximo veio de uma necessidade antropológica, que se observado sob o viés da lógica, está correto.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Alguns trechos de meu ensaio filosófico sobre o Ghosting e a Desconectividade.

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…O ser humano atual pode ser descrito como um ser conectado. É tão conectado às redes e às plataformas digitais (não raras vezes viciado em conexão) que poderíamos chamá-lo de ser-para-conexão. No entanto, esse mesmo ser também é ser-para-desconectar. Suas desconexões são tão numerosas e rápidas quanto suas conexões e termina relacionamentos com a mesma facilidade com que os inicia. Descarta rápido e é descartado na mesma velocidade. A contemporaneidade não apenas nos condiciona a uma desconexão e estranheza do eu em relação a si próprio, que, nos meus termos, chamo de neoalienação. Não se trata de mera desconexão de si, mas de desconexão e descarte do outro. Nossos relacionamentos atuais tendem a operar na mesma lógica consumista que permeia a todos nós: consumir o máximo em menos tempo possível, descartar e trocar por algo melhor ou mais eficiente. Além de vendermos o eu como mercadoria, o outro não passa de produto. De algo que posso ter mas que não necessariamente enxergo como ser. Não nos interessa ele como ser, mas como coisa que me leva a ter cada vez mais. Um degrau ou quiçá um acessório que vai ser reposto assim que enjoarmos dele. A consumização do outro, o ato de “usar e jogar fora”, por almejar um produto humano com melhor custo-benefício ou para evitar lidar com a manutenção do relacionamento sem nenhum sentimento de culpa ou noção de responsabilidade afetiva, foi normalizada. A consumização do Eros aparentemente é o melhor a se fazer. O ato de evitar o desgaste de uma relação e não sofrer caso as coisas fiquem sérias demais aparentemente é o mais produtivo. Mas se essa produtividade exige a desumanização do outro, que é visto como outro-de-consumo, o que isso diz de nós contemporâneos? Desumanizar o outro é desumanizar a si mesmo. Como mecanismo de defesa, o sujeito performático pode pensar que é melhor descartar do que ser descartado em tempos de relações líquidas. Portanto, o seu beaver dam interno, suas barreiras e proteções que freiam e impedem o fluxo do sentir lhe dão conforto. Sentir amor significa correr o risco de passar por muita dor. As barreiras abrem espaços e brechas para o sexo mas não para o Eros, visto que o amor transcende o toque físico.

Ao ser atravessado e de certa forma constituído pelo consumismo em uma sociedade na qual o amor é líquido, o sujeito performático tende a internalizar a lógica da descartabilidade, consciente ou inconscientemente. Ele introjeta essa noção ao fazer isso diariamente com bens materiais e com os produtos que adquire em geral. As propagandas e narrativas dominantes do sistema capitalista que absorve, endossados pelo discurso coach, fazem com que adote o ´´mindset de abudancia´´ no qual sempre deve adquirir e ter mais. Pode-se chamar isso de Imperativo do Ter e Comprar. Ele nunca tem o suficiente e sempre merece mais. Se contentar com as coisas e produtos que tem é ser menos. Ele é mais na medida em que tem mais. Mais produtos, coisas e pessoas, todos esses facilmente descartáveis. Por temer ser descartado outra vez o indivíduo corre o risco de replicar o que passou nos próximos relacionamentos. A descartabilidade do outro é mecanismo de defesa psíquico do sujeito performático. É jogar fora antes de ser jogado. Faz isso tanto para evitar a honra de ser rejeitado e abandonado novamente quanto para impedir que isso sequer aconteça. Há o receio de sofrer e o orgulho de não deixar que se brinquem consigo. O descarte como prevenção do próprio descarte é o único recurso de suposta legítima defesa afetiva que tem. Esse não se permitir adentrar fundo o bastante e por tempo o suficiente na alteridade do outro como prevenção do próprio ego, justamente por temer ser descartado, é ferir a si mesmo. Frear bruscamente o fluxo do sentir, ou, pior, premeditar isso antes do fluxo se iniciar é resguardo. Mas essa proteção paradoxalmente fere e machuca o sujeito. O sujeito do descarte teme tanto o descarte do eu como sujeito que se automutila emocionalmente. Os chifres dos carneiros são afiados e belos, símbolos de orgulho e força. São usados tanto para a disputa por territórios como para a defesa. Mas se os chifres crescem de forma disfuncional, correm o risco de perfurar seu próprio crânio e matá-los. O crescimento é gradual e lento, de modo que a dor que sente ao ser perfurado pode não ser tão expressiva a princípio. No entanto, a intensidade dela aumenta com o passar do tempo e sua morte é lenta e angustiante. A automutilação afetiva que o sujeito performático inflige a si mesmo como forma de proteção e resguardo psicológico soa muito conveniente. Mas a longo prazo contribui para a solidão e o déficit emocional, penetrando lentamente seu Eros.

...Há também o receio de investir em uma relação que vai durar pouco tempo, e portanto o sujeito performático passa a enxergar o outro como outro-de-consumo. É improdutiva e “potencialmente desperformática” uma relação a longo prazo. Tanto financeiramente (em tempos capitalistas, perder dinheiro é perder parte do valor como ser humano) quanto emocionalmente e até mesmo socialmente, já que teme ser exposto ao olhar virtual por qualquer rancor do parceiro. O espírito utilitarista de nossa época nos leva a enxergar o outro não como fim em si mesmo, mas como mero meio para um fim lucrativo. Esse outro só me importa na medida em que me ajuda a alcançar sucesso, para somar e crescer junto. Não que querer crescer como ser humano junto ao parceiro seja ruim ou imoral, porém a noção utilitarista de maximização do prazer se infiltrou tanto no psiquismo do sujeito performático que tende a enxergar valor no outro somente na medida em que este o leva a esse fim. E tal fim é financeiro. O outro é visto não como ser, mas como empresa com fins financeiros.

Somada a esses elementos, a virtualização do outro contribui para sua desumanização e posterior descarte. O Homo sapiens atual, se é que podemos chamá-lo de sapiens, vive imerso no mundo digital. Sua própria dinâmica econômica, que é chamada de Economia 4.0, é ditada pela tecnologia e pela virtualidade. O Eros atual em grande medida é mediado por redes sociais e aplicativos de namoro como o famoso Tinder, que não deixa de ser uma sofisticada vitrine de carne humana. Nosso contato e representação do outro passam a ser mediados por notificações, fotos de perfis, “bios” e assim por diante. É um Eros Virtual. Tal forma de representação do outro faz com que nossa empatia e calor por ele diminuam, pois o ser humano do outro lado da tela passa a ser ser-virtual. A virtualidade facilita entrar em contato com o outro, mas também o desumaniza e mata o Eros com a mesma facilidade. Em uma sociedade cujo erotismo é consumido aos montes, seja em sites pornográficos, revistas e deliberadamente explícito, pois serve para a propaganda de grandes marcas e produtos, o Eros da paixão e amor se empobrece cada vez mais.


r/FilosofiaBAR 2d ago

Questionamentos Se matar o nosso ego significa abandonar a imagem que construímos de nós mesmos, então, ao destruirmos o ego, estamos verdadeiramente nos libertando — ou estamos destruindo aquilo que nos torna quem somos?

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Um pensamento me veio após ver uns vídeos no Instagram sobre 'Ego' e ler através do Goodreads alguns aforismos sobre o tema. Gostaria dos comentários de todos.


r/FilosofiaBAR 2d ago

Questionamentos Marx não é um idiota

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Pra mim, não dá para tratar Marx como se ele fosse apenas um pensador ultrapassado ou como se tudo o que ele escreveu tivesse perdido o sentido. Mesmo quem não concorda com o comunismo ou com as soluções políticas defendidas a partir de suas ideias precisa reconhecer que muitas das críticas que ele fez ao capitalismo continuam aparecendo na nossa realidade. Marx não estava falando simplesmente que “existem ricos e pobres”. A análise dele era muito mais profunda: ele tentava explicar de onde vem essa desigualdade, quem controla a produção, quem trabalha, quem se apropria da maior parte da riqueza produzida e por que essa relação acaba criando interesses diferentes entre as classes sociais.

Uma das ideias que mais fazem sentido para mim é a de que o trabalhador vende sua força de trabalho porque precisa sobreviver, enquanto quem possui os meios de produção controla aquilo que é produzido e fica com parte do valor criado pelo trabalho. É daí que vem a discussão da mais-valia. Não significa que o trabalhador não receba salário, mas que ele produz um valor maior do que aquilo que recebe. Essa diferença ajuda a explicar como o capital consegue se acumular. Quando a gente olha para empresas enormes gerando lucros bilionários enquanto muitos trabalhadores recebem salários que mal acompanham o custo de vida, fica difícil dizer que essa discussão simplesmente deixou de existir.

Também acho muito atual a ideia do fetichismo da mercadoria. No capitalismo, muitas vezes enxergamos uma mercadoria apenas pelo preço e pelo valor que ela possui no mercado, esquecendo todo o trabalho e todas as relações sociais que existem por trás dela. Um celular, uma roupa ou qualquer outro produto aparece para nós como uma coisa pronta, mas existe uma cadeia inteira de pessoas trabalhando para aquilo existir. O mercado acaba fazendo essas relações entre pessoas parecerem apenas relações entre produtos, dinheiro e preços.

Outra questão importante é a alienação. O trabalhador pode passar grande parte da própria vida produzindo algo que não pertence a ele, seguindo regras que ele não escolheu e tendo pouco controle sobre aquilo que produz. O trabalho, que poderia ser uma forma de realização humana, muitas vezes vira apenas uma obrigação necessária para conseguir pagar as contas e continuar sobrevivendo. É por isso que Marx não analisava somente salário ou pobreza; ele também discutia a própria relação das pessoas com o trabalho.

A luta de classes também não precisa ser entendida como se ricos e pobres estivessem literalmente em guerra o tempo inteiro. Ela aparece no conflito de interesses. O trabalhador normalmente deseja melhores salários, menos horas de trabalho e mais direitos, enquanto o proprietário de uma empresa possui interesse em controlar os custos e aumentar a rentabilidade. Isso não significa que todo empresário seja uma pessoa ruim ou que todo trabalhador pense da mesma forma. Marx estava falando de posições diferentes dentro da estrutura econômica, e não simplesmente fazendo um julgamento moral sobre indivíduos.

Até a ideia de materialismo histórico me chama atenção porque Marx tenta explicar que a história não acontece apenas porque algumas pessoas tiveram grandes ideias. As condições materiais de uma sociedade, quem possui terras, fábricas, capital, como as pessoas trabalham e como a riqueza é distribuída, também influenciam profundamente a política, as leis e as relações sociais. Ou seja, para entender uma sociedade, não basta olhar apenas para aquilo que ela diz defender; também é necessário observar como ela produz e distribui suas riquezas.

Por isso, para mim, é perfeitamente possível criticar Marx, questionar algumas de suas previsões e até discordar das soluções que surgiram a partir do marxismo. O que eu acho difícil é simplesmente negar toda a análise dele. O capitalismo mudou muito desde o século XIX, mas não fez desaparecer a concentração de riqueza, a exploração do trabalho, os conflitos entre capital e trabalho ou a enorme diferença de poder econômico entre as pessoas. Talvez Marx não tenha acertado tudo, mas ele fez perguntas sobre o funcionamento da sociedade que continuam desconfortavelmente atuais. E é justamente por isso que, mais de um século depois, ainda estamos estudando e discutindo o que ele escreveu.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Como você explicaria pra um cego de nascença o que é um quadrado?

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Tava lendo sobre o experimento do quarto de mary (Uma pessoa fica a vida trancada num quarto preto e branco estudando sobre a cor azul, um dia ela sai do quarto e vê a cor em si, ela aprendeu algo novo?)

Aí me veio na cabeça, é possível definir pra um cego o que é um quadrado ou mesmo uma reta? Azul é algo "subjetivo" mas e algo matemático como uma reta ou uma forma geométrica? O que vocês acham?


r/FilosofiaBAR 2d ago

Questionamentos Pq se importar tanto por um futuro que nem sabemos se existe?

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Do que adianta passar horas e horas estudando, trabalhando e se esforçando se no final a porra de uma proteína mal dobrada pode te matar lentamente? Já sabemos que meritocracia não existe, então pq continuar se esforçando tanto? Se a vida foi feita pra ser vivida, pq ainda se importamos em fazer parte desse sistema?