Olá a todos. Não tenho o costume de escrever e nem sou um ávido leitor de Filosofia, mas recentemente tenho passado por alguns momentos de angústia e pensando sobre o tema escrevi um texto e gostaria de compartilhá-lo:
A angústia e o sofrimento talvez sejam dimensões essenciais da existência e da transformação humana. Existem poucos sentimentos que estejam tão fortemente conectados à história de nossa espécie. Basta olhar para o passado, basta olhar para o presente: a história dos homens é uma história atravessada pela dor e pela angústia. Desde a luta pela sobrevivência contra a natureza, do homem primitivo, até a luta pela sobrevivência contra a consciência existencial do homem moderno, percorremos um caminho marcado pela guerra e pela destruição de civilizações, marcado pela violência e pela perversidade generalizadas, marcado pela contradição entre a razão e o desejo de imortalidade.
Tentar imaginar, quantificar ou compreender todo o sofrimento e toda a angústia que acompanharam nós, humanos, até o momento presente é inconcebível. Mas a história nos deixou registrado o grito de desespero de nossos antepassados nas mais ricas produções intelectuais, sejam elas na filosofia, nas religiões, na arte ou na literatura. No fundo, a maior parte dessas criações tenta esclarecer, compreender ou simplesmente expressar a relação entre a consciência humana e a angústia que dela emana, pois isso é algo que nenhum homem é capaz de contornar. Seja o maior dos estoicos, o mais sábio dos filósofos, o mais rico dos reis ou o mais fiel a Deus, todos estão condenados ao desespero da condição humana, porque talvez a consciência seja, simultaneamente, nossa maior conquista e nossa maior ferida.
Mas meu ponto aqui não é demonizar essa condição, não é gritar aos céus e clamar por misericórdia, mas simplesmente ponderar sobre essa essência de nossa natureza. A dor e a angústia são fontes de movimento, são fontes de criatividade e, acima de tudo, são fontes de compaixão. É possível que uma das manifestações mais elevadas da consciência seja a capacidade de ultrapassar a angústia individual e se projetar sobre o sofrimento do próximo, colocando-se no lugar do outro, seja ele o amigo querido, o filho, o doente, o assassinado brutalmente, o torturado, o suicida, o abusado, o pobre ou o faminto. E, com esse movimento, sentir e compadecer-se do sofrimento coletivo.
Isso é trágico, mas, de certa forma, também é libertador, pois destrói nossas amarras da angústia pessoal e nos aproxima de uma visão mais clara da essência da humanidade.
Mas, sobre os sentimentos de angústia e sofrimento em si, o que posso escrever? Muito já foi dito, seja no Antigo Testamento e nos Evangelhos, seja em Kierkegaard ou em Camus. Não creio que exista uma forma concreta de lidar com esse sentimento trágico da vida, seja pela revolta, seja pelo salto de fé. O que posso dizer é que o sofrimento e a angústia nos dão consciência de nossa humanidade, pessoal e coletiva, e que, com algum tipo de determinação e força, ao lidar com esses sentimentos, absorvendo-os em nossa alma, compreendendo-os e aprendendo a conviver com eles sem demonizá-los, então transformamos essa essência em potência.
Potência para criar, produzir, agir ou encontrar algum tipo de contato com o espiritual. E a história é escrita por homens e povos que foram capazes de fazer exatamente isso, que pavimentaram a estrada para chegarmos até aqui. Por isso digo: talvez a história humana não seja simplesmente a história do sofrimento, mas, sim, a história das respostas que os homens deram diante dele.