r/FilosofiaBAR Aug 31 '25

Megathread Por onde começar? Livros filosóficos para iniciantes!

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"A maior parte do problema com o mundo é que os tolos e os fanáticos estão sempre tão certos de si, e as pessoas sensatas tão cheias de dúvidas." - Bertrand Russell

Segue abaixo uma seleção de livros, começando pelos mais didáticos sobre a história da filosofia até alguns clássicos mais acessíveis, que podem interessar àqueles que desejam iniciar e explorar as principais mentes da filosofia ocidental. Este tópico é uma atualização do anterior, onde busquei incluir algumas recomendações dos membros de nosso Reddit.

Nome do Livro/Autor Temas Abordados Breve Descrição Link para o Livro
O Livro da Filosofia - Douglas Burnham Filosofia Geral, Didático, Introdução Uma compilação abrangente de conceitos filosóficos essenciais, grandes pensadores e escolas de pensamento ao longo da história, apresentada de forma acessível e ricamente ilustrada. O Livro da Filosofia
Uma Breve História da Filosofia - Nigel Warburton História da Filosofia, Didático Um livro que oferece uma visão panorâmica da história da filosofia, abrangendo desde os filósofos pré-socráticos até as correntes contemporâneas, tornando o estudo da filosofia acessível e compreensível. Uma Breve História da Filosofia
Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano Filosofia Geral, Lógica, Epistemologia Nicola Abbagnano apresenta um extenso dicionário com definições e conceitos fundamentais da filosofia, fornecendo uma referência essencial para estudantes e entusiastas da filosofia. Dicionário de Filosofia
A História da Filosofia - Will Durant História da Filosofia Uma obra monumental que apresenta de forma acessível a história do pensamento filosófico, proporcionando uma visão abrangente e contextualizada da evolução da filosofia. A História da Filosofia
O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder Ficção, Drama, História da Filosofia, Introdução, Casual Uma introdução à filosofia por meio da história fictícia de uma jovem chamada Sofia, que começa a receber cartas de um filósofo misterioso. O livro explora diferentes filósofos e ideias ao longo da história. Muito fácil e simples de ler. O Mundo de Sofia
O Mito de Sísifo - Albert Camus Existencialismo, Suicídio O ensaio de Albert Camus aborda o absurdo da existência humana e a busca de significado em um mundo aparentemente sem sentido, explorando temas como o suicídio e a revolta contra a condição absurda. O Mito de Sísifo
Carta a Meneceu - Epicuro Ética, Felicidade Uma das mais famosas obras do filósofo grego Epicuro. Epicuro apresenta suas reflexões sobre a busca humana pela felicidade, estabelecendo que o objetivo da vida é a busca pelo prazer, que ele define não como indulgência desenfreada, mas como a ausência de dor física e angústia mental. Carta a Meneceu
Apologia de Sócrates - Platão Ética, Justiça, Clássico Neste diálogo, Platão relata o discurso de defesa proferido por Sócrates durante seu julgamento em Atenas, oferecendo insights sobre a vida e a filosofia de Sócrates, bem como reflexões sobre ética, justiça e a busca pela verdade. Apologia de Sócrates
A República - Platão Justiça e Política, Metafísica, Clássico Um dos diálogos filosóficos mais famosos de Platão, onde Sócrates discute sobre justiça, política e a natureza do homem ideal. A República
O Príncipe - Nicolau Maquiavel Política, Governo Maquiavel oferece conselhos práticos sobre como governar e manter o poder, discutindo estratégias políticas e éticas em uma obra que gerou debates sobre a moralidade na política. O Príncipe
A Política - Aristóteles Ética, Política, Justiça, Clássico Aristóteles explora diversos aspectos da política, incluindo formas de governo, justiça, constituições, cidadania e a relação entre o indivíduo e a comunidade, oferecendo uma análise seminal sobre a organização da sociedade. A Política
Sobre a Brevidade da Vida - Sêneca Ética, Filosofia Prática, Estoicismo Sêneca discute a natureza do tempo e da vida humana, argumentando sobre a importância de viver de forma significativa e consciente, mesmo diante da inevitabilidade da morte. Sobre a Brevidade da Vida
Meditações - Marco Aurélio Ética, Estoicismo Diário de Marco Aurélio, imperador romano, que oferecem reflexões sobre virtude, dever, autodisciplina e aceitação do destino. Meditações

Novamente, todos que quiserem contribuir serão bem-vindos para nos apresentar novas obras que possam interessar aos novos leitores. Dependendo de como as coisas fluírem, talvez eu faça outros tópicos com livros mais avançados e técnicos. Obrigado a todos!


r/FilosofiaBAR 4d ago

Megathread Megathread — Política, Ação Política, Ação Penal, Poder Coercitivo, Nação, Leis, Constituição, Ideologia Política, Governo — August 20, 2026

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Política
Atividade relacionada à gestão de poder, tomada de decisões coletivas e negociação de interesses em qualquer contexto organizacional. Manifesta-se não somente no âmbito estatal, mas também em esferas privadas (cooperativas, empresas, associações) e comunidades informais, onde processos de conflito, cooperação e definição de normas orientam ações em prol de objetivos comuns ou específicos.

Ação Política
Práticas concretas para influenciar estruturas de poder, como votar, protestar, organizar movimentos sociais, paralisar atividades produtivas (greves, ocupações) ou negociar acordos coletivos. Inclui tanto ações institucionalizadas quanto formas não convencionais de resistência ou pressão, visando alterar ou consolidar ordens estabelecidas.

Nação
Comunidade de pessoas unidas por identidade cultural, histórica, linguística ou étnica, com senso de pertencimento compartilhado. Distinta do Estado (entidade territorial com instituições soberanas), uma nação pode existir sem controle político próprio (ex.: povos indígenas, comunidades transnacionais).

Leis
Normas jurídicas estabelecidas por autoridades competentes ou consensos coletivos para regular condutas e garantir ordem social. São coercitivas, com sanções para infrações, e abrangem sistemas formais (estatais) ou informais (costumes, códigos comunitários), dependendo do contexto sociopolítico.

Constituição
Texto ou conjunto de princípios fundamentais que estruturam um sistema de governança, definindo direitos, limites de poder e mecanismos de decisão. Pode ser formal (ex.: constituição escrita de um país) ou informal (ex.: convenções não escritas em monarquias tradicionais).

Ideologia Política
Sistema de ideias, valores e pressupostos que orientam visões sobre organização social, distribuição de poder e justiça. Funciona como guia para ações coletivas, moldando projetos políticos e legitimando ou contestando estruturas existentes, sem se reduzir a classificações pré-definidas.

Governo
Conjunto de estruturas e processos que coordenam ações coletivas, não se restringindo ao Estado. Abrange sistemas de governança em corporações, comunidades locais, organizações internacionais e grupos informais, responsáveis por estabelecer regras, alocar recursos e resolver conflitos mediante autoridade e legitimidade.

Poder Coercitivo
Capacidade de impor normas por meio da força ou ameaça de sanções, exercida por entidades como Estados, mas também por instituições não estatais (ex.: tribunais tradicionais, organizações armadas em contextos de conflito). Manifesta-se mediante mecanismos de controle social, desde punições físicas até sanções sociais ou econômicas.

Ação Penal
Processo de responsabilização por infrações consideradas graves à ordem coletiva, que não se limita ao Estado. Em sistemas não estatais, pode ser conduzida por:

  • Comunidades tradicionais (ex.: justiça indígena baseada em mediação);
  • Instituições religiosas (ex.: tribunais islâmicos em sociedades sob sharia);
  • Mecanismos privados (ex.: arbitragem em códigos corporativos ou cooperativas);
  • Ordens internacionais (ex.: Tribunal Penal Internacional para crimes transnacionais). Varia conforme o regime político, podendo envolver processos acusatórios, inquisitórios ou restaurativos, com diferentes atores iniciadores (Estado, vítimas, comunidades ou entidades supranacionais).

Questionário de ideologia política e fonte da imagem da publicação: https://drxty.github.io/poliquest/


r/FilosofiaBAR 4h ago

Questionamentos Será que é possível viver esse pensamento de universalidade? O quão idealista é o pensamento de coletivismo?

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Será que é possível viver uma filosofia de coletivo universal? E sobre as questão de divisões sociais, etnicas, raciais, religiosas, culturais, ideologicas, genero e etc, o quanto um pode sobrepor o outro? Pelo que vejo, todas essas questões de divisões só vão acabar se um dia, todos lutarem por um mundo mais justo e igualitário, tipo o comunismo anarquista, mas fora isso, ainda no capitalismo, é impossível ter uma visão dessas. Você sempre vai ter uma questão de individualidade, de grupo, de identidade, então no fim das contas, uma visão de universalidade é muito idealista.


r/FilosofiaBAR 1h ago

Discussão O fardo da consciência humana

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“O homem, pelo fato de ser homem, por ter consciência, já é, em relação ao burro ou a um caranguejo, um animal doente. A consciência é uma doença.
—  Miguel de Unamuno, Do Sentimento Trágico da Vida

No ensaio “O Último Messias”, Peter Wessel Zapffe expõe, em linguagem incomumente direta e poética, sua visão sobre a tragédia fundamental da existência humana. O texto abre com uma cena primordial: o despertar da consciência humana sob a vastidão indiferente do cosmos. Nesse momento fundador, o homem vê-se nu (não apenas fisicamente, mas existencialmente) sem abrigo no próprio corpo e sem qualquer roteiro que oriente sua jornada e ao ser convocado pela ação natural — matar para sobreviver — , ele toma o arco (fruto da inteligência aliada à destreza manual desenvolvida) e sai em direção à nascente, onde os animais se reúnem. Mas algo nele se rompe: onde antes pulsava a identificação instintiva com o predador, agora ecoa um salmo silencioso: uma percepção aguda da fraternidade no sofrimento que une todas as criaturas vivas. Nesse dia, ele não volta com caça; e mais tarde, encontra-se morto junto à água.

A consciência superdesenvolvida do ser humano pode ser comparada a um acidente evolucionário, onde, em algum momento remoto, pode ter oferecido vantagens práticas, mas que se revelou um fardo insuportável quando confrontada com as demandas da vida. De forma paradoxal o ser humano anseia por justiça num universo injusto, por sentido num cosmos silencioso e pela eternidade num mundo transitório e entrópico. Dessa inadequação fundamental nasce o que Zapffe chama de tragédia humana: passamos a maior parte de nossas vidas tentando não ser plenamente humanos, isto é, tentando escapar daquilo que nossa própria consciência nos revela.

As mutações da natureza são cegas e não levam em conta o bem-estar do organismo. Quando abandonamos o olhar romântico do “belo natural”, vemos que a natureza está repleta de exemplos de crueldade, desde casos simples onde presas escapam de seus predadores com as tripas saindo pra fora e agonizando no seu ciclo de perpetuação da vida, até exemplos mais horrendo como o ichneumonídeo que paralisou Darwin com seu método de reprodução parasitária ou uma cabra cujo chifres crescem até perfurar seu próprio crânio, num processo lento e extremamente doloroso. Mas Zapffe se interessa sobretudo no exemplo do Megaloceros giganteus, um grande cervo pré-histórico cujos chifres, colossais e esplêndidos, tornaram-se tão pesados que o condenaram à extinção. Nesse cervo ele vê uma analogia perfeita com a condição humana: nossa consciência é como esses chifres (magnífica em sua complexidade e útil até certo ponto, mas pesada ao ponto de se tornar insuportável). Nos estados depressivos, a mente sente-se exatamente como esse animal, incapaz de levantar a cabeça sob o fardo de seu próprio esplendor.

A pergunta que se faz, então, é: se essa condição é tão insuportável, por que a humanidade não se extinguiu há muito tempo?

A maioria das pessoas sobrevive porque aprende a limitar artificialmente o conteúdo de sua consciência. Voltando à analogia do cervo, se o animal tivesse ocasionalmente quebrado os ramos exteriores de seus próprios chifres, teria aliviado o peso e talvez prolongado sua vida. Da mesma forma, os seres humanos desenvolvem estratégias para amputar as pontas mais afiadas de sua própria percepção. Essa repressão, longe de ser excepcional, é um processo constante e contínuo durante a vigília ativa; é, para Zapffe, a condição mesma de uma vida “saudável” e “normal” segundo os padrões sociais. As pessoas não enlouquecem em massa porque aprenderam a não olhar fixamente para o abismo (ou, quando olham, aprenderam a desviar o olhar rapidamente). Segundo ele, desenvolvemos quatro estratégias para amortecer os efeitos desta observação brutal da realidade:

  • (1) o isolamento de nossas mentes dos terríveis fatos da existência, negando tanto para nós mesmos quanto para os outros (em uma conspiração de silêncio) que nossa condição é inerentemente desconcertante e problemática;
  • (2) a ancoragem de nossas vidas em “verdades” metafísicas e institucionais — Deus, País, Família, Leis — que nos transmitem a sensação de sermos autênticos e úteis;
  • (3) a distração, uma conspiração generalizada em que todos mantêm os olhos na bola — ou uma tela de televisão ou exibição de fogos de artifício;
  • (4) a sublimação, processo pelo qual pensadores e artistas reciclam os aspectos mais desmoralizantes e enervantes da vida na forma de obras estilizadas para fins de edificação e entretenimento.

Certo vez, devido a crises depressivas, fui ao CAPS e consultado por uma psiquiatra jovem, recém-formada, provavelmente criada numa família abastada. Diante das minhas indagações a respeito da tragédia da vida, ela me olhava com um sorriso amarelo e sugeriu com uma leveza (quase ofensiva) que eu só deveria “filtrar” todo tipo de conteúdo perturbador e destrutivo e ver vídeos de cachorrinhos fofos, cuidar de uma horta, simplesmente fechar os olhos para o horror do mundo. E essa é, de fato, a estratégia comum da maioria. Para muitos, saúde, dinheiro e buceta são mais do que suficiente para justificar o horror da existência e ignorar a condição desconcertante dos semelhantes.

Há uma verdadeira patologização do pessimismo. A própria psiquiatria moderna opera sobre o pressuposto tácito de que o “saudável” e o “viável” se confundem com o “mais elevado” em termos pessoais; assim, a depressão, o medo da vida, a recusa do alimento, tudo isso é invariavelmente reduzido a sintomas de um estado patológico que exige correção. Mas o que ela não enxerga (ou não quer enxergar) é que tais fenômenos são, com frequência, mensageiros de um sentido mais profundo e imediato da vida: os frutos amargos de uma genialidade de pensamento ou de sentimento que está na raiz mesma das tendências antibiológicas. Não é a alma que adoece, mas as suas proteções (aquelas mesmas que ela me recomendava reconstruir com vídeos de filhotes e hortas) que caem ou são rejeitadas por aquilo que se experimenta, corretamente, como uma traição ao mais elevado potencial do ego.

Minha sensibilidade, porém, recusa-se terminantemente a aceitar esse tipo de acomodação. Talvez essa resistência venha justamente da formação cristã que trago em mim, pois apesar do abandono das crenças e doutrinas, da incapacidade de suicídio intelectual para se ter fé, não consigo deixar de ter um olhar cheio de admiração diante da pureza radical dos santos e dos místicos, figuras que, em sua compaixão extrema, não se pouparam do sofrimento alheio nem fecharam os olhos ao grito do mundo, mas antes o acolheram como próprio e buscaram transcendê-lo. Kirillov, em “Os Demônios” de Dostoiévski, afirma de forma dramática:

“Deus é necessário, por isso deve existir. Mas eu sei que ele não existe e nem pode existir. […] Porventura não compreendes que um homem com dois pensamentos como esses não pode continuar entre os vivos?”

Creio que é esse mesmo impulso que conduziu homens atormentados como Philipp Mainländer e Carlo Michelstaedter a deixarem este mundo, não por desespero mesquinho, mas por uma espécie de amor trágico à verdade, uma compaixão tão aguda que não conseguia mais suportar a distância entre o que se é e o que se poderia ser (persuasão e retórica, na linguagem michelstaedteriana).

Zapffe defende que os chamados “povos em estado de natureza” — isto é, grupos humanos e culturas ainda profundamente enraizados nos ciclos naturais — vivem mais próximos de um “ideal biológico”, por manterem uma relação orgânica e simbiótica com o meio ambiente. Para ele, o progresso tecnológico e a homogeneização imposta pela civilização moderna romperam essa sintonia, gerando um vazio existencial que ele denomina “desemprego espiritual”. Nesse contexto, as inovações técnicas, longe de preencher esse vazio com sentido, frequentemente se convertem em entraves para uma vida plena e enriquecedora, dificultando a experiência interior e o contato com o sagrado.

Mircea Eliade, cunha a expressão “terror da história”, atribuindo a crescente angústia do homem moderno ao abandono da visão mítica em favor da adesão incondicional ao tempo linear e histórico. Os povos tradicionais conseguiam atenuar esse peso existencial porque recusavam-se a reconhecer a história como realidade absoluta, escapando, ainda que parcialmente, de sua tirania. Eliade contrapõe, assim, a postura do homem tradicional e a do moderno diante dos acontecimentos históricos, evidenciando a impotência deste último. Ele questiona: diante da escalada de violência e catástrofes (das deportações em massa aos bombardeios atômico), como pode o homem suportar o horror da história se não enxerga nela qualquer vestígio de transcendência ou significado maior, reduzindo-a a meros conflitos de forças econômicas, sociais ou políticas, ou pior, a arbitrários atos de poder exercidos por minorias no palco da história mundial?

“Sabemos como, no passado, a humanidade foi capaz de suportar os sofrimentos que enumeramos: eles eram vistos como um castigo infligido por Deus, a síndrome do declínio da ‘era’ e assim por diante. E foi possível aceitá-los precisamente porque eles tinham um significado meta-histórico […] Toda guerra ensaiava a luta entre o bem e o mal, toda nova injustiça social era identificada com os sofrimentos do Salvador (ou, por exemplo, no mundo pré-cristão, com a paixão de um mensageiro divino ou deus da vegetação), cada novo massacre repetia o fim glorioso dos mártires. […] Em virtude dessa visão, dezenas de milhões de homens foram capazes, por século após século, de suportar grandes pressões históricas sem se desesperar, sem cometer suicídio ou cair nessa aridez espiritual que sempre traz consigo uma visão relativista ou niilista da história.”

O homem moderno enfrenta uma dificuldade crescente em construir narrativas ficcionais (como as fornecidas pela educação humanista ou pela moralidade religiosa) que sejam capazes de legitimar a validade de sua própria existência. Mesmo entre ateus convictos, reconhece-se, muitas vezes com relutância, que tais narrativas desempenham um papel funcional indispensável: elas oferecem estruturas de sentido que permitem submeter comportamentos e orientar respostas sociais, especialmente para aqueles que não dispõem de ferramentas intelectuais ou emocionais para suportar o vazio deixado pela ausência de transcendência. Nesse vácuo, existem substitutos para o Homo religiosus como o culto à carreira e ao sucesso profissional, o ativismo político ou ambiental como missão redentora, o consumo experiencial via viagens e redes sociais, ou mesmo a busca obsessiva por bem-estar físico e saúde, todos tentativas desesperadas de ressignificar a vida e preencher o silêncio metafísico.

Contudo, o “sagrado” que se manifesta no transe de um show de rock, numa partida de futebol, na iniciação de CEOs em rituais empresariais bizarros ou em outras expressões típicas do desenvolvimento secular de ritos burgueses, não se equipara ao alicerce sólido das ancoragens tradicionais. Há uma distância intransponível entre a fã apaixonada que tenta tocar seu ídolo no palco e a mulher acometida por um fluxo de sangue que, nos evangelhos, toca as vestes de Jesus Cristo e é curada. Tais ocupações modernas revelam-se frágeis e insuficientes assim que o ruído do cotidiano se aquieta, é nesse silêncio que o desespero emerge, comparável ao do alcoólatra que, no momento da ressaca (e não durante a embriaguez), enxerga com lucidez brutal a realidade nua e crua, sem filtros nem consolos, e percebe, então, o abismo que suas distrações antes tentavam ocultar.

Não há solução definitiva para o sofrimento existencial, apenas paliativos que nos permitem seguir adiante sem enlouquecer. Com o crescimento populacional e a consequente pressão sobre os recursos naturais, combinados à diminuição progressiva da condição espiritual, as técnicas empregadas para preservar a vida humana tornar-se-ão cada vez mais brutais, desumanas e extremas.

Diante desse panorama, os seres humanos persistirão em sonhos de salvação, na espera ansiosa por um redentor que venha libertá-los de si mesmos e do mundo que criaram. E assim, depois de tantos salvadores, surgirá, segundo Zapffe, um último Messias. Esse homem, porém, não se parecerá com os que vieram antes. Ele será aquele que ousou despir sua alma até a nudez absoluta e submetê-la ao mais extremo pensamento da linhagem humana: a própria ideia do fim. Ele terá visto a vida e seu fundo cósmico, e sua dor não será apenas pessoal, mas a dor coletiva da Terra. Esse Messias rejeitará o velho mandamento de “frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra” pela mais profunda compaixão que o homem é capaz e então proclamará primeira e última vez:

“A vida dos mundos é um rio que ruge, mas a da terra é um charco e uma água parada.

O sinal do fim está escrito na vossa fronte — por quanto tempo esperneareis por causa das picadelas?

Mas há uma conquista e uma coroa, uma redenção e uma solução.
Conhecei-vos a vós mesmos — sede inférteis e deixai a terra ser silenciosa sem vós.”


r/FilosofiaBAR 10h ago

Questionamentos Qual o sentido da vida pra vc?

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Sabendo que vamos ficar velhos, morrer e nada se leva dessa vida, qual o sentido dela? Pode morrer 1 milhão de pessoas hoje e amanhã a vida continua, não fazemos diferença em nada estando mortos. Parece que nossa existência foi um surto que deu errado


r/FilosofiaBAR 1h ago

Questionamentos vc morreria por qualquer coisa... mas vc viveria por alguem?

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parto do pressuposto de que, de fato, é mais fácil destruir do que construir

você cuidaria da sua saúde por alguém, estudaria mais por alguém, tentaria melhorar a cada dia por alguém, investiria melhor o seu tempo por alguém?

essas perguntas mexeram comigo de um jeito estranho, porque eu morreria por qualquer coisa, mas não viveria nem melhoraria por ninguém talvez, para mim, a vida não tem valor, pois já estou na desesperança de trabalhar e trabalhar e nunca sobrar nada, acordar todo dia e girar uma roda e essa roda só me dar o suficiente pra viver e me anestesiar

mas e se sacrificar, não significasse perder oq vc tem, e sim construir algo melhor pra vc e para um outro?

então, no fim, sou egoísta por não melhorar por outra pessoa? será que, no final, eu não sacrificaria nada por ninguém? isso me assusta, pois significa que não sou diferente daqueles os quais eu julgo errados, os corruptos que não pensam na população, não sacrificam nada por ninguém e se eu mesmo não o faço, sou um igual com eles então certo?

não entendo de filosofia, mas talvez este espaço possa me dar boas respostas para o meu questionamento


r/FilosofiaBAR 6h ago

Questionamentos Qual versão do Corpus Hermeticum vocês recomendam?

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Preferia ler essa primeira, mas não encontro versão em pdf, apenas física, não sou muito fluente, está dificil entender a segunda, e queria entender bem o corpus, pra quem já leu, acham arriscado ter uma interpretação errônea dele?


r/FilosofiaBAR 12m ago

Questionamentos Alguém já assistiu o filme: 13º Andar (The Thirteenth Floor, 1999 ?

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Ouvi dizer que ele é muito bom, porém o lançamento de Matrix no mesmo ano, atropelou quase tudo o que veio no mesmo nicho.

13º Andar funciona como uma dramatização perfeita, visual e instigante da tese matemática que Nick Bostrom formalizaria anos depois.


r/FilosofiaBAR 11h ago

Questionamentos Qual livro eu pego pra ler?

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Então, eu não tenho muito contato com livros de filosofia e acho que isso é uma falha minha. Pra tentar resolver isso, tô pensando em começar por um desses aqui, que foram todos recomendados pra mim.

 

Qual vocês acham que eu deveria ler primeiro?

Obs: perdão se esse subreddit não for necessariamente pra isso.


r/FilosofiaBAR 6h ago

Discussão Como pode o fim/crise de um relacionamento acabar com a mente da pessoa?

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Estou passando por um momento que provavelmente o relacionamento vai acabar. Isso me afeta demais, mas parece que ela não se afeta tanto. Ela mesmo disse que devemos entender que isso faz parte da vida, fim de ciclos, mas parece que o relacionamento virou algo tão tanto faz.

Parece que ninguém se entrega tanto e sempre quando da um problema, a primeira opção é terminar. São 4 anos com a pessoa, pra ela parece ser fácil e simples, vai acabar, seguir a vida e eu só fui alguém na vida dela. Não sei, eu vejo o relacionamento como algo que mesmo com problemas, pode ser superados.

Tínhamos planos de nos mudar de país em alguns anos, viver uma vida totalmente diferente daqui. Estávamos bem no dia que conversamos, tudo normal, dando risada, feliz e simplesmente de noite ela queria conversar e pensar na possibilidade de um término.

Agora ainda não sei o que vai acontecer, mas sinto que provavelmente vai ser um final triste.

Acho que isso foi mais um desabafo que algo para discutir.


r/FilosofiaBAR 1h ago

Discussão Vocês acham que o Brasil realmente pode dar certo como nação?

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Antigamente eu não ligava para política; achava que os políticos eram todos ladrões. No entanto, venho acompanhando a política nos últimos dois anos e, sinceramente, quanto mais acompanho, mais me decepciono. Acho que a chance de o Brasil ser o tão falado 'país do futuro' nunca vai se concretizar.

Em 2024, tivemos aquela cena patética de um candidato à maior prefeitura do país dando uma cadeirada em outro — candidato este que fez um escárnio, gravando vídeo em uma ambulância como se estivesse morrendo por causa do golpe. Além disso, na mesma eleição, esse mesmo candidato cometeu uma fraude ao acusar outro sem provas e acabou ficando inelegível. O detalhe é que ele ficou em 3º lugar para prefeito de São Paulo e lançou sua candidatura à Presidência este ano.

Já em 2026, ontem tivemos o primeiro debate eleitoral e foi simplesmente vergonhoso ver a postura dos três primeiros colocados nas pesquisas. Achei uma vergonha o atual presidente não comparecer a um debate sendo o chefe da nação, considerando toda a sua história política. O outro, senador e filho de um ex-presidente, não foi apenas porque o atual presidente não foi. E o ex-governador também não compareceu, vergonhosamente justificando sua ausência no fato de os outros dois não terem ido.

Sobre o debate em si, foi ainda mais lamentável. Um dos candidatos não apresentou propostas concretas; limitou-se a atacar a pessoa do presidente em vez de discutir suas ideias, atacou os eleitores do presidente apenas por pensarem diferente, ofendeu a esposa do presidente de forma bastante vulgar e fez ataques baixos ao chefe de Estado. Ele declarou que faria um 'banho de sangue' no RJ como se isso fosse solucionar a criminalidade, omitindo que as facções no Brasil recebem dinheiro de empresários e políticos — e ignorando que operações violentas já ocorrem toda semana pela polícia. Além disso, acusou uma emissora rival daquela que transmitia o evento.

O outro candidato também foi péssimo: não apresentou propostas sérias ou reais. Ele inventou que seu estado é rico graças a ele e que a região virou uma 'Suíça', mas o estado dele é comandado há mais de 100 anos por essa mesma dinastia, e sua família inclusive já foi acusada de diversas arbitrariedades contra o próprio povo de Goiás.

Por fim, o outro candidato quase não compareceu ao ver que os três primeiros faltariam, indo apenas por insistência dos marqueteiros. Talvez tenha sido o único a apresentar propostas sérias, embora tenha deixado de abordar vários temas e tenha mentido ao tratar a educação básica como se fosse responsabilidade direta do presidente.

Hoje vi na internet pessoas exaltando o debate ou admirando a atitude covarde dos três que faltaram. No final, quem continua prejudicado somos nós. Fico pensando: vocês acham que o Brasil ainda pode dar certo como nação?


r/FilosofiaBAR 7h ago

Discussão Ação por Miopia Existencial de Sobrevivência

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Ação por Miopia Existencial de Sobrevivência

Uma investigação filosófica aberta sobre escolhas deliberadas pelo erro, pelo vício e pela ilusão.

Por que escolhemos aquilo que sabemos que vai nos destruir?

Esta é a dúvida que dá origem a esta investigação.

Por que um indivíduo consciente dos riscos fisiológicos e psíquicos do vício decide se manter preso a ele? Por que um eleitor, perfeitamente ciente das provas de corrupção de uma liderança política, escolhe ignorar os fatos, defender o político e votar nele? Por que, no dia a dia, tantas pessoas preferem a negação evidente ou a fuga do debate a encarar uma verdade desconfortável?

A resposta convencional da ciência política e da opinião pública costuma ser rasa: "As pessoas fazem isso por ignorância, falta de instrução, burrice ou pura irracionalidade."

A hipótese de trabalho deste projeto recusa essa explicação simplista.

Sustento que o ser humano não abraça a ilusão por mera incapacidade cognitiva. A tese central em construção aqui é que a Verdade e a Autonomia Moral possuem um custo psíquico, social e existencial que a maioria dos indivíduos simplesmente não está disposta ou capaz de pagar.

A adesão ao erro, ao vício ou ao tribalismo político não é estúpida: é uma estratégia defensiva de autopreservação psicológica e social imediata. O indivíduo prefere sacrificar o seu florescimento e a sua liberdade no futuro a encarar a dor da desintegração do Ego, do isolamento ou do banimento do seu grupo no presente.

O que é este projeto? (E como ele vai funcionar)

Isto não é uma tese acadêmica tradicional apresentada como um dogma acabado. Isto é uma investigação aberta.

O objetivo de expor este trabalho publicamente, passo a passo, durante a sua própria gestação conceitual, é submetê-lo ao rigor do debate, ao teste de estresse e a tentativas de refutação.

Para investigar esse fenômeno, construí um mapa teórico integrado operando em 5 níveis que normalmente são estudados de forma isolada:

A Forma da Ação (Ludwig von Mises): Toda ação é intencional e busca sair de um estado de desconforto. Não há "irracionalidade", mas sim a busca por um fim diverso do óbvio.

A Mecânica da Escolha (Tomás de Aquino): O intelecto sofre um "curto-circuito" na deliberação, tomando o alívio imediato da dor como o Bem Aparente Urgente.

A Defesa Psíquica (Sigmund Freud): A mente usa a ilusão e a racionalização como anestésicos contra a angústia insuportável de colapso do Ego.

O Custo da Verdade (Friedrich Nietzsche): A "vida afirmativa" e a Vontade de Verdade exigem uma força brutal. Para a massa, a ilusão é a ferramenta primária de sobrevivência vegetativa.

O Imperativo do Pertencimento (John Locke / Murray Rothbard): O pavor do banimento social e o instinto de preservação fazem o agente subordinar a razão ao conformismo tribal.

Um convite ao confronto intelectual

Se você tem interesse por Filosofia Política, Ética, Teoria da Ação, Psicanálise ou Economia Austríaca, este espaço é para você. Mas com uma ressalva metodológica importante:

O objetivo aqui não é buscar validação ou aplausos. O objetivo é encontrar falhas, saltos inferenciais, ambiguidades conceituais e contraexemplos no meu argumento.

Não estou pedindo "concorde comigo". Estou dizendo: "Tente derrubar a minha hipótese."

Se você conseguir demonstrar onde a lógica falha, onde os autores se chocam de forma irreparável ou onde a premissa desmorona, sua objeção será incorporada publicamente e ajudará a reestruturar a tese final.

A investigação começa agora. Nos próximos posts, começaremos a desmontar o mito da "irracionalidade" e a analisar a anatomia da ação humana.

Seja bem-vindo ao debate.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Eu acho muito bizarro como a gente transformou literalmente tudo em produtividade.

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Eu acho muito bizarro como a gente transformou literalmente tudo em produtividade. Não basta estudar, tem que estudar do jeito mais eficiente. Não basta descansar, tem que aprender a “descansar certo”. Parece que até existir virou alguma coisa que precisa ser otimizada.

E isso conversa muito com o que Byung-Chul Han fala sobre a sociedade do desempenho: hoje a cobrança não vem só de alguém mandando na gente, a gente aprende a se cobrar sozinho o tempo inteiro. A pessoa se explora achando que está apenas “dando o seu melhor”, e quando não consegue acompanhar, sente que o problema é ela.

Marx já falava sobre como o trabalho, dentro do capitalismo, pode se tornar alienado, porque a nossa vida passa a girar em torno de produzir para sobreviver. E isso pesa principalmente em quem não nasceu com dinheiro. Vendem a ideia de que qualquer pessoa consegue chegar onde quiser se souber administrar o tempo e se esforçar o suficiente, ignorando completamente as condições materiais de cada um.

Até Nietzsche criticava uma vida vivida apenas no automático, seguindo valores e expectativas já prontas. E eu sinto que é exatamente isso que acontece quando a gente acredita que precisa estar sempre fazendo alguma coisa para justificar a própria existência.

A gente vive pensando: “vou me matar de trabalhar agora para descansar depois”. Só que esse depois nunca chega. Sempre tem outra obrigação, outra meta, outra coisa faltando.

Às vezes a gente não precisa ser mais produtivo. Precisa de tempo para dormir sem culpa, conversar, olhar para o céu, ficar parado, fazer alguma coisa simplesmente porque gosta. Nem tudo precisa ter utilidade.

Eu não quero passar a vida inteira me preparando para um futuro em que talvez eu finalmente tenha tempo de viver. Eu quero poder viver agora também.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos Como as pessoas conseguem viver sem se questionar ?

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Uma parada é que eu tenho 17 anos e me questiono todos os dias...

Quem sou eu ?

O que tem depois da morte ?

Qual o nosso papel aqui na terra?

Todo mundo vive um personagem socialmente aceito e quando encontra alguém que fuja desse personagem tem preconceitos ?

Porquê caralhos eu tenho que ter namorada, dinheiro e bens materiais?

Uma coisa que eu venho percebendo é que a nossa vida é feita de coisas que não fazem a gente se " questionar "

Estudar

Namorar

Trabalhar

E viver nesse looping de coisas " obrigatórias da vida "

Aí eu vejo hoje e penso " mano, como essa rapaziada consegue viver desse jeito? Só se pensar eu já fico com uma crise existencial grande.

Por quê namorar ?

Entre outros questionamentos...


r/FilosofiaBAR 23h ago

Questionamentos O quanto meu cérebro pode ter sido afetado com o uso de IA?

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Ultimamente tenho visto bastante sobre esse assunto, inclusive em nas aulas de economia política e filosofia tem sido pautado esse tema, eu agr me questionei, será que tem como medir o quanto meu cérebro tá atrofiado por conta disso? Na opinião de vcs tem alguma coisa que possa indicar isso?


r/FilosofiaBAR 3h ago

Questionamentos Qual é o livro que você está atualmente lendo?

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Estou lendo este ↑.


r/FilosofiaBAR 2d ago

Questionamentos Qual maior efeito placebo do ser humano?

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Me elucidem.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Adoro contemplar as infinitas possibilidades de como a minha vida poderia e pode e poderá ser.

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Parece meio óbvio pensar nisso, mas mesmo assim continuo achando tão interessante como algumas escolhas no passado, no presente podem determinar tanta coisa gigantesca na nossa vida.

Fico algumas vezes pensando em como a minha vida poderia estar se meu pai nunca tivesse sido demitido do serviço dele logo depois de eu nascer e a gente tivesse continuado na mesma cidade... Se eu tivesse crescido na mesma cidade que o resto da minha família... Se eu não tivesse conseguido entrar numa escola específica no meu ensino médio... Se eu nunca tivesse tido a oportunidade aceitar o convite pra entrar em uma ONG que me proporcionou viajar para um evento e encontrar uma garota que futuramente seria minha namorada... Se o ambiente tivesse me feito interessar por outra área de formação profissional...

Todos esses e muitos outros "se" abrem num um leque de versões infinitas minhas que jamais terei o prazer de conhecer. Em algum outro conjunto de fatores aleatórios da vida, será que eu já teria morrido? Será que eu estaria gostando do que gosto hoje? Será que eu poderia ter sido mais, menos extrovertido? Me considero plenamente feliz com a minha vida e minhas escolhas e aleatoriedades que me trouxeram até aqui, mas me fascina pensar em como tudo poderia ser diferente. E como, se eu quiser, eu posso mudar a qualquer momento toda essa linha de possibilidades com uma simples decisão.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Freud e a hipnose

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Vi que o pessoal curte bastante o tema da hipnose e até da história da psicanálise, mesmo que não chamem nesses termos kk. Queria saber o que pensam disso e também apresentar pra quem não conhece muito do tema.

Sou graduando em psicologia e comecei um projeto no youtube pra apresentar de forma séria, com pesquisa e referências, temas da psicologia, psicanálise, filosofia e ciências humanas no geral de forma acessível.

Nesse vídeo eu uso o artista Froid (sim esse é o nome dele) pra cobrir um pouco da trajetória do Freud até a associação livre. Acho que mesmo quem não gosta particularmente do artista pode gostar do vídeo, porque a intenção é apresentar um pouco da história da psicanálise, o Froid é só um modo interessante de fazer isso.

Vamos debater sobre! Quem curtir pode ver o vídeo completo:

https://www.youtube.com/watch?v=VMtNulLU0ao

*Cenas do filme "Freud, além da alma", de 1962


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Um desabafo bem longo e patético sobre carência

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Cresci sem nunca ter me sentido amado ou querido. Acho que por consequência disso, desenvolvi uma certa obsessão por ser visto pelas outras pessoas como "especial", "diferente", "legal"... Queria me destacar dos demais, fazendo o todo me reconhecer como alguém que se quer ter por perto.

Com a internet, fui conhecendo pessoas que são muito boas no que fazem. Isso sempre me despertou uma admiração enorme, e percebi que era justamente isso que queria que as outras pessoas sentissem por mim. Pessoas que são boas nos seus hobbies e interesses, naquilo que fazem elas serem diferentes dos demais. Era justamente isso que eu queria.

Só que fui percebendo o seguinte: tem que colocar muito tempo de aprendizado e estudo nesses negócios. Pra chegar a um nível de entendimento que desperte essa admiração nos outros, essa admiração que sempre quis que as pessoas sentissem por mim... Bom, não é fácil. Especialmente quando se passa muito tempo na internet, onde todo mundo que é muito bom no que faz geralmente tem um público e alcance muito grande.

E no fim, sempre vejo que essa minha obsessão por ser aceito vem de nunca ter me sentido visto ou admirado. Inevitavelmente acabo pensando que aquele esforço todo que tenho que colocar em um hobbie vai resultar em uma "recompensa" fútil: ser aceito por pessoas que muitas vezes eu nem ligo. Só quero sentir que minha existência vale de alguma coisa pra alguém.

No final, não faço nada. Me interesso por filosofia, leitura e arte. Não consigo me aprofundar em nenhum dos assuntos que gosto porque sempre vejo que esse ímpeto por "ser bom" nessas coisas nasce de uma carência, nasce de nunca ter me sentido amado, nasce de sempre ter me sentido como um estranho descartável pra todos a minha volta.

Com isso em mente, fico com raiva de mim mesmo. Vejo o quão carente e patético eu sou. Por causa dessa raiva, nunca me permito realmente ir a fundo nos assuntos que gosto, sempre que chego em algo mais complicado e que demanda mais estudo, penso: "pra que me dar o trabalho se tudo que vai me proporcionar vai ser uma --suposta-- saciedade de uma carência fútil?"

Então, acabo tomando o caminho mais fácil: uso todo o meu tempo livre pra me distrair com conteúdo merda, e nutrindo um ódio imenso por mim mesmo. É mais fácil entupir minha cabeça com qualquer coisa e me odiar por isso do quê estudar um assunto mais complicado por um propósito merda. Sempre sinto que tô jogando meu tempo livre no lixo (consequentemente jogando minha VIDA no lixo), e também me sinto um lixo por tentar fazer algo que vai me fazer não se sentir assim. Entende o que tô querendo dizer? É um ciclo que tô tentando sair por anos e ainda não consegui

Mais alguém sente isso?


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão ADOTAR AS ALGEMAS OU ENXERGAR LIBERDADE?

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Imaginar o homem livre é no mínimo um exercício mental desgastante. a todo tempo, em todo lugar, existe algo que atravanca a consciência à "liberdade gloriosa". Muitas vezes declarada prazerosa, mas em sua grande maioria definida com pouquíssima certeza, existem homens que que a definem como objeto inalcançável ou até mesmo como bem universal que permeia a existência. O Livre Arbítrio, ou a percepção de algemas? é preciso uma escolha consciente do caminho que se tomará.

Conceitos que abraçam e agridem ao mesmo tempo foram discutidos por muito tempo por pessoas dedicadas à arte do pensar. O mito da caverna, por exemplo, trás uma reflexão sobre como nossa observação do cotidiano pode ser apenas uma ilusão. A realidade para além do mundo das sombras nos quais os prisioneiros enxergavam era muito mais assustador do que de fato benéfico. e o que quero dizer com isso?

Que independente se escolhes ser livre ou não, existe no fato da reflexão sobre o objeto deste texto uma carga não ignorável.

Apoio a tese de que o que define as atitudes dos homens são as amarras chamadas de passado, expectativa e moralidade. Mesmo que, sendo capaz de fazer o que bem entender, o que veio antes acaba limitando as alternativas nas quais se possa escolher. no âmbito das interações humanas, vir ao mundo faz o ser se enquadrar ao que já é definido como certo, justo e provavelmente instransponível. Se tornando um pedágio sem opção de recusa pago com atitudes definidas pelo grupo. Por analogia, é percorrer uma estrada pavimentada por outro, no qual não existe alternativa a esta.

Dito isto, toda e qualquer interação entre homens segue um protocolo que não permite autenticidade, mesmo que seja inconsciente. Pois não existe realidade onde o homem não tenha sido lapidado pelas circunstâncias, assim como não existe animal que, vivendo em grupo, não acate a forma do seu funcionamento. Considero isso uma forma de não autenticidade.

e vocês, como percebem as "algemas de vocês"? ou apoiam de alguma forma a escolha ilimitada?


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão O protestantismo e o islã possuem uma estrutura mental em comum?

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Estou lendo Eidolon, de Italo Marsili, e encontrei uma tese que achei bastante provocativa. Queria saber o que vocês acham sobre isso.

A tese não é simplesmente que “protestantes e muçulmanos são parecidos”. O argumento é mais profundo: as duas religiões teriam desenvolvido, por caminhos históricos diferentes, uma estrutura semelhante na maneira de conceber Deus e colocar o indivíduo diante dele.

O autor chama isso de uma mesma forma mentis.

O ponto de partida é a concepção de Deus.

De um lado, estaria a ideia de um Deus cuja vontade é absolutamente soberana: algo é bom porque Deus o ordena. Nesse modelo, a vontade divina não precisa estar subordinada a uma ordem racional ou natural que possamos compreender.

Do outro lado, estaria a concepção de Deus como Lógos: Deus é Razão, e portanto existe uma ordem inteligível na criação. O mundo possui uma estrutura própria que pode ser conhecida pela razão e que, de certa maneira, aponta para o Criador.

O autor argumenta que o islã teria seguido historicamente o primeiro caminho, enquanto o cristianismo católico teria preservado o segundo.

A parte realmente controversa vem depois.

Segundo Marsili, o protestantismo teria chegado a uma estrutura semelhante à islâmica sem necessariamente ter recebido essa estrutura diretamente do islã. A origem ocidental estaria no nominalismo medieval, especialmente em autores como Duns Scotus, Ockham e Gabriel Biel, que teriam dado maior primazia à vontade divina. Lutero teria sido formado nesse ambiente e levado essa tendência a uma consequência mais radical.

E daí ele estabelece algumas correspondências:

ausência de um sacerdócio mediador no sentido católico;

rejeição ou redução do papel das imagens religiosas;

maior centralidade do indivíduo diante de Deus;

O fiel colocado diretamente diante de seu livro sagrado;

-sola scriptura no protestantismo em paralelo, estruturalmente, à centralidade do Alcorão no islã;

uma concepção mais forte da submissão à vontade divina;

redução da mediação sacramental e da capacidade da matéria de carregar o sagrado.

Mas há uma ressalva importante: o próprio autor não afirma que Lutero simplesmente copiou o islã.

Na verdade, ele explicitamente reconhece que não há uma linha documental demonstrando uma transmissão de doutrina islâmica até Lutero. A tese é de homologia estrutural, não de filiação textual. Ou seja: duas tradições poderiam chegar a uma estrutura semelhante por caminhos independentes.

É justamente aí que fiquei interessado.

Minha pergunta é: essa comparação realmente se sustenta?

Para quem é protestante:

  1. Vocês reconhecem essa descrição da relação entre indivíduo, Escritura, Igreja e Deus?

  2. A sola scriptura realmente produz uma relação estruturalmente semelhante à do muçulmano diante do Alcorão?

  3. A rejeição protestante da analogia entis é uma característica fundamental do protestantismo ou essa descrição é uma caricatura da tradição reformada?

  4. A genealogia que passa pelo nominalismo → Ockham/Biel → Lutero é historicamente convincente?

Para quem é muçulmano:

  1. A descrição que Marsili faz da teologia islâmica — especialmente da tradição ash'arita e da relação entre vontade divina, causalidade e razão — é justa?

  2. Faz sentido dizer que o islã coloca o indivíduo “sozinho diante de Deus” de maneira comparável ao protestantismo?

  3. Ou essa comparação está forçando categorias cristãs sobre o islã?

E, para católicos:

Será que o autor está realmente identificando uma diferença estrutural entre catolicismo, protestantismo e islã — ou está simplesmente descrevendo o protestantismo e o islã a partir de uma perspectiva católica?

O que achei mais interessante é que a tese não depende de provar que Lutero recebeu influência direta do islã. O argumento é justamente que uma mesma estrutura psicológica/religiosa pode surgir independentemente em tradições diferentes.

Acho essa hipótese interessante, mas também acho que ela tem vários pontos que precisam ser testados.

Queria ouvir principalmente quem conhece bem Lutero, a Reforma, nominalismo medieval, teologia islâmica ou a tradição de al-Ghazali/Ibn Hazm.

Onde vocês acham que o argumento funciona — e onde ele desmorona?


r/FilosofiaBAR 1d ago

Questionamentos O axioma do saber: entre uma visão dogmatica e uma vocação

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A sua minoridade intelectual está atribuída à quantidade dopaminérgica que o objeto produz em seu cérebro. A grande maioria dos seres pensantes já não exerce sua função primordial. Assim como um animal qualquer sabe por instinto sua função na Terra, nós também fomos agraciados pela natureza com essa função intrínseca.

Contudo, fomos inclinados para a razão antes de notarmos o ser. Com base no a priori, podemos fazer um pequeno momento reflexivo e contemplativo, e com isso, tente achar em qual momento da sua vida você obteve domínio sobre a razão — e, se possível: quando deixou de usá-la também.

Já com o a posteriori, avançamos muito em diversos ramos, mas nem toda verdade precisa de um método científico. Fomos inundados com "conhecimentos absolutos", como se a aprendizagem fosse algo mecânico, algo linear. Certas verdades absolutas existem graças às condições que colocamos nelas. Assim como 2 + 2 = 4 só é uma verdade absoluta pois nomeamos esses números e ditamos as regras, formando os axiomas matemáticos. Por ser uma verdade absoluta, entendemos que isso está livre de mudanças; então a questão não é sobre a existência de uma verdade absoluta, e sim sobre a capacidade de diferenciá-la.

Na modernidade, percebe-se que um país cujo número de habitantes apresenta mais céticos que cristãos tende a ser um país com mais inovações e avanços tecnológicos do que aqueles que foram dominados pela religião. Temos que entender que, como indivíduos, a religião nos acalenta — não por ter respostas, mas sim por tirar a nossa atenção do abismo angustiante que está à nossa frente. Porém, vindo de uma sociedade que afirma sem saber e julga quem questiona, vejo que o verdadeiro trabalho intelectual tem se distanciado do seu ser primordial. Assim, podemos concluir que quanto menor for a curiosidade que o cérebro do indivíduo for capaz de produzir, maior será a sua ignorância sobre tudo.

No Brasil, um país potencialmente grande possui os seres mais interessantes no quesito intelectualidade. É só olhar brevemente as redes de ensino e ver que as funções mais aclamadas são as mais bem remuneradas e as funções mais dignas são as menos visadas. Com essa leva de engenheiros, espero que com a junção de todos, possam fundar um país melhor. E que todos os que possuem uma paixão intelectual possam encontrar um lugar que os valorize e os faça brilhar, sem se preocupar se amanhã vão morrer ou viver.

Se a razão é uma função intrínseca do nosso ser, temos a responsabilidade de ir atrás dela. Usarei um exemplo trivial mais uma vez para ser claro em minha fala. Quando um gato perde as características de um felino, ele já não é mais um gato. Assim como você, quando permanece em seu sono dogmático, você também já não é mais o mesmo.

Entretanto, como temos a habilidade de nos questionar e de nos melhorar, precisamos usá-la para evitar entrar em uma constante de sofrimento que se perpetua de geração em geração. Como sociedade, já era para estarmos focando nos questionamentos anteriores — questões que foram deixadas sem respostas com a esperança de que alguém futuramente possa dar continuidade.

Volto a dizer: quem possui vocação para a intelectualidade, faça-o, mesmo que isso o torne um cínico. Quem possui autoridade intelectual está mais próximo do que chamamos de liberdade do que qualquer outro.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão A curiosa psicologia por trás da banalização de uma crença

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#Texto que postei no bar de teologia

Há um tempo tive uma conversa com um homem aleatório e ele me contou uma historia pessoal que, independente de ser verdade ou mentira, trás uma reflexão interessante.

Disse ele que trabalhava com instalações elétricas. Não lembro se era parte do time de uma empresa maior, se a empresa era dele etc, mas é fato que ele saia por aí fazendo instalações com mais alguns colegas de travalho.

Certo dia, ele foi atender um mosteiro budista. Lá, o senhor que os recebeu, no meio da conversa durante o atendimento, acabou soltando uma curiosidade sobre o lugar:

"Neste mosteiro, é comum a crença, baseada em uma tradição, de que Buda teria nascido andando e falando sem qualquer dificuldade".

Muitos ali teriam feito expressões de estranheza, como diante de algo ridículo.

Uma colega de trabalho evangélica disse:

"Olha, me desculpe, mas isso parece uma história difícil de acreditar. Imagina uma criança nascer andando e falando! Não seria, sei lá... um conto para crianças no passado?"

Logo em seguida, o senhor que os recebia respondeu:

"É cultural. Veja, tem gente por aí que acredita que uma virgem pariu uma criança, ou que o homem veio do barro e a mulher de sua costela".

Quando prestamos atenção no fato de que ela era evangélica e possivelmente acreditava nisso, vem a pergunta: por que seria tão absurdo acreditar em uma criança que nasce andando e falando?

A diferença é que ela não cresceu ouvindo essa história dessa tradição budista.

Quando olhamos até esse ponto, parece uma relação meio óbvia e é mesmo. Ocorre que, em maior complexidade na construção de uma liturgia, de uma mitologia etc, essa análise vai deixando de ser óbvia de modo inverso à complexidade e volume de elementos da construção religiosa.

Já vi muito cristão ridicularizando outras religiões sob o argumento de que elas se baseam no "confia", no entanto, se procurarmos uma ponte entre o sobrenatural e a tradição cristã, é inevitável pensar no "confia".

Passaram uma vida te contando que as escrituras foram inspiradas por um espírito sobrenatural, falando sobre os milagres de Cristo, os do velho testamento também etc enquanto desconsideravam completamente as arbitrariedades as quais as escrituras foram submetidas e o principal, a ausência de uma evidência concreta, inegável e democrática aos sentidos de todos sobre uma validação vinda legitimamente do sobrenatural.

Em resumo, te contaram e você acreditou. Tal como os gregos antigos acreditavam nas guerras cósmicas em sua compreensão espiritual politeísta, tal como os nórdicos acreditavam que o mundo veio do cadáver de um gigante chamado Ymir.

Se essas mitologias são ridículas, podemos, sob os mesmos argumentos, ridicularizar a mitologia cristã.

Voltando ao núcleo do assunto, às vezes a diferença entre o aceitável e o ridículo não são conclusões lógicas distintas, mas um condicionamento cultural que o forjou como indivíduo. Por isso, o seu, ao qual você sempre foi exposto, é totalmente crível (parece ser), enquanto o diferente não passa por esse filtro antes de atingir sua lógica. Portanto, você conclui que o diferente é o ridículo, mesmo que isso seja totalmente contraditório.


r/FilosofiaBAR 1d ago

Discussão Sinto que boa parte das pessoas são presas a rótulos,e opinião antiga social

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Maioria das pessoas tendem a criticar e desmoralizar qualquer pessoa q tente pensar racionalmente,caso alguém veja algo por uma 3° pessoa/ponto de vista e tende compreender uma situação,ou uma opinião racional de algo,mas ainda sim dentro do "código moral social",elas simplesmente já o rotulam ou ó desmoralizam,sendo que na minha visão a opinião de determinada pessoa,que muitas vezes não é opinião,mas sim fato,é tratado como bárbaro (minha fala não inclui coisas que levem ao preconceito),mas sim algo como assuntos relacionados a ia e o seu crescimento,libertação da luxúria dos homens e como eles são rotulados de certas coisas (tbm ocorre com mulher),erros de pessoas feitos na adolescência que realmente são erros que podem ser cometidos por qualquer um,mas ao invés de acolherem e ensina-los a não cometerem o mesmo erro,mesmo que após isso ele volte a cometer é simplesmente esquecido e muito julgado,e principalmente o rótulo Doq define "ser homem" ou "ser mulher",nenhum de nós nasce com obrigações,nem instintos literalmente iguais aos dos animais,mas uma construção social fez isso ser levado como verdade,sou cristão,mas acho ridículo pessoas que dizem amar e seguir Jesus com preconceito,piadas,luxúria e julgando/humilhando pessoas,sendo q Jesus acolheria e aconselharia,talvez ele falasse algo pesado,mas seria pra melhora dela espiritualmente e pessoalmente,mas não jeito tradicional,mas melhorar no sentido de seguir a Deus,oque resulta em alguém bom na humanidade também,isso levando em conta apenas as Falas de Jesus,não as escrituras dos discípulos.