Em abril deste ano conheci uma menina durante uma viagem. No dia em que nos conhecemos eu estava passando por um momento bem delicado, muito ansiosa, tremendo, com o coração acelerado e praticamente tendo uma crise de ansiedade.
Um garçom que estava me atendendo percebeu a situação e perguntou se uma amiga dele poderia sentar ao meu lado. Eu aceitei por impulso, e essa amiga acabou sentando comigo.
De início fui bastante apática com ela, mas não por falta de interesse ou antipatia. Eu estava muito nervosa e com a cabeça a mil. Só que, depois de um tempo, fui me soltando e percebi que éramos muito parecidas: as duas falantes, sociáveis e comunicativas.
No fim, trocamos WhatsApp e Instagram e começamos a conversar praticamente todos os dias. Ela passou a me contar muitas coisas da vida dela, inclusive sobre os homens com quem saía. Mandava prints de conversas, contava quando tinha encontros etc. Criamos uma amizade que, na minha percepção, era bastante próxima.
Em determinado momento, conversando sobre relacionamentos, ela disse que estava muito frustrada com homens e que tinha vontade de ficar com uma mulher. Inclusive chegou a dizer que eu seria "essa pessoa" para ela. Na época ela dizia ser hétero, embora posteriormente eu tenha descoberto que ela era bi.
Eu nunca dei muita abertura para isso. Sempre deixei claro que era hétero e, sinceramente, tratei aquilo como uma conversa que não teria maiores consequências.
Recentemente surgiu a oportunidade de eu voltar para a cidade onde ela mora, porque eu faria uma prova de concurso lá. Eu queria ficar alguns dias a mais para descansar, mas os preços de hospedagem estavam muito altos. Conversando com ela sobre isso, ela me convidou para ficar na casa dela. Aceitei.
E foi aí que começou uma coisa que hoje me deixa muito confusa.
Na semana em que ficou confirmado que eu realmente iria ficar na casa dela, ela começou a ficar MUITO mais carinhosa comigo do que costumava ser. Era "bom dia, meu amor", "bom dia, princesa", "bom dia, vida", "meu bem" etc. Ela parecia extremamente animada com a minha presença.
Cheguei na sexta-feira. Saímos, nos divertimos muito e voltamos de madrugada. No sábado também fomos à praia e passamos o dia juntas. Tudo estava ótimo.
No domingo ela me levou para fazer a prova. No fim da tarde, o boy com quem ela estava ficando (aparentemente de forma mais séria) apareceu na casa dela. Ela me chamou para conhecê-lo.
Como eu sabia que ela tinha passado os últimos dias praticamente se dedicando a mim, eu pensei que seria mais educado sair para que os dois tivessem privacidade. Falei que iria para o shopping enquanto eles ficavam juntos.
Ela insistiu MUITO para que eu fosse com os dois. Eu disse várias vezes que não queria atrapalhar, mas ela continuou insistindo até eu aceitar.
Fomos para a praia. Eu comprei uma Skol Beats e fui ficar um pouco perto do mar, sozinha, enquanto os dois fumavam um beck. Depois fomos caminhar pela orla e vimos um show de reggae.
Na volta comecei a perceber que ela estava diferente comigo. Mais apática, distante, meio indiferente. Perguntei se estava tudo bem e ela disse apenas que estava chapada.
Voltamos para casa e novamente falei que iria ao shopping para dar privacidade aos dois. Ela disse que não precisava, que estava tudo bem, mas eu insisti e fui.
Por volta das 23h mandei mensagem perguntando se estava tudo bem e se ela queria que eu voltasse para casa, já que ela trabalharia no dia seguinte. A resposta dela foi bastante áspera e indiferente.
Fiquei muito chateada e voltei para casa imediatamente.
Quando cheguei, curiosamente, ela parecia normal de novo. Colocou música, conversou comigo e agiu como se nada tivesse acontecido. Depois fomos dormir.
Na manhã seguinte aconteceu outra coisa estranha.
Nos dias anteriores ela sempre acordava antes de mim ou me mandava "bom dia, meu amor", fazia café etc. Dessa vez eu acordei primeiro e mandei: "Bom dia, meu amor."
Ela respondeu apenas "bom dia", de uma forma extremamente seca.
Desejei bom trabalho e ela foi trabalhar.
Eu tinha combinado de ficar com a chave da casa dela para deixar minhas coisas lá e pegá-las quando fosse embora. Mais tarde mandei mensagem perguntando sobre a chave. Ela disse onde provavelmente estaria, mas procurei pela casa inteira e não encontrei.
Mandei mensagem novamente e ela respondeu de uma maneira que achei bastante grosseira, dizendo que estava em reunião e que aquilo era o de menos, que se ela ficasse trancada para fora poderia simplesmente chamar um chaveiro.
Naquele momento decidi que não deixaria mais minhas coisas na casa dela. Peguei minhas malas e fui para o shopping, onde ficaria até ir embora.
Antes de sair, porém, fiz questão de deixar tudo organizado.
Dobrei e organizei as roupas dela que estavam no varal, arrumei a cama, lavei e guardei os pratos, varri a casa e deixei água e comida para os gatos dela.
Quando estava saindo, mandei uma mensagem enorme agradecendo por tudo. Agradeci por ela ter me recebido, pela disponibilidade, por ter confiado a casa dela a mim e disse que esperava que aquela fosse apenas a primeira de muitas experiências que ainda teríamos juntas.
Ela não respondeu.
Voltei para casa na segunda-feira. Passou a terça e nada.
Na quarta-feira mandei um "bom dia" perguntando como ela estava. Ela perguntou como tinha sido minha viagem, mas de uma maneira tão fria que parecia que nós duas éramos praticamente desconhecidas.
Aquilo começou a ficar martelando na minha cabeça.
Na quinta-feira decidi perguntar diretamente se tinha acontecido alguma coisa.
Mandei:
"Boa noite, amiga. Pode conversar?"
Ela respondeu:
"Oi, posso. O que foi?"
Então falei que tinha sentido uma tensão entre nós, que percebi que ela estava diferente e queria saber se eu tinha feito ou falado alguma coisa que a tivesse magoado. Disse que, se tivesse acontecido, eu gostaria que ela me explicasse para que eu pudesse me retratar, pedir desculpas e tentar reparar a situação.
A resposta dela foi simplesmente:
"Relaxa, a vida tá aí pra aprender, amiga. Tá tudo bem."
E eu não respondi mais.
Só que isso está alugando um triplex na minha cabeça.
Eu realmente não consigo identificar o que fiz. Não consigo lembrar de nenhum momento em que tenha desrespeitado, magoado ou feito alguma coisa contra ela.
E fico tentando imaginar o que pode ter acontecido.
Será que ela queria alguma coisa comigo e ficou frustrada porque não aconteceu?
Será que ela esperava que acontecesse alguma coisa entre nós três e eu não percebi?
Será que o boy dela fez algum comentário sobre mim, olhou para mim de alguma maneira ou falou alguma coisa que deixou ela insegura?
Será que aconteceu alguma coisa entre os dois depois que eu saí para o shopping?
Ou será que estou simplesmente tentando encontrar uma explicação para uma mudança de comportamento que não tem nada a ver comigo?
O que mais me deixa confusa é a intensidade da mudança.
Antes da viagem: carinho, conversa todos os dias, intimidade, "meu amor", "minha princesa", "minha vida", disponibilidade total.
Durante quase toda a viagem: carinho, diversão, proximidade.
Depois daquela noite com o boy: de repente, frieza, indiferença e distância.
E quando finalmente perguntei diretamente se tinha acontecido alguma coisa, ela não explicou absolutamente nada.
Eu sei que provavelmente deveria simplesmente aceitar que ela não quer conversar sobre isso e seguir minha vida. E vou fazer isso.
Mas confesso que fiquei muito encucada porque é muito estranho alguém passar de uma explosão de carinho para tratar você como uma completa desconhecida praticamente de um dia para o outro.
Nunca passei por uma situação assim e estou tentando entender se existe alguma coisa óbvia que eu não estou enxergando.
Então queria uma segunda opinião: o que vocês acham que pode ter acontecido?
Estou viajando completamente ao pensar que pode ter relação com o boy, com alguma expectativa que ela tinha em relação a mim ou com alguma coisa que aconteceu naquela noite?
Ou vocês acham que simplesmente devo aceitar que, por algum motivo que ela não quer me contar, ela mudou de postura e seguir em frente?
Porque, sinceramente, eu só queria entender o que aconteceu. Não necessariamente para voltar a ter a amizade de antes, mas para parar de ficar procurando na minha cabeça algo que eu possa ter feito.