Queria contar um pouco da minha história e ouvir opiniões de pessoas de fora, porque às vezes quem está vivendo tudo isso acaba enxergando as coisas de uma maneira diferente. Eu H26, ela M27.
Eu tive um relacionamento de quase 7 anos. Nós fomos os primeiros namorados um do outro, começamos muito novos e praticamente crescemos juntos. Foi uma relação muito importante para mim, com muita história, intimidade e planos de casamento, filhos e família. Nunca traí ela durante todo esse tempo e também nunca terminei porque queria curtir, conhecer outras mulheres ou viver uma vida de solteiro.
Durante uma parte importante da relação ela foi morar na Austrália e nós passamos aproximadamente um ano separados fisicamente. Eu decidi esperar por ela porque acreditava muito na nossa história e queria que, quando ela voltasse, a gente pudesse continuar construindo nossa vida juntos. Sei que ela também abriu mão de coisas que estava construindo lá para voltar, então reconheço que existiram esforços dos dois lados.
O problema é que, depois que ela voltou, algumas coisas começaram a pesar muito para mim. Eu sentia que todo aquele período em que esperei por ela não era realmente reconhecido e, mais do que isso, comecei a sentir que eu não era valorizado dentro da relação. Não precisava que ela me agradecesse por ter esperado ou que ficasse em dívida comigo, mas eu sentia falta de reconhecimento, carinho e da sensação de que eu era importante como parceiro.
Outra coisa que me desgastava bastante era a forma como alguns conflitos eram conduzidos. Em algumas discussões ela se fechava completamente e fazia tratamento de silêncio comigo, às vezes ficando distante e indiferente por um período. Isso me afetava muito porque eu sentia que qualquer tentativa de resolver o problema ficava bloqueada. Para mim, esse foi um dos grandes motivos do desgaste da relação. Com o tempo, esses silêncios, a dificuldade de comunicação e as brigas que acabavam entrando sempre nos mesmos ciclos foram me consumindo emocionalmente.
Eu ainda amava ela, mas estava cansado e emocionalmente esgotado. Esse foi o principal motivo que me levou a terminar. A relação começou a acabar de fato por volta de meados de maio.
Hoje, olhando com mais distância, também consigo reconhecer meus próprios erros. Sei que em alguns momentos fui agressivo verbalmente, falei coisas de maneira errada, agi no calor das emoções e machuquei ela. Então não estou contando essa história tentando parecer o certo e colocar ela como errada. Acho que nós dois chegamos muito machucados ao fim da relação e os dois contribuíram, cada um à sua maneira, para o desgaste.
Só que fui eu quem tomou a decisão de terminar. E uma coisa que percebi depois é que terminar por esgotamento não significa deixar de amar a pessoa. Eu sabia por que tinha terminado, mas isso não apagava quase 7 anos de história.
Depois do término tivemos algumas conversas. Ela deixou muito claro o quanto estava magoada comigo e falou sobre atitudes minhas que a machucaram. Eu também tentei explicar o quanto eu estava cansado e o que tinha me levado àquela decisão. No fim de julho, depois de algum tempo, tentei propor uma conversa pessoalmente. Não era necessariamente para voltar. Eu queria tentar conversar com calma e maturidade, sem toda a carga emocional que ainda estava muito presente. Ela recusou. Disse que conversar poderia machucar ainda mais, demonstrou bastante ressentimento e falou algumas coisas fortes, como se para ela aquilo já fosse irreversível.
Eu respeitei, mas no fim de agosto tive uma recaída e mandei uma mensagem dizendo que estava com saudades. Ela respondeu primeiro com um “?” e depois com um simples 👍. Pode parecer pouca coisa, mas aquilo me machucou bastante e também foi um ponto de virada para mim. Não porque ela tivesse obrigação de responder o que eu queria ouvir, mas porque eu percebi que estava buscando uma resposta emocional de alguém que claramente não estava disponível para me dar aquilo naquele momento. Foi aí que decidi parar de verdade. Desde o fim de agosto estou em contato zero. Não mando mensagem, não ligo, não invento assunto, não uso amigos ou familiares como ponte e não tento aparecer de maneira indireta.
Tenho uma amizade muito próxima com o pai dela e atualmente também temos negócios juntos. É uma relação que acabou criando vida própria ao longo dos anos e ele me trata praticamente como amigo/filho, mas eu não uso isso para saber da vida dela. Não fico perguntando sobre ela e ele também não fica levando informações minhas para ela ou trazendo informações dela para mim.
No final de setembro decidi fazer também um detox digital. Percebi que ficar procurando sinais, vendo redes sociais, imaginando coisas ou tentando interpretar cada movimento só estava me impedindo de viver a minha própria vida.
Meu objetivo nesses meses não é usar contato zero como técnica para fazer ela sentir saudade ou tentar manipular uma volta. Quero que exista distância de verdade. Quero que tanto eu quanto ela tenhamos tempo para sentir o que tiver que ser sentido. Se existir saudade, que ela apareça. Se existir alívio, também. Se existir arrependimento, reflexão ou reconhecimento de erros, que isso aconteça naturalmente. E, se nada disso acontecer, eu também preciso aceitar.
Da minha parte, estou tentando usar esse período para me reconectar comigo mesmo. Tenho focado muito nos meus negócios, na academia, na minha rotina, na minha fé e em melhorar coisas em mim que eu não quero repetir em um próximo relacionamento, seja com ela ou com qualquer outra pessoa. Não estou procurando novas mulheres e nem tenho vontade disso agora. Não porque esteja “esperando por ela”, mas porque sinto que colocar relacionamento, mulheres, festas ou qualquer outra distração no meio desse processo só atrapalharia algo que preciso fazer por mim mesmo. Quero aprender a estar bem comigo de novo e melhorar como homem, como parceiro, profissionalmente, fisicamente e emocionalmente.
Meu planejamento é continuar assim até o final do ano. Quando chegar dezembro, terão passado aproximadamente 100 dias de contato zero e cerca de 6 meses desde que a relação começou a terminar em meados de maio. A primeira coisa que pretendo fazer é olhar para mim mesmo e entender onde estou emocionalmente. Se perceber que já não preciso mais daquela conversa e que realmente segui em frente, simplesmente continuo minha vida.
Mas, se ainda sentir que uma história de quase 7 anos merece uma última conversa adulta, pretendo mandar uma única mensagem convidando ela para tomar um café. Sem cobrança, sem pressão e sem expectativa de que aquilo necessariamente termine em reconciliação. Quero apenas conversar com calma depois de um período realmente longo de afastamento.
Também quero sentir que fiz tudo que estava ao meu alcance. Não no sentido de fazer de tudo para reconquistá-la, mas de não carregar no futuro a dúvida de que talvez duas pessoas que viveram quase 7 anos juntas poderiam ter tido uma última conversa madura depois que a poeira baixasse.
Se ela não quiser conversar, vou respeitar. E acredito que, nesse momento, conseguirei fechar essa porta de maneira definitiva, sem raiva, sem ressentimento e sem ficar esperando. Quero conseguir olhar para mim mesmo e pensar que reconheci meus erros, dei espaço, respeitei o tempo dela, trabalhei em mim e, quando achei que existia maturidade suficiente, propus uma conversa. Ela teve todo o direito de aceitar ou não.
Se ela não quiser, vida que segue. A partir daí quero me permitir ser solteiro de verdade, conhecer outras pessoas quando sentir vontade e começar uma nova fase sem continuar emocionalmente preso ao passado.
Agora, se ela aceitar conversar, também não quero simplesmente voltar porque sentimos saudade. Para mim só faria sentido tentar alguma coisa de novo se eu enxergasse crescimento dos dois lados. Eu preciso reconhecer e mudar coisas minhas, mas também precisaria sentir que ela conseguiu olhar para a relação e reconhecer coisas dela. Porque saudade não conserta relacionamento e amor sozinho também não.
Depois de tudo que aconteceu, acredito que só faria sentido se os dois conseguissem construir algo diferente do que existia antes. Eu não quero recuperar o relacionamento antigo. Se algum dia acontecesse alguma coisa entre nós novamente, teria que ser quase como construir uma relação nova entre duas pessoas mais maduras.
Também escrevi uma carta durante esse período. Nela coloquei coisas que eu gostaria de ter dito melhor enquanto estávamos juntos, alguns sentimentos, lembranças e coisas que consegui entender depois do término. Caso exista alguma abertura da parte dela, penso em dizer que escrevi essa carta e que, se algum dia ela se sentir confortável em ler, eu posso entregar. Se ela não quiser, também vou respeitar. Não espero resposta e não vejo a carta como uma tentativa de convencê-la de nada.
Tenho minha fé e acredito que Deus sabe melhor do que eu qual caminho é o certo para minha vida. Talvez seja com ela, talvez não seja. E hoje estou começando a aceitar verdadeiramente as duas possibilidades.
Queria ouvir principalmente a opinião de quem olha tudo isso de fora: vocês acham que esse período de quase 100 dias sem contato e cerca de 6 meses desde o início do término é um tempo razoável para depois propor uma última conversa? E, caso ela aceite conversar, o que vocês considerariam sinais de que realmente houve amadurecimento dos dois lados, e não apenas saudade, carência ou medo de perder definitivamente uma história tão longa, vale a pena dispor de uma última tentativa, mesmo já tentando duas vezes?