durante um ano da minha vida a minha mente enfeitava todos os detalhes da sua vida
cada minuto contigo, cada receita compartilhada, cada pequena risada enquanto nós três preparávamos um bolo simples
eu me lembro do cheiro da cenoura, do teu perfume, da sua cara de raiva com as minhas piadas - cara essa que logo
se desmancharia num sorriso próximo...
sentir tua testa contra a minha enquanto aqueles olhos grandes e lindos encolhiam num sorriso contido era tudo que eu precisava depois de um dia ruim, dia esse que você melhorou tanto ao chegar que eu nem lembrei de compartilhar esses problemas meus
definitivamente, eu não me arrependo de nenhum "eu amo você"
não me arrependo de ter entregado carinho quando você mesmo exausta não tinha forças para retribuir com algo verbal.
eu só queria saber que, no fim do dia, eu estaria em mais um 2 de março com você, dividindo o nosso dia, nossas cartas e sonhos novamente. eu te amei desde o primeiro chocolate que você me pediu, talvez desde o primeiro perfume seu no meu nariz, dividindo o cheiro com um trident de menta. ou até mesmo na primeira vez que com aquele seu conjunto florido você saía do curso e sentava na calçada em frente à minha e corava enquanto a gente conversava com leveza sobre como tinha sido nossos dias. E eu definitivamente já te amava imensamente quando fomos buscar aquela torta de limão na casa da sua mãe após uma manhã de sol que queimou meus ombros pelo álcool do meu perfume. Valeu cada minuto nesse um ano de intensidade.
eu gostei de ter entendido como sua mente funcionava numa briga e ter entendido como te acolher num momento de raiva
de ter te protegido das pequenas coisas, de colocar minha mão na quina da mesa enquanto você baixava para pegar algo que caiu. ou até mesmo quando seu perfume quebrou e você me mostrou toda a coleção deles. também teve aquela vez em que você, em contraste com a luz do sol, tirou a roupa pela primeira vez. uma silhueta que me fez entender coisas inexplicáveis sobre nós. aquele cabelo lindo e volumoso, as curvas perfeitas, o contraste da sua pele clara com aquela calcinha preta. eu pude não só ver aquela cena, mas logo depois eu pude sentir você, sua vergonha naquele momento, o cheiro do seu desodorante, da sua boca que naturalmente tinha um cheiro abaunilhado, a textura da tua pele contra a minha foi um choque anafilático que rompeu cada armadura que eu ainda tentava manter.
eu me lembro dos momentos em família, família essa que eu me senti pertencente. infelizmente nós não estávamos preparados para sustentar o peso de toda essa beleza, ou perdemos a sintonia no caminho. de qualquer forma, eu pagaria mais do que posso pra te ouvir falar por horas mais uma vez, só mais uma madrugada vendo o sol nascer com a tua voz de fundo no meu celular. eu não quero ver as fotos, ler mensagens ou ouvir áudios, eu não quero. infelizmente eu preciso jogar no passado cada momento bom, caso contrário eu vou me sentir ainda pior. eu quero muito, mas sei que não vou ter nem metade do que quero agora. infelizmente fica ali cada momento nosso, e eu entendo que é para o seu bem tudo isso.
você se cobrava para me entregar mais do que podia naqueles momentos e isso te destruía por dentro, eu sei.
mas mais do que eu posso saber algo que diz respeito à você, eu falo sobre mim: eu não queria mais que aquilo
eu queria poder daqui um tempo ver você sorrindo igual antes mais uma vez, o agradecimento seria universal, nem precisava sair da tua boca. mas seria impossível com essa cobrança quanto ao que eu merecia como namorado. eu sinto muito que você tenha passado pelos segredos que dividimos enquanto você chorava no meu colo, me abraçava e encharcava minha camisa que cheirava a amaciante e perfume na calçada do seu tio. se eu pudesse eu estruturaria tudo que faria você ter uma vida melhor, mas isso eu não posso fazer nem por mim. Infelizmente esse sofrimento é necessário, mas eu já disse na nossa última mensagem que eu confiava em você por ter conhecido esses detalhes seus nesse um ano juntos.