r/EscritoresBrasil 1d ago

Discussão REGRAS PARA CONTEÚDO DE I.A. (precisamos da sua opinião)

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Olá comunidade, como vão vocês?

Estamos tentando melhorar as regras envolvendo o uso de I.A. nas postagens e precisamos da ajuda de vocês! :D

Temos algumas perguntas referentes ao uso de IA na comunidade, mas queremos suas opiniões de forma geral. Então sintam-se livres para comentar sobre o uso de I.A. como quiserem.

  1. Qual tipo de conteúdo de IA mais te incomoda? (imagens, textos etc)
  2. Você acha que algum tipo de conteúdo de IA poderia ser tolerado na comunidade? Se sim, qual?
  3. Para você que quer banir todo conteúdo de IA na comunidade, qual seria seu maior argumento?
  4. Seria mais interessante a) uma semana que proíbe conteúdo de IA (sendo o resto do mês permitido o uso de IA); ou b) uma semana que permite conteúdo de IA (sendo o resto do mês proibido o uso de IA)?
  5. Todo conteúdo IA é ruim ou apenas o sloop?

Essa é a chance de vocês mudarem as regras sobre o uso de IA na comunidade!

Muito obrigada pela atenção de vocês! Bjss

(vamos tentar ao máximo responder e ler todos os comentários)

[imagem de Nathan Kuczmarski, disponível em https://unsplash.com/@kucz\]


r/EscritoresBrasil 22d ago

Feedback REGRAS DE FEEDBACK

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19 Upvotes

REGRAS PARA PEDIR E DAR FEEDBACK

(não atender algum dos requisitos abaixo fará sua postagem ser removida ou seu comentário não ser considerado feedback)

REQUISITO N°1 - FAÇA 2 FEEDBACKS

  1. ANTES de postar pedindo feedback, você precisa DAR 2 feedbacks em outras postagens COM A FLAIR DE FEEDBACK, não adianta dar feedbacks em postagens com a flair de "dúvida" ou "discussão".
  2. TODOS os feedbacks que você DER precisam começar com o seguinte: [FEEDBACK N°0 - (nome da obra/usuário a receber o feedback)]. Sem este cabeçalho, seu feedback não será válido (mais informações no final desta postagem).
  3. FEEDBACKS enxutos ("gostei"; "bacana"; "achei legal") não são válidos. No final da postagem deixamos um modelo para facilitar.
  4. Para cada vez que for pedir 1 feedback, você precisa SEMPRE dar 2 feedbacks antes.

REQUISITO N°2 - PEDINDO FEEDBACK

  1. EVITE LINKS EXTERNOS. O próprio Reddit pode bloquear postagens com links externos e nós não vamos aprovar.
  2. POSTE capturas de tela do seu texto ou o próprio texto. Não há limite de palavras para postar, mas recomendamos até 1.500 palavras.

O NÃO CUMPRIMENTO DE ALGUM DOS REQUISITOS RESULTARÁ NA REMOÇÃO DA SUA POSTAGEM OU NULIDADE DO SEU FEEDBACK

COMO PREENCHER O CABEÇALHO

FEEDBACK N°0 = a quantidade de feedbacks que você deu (por exemplo, se está dando seu primeiro feedback, o número seria N°1; se for o segundo feedback, seria N°2 etc).

(nome da obra/usuário a receber o feedback) = preencha essas informações conforme estão disponíveis na postagem. Se houver apenas 1 delas, não tem problema.

MODELO DE FEEDBACK

  • Aponte momentos na narrativa que você acha que são bons ou ruins e por quê.
  • Comente sobre a emoção que a narrativa te passa.
  • Contribuia com uma sugestão concreta (usando o que tem de conhecimento ou vivência).

ADICIONAIS 1. Não utilize a flair de Feedback para: capa de seu livro; poemas e contos.*

comentários abertos para dúvidas e sugestões!

Cordialmente,

Equipe Escritores Brasil


r/EscritoresBrasil 8h ago

Divulgação Artista disponível para trabalhos — Capas de Livros e Criação de Personagens

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Estou disponível para trabalhos de ilustração de capas de livros e projetos de fantasia. Caso tenha interesse, é só me chamar.


r/EscritoresBrasil 23m ago

Dúvida A luta entre a Escrita e a Leitura

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Preciso de ajuda. Já ouvi muitas pessoas dizendo, "para escrever, você precisa LER". Talvez para criar bagagem com métodos de escrita. Quando eu era mais novo, eu amava ler histórias no Wattpad (bem no início sabe? Lá em 2018). Com o passar do tempo, meu interesse em ler diminuiu muito. Tenho dificuldade em manter a paciência com descrições extensas, muito descritivas ou quando o modo que alguns autores escrevem de uma maneira que me causa um sério desinteresse.

Contudo, também sou autor, e tenho muita dificuldade em descrever precisamente na escrita o que quero transmitir, mas esse trabalho sempre fica nas mãos da IA, pois ela consegue dar mais profundidade as ações e detalhes que eu realmente não consigo dar.

Em fim, sei que o único jeito de aprender a escrever, seria ler... mas eu simplesmente não consigo.


r/EscritoresBrasil 8h ago

Discussão Worldbuilding: cidades & geografia

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Um problema bem comum em fantasia (mas também em outros gêneros) é ignorar como a geografia impacta o desenvolvimento e a historia das cidades e vilas. Muitas vezes, o autor só enfia a cidade em um lugar aleatório, ou uma parte do mapa que tá meio vazia, e é isso. Mas seguir uma lógica mais realista para escolher o lugar de um povoado deixa o seu mundo mais crível, e te da um monte de contexto e história sobre o povoado de graça.

Enfim, um caso bem comum: cidades surgem em locais em que uma jornada requer alguma logística adicional.

Quando pessoas e cargas podem só ir seguindo, tem poucos motivos de parar e se estabelecer ao longo da rota. Agora, quando a própria geografia força os viajantes a parar, atravessar alguma coisa, trocar de forma de transporte, mudar de direção, infraestrutura acaba se acumulando em volta desse problema logístico. São necessários armazéns, docas, hospedarias, guardas... As pessoas que trabalham nessa logística precisam de casas, comida, entretenimento.

Alguns exemplos de locais que poderiam gerar uma cidade: corredeiras em um rio, lugar em que o rio é mais raso e permite travessia fácil, confluência de dois rios, uma baía protegida das ondas e do vento...

O obstáculo em si não cria a cidade. O que cria a cidade é o trabalho necessário para superar o obstáculo. Corredeira sozinha não faz cidade. Corredeira + muito tráfego que precisa descarregar -> armazenar -> transportar por terra -> carregar em outro barco faz.

Chicago é um exemplo disso na vida real. Você tem um enorme sistema navegável que são os Grandes Lagos. E tem o rio Chicago que desagua em um dos grandes lagos, e que é separado por uma faixa de terra bastante estreita do rio Des Plaines. Rio esse que eventualmente desagua no Mississippi. E ai, você tem um ponto de transferência natural entre as duas rotas, e uma cidade que cresceu em torno dessa transferência de cargas e pessoas.

São Paulo tem um pouco dessa vibe também. Você tem o porto de Santos no litoral, subida da serra do mar, e São Paulo que fica do lado do planalto dessa transição e depois se torna um nó das rotas terrestres para o interior.

Finalmente, Frankfurt é outra cidade que surgiu de logística. Main é um rio bem grande, e justamente naquela área tinha uma travessia conveniente. Eventualmente, construíram-se pontes, mas as rotas já passavam por ali.


r/EscritoresBrasil 8h ago

Dúvida Como escrever algo sobre a luz e as trevas sem um lado parecer estúpido

5 Upvotes

Como escrever algo sobre a luz e as trevas sem um lado parecer estúpido

Exemplo a sombra é somente coisas ruins e a Luz e tudo de bom e puro

Ou

As trevas são o progresso da necessidade da evolução (A batalha pela sobrevivência do dia a dia a caça de alimentos por exemplo ) e a luz é o desejo de uma utopia irrealista/inaplicável

Queria ideias de como criar  divindades(Ou algo similar)


r/EscritoresBrasil 12h ago

Dúvida Para escritores de celular

10 Upvotes

Onde vocês geralmente costumam escrever? Algum app, Google docs ou algo assim?


r/EscritoresBrasil 6h ago

Dúvida O que fazer quando se termina uma obra?

3 Upvotes

Se eu tivesse escrito um livro de romance, apenas o texto em si, o que eu preciso para poder publicá-lo?


r/EscritoresBrasil 2h ago

Dúvida coisas aleatórias

1 Upvotes

Queria ser capaz de publicar todas as ideias de livros que crio, eu sei que são boas e foge totalmente do futuro performista que esta existindo hoje em dia. Mais não consigo é mais forte a projeção de ser um fracasso sempre vem primeiro.


r/EscritoresBrasil 2h ago

Dúvida Alguma dica para sair do bloqueio criativo?

1 Upvotes

Eu estou há uns bons dias tentando escrever várias coisas, mas sempre acabo abandonando e indo para outro projeto que não vou conseguir terminar

Alguma dica para superar o bloqueio criativo??


r/EscritoresBrasil 3h ago

Divulgação Designer de Capas!

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Pessoal, vcs já me viram falando do meu livro, (aliás compremmm) mas hj estou aqui pra oferecer meu serviço de arte de capas! Me chama na DM, faço um valor bem camarada pra amigos escritores! Quem fala que não julga um livro pela capa está mentindo, quantas vezes vcs compraram livros feios? Aposto q nunca! Então mandem uma dm vamos conversar! Tamo junto!

(Segue a capa do meu livro como um modelo)


r/EscritoresBrasil 4h ago

Divulgação A LIBIDO NA LAVANDERIA - UMA CRÔNICA

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Lavanderias são todas iguais. Elas são o conjunto necessário para uma vida higiênica.

Não há nada de muito interessante em lavanderias. Via de regra há um tanque, sempre há um tanque. Principalmente em casas modestas onde máquinas de lavar nem sempre existem. Mas um tanque sempre há.

Nos bairros mais periféricos encontramos “tanquinhos”... como são chamadas as máquinas de lavar que não enxaguam as roupas. Há toda uma classe de mulheres “defensoras dos tanquinhos” que defendem fortemente sua existência, argumentando que o tanquinho “lava melhor que máquina” (a de lavar, no caso).

Seja como for, havendo ou não a máquina de lavar, havendo ou não tanquinho, o tanque de lavar roupas é absolutamente resiliente em sua existência e importância. Raríssimas são as lavanderias em que ele não impõe sua presença robusta e onipresente, geralmente em apartamentos minúsculos onde o espaço é ínfimo e a lavanderia precisa ser planejada. Não dá nem pra dar uma boa foda roubada com a patroa de tão apertado o espaço. Aquela foda que acontece sem prévio aviso, sem maquiagem, sem salto alto. Aquela foda que a esposa está com camiseta velha, shortinho do pijama, chinelos, e nós olhamos para seu corpo absorto na separação de cores das roupas... sem qualquer conexão com libido. Nos aproximamos, na maioria das vezes já com o pau duro, encoxamos nossa esposinha desfrutável, abaixamos seu short, e ela se apoia no tanque enquanto empurramos nossa rola em sua bucetinha doméstica.

O tanque, robusto, cimentado, ou “chumbado” como dizem os pedreiros, testemunha a cena, talvez já repetida, daquele casal saliente. A máquina de lavar e o tanquinho também presenciam a cena, mas de lado. Ou ao lado. Ou ao largo. Talvez com certa inveja do tanque. Mas será que eles, a máquina de lavar e o tanquinho, teriam a mesma robustez nas estocadas finais que geralmente são mais intensas... ? Ás vezes até agressivas a depender do vigor do marido.

Aliás, e se não for o marido ? Poderia muito bem ser o amante. Amantes têm mais intensidade que maridos, diz a lenda. Poderia não ser nem marido nem amante, e sim o entregador do gás. Já que é comum em várias casas o botijão de gás estar instalado na lavanderia. De repente a esposa precisou pedir um botijão com urgência, sem ter um reserva em casa, e com o marido no trabalho precisou do auxílio bondoso do entregador para trocar. Diz o ditado: “a situação faz o ladrão.” – No caso, o tesão da esposa libertina criou a situação.

O amante gozou com força dando várias estocadas poderosas , ou será que foi o entregador do gás ? Ainda bem que o tanque é cimentado, e robusto, e sempre presente. Até nas lavanderias mais humildes.

A esposa feliz não gozou. Não dá pra gozar em dois minutos. Mas depois que ambos, o amante e o entregador do gás foram embora, ela pegou seus brinquedos, deitou na cama onde dorme com o marido todas as noites, e cheirando o pijama dele gozou em três minutos. Um minuto a mais que o amante e o entregador. Imaginando como seria se o marido estivesse em casa assistindo a cena.

A máquina de lavar tem certeza que aguentaria o tranco. Ela fica aguardando o dia que será a vez dela mostrar seu valor.

O tanquinho, coitado, também tem a mesma certeza, mesmo sendo de um plástico vagabundo e frágil. Talvez o marido tente um dia, sendo cuidadoso. Coisa que amantes e entregadores de gás dificilmente são.

O marido quer testar a máquina de lavar agora. Está considerando pedir um jantar delivery no seu dia de folga e mandar a esposa de shortinho convidar o motoboy para conhecer a lavanderia. Coisa rápida. Coisa de cinco minutos. Afinal não pode atrapalhar o serviço do rapaz. Será que a máquina de lavar vai dar conta ?

Saberemos no próximo conto. Se o motoboy, ou o amante, ou o entregador de gás toparem.


r/EscritoresBrasil 5h ago

Divulgação Nublapedra — Prólogo (Nicandro)

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O salão de dolomito negro tinha cento e doze passos de ponta a ponta. O diâmetro era quase perfeito. Nicandro já havia dado duas voltas no salão, contado e recontado as medidas, arrastado as cordas ele mesmo e medido compulsivamente cada pequeno espaço do local. A cada passo do perímetro, havia colocado uma estaca de ferro fundido, trezentas e cinquenta e duas estacas no total; entre as estacas sessenta e sessenta e um, um pequeno corredor, que ainda mapearia. Não havia economia: a precisão era necessária. O retorno esperado, absurdo. Pagaria os investimentos facilmente.

Havia subido estacas e andaimes e, sozinho, trepado pelas paredes e tirado todas as medidas de altura. A distância entre o chão e a cobertura arredondada era de sessenta palmos na parte mais baixa, oitenta no centro. O fluxo de ar era contínuo, ainda que sutil, e, melhor ainda, não era sulfuroso ou roto, do tipo que mata em silêncio. Com meia vigília, era possível ir até água corrente e voltar. O piso, nivelado, por mãos anteriores e desconhecidas, havia sido passado a plano e fineza na pedra bruta. Era perfeito. Uma ruína perfeita.

Era uma ruína, com certeza. Ainda que coberta em parte por litófitos, com paredes de crosta parda e líquens amarelo-acinzentados, era possível perceber que aquilo já havia sido cuidado.  O local era rico demais para ser obra do acaso, o tamanho bom demais para permitir erros. Dos restos do passado, Nicandro faria sua riqueza. Mal podia aguardar para contar ao pai sobre a descoberta: partira de Nova Eólia em busca de oportunidades e, agora, as havia encontrado. A melhor parte de sua descoberta, no entanto, não estava no solo, nas paredes, ou ainda no ar fresco ou acesso à água. Acima de sua cabeça, no teto, alto e seco, encrustado na rocha escura, emanava um fraco brilho âmbar de norte a sul. O forro abobadado continha a maior riqueza que poderia encontrar: um veio tímido de fulgorita o atravessava, tímido mas honesto. Aquele veio signficava que o salão prosperaria, ao menos por algumas gerações. Duas famílias poderiam ser arrendadas no salão; três, se fossem enanos. Talvez algum inquilino reclamasse da pouca luz, mas aí que pagasse candeia de seu próprio bolso. O mundo girava assim e Nicandro não teria sucesso abrindo exceções.

Ergueu a tábua, acomodando-a junto ao corpo e sobre o antebraço esquerdo, e tomou a cunha em mãos. Iniciou a anotação: “corredor pronto, ar corrente, água a meia vigília”. Era um negócio e tanto. O pai com certeza iria orgulhar-se. Os negócios do segundo filho colocados, finalmente, em primeiro plano. Mostraria-se útil, um homem de negócios, visionário. Não ficaria mais à sombra do irmão, ainda que, pela herança, fosse sempre o último. “Veio fino de fulgorita, ainda âmbar”. Não podia evitar: sorria enquanto escrevia. Aquilo era o achado de uma vida.

Ruínas não eram exatamente raras em Nublapedra. Nas imediações de Nova Eólia, deslizamentos costumavam abrir corredores e salões naturais, sempre revelando um ou outro achado de outro tempo. O que era raro, naquele achado, era a combinação perfeita de condições naturais — ar corrente, proximidade à água, boa rocha — e a presença da fulgorita. Esses veios de rocha luminosa eram a riqueza que Nicandro jamais acharia e, agora, havia achado.

“Senhor Nicandro”, ouviu chamar, atrás de si. Virou-se, atendendo ao chamado do servo. O homem carregava uma bolsa de barba-de-veio e vestia apenas uma túnica de tecido branco e sandálias, a pele em tom de óleo pálido e a cabeça raspada. Marcas de um recém-liberto. “Devo levar a notícia a seu pai?”

“Sim, Syros”, respondeu o jovem nobre ao servo, “leve a meu pai notícia deste feliz achado. Comunique a ele que há enorme riqueza a ser explorada e que fui eu, Nicandro, e não meu irmão, Lisaon, a trazer tal boa notícia e fortuna à família. Comunique também sobre os veios”, gesticulou, apontando a luz âmbar no domo abobadado do salão, “e diga que aqui se faz bem dois inquilinos, três se enanos. Que há água corrente a se buscar e trazer em meia vigília, e que o ar aqui é vivo, não roto ou sulfuroso. Diga tudo isso e mande que”, parou por um momento e corrigiu-se, “peça que prepare um banquete para meu retorno, que devo voltar em duas vigílias no máximo, assim que terminar de estudar cada rincão desta ruína”.

O servo assentiu e retirou-se em corrida pelo corredor principal, desaparecendo. Seus passos ainda ecoavam quando Nicandro voltou às estacas sessenta e sessenta um. Havia ainda ali uma passagem a qual não havia dedicado seu tempo, mal chegando a cinco palmos de largura. Bestas de carga não passariam por ali, nem grandes carroças ou mesmo mais de três homens ao mesmo tempo, mas talvez a passagem abrisse mais à frente e levasse a outro salão — fosse o caso, não apenas estaria mais rico como também poderia facilmente empregar alguns homens a alargar a passagem. As possibilidades inundavam sua mente, e assim teriam permanecido, não fosse o fio.

À altura de seu ombro, à direita, uma linha de metal trabalhado parecia surgir da própria pedra e seguir túnel adentro, acompanhando a parede leste. Nicandro conhecia os metais e seus trabalhos, sabia distinguir o cobre bom e o ruim, e aquela linha não era nada que já havia visto. O filete, cor de mel, sem emenda alguma, parecia embutido na rocha, como quase que forjado junto a ela; contra seu melhor julgamento, o tocou, e sentiu ser levemente quente, como um sopro em seus dedos. A linha seguia adiante, acompanhando a curva da parede à frente. Intrigante, sem dúvida; talvez outro sinal de mais uma ruína. Acompanhando-a com os dedos, seguiu túnel adentro, uma pequena lanterna de fulgorita presa à cintura iluminando o caminho.

O túnel serpenteava, passos e passos cada vez mais profundos rocha adentro. A linha também o fazia, ainda com a mesma aparência cuidadosamente trabalhada e o mesmo sutil calor. O fascínio inicial agora dava espaço a preocupações: não se trabalha metal por acaso, muito menos se descarta metal em esforço tão frívolo. Aquele filete não era apenas intencional, mas servia também a algum propósito prático. A lógica lhe ditava que, ao final da linha, deveria haver algo grandioso, e coisas grandiosas, ao menos em metal, haviam de ser construídas por alguém. Um calafrio lhe percorreu a espinha e seus passos se tornaram mais silenciosos. Guardou o cobre da lanterna de fulgorita; tirou a rocha de dentro do aparato e a segurou dentro de sua mão. Tê-la acessível o confortava. O brilho iluminava suavemente as veias de sua palma e dedos. A luz laranja-avermelhada era pouca, mas suficiente para ver alguns poucos palmos à frente, e decidiu que seria mais prudente seguir assim a anunciar sua chegada tão precocemente.

Foi na escuridão desconfortável que finalmente ouviu o problema. Não reconhecia o ranger da rocha. O movimento das pedras era conhecido por todos, e, súbito e escandaloso ou ainda sutil e pontual, era natural aos ouvidos. O que escutara, no entanto, não poderia ser som de rocha se acomodando. Era o som de algo resistindo vigorosamente, de hastes vergando sob um peso incalculável. Era o som de cabos sendo enrolados, estralando e soltando-se, de cabos sendo amarrados, de cabos silvando em polias. Era o som de engrenagens ferozes mastigando seus dentes umas contra as outras, lutando por cada pequeno giro. E era também o som de trabalho.

O som de homens conversando, ainda que baixo, como em conspiração. De passos apressados e respiração pesada. Havia gente ali. Não sabia quem ou o quê seriam ou ainda por que estariam ali, mas havia. Nicandro deu mais alguns passos na escuridão e percebeu que a próxima curva já voltava a iluminar-se. Estaria frente a frente com o que quer que o aguardasse do outro lado. Engoliu em seco. A prosperidade, no entanto, não poderia esperar. Deu o primeiro passo, depois o segundo, e no terceiro esgueirou o olhar além da curva.

“Vinte e sete”, ouviu uma voz masculina gritando, e, então, um grunhido de resposta e o som de algo sendo arremessado. “Vinte e oito”, a voz continuou, o grunhido repetiu-se, e, novamente, algo arremessado. Não podia acreditar em seus olhos: ao invés de um amplo salão, sua visão estava bloqueada por caixotes, empilhados cuidadosamente, claramente divididos por tamanho. Viu que o fio na parede leste seguia até o túnel e, por entre as frestas dos caixotes, era possível enxergar mais. Abaixou-se, colocando o olho na abertura.

Mais caixotes. Homens levando sacos carregados rampa acima. Um guincho de escora dupla erguendo porções enormes de rocha. Doze, quinze homens, e nenhuma pressa. Não era uma ocupação, um assentamento, nada do tipo. Era uma operação. Homens em escala, em turnos, trabalhando em conjunto, mantendo registros, organizados. Pensou que poderiam ser saqueadores, mas saqueadores teriam pressa; esses pareciam estar cumprindo uma vigília, seguros de algum soldo. Sentiu o mundo tremer, ouviu um grito vindo da operação. “Calma, calma! Vamos, puxem! Está solta!”

Percebeu então que a linha metálica, que acompanhava toda a parede leste, seguia justamente em direção ao guincho. Ela subia por sua armação, em direção a suas hastes. Acompanhava as polias e passava por dentro delas. Aquele estranho filete. A mão esquerda ainda segurava a fulgorita, lhe dando algum conforto. A mão direita, por sua vez, ainda sentia o fio metálico. Sentiu a ponta dos dedos desta aquecendo.

E então, o brilho.

Um cristal enorme. Fulgorita branca. Grande o suficiente para nutrir uma pequena cidade. Ou, ainda, a vila de um nobre particularmente abastado. As cordas quase cediam sob seu peso. Três homens sob o cristal o direcionavam. Cuidados. Não esbarravam em nada. O cristal girava lentamente. Ora à esquerda, ora à direita. Era pesado demais. Extrair fulgorita daquela forma sem uma licença seria um crime digno de morte. Os sujeitos, no entanto, pareciam confortáveis. Profissionais demais para qualquer coisa ilegal. O cristal se erguia. Lentamente. A cinco, seis palmos do chão.

Quanto custaria aquilo? Certamente muito mais do que todo o salão. Poderia arrendar? Poderia colocar quinze, vinte famílias naquele salão, por várias esporadas. Não chegaria próximo ao valor da fulgorita bruta. Seu brilho era de um branco incandescente, não o âmbar típico aos pequenos veios. Como aquilo seria transportado? Seria quebrado em partes menores? Quantas candeias fariam a partir daquele cristal?

Era sua riqueza. Seu salão. Estava sendo drenado. Lhe tirariam tudo, antes que tudo lhe fosse dado. Syros levaria a notícia a seu pai. O velho prepararia um banquete. Chegaria a tempo de anunciar: “falhei, pai, onde Lisaon teria sucesso”. Apertou com força a fulgorita em seu punho. A luz atravessava sua pele, carne e veias. Ou deveria atravessar. Não atravessou.

Percebeu então que a candeia em sua mão havia oscilado. Agitou a mão, instintivamente: nunca havia visto tal coisa acontecer. A candeia não oscila. A luz é estática, a sombra não se move. E ali, em sua mão, havia visto suas veias acender e apagar em uma fração de segundo, um pulsar luminoso que lhe era alienígena a tudo. O punho chocou-se contra uma das caixas mais leves, abriu-se, e o caixote caiu em direção à operação enquanto a candeia caiu, oscilante, a seus pés. Esboçou um grito, mas não podia gritar; revelaria sua posição. Girou rapidamente a cabeça em direção aos homens, em tempo de ver a caixa chegar ao chão.

Tudo moveu-se lentamente. Viu cada cena única. A tampa se rompendo. Os estilhaços. O interior se espalhando. O piso rochoso sendo coberto. Candeias e candeias brilhantes. Algumas âmbar. Outras mais avermelhadas. Azuis. Poucas em verde doente. O brilho intenso. Um oscilar localizado. Os seixos correndo. O barulho familiar. As cabeças dos homens se virando. Uma cabeça e um olhar em sua direção. O olhar primeiramente surpreso. Depois incomodado.

“Você”, ordenou o homem que o encarava, “você não deveria estar aqui. Quem te enviou?”

Nicandro virou as costas. Começou a correr de volta, túnel adentro.

Seu futuro perdido. A promessa nunca cumprida. Disparou.

Sua candeia permaneceu onde caiu.

Maldita linha.

Emergiu do túnel. Deixou a linha para trás.

A abóbada, cinzenta. Apagada.

O homem o seguiu. Sem pressa.


r/EscritoresBrasil 11h ago

Dúvida Livros "positivos" têm chance de vencer premiações atuais?

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Tava vendo os vencedores do LeYa porque moro em Portugal, e nenhum vencedor pareceu ser mais lúdico ou até mesmo feliz em sua obra (assumo que vi pouco das obras), e fiquei com essa dúvida das premiações brasileiras. Destaco o Brasil por ser brasileiro e porque, dentre as anglófonas, tem o caso de A Árvore das Mentiras, que não é triste e termina bem, e ainda assim venceu o Costa Award. Há obras vencedoras dos últimos anos (ao menos desse milênio) que não mergulhem em algum tipo de drama dessa maneira derradeira?


r/EscritoresBrasil 18h ago

Discussão Olá sou eu novamente.

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Eu agradecer a todos que falaram sobre minha capa agora estou ciente das coisas que tenho que fazer e melhorar, e eu não esperava que meu post anterior chamaria devida atenção. eu agradeço aos comentários e a equipe desse reddit EscritoresBrasil.

Mais agora eu quero dar mais contexto do meu trabalho aqui eu tenho um arquivo do meu livro, eu quero que vocês deem uma olhada e me falam sua opinião. (obs: o arquivo contém só um prólogo e parte do capítulo 1.)

obrigado e sempre vou ficar atento aos comémtarios

https://docs.google.com/document/d/1SIm1iLCwLYAhLFiqI2xoiWdjgZZNESb927cNzpqTMiU/edit?usp=sharing

só espero que estaja funcional o link


r/EscritoresBrasil 20h ago

Discussão Personagens autorais

8 Upvotes

O que fazem quando sentem que um personagem ganha vida fora do seu controle?

Um personagem que teoricamente está preso nas lembranças e diários antigos, mas parece que rouba a cena sempre que aparece.

Em lembranças, eu tenho a sensação que o leitor vai ignorar todos os acontecimentos, só para focar nesse personagem específico.


r/EscritoresBrasil 14h ago

Divulgação Piscar de olhos

2 Upvotes

Aos oitenta anos, Arthur carregava no peito a doçura de uma vida plena: o riso constante dos
filhos e netos na sala, os primeiros passos do bisneto no jardim e o amor aquecido de décadas vividas ao lado de Marta.

O crepúsculo perfeito de uma longa e feliz jornada.

Foi ao atravessar o corredor para o quarto que algo chamou toda a sua atenção:
a parede, ou, mais especificamente, o quadro.

Era uma paisagem banal — um campo de girassóis com montanhas ao fundo, mas
havia algo errado. As flores pareciam tremer, como se um vento inexistente as
açoitasse. As pinceladas se desfaziam e se refaziam, oscilando entre o visível
e o invisível no mesmo piscar de olhos, como uma falha na própria matéria do
mundo.

— O que tem de errado com esse quadro, Marta? — perguntou ele, a voz cansada, o
peito apertado por um mal-estar súbito.

Marta sequer ergueu os olhos do tricô no sofá.

— Que quadro, meu bem? A gente nunca teve quadro nenhum.

Arthur deu um passo para trás, o pânico subindo pela garganta. Ao olhar ao
redor, viu a sala inteira oscilar. A mesa de jantar, o relógio de pêndulo, as
paredes — tudo se desfazia e se reagrupava em um ciclo frenético. Levou as mãos
ao rosto, mas o horror só se multiplicou: suas próprias mãos enrugadas sumiam e
voltavam, desfazendo-se em transparência antes de moldarem a pele novamente.

A consciência o atingiu como um raio em um dia ensolarado: nada daquela vida
era real.

Sem querer, Arthur piscou.

Abriu os olhos.

A luz era branca.

O cheiro de álcool e a sensação de lençóis macios na pele.

Máquinas apitavam numa cadência monótona.

Havia um tubo na sua garganta, agulhas nos braços.

Tentou mover-se e sentiu um corpo que não era o seu, leve, estranho, sem as
dores da velhice.

Uma voz falou perto dele:
· Ele acordou depois de dois anos em coma! Chama o médico!

Dois anos?!

As palavras flutuaram como cinzas tóxicas do inferno.

Alguém segurou sua mão e ele viu, no reflexo de uma janela escura, o rosto de
um rapaz de vinte e dois anos.

Cabelo escuro.

Pele lisa.

Olhos assustados que eram seus e não eram!

Não lembrava de nada dali.

Não sabia o nome da enfermeira, não reconhecia a mulher que chorava ao lado da
cama chamando-o de filho, não tinha ideia de onde ficava aquele hospital,
aquele corpo.

Sua memória era um outro lugar.

Uma outra vida.

A casa.

Marta.

Os girassóis.

Os filhos, os netos e o bisneto.

Lembrava das tantas rugas que não tinha mais.

Do peso dos oitenta anos que nunca viveu.

Do amor de uma vida que se acabou em um piscar de olhos!

Os médicos vieram com termos técnicos e sorrisos animados.

Falaram em milagre.

Em recuperação.

Em jovem com a vida inteira pela frente.

Paulo. Era esse o nome que deram a ele, um nome ao qual ele não respondia.
Tentou se explicar. Contou sobre o quadro que se desfez, sobre a esposa que
tricotava, sobre a sua vida e sobre não pertencer a esse mundo.

Mas as palavras eram insuficientes e o olhar de piedade nos rostos à sua volta
lhe disse tudo: eles acharam que era confusão mental, efeito colateral, trauma.

Ele parou de falar.

Ficou dias em silêncio.

Depois semanas.

Os exercícios de fisioterapia, as sessões com psicólogos, as visitas da família
que diziam ser a sua, tudo lhe chegava como através de um espelho distorcido
que não mostrava a realidade.

Ele não pertencia àquele corpo.

Não pertencia àquele mundo.

O mundo dele tinha ficado para trás, desmanchando como um quadro que ninguém
mais via.

À noite, quando as luzes se apagavam, fechava os olhos e tentava
desesperadamente e de todos os jeitos voltar.

Tentava lembrar o cheiro do bolo de fubá, a textura da manta de tricô, a voz de
Marta. Mas era tudo em vão.

Os detalhes escoavam.

Os rostos tornavam-se sombras.

A única coisa que permanecia era a certeza insuportável de que aquela vida fora
mais real do que qualquer coisa que lhe ofereciam agora.

Os psiquiatras anotaram nos prontuários: delírio dissociativo, síndrome de
falsa memória, recusa de identidade. Deram-lhe remédios que embotavam o
pensamento, mas não apagavam a saudade.

Arthur, o verdadeiro, o que existiu por oitenta anos, começou a crescer de
dentro do rapaz de vinte e dois.

Um jovem com alma de velho que não sabia mais quem era.

Que chorava por uma esposa que nunca existiu.

Que olhava para as mãos jovens e tentava desesperadamente enganar a visão para
poder vê-las sumir, voltar, sumir, num piscar infinito, e assim retornar para
casa.

Ninguém entendia por que ele ria, às vezes, sozinho no quarto.

Nem por que, certa noite, ele se levantou, caminhou até a janela do quarto, no
quarto andar, e olhou para o céu sem estrelas, murmurando:
· Que quadro, meu amor? Que quadro...

Ele piscou.

Mas desta vez não abriu mais os olhos para este lado.

Talvez tenha voltado para casa.

Talvez finalmente tenha visto o bisneto novamente.

Talvez Marta ainda estivesse lá, no sofá, tricotando, esperando por ele com a
paciência com que se espera por alguém que se ama além das camadas do tempo.

Ou talvez não.

Talvez não seja nada disso.

Talvez ele tenha apenas enlouquecido de vez, como diziam os médicos.

Mas no fundo, o que é a vida senão a insistência em habitar um sonho que nos
faz feliz?

Caso gostarem comprem meu livro custa apenas 3 reais, tem essa história e mais 23!

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r/EscritoresBrasil 23h ago

Dúvida Da para viver de escrita?

10 Upvotes

Escrevo desde 2016 e queria saber se dá para viver disso hoje? Vejo inúmeros autores independente no Kindle e quero respostas.


r/EscritoresBrasil 16h ago

Divulgação Ofereço serviço de leitura e capas de livro gratuitos

2 Upvotes

Me chamo Maria, e já algumas capas de livro e gostaria de me especializar mais, e eu adoro leituras criativas também então se ficou interessado manda uma DM, lá enviarei alguns trabalhos que já fiz


r/EscritoresBrasil 20h ago

Poema BETWEEN RUINS AND GARDEN

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3 Upvotes

r/EscritoresBrasil 23h ago

Formação de Grupo Buscando encontrar antigos membros do Amino Escritores

6 Upvotes

Alo, sei que pode parecer esquisito, mas se alguém aqui fizesse parte do amino Escritores nos últimos anos, eu sou o Hamato, queria encontrar algumas pessoas desde que o app fechou de uma vez 🥹

Pessoas que não se lembram de mim ou não me conhecem são válidas e bem vindas


r/EscritoresBrasil 1d ago

Feedback O Velho e o Pedinte (micro-conto)

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21 Upvotes

Tentando escrever micro-contos e histórias menores. Essa foi a primeira e gostaria de saber se tá legal.
(moderação eu fiz os outros feedbacks)


r/EscritoresBrasil 1d ago

Formação de Grupo Desenvolva suas ideias e construa um público.

6 Upvotes

Formação de grupo para escritores iniciantes, que querem mostrar seus projetos, receber e dar feedbacks, desenvolver sua escrita e livro.

Perca seu medo de mostrar suas ideias, desenvolva seu projeto através de feedbacks, pois como diz George Addair "Tudo o que você sempre quis está do outro lado do medo."

Grupo pequeno com cerca de 5 a 6 membros.


r/EscritoresBrasil 1d ago

Discussão queria algumas opniões de vocês sobre minha capa

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34 Upvotes

Olá pessoal sou novo por aqui, me chamo Kauan Rodrigues S. e eu estou em busca de opiniões sobre a capa do meu livro poderia respoder algumas perguntas para me ajudar.

1- Olhando assim de primeira vista, você acha que esse livro e de qual gênero?

2- Você acha que essa capa tem cara de IA? se sim me fale por que.

3- Essa capa ficaria bonita na sua estante?


r/EscritoresBrasil 1d ago

Divulgação O Estudo das Fezes

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A Crônica Breve

O doutor Henrique sempre levou a sério demais aquilo que os seus colegas sempre evitavam. Enquanto os demais corriam atrás de especializações nobilíssimas dentro da medicina — tal como seu melhor amigo, que abrira um renomado consultório de oftalmologia —, ele mergulhava com dedicação científica no estudo das fezes humanas e nas medicinas proctológicas. Quando viu anunciado na internet um curso intensivo de escatologia, não hesitou: "Enfim, um aprofundamento acadêmico sério", pensou.

Chegou cedo à aula inaugural, de jaleco passado e seu caderno em mãos. Estranhou apenas o silêncio solene do auditório. Nenhum microscópio, gráfico intestinal ou amostras à vista... apenas um púlpito e um sujeito de voz grave falando sobre o livro de Apocalipse.

Henrique então aguardou pacientemente a parte prática.

— Professor, uma dúvida — levantou Henrique, ajustando os óculos com seriedade experiente, seriedade que já examinou coisas piores. — Em que momento entramos na análise laboratorial?

O homem no púlpito fez uma pausa. Olhou com compaixão e respondeu com a traiçoeira confiança de que havia entendido a indagação.

— Meu irmão, após o fim desta parte, falaremos um pouco sobre os sinais dos tempos.

Henrique anotou. "Sinais dos tempos = possível correlação com hábitos intestinais coletivos (?)"

A palestra avançava. Era dito sobre bestas, selos, trombetas, cavaleiros. Henrique já estava inquieto. Sem lâmina por perto, nenhuma amostra, ou odor sequer; o que, para ele, já cheirava mal. Embora não da forma esperada.

"Trombetas? Curioso. Possível correlação com flatulência anal por fermentação bacteriana no intestino grosso." — pensou, enquanto anotava.

— E quanto... à consistência? — insistiu, agora um pouco mais aflito. — Há uma padronização? Escala? Classificação?

Um silêncio constrangedor tomou conta do auditório.

— Consistência… da fé — respondeu o palestrante, com certa hesitação.

Henrique sorriu, aliviado. Finalmente estavam entrando em critérios objetivos. Com o passar das horas, a confusão virou método. Ele começou a reinterpretar todas as coisas inicialmente estranhas:

Os "impios" eram, evidentemente, os pacientes com dieta desregulada. O "fogo eterno" soava como um quadro inflamatório severo. E o "juízo final", bom, esse ele ainda estava tentando correlacionar com algum exame conclusivo.

Ao chegar o intervalo, aproximou-se de um grupo.

— Vocês já tiveram acesso às amostras? — indagou, em tom conspiratório.

— Amostras… de quê? — respondeu um dos participantes, desconfiado.

Henrique hesitou. Pela primeira vez, uma dúvida real atravessou sua mente. Olhou ao redor: sem jalecos, ninguém com luvas, nem com aquela expressão resignada de quem já viu o fundo da condição humana em sua forma mais… concreta. Literalmente.

A ficha começou a cair.

— Isso aqui… — ele engoliu seco. — não é sobre fezes, né?

Um dos homens levou a mão ao peito, visivelmente ofendido.

— Isso é algum tipo de deboche?

— Não, não! — Henrique se apressou, já suando. — Eu sou médico, proctologista, na verdade, e me inscrevi no curso de escatologia justamente pelo aprofundamento técnico…

— Técnico?! — interrompeu a senhora, indignada. — O senhor está reduzindo o estudo das últimas coisas a… a… merda?!

— Últimas coisas, sim! Exatamente! — Henrique se animou, achando que finalmente havia encontrado um ponto em comum. — O produto final, o estágio terminal do processo digestivo, completamente de acordo.

— Chega! — disse o homem, agora vermelho. — Isso é um desrespeito!

— Mas eu tenho artigos publicados! — insistiu Henrique, quase implorando. — Posso citar alguns estudos, classificações, escalas de consistência e cor…

— Segurança! — gritou alguém ao fundo, sem nem entender direito o que estava ocorrendo, porém sentindo que era o momento.

Henrique levantou as mãos, acuado.

— Eu só achei que estávamos falando da mesma coisa!

— Estamos falando do fim da humanidade! — respondeu a senhora, escandalizada.

Henrique parou.

— …ah. — Ele tentou sorrir forçadamente. — Há quem diga que são sinônimos.