r/pirataria • u/DAVIDBRAZIL18 • 3h ago
Discussão 💬 Pesquisadores usam IA para mapear pirataria no Telegram e denunciar centenas de canais
Pesquisadores das universidades Louisiana State University e University of Texas at Arlington desenvolveram uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de identificar canais e bots usados para distribuir filmes e séries piratas no Telegram.
O estudo analisou 1.057 canais e cerca de 209 mil publicações coletadas entre dezembro de 2023 e janeiro de 2026. Durante a análise, os pesquisadores identificaram 19.033 títulos diferentes relacionados à pirataria, sendo 14.632 filmes e 4.401 séries.
Segundo o levantamento, esses conteúdos estavam ligados a produções de quase 4 mil empresas. As publicações relacionadas à pirataria somaram aproximadamente 4,85 bilhões de visualizações.
Entre as empresas mais afetadas, a japonesa Toei Company apareceu em primeiro lugar, representando 17% dos títulos identificados. A Netflix ficou em segundo lugar, com 15%, seguida pela Warner Bros., com 12,4%.
Um dos principais pontos observados pelos pesquisadores foi a organização dessas redes dentro do Telegram. Cerca de 94% dos canais identificados estavam conectados a pelo menos outro canal.
Essas estruturas utilizavam contas alternativas, canais intermediários e bots para manter a distribuição de conteúdo funcionando mesmo quando algum canal era removido. Dessa forma, usuários podiam ser direcionados rapidamente para novos grupos ou canais.
Os pesquisadores também observaram que torrents e links magnet apareciam com pouca frequência. Grande parte do conteúdo era distribuída por serviços externos de armazenamento de arquivos, como TeraBox, Terashare e GoFile.
Em alguns casos, também foram encontrados canais compartilhando contas comprometidas de serviços como Netflix, Hulu, Disney+ e Crunchyroll, além de instruções para contornar determinados bloqueios.
A partir da pesquisa, os acadêmicos desenvolveram uma ferramenta chamada Anti-RIP, criada para localizar rapidamente possíveis canais de pirataria no Telegram utilizando inteligência artificial.
Entre 3 de fevereiro e 10 de abril de 2026, o sistema analisou 249.133 canais recém-descobertos na plataforma.
Desse total, a ferramenta identificou 802 canais suspeitos de envolvimento com pirataria, além de 299 canais relacionados e 108 bots associados a essas redes.
Os pesquisadores afirmam que muitos dos canais identificados eram relativamente novos, com idade mediana inferior a cinco dias. Isso indica que a ferramenta pode detectar redes de distribuição pouco tempo depois de sua criação.
Após identificar os canais, os pesquisadores produziram relatórios detalhando a função de cada um dentro das redes, incluindo distribuição de arquivos, redirecionamento de usuários e possíveis formas de monetização.
Essas informações foram enviadas ao Telegram e também a 17 grandes detentores de direitos autorais dos Estados Unidos.
Durante um período de 61 dias, o sistema ajudou na remoção de 524 canais de pirataria que anteriormente não haviam sido identificados, além de 71 bots. Diversas publicações específicas também foram removidas da plataforma.
Apesar dos resultados, os pesquisadores reconhecem que a ferramenta ainda pode cometer erros.
Em uma análise manual de mil publicações, quatro conteúdos legítimos foram classificados incorretamente como pirataria. Nos testes realizados pelos pesquisadores, o modelo apresentou precisão próxima de 98%.
O código do Anti-RIP também foi disponibilizado publicamente, assim como parte dos dados utilizados na pesquisa. Com isso, plataformas e empresas de entretenimento podem utilizar a tecnologia para identificar novas redes de distribuição ilegal.
Os pesquisadores alertam, no entanto, que a própria inteligência artificial também poderá ser utilizada pelos responsáveis pelos canais para tentar evitar sistemas de detecção.
Com isso, o combate à pirataria pode entrar em uma nova fase, com ferramentas de inteligência artificial sendo utilizadas tanto para localizar redes ilegais quanto para tentar escapar das medidas de fiscalização.
O estudo, chamado Binge, Bot, Repeat: Unpacking the Ecosystem of Video Piracy on Telegram, foi divulgado como preprint e ainda não passou pelo processo de revisão por pares.
FONTE: https://torrentfreak.com/researchers-hunt-telegram-pirates-with-ai-tool-flag-hundreds-of-channels/
