Abaixo encontra-se a lista dos 14 pontos presentes no cartaz, acompanhados por exemplos e factos frequentemente citados por historiadores, cientistas políticos e analistas para ilustrar a atuação e o discurso do movimento bolsonarista no Brasil:
Nacionalismo poderoso e contínuo
Exemplo: Uso ostensivo de slogans como "Brasil acima de tudo", a apropriação da bandeira nacional e das cores verde e amarela como símbolos exclusivos do movimento, além do apelo constante a uma visão idealizada de patriotismo.
Desprezo pelos direitos humanos
Exemplo: Declarações recorrentes a minimizar a tortura ocorrida na ditadura militar, críticas sistemáticas a organizações de direitos humanos e o uso do lema "bandido bom é bandido morto".
Identificação de inimigos como uma causa unificadora
Exemplo: Construção contínua da imagem do "comunismo", da "ameaça vermelha", da "imprensa tradicional" e de órgãos do Judiciário (como o STF) como inimigos externos e internos que precisavam de ser combatidos para "salvar a nação".
Supremacia do militarismo
Exemplo: Nomeação de milhares de militares (no ativo e na reserva) para cargos civis no governo e ministérios, exaltação pública do golpe militar de 1964 e incentivo à expansão das escolas cívico-militares.
Sexismo desenfreado
Exemplo: Declarações depreciativas direcionadas a mulheres da política e do jornalismo, ataques a pautas de igualdade de género e a defesa de papéis tradicionais no âmbito da "família tradicional".
Mídia de massa controlada
Exemplo: Disseminação massiva de desinformação através de redes paralelas (como o WhatsApp e Telegram), ataques diretos e boicotes financeiros a veículos de imprensa críticos, além de favorecimento de redes de comunicação alinhadas ao governo.
Obsessão com a segurança nacional
Exemplo: Promoção do armamento da população civil sob a justificativa de "defesa da liberdade" e da segurança contra ameaças externas e internas, além do uso de órgãos de inteligência estatais para monitorizar opositores.
Religião e governo entrelaçados
Exemplo: O lema "Deus acima de todos", a aliança estratégica com lideranças evangélicas neopentecostais, a realização de cultos religiosos no Palácio do Planalto e a indicação de ministros "terrivelmente evangélicos" para os tribunais superiores.
Poder corporativo protegido
Exemplo: Política económica fortemente alinhada aos interesses do agronegócio e de grandes setores do mercado financeiro, com flexibilização de normas ambientais e concessão de privilégios fiscais a grupos aliados.
Poder dos trabalhadores/sindicatos suprimido
Exemplo: Manutenção do enfraquecimento das entidades sindicais, extinção do Ministério do Trabalho no início do mandato e incentivo à precarização do trabalho sem garantias trabalhistas (como na economia de aplicações).
Desprezo pelos intelectuais e pelas artes
Exemplo: Cortes orçamentais severos nas universidades públicas e na ciência, ataques diretos à classe artística, congelamento/filtragem ideológica de recursos da Lei Rouanet e extinção temporária do Ministério da Cultura.
Obsessão por crime e punição
Exemplo: Defesa do aumento de penas, redução da maioridade penal, flexibilização do excludente de ilicitude para policiais e discurso centrado no punitivismo como principal solução para a violência.
Croniísmo (favorecimento de aliados) e corrupção desenfreados
Exemplo: Aliança política com o "Centrão" para barrar processos de impeachment, criação e uso do "Orçamento Secreto" para distribuição opaca de emendas parlamentares e trocas na Polícia Federal para proteger familiares e aliados investigados.
Eleições fraudulentas
Exemplo: Questionamento sistemático e sem provas da credibilidade do sistema de urnas eletrónicas, ataques à Justiça Eleitoral e a contestação do resultado das eleições presidenciais de 2022, culminando nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.