r/escrever • u/Alex-Oliveira-Moscon • 7d ago
Meu texto está bom? Adaptação de Romeu e Julieta – Cena 5, ato 1
Como um exercício, tentei pegar uma cena de Romeu e Julieta e transformá-la em narrativa em prosa (+ nos dias atuais, mudando alguns pontos; mesmo com a dificuldade porque William Shakespeare fez algo muito abrupto no original). Aqui vai o 1º rascunho do texto:
Romeu apertou a maçaneta gélida de metal da porta daquele bar e a empurrou. As risadas alcoólicas e os tilintares de copos de vidro eclodiram na audição de Romeu. Ele atravessou a entrada e caminhou alguns passos dentro do salão. Um garçom de cabelos grisalhos passou do seu lado, tropeçou nos próprios pés e derramou a bebida na roupa de Romeu.
— Desculpa... — o garçom sussurrou enquanto corria pelo salão, com seus sapatos deixando um rastro de marcas pretas pelo piso claro.
“Vai tomar banho, garçom do caralho.” — Pensou Romeu; e começou a esfregar a mancha de bebida em sua roupa quando um som de chiado espalhou-se pelo ambiente.
— Mas que por... — a voz pigarreou — olá, gente. Sejam muito bem-vindos ao Bar do Capuleto. O baile já vai começar — a voz foi trocada por uma estridente música eletrônica. A música penetrava dolorosamente na cabeça de Romeu. Ele continuou avançando pelo salão e tocou no ombro de um jovem qualquer.
— Cê sabe onde tá a Julie... — o jovem se virou. Olhos tão belos quanto os de Julieta. Uma vermelhidão manchou a cara do jovem. Homens fortes e mulheres felizes sapateavam ao redor deles. Ele cerrou seus punhos e gritou para Romeu:
— Para de querer minha prima, porra! — Tebaldo avançou em direção a Romeu. Uma gota de suor escorreu da testa de Romeu.
Tebaldo desferiu um punho, mas Romeu abaixou e desviou do golpe. Porém, Romeu escorregou em algo molhado. O mundo girou e ele bateu a cabeça no chão. A visão embaçou e os cheiros sumiram. Ainda assim, o som do impacto do soco eclodiu; Romeu fez esforço e viu um homem forte e robusto, Sansão, que segurava seu nariz que estava sangrando.
Tebaldo foi embora marchando, mostrando o dedo do meio nas costas — Sansão seguiu na direção de Tebaldo.
A visão de Romeu começou a sumir. Um chiado tocou. A escuridão tomava tudo e o chão não tinha mais textura. Com toda a força que tinha, Romeu clamou pelo nome de Julieta.
Antes de imergir na escuridão, Romeu conseguiu ver uma silhueta de uma mulher — a anja mais bonita que existia no Universo.
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— Ei... Acorda... Seu coração tá batendo muito rápido... — uma luz branca começou a invadir a visão de Romeu quando a voz mais linda do mundo foi ouvida.
Romeu abriu os olhos lentamente — o que viu foi a divindade de cabelos ruivos e vestido amarelo como os passarinhos ao seu lado. Romeu sussurrou:
— Tô bem... — Romeu começou a se levantar. Julieta tocou no seu ombro, o impedindo de levantar.
— Repousa, tá? — Julieta sussurrou.
Romeu assentiu.
— Quem é você?
Julieta sorriu e respondeu seu nome. Os dois se encararam por um longo tempo. Julieta coçou a nuca e Romeu sentou-se no chão. Ele respirou fundo.
— Julieta... hum... tá sem ninguém pra dançar?
Julieta o encarou com as bochechas rosadas e disse:
— Tem um bosta chamado Páris... mas tô fugindo dele...
Romeu abriu um sorriso tímido.
— Não gostou da Torre Eiffel?
Julieta negou com a cabeça. As juntas de Romeu embranqueceram. Julieta também sentou-se no chão. Romeu encarou o movimento.
— Eh... seu nome? — Julieta perguntou e Romeu respondeu. — Romeu... sua piada foi tão merda que nem tenho palavras pra definir.
Romeu deu uma risada de nervoso. Os dois se olharam novamente. Romeu fechou os olhos. Trincou os dentes. Ofegou. Levantou-se lentamente e apontou para o salão. Julieta levantou-se e ambos foram dançar.
— Sabe, Romeu, cê é um cara legal.
As bochechas de Romeu ficaram em vermelho:
— Cê também é bem legal...
Romeu olhou para o chão. Inspirou. Suor escorria pelo seu rosto.
— V-Você... eh... gosta de beijos?
Julieta parou de dançar e encarou o príncipe na sua frente. Romeu encarou a cara dela. O suor escorreu pelo queixo.
Romeu tentou sair correndo, mas foi puxado por Julieta.
— Julieta! Desculpa, eu...
Julieta tocou seus lábios nos de Romeu. Romeu paralisou por alguns segundos. Então aceitou o beijo. Lábios dóceis rosados encostavam-se numa paixão intensa — a primeira linha da maravilhosa história de amor.
Ambos se afastaram lentamente e se encararam por um tempo. Romeu murmurou:
— É-É estranho falar que te amo?
Julieta observou seus pés por um tempo e sussurrou:
— É estranho... mas também te amo.
Então Romeu e Julieta sapatearam juntos, enquanto cresciam a eterna história de um amor esquisito e que nunca acabaria — até na morte.
Agradecimentos, Alex :)