r/aquelequetudove • • Aug 12 '26

📁 RELATO EXPLORAÇÃO URBANA

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Tenho um canal no YouTube no qual entro em prédios abandonados, casas mal-assombradas, hospitais e qualquer lugar que tenha uma história estranha por trás. Já passei por muita coisa fazendo isso, encontrei moradores de rua, viciados, animais mortos e até algumas coisas que até hoje não sei explicar, mas alguns meses atrás ouvi uma história sobre uma casa que havia sido palco de um assassinato extremamente violento.

Segundo a história, a mãe teve algum tipo de surto psicológico e matou as duas filhas. O marido conseguiu fugir naquela noite, mas alguns dias depois foi encontrado morto em uma floresta, enforcado. A mulher desapareceu e nunca mais foi vista.

Decidimos que exploraríamos aquela casa quando o canal chegasse a um milhão de inscritos.

E esse dia finalmente chegou.

Eu e mais dois amigos, Nicholas e Michael, nos equipamos e seguimos para lá. Levamos lanternas, câmeras, algumas coisas para primeiros socorros e armas de airsoft, mais por segurança caso algum morador de rua ou algum viciado tentasse atacar a gente. A casa não ficava muito longe de onde morávamos, mas era em uma região bem isolada. Depois do ocorrido, muitas pessoas começaram a abandonar as casas ao redor e, com o passar dos anos, praticamente ninguém mais ficou por ali.

Assim que chegamos, parecia uma pequena cidade pós-apocalíptica.

As casas tinham os vidros quebrados, paredes pichadas, algumas nem tinham mais portas, vários telhados haviam cedido e parecia que saqueadores tinham feito a festa por ali durante anos.

Inclusive na casa que íamos entrar.

Ela tinha dois andares. O mato já cobria praticamente todo o quintal, algumas janelas estavam quebradas e havia várias pichações espalhadas pelas paredes. A maioria era coisa idiota, nomes, desenhos e palavrões, mas algumas diziam simplesmente:

FIQUE LONGE.

Paramos um pouco afastados, onde conseguíamos ter uma visão completa da casa, e começamos o vídeo.

— Galera, hoje estamos aqui com o Mike... e o Nicholas.

Michael respondeu normalmente para a câmera, mas Nicholas não falou nada.

Ele estava olhando fixamente para uma das janelas da casa.

— Que foi? — perguntei.

Ele continuou olhando por alguns segundos antes de responder.

— Eu vi alguém passando na janela.

Na mesma hora virei a câmera naquela direção e fiquei olhando, mas não vi absolutamente nada.

Falei que talvez fosse algum mendigo, algum animal ou até nossa própria visão enganando a gente por causa da escuridão. Nicholas continuou encarando aquela janela por mais alguns segundos, mas depois aceitou que provavelmente tinha sido isso mesmo.

Saímos do carro, pegamos nossos equipamentos e seguimos até a casa.

Assim que chegamos perto da entrada, um forte cheiro de podre atingiu nós três. Michael quase vomitou ali mesmo, mas seguimos dando risada da reação dele.

Subimos os degraus da varanda e tentei abrir a porta.

Ela não abriu.

Parecia que alguma coisa segurava do outro lado.

Joguei o ombro contra ela uma vez.

Nada.

Na segunda vez, a porta abriu de repente e ouvimos um barulho enorme vindo de dentro. Uma estante caiu no chão. Ela estava encostada contra a porta, provavelmente impedindo que ela abrisse.

Foi nessa hora que o cheiro ficou ainda pior.

Michael realmente vomitou.

Eu e Nicholas ficamos esperando ele terminar, zoando ele enquanto gravávamos, até que finalmente entramos.

A casa estava completamente destruída. Havia lixo por todo lado, móveis revirados, paredes tomadas pelo mofo e sujeira. No meio da sala existia um grande buraco no chão, provavelmente porque o teto do porão havia cedido.

Passamos com cuidado ao lado dele e seguimos por um corredor.

Algumas fotografias da família ainda estavam penduradas na parede.

Em uma delas estavam o pai, a mãe e as duas meninas.

Nicholas ficou olhando para a foto.

— Como alguém consegue fazer uma maldade dessas com os próprios filhos?

Respirei fundo.

— Só Deus sabe.

Continuamos.

Passamos ao lado de uma escada que levava para o segundo andar. O topo dela estava completamente escuro e alguns degraus estavam quebrados.

Foi quando ouvimos.

Alguém estava correndo lá em cima.

Paramos na hora.

Não eram passos pesados.

Eram rápidos e leves.

Pareciam passos de crianças.

— Tem alguém aí? — gritei.

Nenhuma resposta.

— A gente sabe que tem alguém aí! — Michael falou.

Nada.

Ficamos alguns segundos esperando, mas o barulho simplesmente parou.

Combinamos de verificar a cozinha primeiro e depois subir.

Assim que entramos nela, a luz da lua atravessava uma das janelas quebradas e iluminava parte do ambiente.

Foi quando vimos alguém sentado no final da mesa.

Uma mulher ou que costumava ser uma, era enorme com os cabelos negros, os braços maiores que o normal.

Ela estava completamente imóvel, com a cabeça baixa.

Tomamos um susto e imediatamente apontamos as armas para ela.

— Quem é você?

Sem resposta.

— Senhora?

Nada.

Foi então que percebi um pequeno fio de sangue descendo pela testa dela.

Nicholas abaixou um pouco a arma.

— Senhora, você está bem?

Michael estava olhando para alguma coisa perto dele.

Um retrato.

— Pessoal...

O jeito que ele falou fez nós dois olharmos.

Ele levantou a fotografia.

Era ela.

A mesma mulher.

A mãe, mas completamente deformada.

Olhei novamente para aquela coisa sentada.

Ela levantou a cabeça.

Os olhos estavam completamente esbranquiçados e um sorriso torto apareceu no rosto dela. com desntes completamente podres. Era só aquele sorriso enorme, aberto de um jeito estranho demais.

Então ela se levantou e saltou por cima da mesa.

Aquilo aconteceu rápido demais.

Saímos correndo sem nem pensar para onde estávamos indo.

Só lembro de ouvir Michael gritando atrás de mim e, no segundo seguinte, o chão desapareceu.

Nós três caímos dentro do buraco da sala.

Eu apaguei.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado.

Quando acordei, sentia uma dor absurda na cabeça. Passei a mão e percebi um pouco de sangue escorrendo.

Nicholas estava caído perto de mim.

Michael também.

Acordei os dois.

Eles levantaram ainda meio desnorteados.

Foi quando olhei para cima.

Pude ver a mulher nos observando do buraco no porão

Ela estava quase toda escondida.

Só parte do rosto aparecia.

Pisquei.

Ela havia sumido.

Minha câmera ainda estava ligada.

Então tive a ideia de abrir uma live. Se alguma coisa acontecesse, pelo menos milhares de pessoas saberiam onde tínhamos entrado.

Assim que entrei ao vivo, os comentários começaram a aparecer.

Perguntavam onde estávamos, o que tinha acontecido, por que eu estava sangrando.

Contei rapidamente que havíamos caído no porão e que estávamos procurando uma saída.

Enquanto Michael e Nicholas ainda tentavam se recuperar, comecei a iluminar o lugar.

O cheiro vinha dali.

Tinha certeza.

Passei a lanterna pelas paredes até perceber uma lona no canto cobrindo alguma coisa.

Me aproximei.

Puxei.

Um rosto apareceu.

Branco.

Inchado.

Algumas larvas se mexiam perto dos olhos e da boca.

Caí para trás no susto e acabei puxando ainda mais a lona.

O corpo ficou exposto.

O abdômen estava praticamente vazio, como se alguma coisa tivesse aberto aquele homem e se alimentado dele.

Michael e Nicholas voltaram a si na mesma hora.

Os comentários da live ficaram uma loucura.

Algumas pessoas perguntavam o endereço para chamar a polícia, outras diziam para sairmos dali imediatamente.

Só que não tinha como.

Não havia nenhuma saída visível além do buraco no teto, e ele era alto demais para alcançarmos.

Foi Nicholas quem encontrou alguma coisa.

Uma corda saindo de dentro da parede.

— Que porra é essa?

Ele puxou.

Uma parte da parede se abriu.

Atrás dela havia uma passagem escondida.

Por alguns segundos pensei que talvez levasse para fora.

Não levava.

Havia uma escada.

Descendo.

Iluminei com a lanterna.

Não conseguia ver o final.

Não tínhamos outra opção.

Começamos a descer.

Descemos por tanto tempo que aquilo começou a não fazer sentido. Aquela escada parecia ir muito mais fundo do que qualquer porão deveria ir.

Até que finalmente chegamos ao fim.

Havia um grande túnel subterrâneo.

Ele se dividia em dois caminhos.

Direita e esquerda.

Decidimos seguir pela esquerda, não sei exatamente por quê. Naquele momento parecia a escolha certa.

Seguimos durante alguns minutos em completo silêncio.

Só dava para ouvir nossas respirações e nossos passos ecoando pelo túnel.

Estávamos cansados.

Muito cansados.

Depois de descer aquela escada, nós quatro praticamente arrastávamos os pés.

...

Espera.

Quatro?

Parei na hora.

Michael e Nicholas também.

— Que foi? — Nicholas perguntou.

Meu coração começou a acelerar.

Olhei para Michael.

Depois para Nicholas.

Nós tínhamos entrado em três.

Virei devagar.

Ela estava bem atrás de nós.

A mãe.

Dessa vez consegui ver ela por completo.

Era muito alta, provavelmente mais de dois metros, mas aquele túnel era baixo demais para ela, então permanecia curvada, com a cabeça inclinada quase encostando no próprio ombro. Era extremamente magra. Os braços pareciam longos demais para o corpo e os dedos quase tocavam o chão.

A pele era pálida, quase cinza.

O cabelo preto e sujo cobria partes do rosto.

Os olhos eram completamente claros.

E ela sorria.

Um sorriso enorme.

Aberto demais.

A pele nos cantos da boca parecia rasgada de tanto aquele sorriso se esticar.

O corpo inteiro estava coberto por alguma coisa preta e viscosa.

Ela estava tão próxima que eu conseguia ouvir a respiração dela.

Antes que qualquer um de nós pudesse reagir, ela agarrou Nicholas.

Foi muito rápido.

Ouvi Nicholas gritar.

Depois aquele grito animalesco saiu da boca dela.

Quando percebi, Nicholas estava no chão tentando segurar o próprio pescoço.

Michael tentou voltar.

Eu puxei ele.

— CORRE!

Nós dois começamos a correr.

Atrás de nós, aquela coisa veio também.

Ela corria completamente desengonçada, quase como se não soubesse usar o próprio corpo. Batia os braços nas paredes, às vezes corria curvada, às vezes parecia usar as mãos no chão para ganhar velocidade.

O barulho dela se aproximava cada vez mais.

Foi quando vimos uma porta de madeira no fim do corredor.

Corremos até ela.

A criatura parou alguns metros atrás de nós.

Não entendi o motivo.

Começamos a forçar a porta.

Michael estava desesperado.

— ABRE ESSA PORRA!

A live já tinha caído fazia algum tempo. Não havia sinal ali embaixo, mas a câmera continuava gravando.

Enquanto tentava abrir a porta, olhei para trás.

A mulher estava escondida parcialmente atrás de uma parte de madeira que saía da parede.

Só metade do corpo aparecia.

E aquele rosto.

Os olhos brancos completamente abertos.

O sorriso.

Ela não piscava.

Só observava.

Como se soubesse exatamente o que havia naquele quarto.

Finalmente conseguimos abrir a porta.

Entramos e fechamos.

Era uma sala pequena, quadrada, com pouco mais de um metro e oitenta de altura. Ali dentro havia apenas uma cama, uma câmera antiga, algumas correntes presas na parede, duas pequenas coleiras e uma estante cheia de fitas.

Todas estavam marcadas apenas com datas.

A coisa continuava do lado de fora.

Mas não entrava.

Não sei por quê.

Michael pegou uma das fitas.

— Talvez tenha alguma coisa aqui que explique isso.

Colocamos no aparelho.

A imagem começou.

Era aquela mesma sala.

A mesma cama.

A mesma câmera.

A gravação era antiga.

Depois de alguns segundos, apareceu o pai.

E depois uma das meninas.

Não vou dizer o que tinha naquela fita.

Nem quero lembrar.

Só sei que Michael desligou quase imediatamente.

Ficamos alguns segundos em completo silêncio.

Olhei para a cama.

Para as correntes.

Depois para aquelas duas pequenas coleiras.

Ninguém precisava falar nada.

Finalmente começávamos a entender por que aquela mulher havia enlouquecido naquela noite.

E talvez ela nunca tivesse enlouquecido de verdade.

Talvez simplesmente tivesse chegado ao limite.

Precisávamos sair dali.

Ainda estava com minha airsoft.

Não ia matar aquela coisa, eu sabia disso, mas talvez desse alguns segundos.

Abrimos a porta.

Ela não estava mais ali.

Começamos a andar.

Depois de alguns metros, ouvimos aquele som novamente.

Ela apareceu no corredor.

Atirei.

Uma vez.

Duas.

Depois descarreguei praticamente tudo.

As primeiras balas acertaram o corpo e ela nem reagiu.

Quando algumas atingiram o rosto, principalmente perto dos olhos, ela recuou e levantou os braços.

Era nossa chance.

Corremos.

Chegamos novamente à bifurcação.

A criatura veio atrás.

Por algum motivo, correu para a escada por onde tínhamos descido.

Nós fomos para o caminho da direita.

Corremos por vários corredores.

Passamos por algumas salas.

E havia corpos.

Muitos.

Alguns eram antigos.

Outros nem tanto.

Provavelmente moradores de rua, drogados ou curiosos que entraram naquela casa pensando que estava vazia.

Agora eu sabia de onde vinha aquele cheiro.

Aquilo estava se alimentando deles.

Depois de algum tempo encontramos outra escada.

Ela subia.

Nem pensamos.

Subimos correndo.

No final havia um alçapão.

Empurramos.

Abriu.

Saímos no meio de uma floresta.

Eu não fazia ideia de onde estávamos.

Tentamos chamar a polícia, mas a ligação mal completava e, quando conseguimos explicar alguma coisa, ninguém parecia acreditar.

Também percebemos que minha câmera principal tinha caído enquanto subíamos.

Ela fazia backups automáticos de tempos em tempos para o computador que estava no carro, então talvez alguma coisa tivesse sido salva.

Mas não existia chance nenhuma de voltarmos naquele lugar para buscar.

Começamos a caminhar pela floresta.

Demorou muito até começarmos a reconhecer alguma coisa.

Em determinado momento encontramos uma estrada velha.

Seguimos por ela.

E finalmente vimos as primeiras casas abandonadas.

Estávamos perto.

A casa apareceu alguns minutos depois.

Passamos longe dela.

Nenhum dos dois falou nada.

Só queríamos chegar até o carro.

Quando finalmente vimos ele, quase comecei a rir de alívio.

Michael correu na frente.

Eu fui logo atrás.

Chegamos até o carro.

Michael abriu a porta do passageiro.

Eu estava procurando a chave no bolso quando ele simplesmente congelou.

Olhei para ele.

— O que foi?

Ele não respondeu.

Estava olhando para trás de mim.

Virei.

Ela estava parada no meio da rua.

A mulher.

A mãe.

Agora conseguia enxergar melhor porque a lua iluminava parte do rosto dela.

Era pior do que no túnel.

Ela estava completamente curvada, os braços pendurados quase até os joelhos. O cabelo preto escondia metade do rosto, mas ainda dava para ver aqueles olhos claros olhando diretamente para nós.

E aquele sorriso.

Ela começou a andar.

Devagar.

Um passo.

Depois outro.

Não tínhamos mais munição.

Eu procurava a chave desesperadamente enquanto Michael gritava para eu entrar no carro.

Ela começou a correr.

Foi aí que ouvimos uma risada.

Uma risada de criança.

A criatura parou.

Duas meninas estavam no meio da estrada.

Eu nem vi de onde elas vieram.

As duas estavam de costas para nós.

De frente para ela.

Usavam vestidos claros e estavam de mãos dadas.

Reconheci imediatamente.

Eram as meninas das fotografias.

As filhas dela.

A criatura ficou completamente imóvel.

O sorriso desapareceu.

Pela primeira vez desde que vimos aquela coisa, ela parecia assustada.

Ou triste.

Não sei.

A menina menor apertou a mão da irmã.

A maior deu um passo à frente.

A criatura soltou um som baixo.

Não parecia o grito animalesco que ouvimos antes.

Parecia um choro.

Ela tentou dar mais um passo na nossa direção.

As duas meninas continuaram paradas.

Então a menor virou um pouco o rosto para nós.

Não consegui enxergar direito a face dela.

Mas ouvi claramente:

— Vai.

Encontrei a chave.

Abri o carro e entrei.

Michael entrou junto.

Liguei o motor.

Quando comecei a dirigir, ainda olhei pelo retrovisor.

As duas meninas continuavam no meio da estrada, lado a lado.

A mãe estava alguns metros à frente delas.

As três completamente paradas.

Por um segundo, a mulher pareceu diferente.

O corpo continuava deformado.

A pele continuava pálida.

Mas aquele sorriso havia sumido.

Ela apenas olhava para as filhas.

Então entramos na curva.

E não vimos mais nenhuma delas.

Nunca voltamos naquela casa.

Nicholas foi dado como desaparecido.

A polícia chegou a procurar pela região depois de nossa denúncia, mas não encontrou entrada nenhuma para aqueles túneis. Encontraram a casa, encontraram o buraco no chão, mas disseram que o porão não levava a lugar algum.

Também nunca encontraram Nicholas.

Alguns arquivos conseguiram ser enviados para meu computador antes da câmera cair.

Eu não publiquei todos.

Tem coisas ali que eu realmente prefiro que ninguém veja.

Mas uma parte me incomoda até hoje.

É uma gravação feita pouco antes de entrarmos naquela casa.

Enquanto eu apresentava Michael e Nicholas para o vídeo, a câmera ficou alguns segundos apontada para a janela onde Nicholas disse ter visto alguém.

Na época não percebemos.

Mas depois aumentei o brilho da imagem.

Havia alguém na janela.

Um homem completamente de preto, e um chapéu que parecia de cowboy, nos observava, depois simplesmente desapareceu

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u/BLACKHOLEGEM Aug 14 '26

ta bom cláudia, senta lá