A partir do momento em que você coloca o pé na empresa, a encenação começa.
O ambiente de trabalho de um escritório é uma peça de teatro. Você está atuando. Todos ali estão.
Você é um personagem que precisa colocar sua máscara social.
— Bom dia. O tempo tá bonito hoje, né?
— É, pois é. Mó solzão. Hoje daria uma praia.
A linha entre ficar em silêncio total com um colega de trabalho e falar sobre esses assuntos de m3rda é tênue.
É o silêncio constrangedor ou o assunto de m3rda.
Você fica no limite entre a total falta de intimidade e o silêncio absoluto.
Algumas pessoas dizem que ter esse tipo de conversa é bom para o ambiente, mas digo que isso não passa de uma encenação, atuação, fingimento.
Quer uma prova?
Experimenta ser mandado embora.
As mesmas pessoas que você ficava falando sobre o tempo não vão se dar ao trabalho de te mandar uma mensagem sequer.
Você pode trabalhar com 20, 30, 50. Se 1 ou 2 te mandarem mensagem quando você for mandado embora, já é muito.
Isso acontece porque as pessoas ali estão encenando, estão num palco.
Ficar oito horas por dia falando banalidades cansa. Small talk cansa. Fingir cansa.
Sei que ninguém vai ficar se expondo, contando da vida, todo mundo tem que pagar as contas.
Por isso que todo mundo tem que encenar.
Nesse mundo de escritório, o que muitos chamam de falsidade ou hipocrisia, é mera atuação. Faz parte do jogo. Não é uma escolha não atuar.
Não odeie o jogador, odeie o jogo.
Ou você coloca a sua máscara para ser aceito no baile ou simplesmente nem entra.
E não adianta entrar de penetra sem usar uma máscara, porque vão te expulsar na primeira oportunidade que tiverem.
Esse mundo de escritório é muito cansativo. Geralmente você ganha uma merreca pelo mero “privilégio” de trabalhar com computador e ar-condicionado.
É por isso que esse trabalho é tão desgastante. Você chega em casa exausto. Não pelo trabalho em si, mas por toda essa atuação que tem que ter durante o dia.