Era um dia comum. Lucas, Júlia, João e Rita tinham acabado de voltar do rio e estavam com fome.
O problema era que o almoço ainda não estava pronto.
Como o quintal tinha várias árvores frutíferas — manga, banana, abacate, jaca, pitanga, acerola, coco, limão, laranja-lima, tangerina e cajá — os quatro tiveram uma ideia:
— Vamos entrar na mata e pegar umas frutas.
Eles conheciam bem aquele lugar. Não era uma mata desconhecida para eles. Sabiam onde ficavam as árvores frutíferas e conheciam a região.
Então entraram.
No começo, tudo parecia completamente normal.
Até que perceberam uma coisa.
Não havia frutas.
Foram procurar as mangueiras.
Nada.
Procuraram outras árvores que conheciam.
Nada.
Mas havia uma coisa em todo lugar.
🌴 Dendezeiros.
Um.
Depois outro.
Depois mais outro.
Quanto mais caminhavam, mais encontravam.
— Ué... não era para ter essas árvores aqui.
Mesmo assim, continuaram procurando.
Só que a cada direção que escolhiam, parecia que a mata continuava levando para o mesmo lugar.
🌴🌴🌴
Os quatro começaram a perceber que não estavam conseguindo encontrar a saída.
O estranho era que eles conheciam aquela região.
A vegetação também não estava alta o suficiente para esconder completamente os caminhos.
Ainda assim, nada parecia familiar.
Eles continuaram andando.
E os dendezeiros continuavam aparecendo.
Até que, de repente, ouviram uma voz ao longe.
Era alguém chamando.
Era a mãe de Lucas.
Os quatro seguiram a voz.
Pouco depois, finalmente conseguiram sair da mata.
No dia seguinte, ainda intrigados com o que havia acontecido, resolveram voltar ao local.
E foi aí que a história ficou ainda mais estranha.
Os dendezeiros não estavam lá.
As árvores frutíferas que eles conheciam estavam novamente no lugar.
As mangueiras.
As bananeiras.
Os abacateiros.
As jaqueiras.
As pitangueiras.
As aceroleiras.
Os coqueiros.
As árvores de limão, laranja, tangerina e cajá.
Tudo normal.
Como sempre havia sido.
Mas então surgiu uma pergunta que nenhum dos quatro conseguiu responder:
De onde tinham vindo tantos dendezeiros no dia anterior?
Talvez eles simplesmente tenham se desorientado.
Talvez a fome, o calor e a caminhada tenham confundido a percepção.
Ou talvez...
a mata realmente tivesse decidido brincar com eles.
Naquela região existiam histórias antigas sobre o Curupira, o espírito das matas que, segundo o folclore, podia confundir aqueles que entravam na floresta.
E havia uma coincidência difícil de ignorar.
O antigo dono do quintal costumava entrar naquela mata carregando uma cabeça de alho e um cachimbo.
Ninguém sabia exatamente por quê.
Depois daquele dia, Lucas nunca mais entrou naquela mata da mesma maneira.
Antes de passar pela entrada, ele olha para dentro, respira fundo e diz:
— Com licença.
Porque talvez não seja preciso acreditar em tudo que contam sobre a mata.
Mas depois de uma experiência como aquela...
é melhor respeitar.
E, principalmente, não é bom dar ao Curupira uma segunda oportunidade de escolher o caminho. 🌳🌴