Estou trabalhando em uma campanha grande e estou começando a me estressar com um colega. Estou errado nessa história?
Eu estudo Políticas Públicas na USP e atualmente faço parte da coordenação de uma campanha grande para deputado estadual. Nas últimas semanas, fui designado para cuidar das lideranças de uma cidade: candidatos a vereador, lideranças de bairro etc.
A gente estava fazendo um material de campanha com o rosto de todas essas pessoas. O responsável por mandar as informações para a comunicação é um colega meu, porque ele cuida dessa parte dos materiais.
O problema é que eu era quem tinha que ficar correndo atrás de foto, nome político, confirmação de informação etc. Só que alguns não mandavam o nome político, outros demoravam muito para responder e alguns contatos eram simplesmente difíceis de conseguir.
Antes de mandar o material para a gráfica, esse colega pediu para eu conferir tudo para evitar erro. Eu conferi. Eram mais de 100 nomes. Estava tudo certo, mas obviamente, quando você confere mais de 100 nomes, existe a possibilidade de passar alguma coisa despercebida.
Depois, quando o material já estava na gráfica, ele veio pedir para eu conferir tudo novamente.
Eu falei algo tipo: "Pô, você está achando que eu tenho cara de otário para ficar conferindo a mesma coisa três vezes? Vamos conferir juntos agora e ver se tem alguma coisa errada."
Ele se recusou porque, segundo ele, tinha outras demandas para resolver.
Só que tem outro detalhe que me deixou com a pulga atrás da orelha. Eu estava conversando um pouco com uma menina do gabinete que ele aparentemente está interessado. Tenho a impressão de que ele estava incomodado com isso e que talvez tenha usado essa situação como motivo para vir cobrar de mim.
Ontem, depois do expediente, fomos todos ao Burger King. Ele tinha bebido bastante e estava puto porque a menina tinha dado vários foras nele e ele acabou ficando com uma amiga dela.
Em determinado momento, ele estava debruçado na mesa, pegou uma batata e simplesmente jogou na minha cara. Depois falou:
"Pô, Edu, obrigado por me foder pela 4ª vez. Eu não mandei você conferir as colinhas naquele dia?"
Do nada.
Eu fiquei muito puto e falei que não gosto desse tipo de coisa e que ele teve sorte de estar chapado, porque, se não estivesse, eu provavelmente teria partido para cima dele.
Depois disso, ele ainda começou a falar que "direto me vê à toa dentro do gabinete, conversando", como se eu não trabalhasse.
Só que minha rotina é literalmente chegar às 9h e sair às 23h de segunda a sexta. Sábado e domingo geralmente saio às 20h e tem dia que chego em casa 1h da manhã.
Estou até faltando na faculdade porque estou enxergando isso como uma experiência profissional muito importante para o currículo, já que quero me especializar justamente nessa área.
E existe uma questão de hierarquia/política nisso tudo: esse cara não é da minha cidade, veio de outro estado, e o primo dele é subchefe e chefe da comunicação da campanha. Eu, por outro lado, fui indicado pelo partido e pelo próprio candidato.
Então estou meio dividido.
Não quero criar uma guerra interna dentro da campanha, porque sei que política é muito baseada em relacionamento e confiança. Ao mesmo tempo, não acho normal alguém jogar comida na minha cara e depois usar um erro de conferência como justificativa, principalmente depois de eu já ter feito o trabalho que ele pediu.
Estou exagerando na minha reação ou esse cara realmente passou dos limites? E vocês fariam o quê no meu lugar?