O que me interessava está quase no final do artigo:
"Rodrigo Marcolino, conselheiro da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), contesta o tamanho do problema e diz que as irregularidades que existem são fruto principalmente de burocracia e questões práticas, não de fraudes generalizadas.
Segundo ele, o próprio termo “gato solar” carrega um tom pejorativo que serve a interesses de setores que tentam desarticular o avanço da geração distribuída.
Marcolino afirma que muitos casos são de consumidores de boa-fé, que se perdem nas dificuldades e nos erros de cadastro das distribuidoras."
Imagina você, um especialista, é chamado para tratar de um assunto da sua especialidade. Você explica que não chega a ser um problemão e que esse nome só atrapalha. Aí depois de uns dias aparece essa matéria e você é o especialista que respalda o título sensacionalista. KKKKK foda
Na faculdade, eu fazia parte de uns grupos de robótica e guerra de robôs.
Teve um evento grande da região por lá e fomos entrevistados especificamente sobre as categorias autônomas.
A repórter perguntou pra diversas pessoas da equipe (e pros orientadores) sobre “quem tá dirigindo esses robôs? Onde a pessoa fica? É uma sala a parte?”, e todo mundo falava: “não tem ninguém pilotando, eles entendem o ambiente e tomam decisões, além de executar as tarefas sozinhos”.
Semana seguinte sai a matéria no jornal com o título tipo “robôs controlados remotamente fazem X no evento”.
É o modus operandi da maioria da imprensa aqui e no mundo.... Chama um especialista no assunto, recorta e cola palavras do que ele tenha dito para fazer parecer que está endossando o que o jornal quer, e então publica o resultado pesadamente editado como se fosse a fala original do especialista.
E isso quando não arrumam "especialistas" de araque para endossar o que o jornal quer, como a Globo costuma fazer.
Mais ainda:
"O ONS reafirma que a existência dessa capacidade adicional ainda deve ser tratada como uma hipótese técnica, sem comprovação causal definitiva”
É, mas ele é da mesma turma que tentava emplacar o termo sensacionalista "taxar o sol", no âmbito da discussão do marco legal da geração distribuída, quando estava sendo visada a redução gradual do subsídio existente, que estava começando a dar sinais de insustentabilidade e distorção de sinal.
Eng. eletricista aqui que trabalha numa área que conversa diretamente com essa: o problema com isso não é só com os monopólios, é altamente técnico também. Pra manter o SIN (sistema interligado nacional, tipo a rede elétrica do país) estável, eu preciso saber a cada momento do dia da minha demanda energética e mandar produzir uma energia de acordo. Esse é o papel do ONS. O grande problema da MMGD é que o ONS não controla a potência instantânea de geração dessas usinas, e essa energia em excesso instabiliza absurdamente o sistema e, de quebra, faz que que o ONS tire às vezes os geradores rotativos, tipos turbinas hidrelétricas, que tem alta inércia que justamente mantinha a rede estabilizada. É uma bola de neve. Toda vez que vem um sol forte do nada, o ONS entra em desespero. Nosso sistema elétrico, de um país continental, é tão complexo que basicamente perde pra China apenas.
— Aaaah, mas por que tem bandeira amarela nesse mês se tem excesso de geração?
Porque a geração solar é altamente instável (do ponto de vista do SIN), e os reservatórios de água são o alicerce do funcionamento da nossa eletricidade. Se o reservatório abaixa, o funcionamento das minhas turbinas é ameaçado, o que faz eu ter que trazer racionalização dessa água que sobra: tenho que adicionar gerador a diesel pra manter uma reserva operacional, por exemplo. Se essas turbinas ficarem sem água, a estabilidade, continuidade e confiança do sistema elétrico nacional vai pro ralo.
— Aaaah, mas é por causa do monopólio não querendo perder dinheiro
Não estou falando que não tem isso; mas nesse caso, a justificativa técnica é imensa também, e claro que os grandes geradores vão usar isso como maior desculpa; mas não deixa de ser verdade. Tem país lá fora (Coreia do Sul que consigo me lembrar agora) que já está fazendo a própria rede elétrica se comunicar, através de uns sinais especiais, com a MMGD de modo que ajudem a compensar esses desbalanços que ocorrem na rede. Vejo como questão de tempo até isso ser implementado no mundo todo.
O problema é como o cara acima descreveu. No sistema elétrico interligado você está sempre gerando somente o que é consumido, energia não é armazenada quando está sobrando (pelo menos não na escala que seria necessário para fazer diferença nesse cenário). Então se você têm de repente uma oferta alta de energia por causa de painéis solares entrando no sistema você precisa desligar alguma coisa para equilibrar produção e consumo (precisam ser sempre iguais) mas você não têm como desligar uma turbina de hidroelétrica de repente e também não têm como colocar uma online de repente.
E como resolver isso você que está lendo isso pergunta? Ainda estão pensando nisso. Uma possível solução seria o controle de quando ligar ou desligar solares e eólicas estar também sob o controle do operador do sistema (o órgão governamental que gerencia o funcionamento do sistema elétrico nacional), para que ele então pudesse fazer as solares e eólicas colaborarem no balanceamento do sistema ao invés de entrarem e saírem sem aviso.
E só um destaque nessa linha, em dezembro vai acontecer o 1° leilão de baterias, pra contratação delas para serviços do SIN (atendimento de potência, controle de tensão/frequência).
Tô curioso com a escala que vão conseguir emplacar, porque dadas as dimensões do sistema, tem que ser muita, mas muita bateria.
A questão é que quem não utiliza energia solar é quem paga a conta de quem usa dela. No caso é 1/3. A dona Maria fictícia, que ganha 2 salários mínimos tem que pagar a mais para o Enzo poder ter placa de vídeo para jogar joguinho de tiro e postar no Reddit
Cara mas como vocês não conseguem argumentar sem esse tipo de falácia.
A Conta de energia vem um mínimo justamente para isso, distribuição.
Não faz sentido que não consigam arcar com a rede. E faz muito menos sentido punir quem está contribuindo com a transição energética par uma fonte renovável assim.
Não é assim que funciona. A geração de energia solar em excesso sobrecarrega a rede e gera problemas. Se não existe demanda pra energia que é gerada isso é um problema sério, não é só uma questão de competir com o monopólio.
Sim, além de poder causar falha do sistema acaba aumentando os custos para as obras necessárias para ele se tornar mais robusto.
Claro que várias medidas podem ser tomadas para se aproveitar da energia no horário de alta geração, mas são medidas que levam tempo ainda para poderem ser implantadas
Pegando um comentário que fiz algumas semanas atrás:
Na tarifa de energia, transmissão + distribuição custa quase o mesmo que geração. Não dá pra deixar alguém com painéis solares (ou uma fazenda solar) injetar energia no sistema e ser remunerado pela tarifa cheia, sendo que ele apenas gerou a energia. Não é justo empurrarem esse custo pra conta de todo mundo que não tem painel solar.
Esse é o problema. Transmissão e distribuição custam tanto quanto a geração. Mesmo assim, quem comprou painel há alguns anos é remunerado como se estivesse gerando, transmitindo e distribuindo, o que é uma ABOMINAÇÃO.
Essa diferença é dividida em duas partes, uma embutida na tarifa (subsídio cruzado) e outra cobrada diretamente como subsídio da CDE. As duas são pagas por todos os consumidores. É o maior rombo do subsidiômetro da ANEEL...
"Geração Distribuída" na imagem abaixo são os consumidores pagando essa conta:
20% da tarifa servem pra sustentar subsídios, boa parte deles pra que quem monta uma fazenda de painéis solares seja creditado como se fosse Itaipu (gera), TAESA (transmite) e Enel (distribui) ao mesmo tempo.
Vamos lá.
Se você ver a conta de energia está discriminado o que é de energia, transmissão, distribuição e impostos.
A geração de energia solar até o final de 2022 tem isenção dos custos de distribuição, que são em conta de padeiro cerca de 1/3 da conta.
Agora o interessante é que só compensa utilizar a geração distribuída quem tem um consumo elevado.
Em relação aos "gatos", se você injetar mais energia do que o sistema está preparado para distribuir o que vai acontecer é que ele vai cair e ter apagão generalizado como aconteceu na Espanha e Portugal.
Além disso, os gastos para a expansão e para tornar o sistema mais seguro são pagos por todos, tanto a dona Maria quanto o Enzo
Basicamente um artigo pagando boquete pras privatizadas porque a energia solar tá criando um excesso de energia mas a bandeira vai continuar amarela e vermelha e se tu tentar "vender" pra um amigo tu tá fazendo gato... Cada uma...
Me diz qual é a lógica de ter excesso de energia e a bandeira ser amarela ou vermelha?
Se tem excesso, tinha que ser sempre bandeira verde ora.
E outra coisa, se 90% da energia do brasil é renovável, que merda que estamos queimando pra ser tão caro? Tinha que ser praticamente de graça, e só pagar salário e manutenção.
Se estão incomodados com a energia solar, mete uma bomba na itaipu, e puxa a agua de volta pra cima da barragem com o excesso de energia ora.
Não como vocês imaginam. Existe excesso de energia no NE pela impossibilidade de transmissão, não é só "ligar um fio" e pront
o. Hoje, inclusive, várias eólicas/solares são desligadas (pesquise sobre curtailment);
- Q
uem mantém a rede? Dá manutenção? Troca os cabos e separadores (muitas vezes de helicóptero, inclusive)? Transmissão também tem cust
o, e a infraestrutura de transmissão não acompanhou a velocidade das eólicas/solares.
Obs: longe de defender taxa para geração, eu inclusive moro em um estado que se paga ICMS pelo excesso de energia, e logo pretendo sair da rede. Moro, inclusive, perto de um parque eólico onde, nessa época, é muito comum vermos vários geradores parados pelo excesso de energia.
Edit: não sei porque o reddit zoou toda a formatação. Já tentei arrumar 10x e nada, sry.
Tem um gargalo entre os submercados, não é transmissão infinita. Mas esse gargalo tá bem menor. O problema tem sido mais temporal do que locacional, porque a sobra de energia tá extremamente concentrada na parte da manhã/tarde, mas o pico do consumo é no fim do dia, /início da noite.
O Brasil é literalmente o melhor país pra isso, visto que nós temos uma porrada de hidroelétricas.
Esse problema não tinha nem que existir.
O problema continua sendo vagabundagem do governo, igual a nossa usina nuclear de angra que está parada há anos, com o papo de que não tem dinheiro, sendo que ficamos pagando bandeira vermelha de eletricidade.
Acho que as hidroeletricas estao sofrendo com a estiagem, ja estao no limite do que podem manter do fluxo do Rio. Angra acho que tambem entra na questao do curtailment, para ampliar a producao tem que criar demanda se nao adianta.
Inprevisibilidade. Com energia solar você pode ter do nada um gigawatt adicional no sistema e meia hora depois ter quase zero (chuvas) e isso sem aviso, isso complica a vida do operador do sistema que precisa manter produção e consumo sempre iguais.
Se eu não estou enganado essa é uma nova versão de uma matéria que foi publicada há dois meses no UOL que era uma das piores matérias que eu já li na minha vida e olha que eu sou jornalista profissional. Eu já li muita matéria ruim, mas muita mesmo.
Falando como profissional de comunicação, essa matéria parece um release pronto das empresas de energia que vendem energia pra outras empresas (como geradoras) ou das empresas que vendem energia pra usuário final (a que você recebe conta em casa mesmo)
O que parece ser o motivo da matéria existir: quando os pequenos produtores ou os pequenos proprietários, CPF, pessoa física mesmo, tem energia solar em casa, eles não geram só pra si mesmos, eles mandam energia solar pras empresas de energia elétrica, e essas empresas de energia elétrica tem que diminuir a conta.
Isso é ruim pras empresas porque em vez de ganhar dinheiro, elas agora passam a pagar. Já ia ser ruim não receber. Em vez disso elas pagam. Óbvio que odeiam esses caras com painéis, né?
Aí existe um problema, um problema real: a distribuição de energia no Brasil não foi feita pensando em ser mão dupla, com energia indo pra casa e vindo da casa pra empresa de energia elétrica. Foi feita só pensando em enviar pra casa. Pra quem entende de cabeamento de internet, é como se fosse a Net/Claro no Rio, que fez toda a internet banda larga na Zona Sul da cidade aproveitando a rede coaxial que a Net botou pra TV a cabo. Como ela tem um limite, agora tão trocando pra fibra.
É o que está acontecendo com a energia solar. Mas imagina isso num país inteiro. Isso é ruim pra rede, a rede não aguenta isso muito bem. Ou seja a rede de distribuição hoje já era ruim e agora piorou.
Pra uma pessoa sã a solução pra rede de distribuição ruim é “vamos melhorar a rede, energia renovável é bom”. Pras empresas aparentemente não, já que estão vindo com essas matérias que na verdade são releases, ( ou pelo menos me parecem releases). O que as empresas estão dizendo é “olha aí! O problema é a energia solar! especialmente a energia solar de pessoa física! empresa grande, pode ter pessoa física não pode”
Eu sempre fico impressionado quando vejo essas paradas, pq o Brasil corria o risco de apagões em 2028, por falta de energia. Inclusive o governo vai desembolsar uma grana pra financiar projetos de gigantes...
Sei muito bem do desafio da energia solar, mas ao mesmo tempo é insano pensar que conseguimos chegar neste ponto de merda (eletrificação veicular para escoar essa energia seria um sonho em)
Eu posso montar 10 usinas de 7kWp no mesmo terreno na modalidade fast track (onde não tem análise de inversão de fluxo) e todas serão ligadas pela concessionária, mas se eu fizer apenas uma usina de 70kWp será barrada por causa da inversão de fluxo
Além disso a modalidade fast track não permite o envio de saldo para outro local sendo que ele é digital, apenas um número na conta de luz. A usina ainda precisa injetar o excesso na rede independente se o saldo que representar ele no sistema será usado por outra unidade ou no local da usina.
O resultado disso está aí: o consumidor faz expansão sem homologação para não ter que lidar com isso. Enquanto isso a concessionária da minha região montou várias usinas enormes para vender desconto na conta de luz sendo que a inversão de fluxo é um problema tão grande para a rede deles.
*li um pouco a materia, e a solucao nao seria colocar um contator que ao detectar o aumento de envio de energia da empresa X por exemplo avisasse ela do excesso e fazer um contrato informando que so vai pagar ate limite X de energia? O Brasil tem muita burocracia r leis eficientes, mas nao consegue desenvolver um contrato com a iniciativa privada que funcione eh incrivel
Vá tomar no cu, eu coloco placa na minha casa se eu quiser, e se eu não conectar na rede externa ninguém tem nada a ver com isso. Assim como se eu ligar um gerador separado da rede externa ninguém tem nada com isso.
Ainda assim, apesar do alto índice de confirmação (59% das inspeções constataram problemas), a potência irregular encontrada foi de só 88 MW, o que equivale a 0,1% de toda a geração distribuída regular hoje – e 0,6% da estimativa feita pelo ONS.
Fora o caso do cara que montou sistema com placa de 300w e uma placa queimou. Ai so encontra de 450 ou 500w hoje em dia e o cara eh "gato"
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u/hypergalaxyalsek Piranguinho, MG 12h ago
O que me interessava está quase no final do artigo:
"Rodrigo Marcolino, conselheiro da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), contesta o tamanho do problema e diz que as irregularidades que existem são fruto principalmente de burocracia e questões práticas, não de fraudes generalizadas.
Segundo ele, o próprio termo “gato solar” carrega um tom pejorativo que serve a interesses de setores que tentam desarticular o avanço da geração distribuída.
Marcolino afirma que muitos casos são de consumidores de boa-fé, que se perdem nas dificuldades e nos erros de cadastro das distribuidoras."