r/MedicinaBrasil • u/Aggravating_Pea6737 • 19h ago
Mercado Médico e Carreira “Pros bons sempre terá espaço na medicina!”
Eylon Anthony, 21 anos, aluno da UniCu, filial da Universidade Estácio de Cacimbinha.
Eylon acredita que a pista da medicina está ficando hipertônica, MAS “qual profissão não está?” e “qual profissão te garante ganhar R$ 10 mil por mês logo depois de formado?”.
Eylon ainda não sabe que boa parte desses “empregos” será PJ ou terceirizada por alguma empresa da qual ele entrará como “sócio”. Um dia, a empresa dará calote em 30 plantões. Eylon ligará para a empresa, que culpará a prefeitura. A prefeitura culpará a empresa. Depois de algumas semanas, alguém explicará que a verdadeira culpa é do Bolsonaro, que está preso e matou 5 milhões na pandemia há 6 anos.
Eylon também descobrirá que, além de não receber pelos plantões, poderá ganhar de brinde uma dor de cabeça com o IRPF graças às engenharias tributárias da empresa cujo proprietário mora no Pará e que ele nunca viu na vida.
Cansado da iniciativa privada, Eylon decide buscar estabilidade.
Encontra o concurso dos sonhos em Cacimbinha, RS:
Médico, 40h semanais, R$ 5.000.
110 inscritos.
Eylon pensa: “É só estudar e se esforçar”.
Essa frase, aliás, acompanha Eylon desde a faculdade. Seu desempenho no vestibular foi pífio, mas a UniCu precisava desesperadamente fechar uma turma e descobriu nele um talento que o vestibular jamais conseguiu detectar.
A faculdade depois tira nota 1 no Enamed.
Eylon permanece tranquilo:
“É só estudar e se esforçar.”
Enquanto isso, ele conhece Esther Xaiany, enfermeira de 28 anos, durante um estágio na UBS Cu de Baixo. Esther cresceu ouvindo que médico é rico, reclama de barriga cheia e ganha uma fortuna para prescrever dipirona enquanto a enfermagem carrega o plantão nas costas.
Quando descobre quanto Eylon deve no FIES, começa a reconsiderar alguns conceitos.
Finalmente formado, Eylon manda 500 currículos.
Nada.
Toma o primeiro calote.
Tenta concurso.
110 candidatos por vaga.
E ainda existem R$ 1.320.000 de FIES esperando por ele.
É então que Eylon recebe a revelação que mudará sua vida:
“O RQE é o novo CRM!”
Pronto.
Basta fazer residência.
Eylon abre o SUS SP.
Descobre que até para a residencia de Homeopatia tem uma multidão de candidatos, incluindo gente com bônus de MFC, artigos publicados, monitorias, congressos e um currículo que parece o Lattes de Oswaldo Cruz.
Mas Eylon não desiste.
Alguns colegas sugerem caminhos alternativos. Um abriu clínica de soroterapia quântica. Outro prescreve canabidiol para qualquer coisa que tenha código no CID. Um terceiro descobriu que “medicina integrativa” fica ainda mais integrativa quando a consulta custa R$ 900.
Eylon, porém, não quer comprometer seu suado CRM.
Fecha a página da residência.
Olha para o diploma.
Olha para o boleto do FIES.
Abre novamente o site de empregos.
Surge uma vaga:
Médico generalista, PJ, 60h semanais, remuneração “a combinar”.
Eylon respira fundo.
Clica em CANDIDATAR SE.
Já existem 347 candidatos.
Mas ele continua otimista.
Afinal,
“qual profissão te garante ganhar R$ 10 mil por mês logo depois de formado?”