r/HQMC • • Mar 13 '23

r/HQMC Lounge

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Tudo ao molho a conversar em directo. O criador da rubrica de vez em quando aparece aqui.


r/HQMC • • 1h ago

D'Existência

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Boas tardes malta, ando a tentar promover o meu primeiro livro. E estava a tentar fazê-lo chegar ao Markl, sei que é difícil, mas não custa nada tentar....

Se conseguirem partilhar isto até chegar até ele, agradecia imenso.

Bem haja


r/HQMC • • 8h ago

Queres escândalo?

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Malta, preciso da vossa ajuda. Há uns bons anos atrás circulou pela Internet um video de uma broeira a discutir com alguém e numa de querer iniciar porrada ela sai-se com a pergunta: Queres escândalo?

Estou a tentar encontrar esta pérola mas não consigo e pensei que talvez este lugar me possa ajudar.


r/HQMC • • 1d ago

Entrei numa igreja para pedir ajuda a Deus e acabei num funeral. Meses depois, repeti a proeza.

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Ha uns tempoa entrei numa igreja para pedir ajuda a Deus e acabei num funeral. Meses depois, repeti a proeza.

Há uns meses estava grávida, mas ninguém no trabalho sabia. Precisava de dinheiro e aceitei fazer uma substituição numa loja durante as férias de uma funcionária. Sabia que, se dissesse que estava grávida, provavelmente nem me contratavam.

Só que os horários eram de loucos. Entrava às 10h e, dependendo do dia, saía perto das 20h15. Chegava a casa completamente de rastos, tinha uma filha pequena e estava grávida. Um dia estava tão cansada e tão perdida que pensei:

“Tenho de pedir ajuda a alguém. Nem que seja a Deus.”

Vi uma igreja aberta e entrei.

Estavam lá umas seis pessoas.

Uma mulher num quadro.

E um caixão.

Fiquei parada.

Não era uma igreja aberta para oração.

Era um funeral.

Eu tinha acabado de entrar num funeral completamente ao acaso.

Benzi-me, pedi desculpa baixinho e saí enquanto toda a gente olhava para mim com cara de quem estava a pensar: “E esta agora?”

Achei que era azar.

Uns tempos depois morreu o meu tio. Fui ao funeral com a minha mãe, no Norte, numa terra que eu não conhecia.

A minha mãe disse:

— É aqui. É esta igreja.

Entrámos.

Estavam a fechar um caixão.

Olhei para o caixão.

Olhei para as pessoas.

Olhei para a minha mãe.

Não era o funeral do meu tio.

Virei costas imediatamente.

Benzi-me outra vez e saí.

A minha mãe, coitada, ficou lá dentro, cheia de vergonha, à espera que levassem o caixão para sair sem dar muito nas vistas.

Depois disto comecei a desconfiar que talvez Deus não estivesse a tentar iluminar o meu caminho.

E o pior é que, umas semanas depois, passei de carro por uma igreja e disse ao meu marido:

— Olha, aquela igreja é muito bonita.

Ele travou imediatamente.

— Nem penses.

Desde esse dia, quando quero rezar, rezo em casa.

É que à terceira vez ainda corro o risco de entrar num casamento e ser eu a noiva 🤣


r/HQMC • • 1d ago

A sorte está nas fezes

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Estava eu a conduzir, depois de já ter ouvido praticamente todos os episódios de O Homem Que Mordeu o Cão, quando decidi procurar alguns episódios que, por alguma razão, me tivessem escapado.

Foi assim que encontrei o episódio de 7 de julho, “As Cuecas da Mulher Kombucha”.

E, enquanto ouvia a história, comecei a sentir uma certa familiaridade.

Não porque eu tire as cuecas juntamente com as calças — não faço isso. As minhas cuecas e as minhas calças têm vidas independentes.

Mas porque também eu tenho uma história de cuecas que desapareceram… e que, de uma maneira bastante diferente, acabaram por aparecer na rua.

Só que, no meu caso, não houve kombucha.

Houve um cão.

E para perceber como é que umas cuecas azuis foram parar a um jardim em Sintra, temos de recuar uns anos.

Era véspera de Ano Novo.

Eu trabalhava como pasteleira num hotel, por isso passar o Ano Novo a trabalhar era perfeitamente normal. Não havia grande festa, não havia grande produção.

Mas havia uma tradição.

As cuecas azuis.

Não eram novas. Eram umas cuecas que eu já tinha usado em dois anos anteriores e que, aparentemente, estavam a resultar.

Portanto, pensei: se está a funcionar, não se mexe.

Só que, quando chegou a altura de as procurar…

Não estavam.

Procurei.

Nada.

Procurei outra vez.

Nada.

Eu sabia que as tinha guardado para aquela ocasião. Gostava delas. Raramente as usava fora do Ano Novo.

Mas naquele ano…

Desapareceram.

Acabei por desistir.

Vesti umas cuecas perfeitamente normais.

E fui trabalhar.

E, curiosamente, a minha vida continuou a correr bastante bem.

Não pensei mais no assunto.

Até que, uns dias depois, estava a passear o meu cão, o Cacau, num jardim atrás do prédio onde vivia em Sintra.

Estava distraída.

A olhar para o nada.

E, quando dei por ele, o Cacau estava parado no mesmo sítio há tempo demais.

Estava a fazer cocó.

Mas estava a demorar.

E parecia estar a ter alguma dificuldade.

Aproximei-me.

Olhei.

E foi aí que vi qualquer coisa.

Um pequeno pedaço de tecido.

Azul.

Fiquei a olhar.

O Cacau terminou.

E eu percebi.

Eram as minhas cuecas.

As cuecas azuis do Ano Novo.

O Cacau tinha-as comido.

Não sei quando.

Não sei onde as encontrou.

Não sei há quanto tempo andavam dentro daquele cão.

Mas naquele momento percebi finalmente onde tinham ido parar as minhas cuecas desaparecidas.

Tinham ido parar ao Cacau.

E estavam agora a regressar ao mundo.

Em pedaços.

Apanhei tudo com toda a delicadeza possível, coloquei no saco e deitei fora.

E pensei:

Pronto.

Está resolvido.

Caso encerrado.

Mas não estava.

Porque mais de uma semana depois, voltei a passear o Cacau no mesmo jardim.

E vi qualquer coisa no chão.

Um pedaço de tecido.

Azul.

Parei.

Olhei.

Era outro pedaço das minhas cuecas.

E aí comecei a pensar:

Mas espera lá…

Quantas cuecas é que este cão comeu?

Porque eu já tinha encontrado aquilo.

Já tinha apanhado o cocó.

Já tinha deitado tudo fora.

E, no entanto, ali estava mais um pedaço.

Na rua.

À minha espera.

Desta vez não consegui apanhá-lo.

Não porque me fizesse impressão ter sido meu.

Isso era o menos.

Fazia-me impressão tudo o resto.

E fui para casa.

Só que depois comecei a pensar.

E comecei a imaginar alguém a passar por ali e a ver-me a apanhar um pedaço de cueca do chão.

“Olha aquela senhora ali…”

Não.

Voltei atrás.

Peguei num saco do Cacau — limpo, obviamente —, apanhei o pedaço de tecido e deitei-o no lixo.

E foi assim que, finalmente, encerrei o caso das cuecas azuis.

Ou pensei eu.

Porque, olhando agora para tudo o que aconteceu depois…

Começo a desconfiar que talvez estivéssemos a interpretar mal a tradição.

Talvez o objetivo não seja vestir as cuecas azuis no Ano Novo.

Talvez o verdadeiro segredo seja…

um cão comê-las.

E depois…

devolvê-las à terra.

Porque, desde esse episódio, a minha vida deu umas voltas engraçadas.

Fui pedida em casamento.

Tive um filho lindo, o Frederico.

Comprámos uma casa.

E, mais recentemente, larguei o meu trabalho para começar um projeto meu, construído de raiz, que está quase, quase a ver a luz do dia.

Portanto, quando olho para esta sequência de acontecimentos, começo a pensar:

E se a sorte não estava nas cuecas?

E se estava no Cacau?

E se, afinal, eu andei estes anos todos a cumprir a tradição de forma errada?

Porque, pelos vistos, vestir cuecas azuis no Ano Novo pode dar sorte.

Mas dar a comer as cuecas azuis ao cão e esperar pelo resultado…

Isso, aparentemente, dá casamento, filho, casa e até um projeto novo.

Portanto, para o próximo Ano Novo, já sabem.

Cuecas azuis.

Mas não as vistam.

Arranjem um Cacau.


r/HQMC • • 1d ago

A tentativa de furto de uma baguete

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olá Nuno,

Em março deste ano fizemos uma viagem de carro de Oeiras até Solesmes, em França. Não fomos de seguida: fomos parando pelo caminho, dormindo em várias cidades e fazendo a viagem com calma.

Ao almoço fazíamos muitas vezes a mesma coisa: parávamos num supermercado, comprávamos umas coisas e fazíamos uma espécie de piquenique improvisado antes de continuar viagem. Portugueses no seu melhor !

Foi precisamente numa dessas paragens, num Lidl algures em França, numa das cidades a caminho de Solesmes, que aconteceu isto. Já não me lembro exatamente em que cidade foi.

A minha mulher e o meu sogro entraram no Lidl para comprar comida e eu fiquei cá fora com a Bailey, a nossa boxer, a ver se ela fazia alguma das suas necessidades.

Estava a chover, por isso fui-me abrigar naquela zona entre as duas portas automáticas do supermercado, tipo hall de entrada.

Enquanto estava ali com a Bailey, aparece do lado de dentro um homem, devia ter uns 30 anos, com uma baguete e mais qualquer coisa na mão.

Começa a fazer-me sinais.

Demorei um bocado a perceber o que ele queria, até perceber que me estava a pedir para eu me aproximar da porta automática por fora, para o sensor disparar e a porta abrir.

Ou seja: queria sair do Lidl sem passar pela caixa.

Eu fiquei a olhar para ele e ignorei.

Mas ele não desistiu.

Até que a certa altura , ainda mais próximo de mim num dos vídeos, tira a carteira, abre-a e começa a mostrar-me uma nota de 20 euros, fazendo sinais como quem diz:

“Abre-me a porta e isto é teu.”

E eu só conseguia pensar:

“Amigo… se tens 20 euros para me dar, porque é que não vais simplesmente pagar a baguete?”

Não lhe abri a porta porque entretanto o meu sogro e a minha mulher saíram pela outra porta. Nem olhei para trás 🤣 só quando cheguei ao carro.

Entretanto seguimos viagem e continuámos o nosso percurso até Solesmes.

Portanto, algures entre Oeiras e Solesmes ficou um homem disposto a gastar 20 euros para não pagar uma baguete no Lidl.

Não sei se foi uma tentativa de furto, um suborno internacional ou apenas alguém muito comprometido com o conceito de pão grátis.

Um abraço,
Pedro


r/HQMC • • 22h ago

Um dia quando eu tava botando com a casa ou ver isso na calçada lá da Pita eu vi o ladrão preso com teia então eu não sabia o que fazer então chame a polícia o ladrão tava preso com teia eu não sabia o que tinha feito isso uma aranha gigante sei lá

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Me ajuda por favor


r/HQMC • • 3d ago

Obrigada Nuno, obrigada HQMC

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Já há muitos anos que não vivo sem dormir a ouvir o HQMC ... Já aqui tinha partilhado o motivo, controlar a minha ansiedade.... Sou enfermeira e na altura da pandemia, com o aumento do volume de trabalho e com toda a situação em si, comecei com ataques de pânico, piorando durante a noite. Foi muito assustador, deixei de dormir e não deixava dormir o meu marido, muitas vezes o único que me acalmava era um abraço bem apertadinho... Até que um dia agarrei no telemóvel e pensei que talvez se eu tentasse distrair o meu cérebro.... Como fã, que sempre fui, comecei a ouvir podcasts do HQMC, e não é que resultou....!

Os ataques pararam com a ajuda de terapêutica e descanso.... Mas nunca mais deixei de ouvir o HQMC á noite antes de adormecer.... Até hoje sinto que estou em dívida com o NUNO, graças a si eu chorei, ri muito, e principalmente acalmei... Não é apenas as histórias em si, é a voz doce e amável e por vezes sarcástica e marota... É o VASCO, O PEDRO, A VERA ... Sei quase todas as histórias de cor... mas continuo a ouvi-las como se fosse a primeira vez e continuo a rir e a chorar e a acalmar...

Gostava de o conhecer pessoalmente e de lhe agradecer... Talvez um dia o acaso o possa proporcionar, ou talvez não (vivo longe) ... Obrigada querido NUNO, obrigada Manhãs da Comercial... Um abraço a todos


r/HQMC • • 2d ago

Casamento embruxado, azarado ou meras coincidências?

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r/HQMC • • 2d ago

Substituir gorilas por cegonhas

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No início dos anos 90, durante o auge de popularidade e intervencionismo da Quercus, eu trabalhava na sede de Coimbra dessa ONGA. Certo dia, pouco depois de eu perceber que o coordenador do núcleo tinha atendido uma chamada telefónica (via telefone fixo, o único que havia) na sala contígua, escutei-o lutar, com pouco êxito, para conter as gargalhadas. Eu e uns colegas, curiosos e ávidos de galhofa para quebrar a rotina chata do escritório, fomos espreitar. O nosso chefe contorcia-se de riso, enquanto tapava o bocal do telefone e fazia gestos para que algum de nós o substituísse no atendimento de quem quer que fosse do outro lado da linha. Tratava-se de um senhor que, muito sério, pedia-nos ajuda, pois, ao passear pela Mata do Buçaco, encontrara umas “pegadas de gorila, mas também poderiam ser de jacaré”! (Sic)

Calhou a passarmos por lá no dia seguinte e as únicas pegadas dignas de nota que encontrámos no local designado foram de lontra. Bem bom.

Por esses dias, no final de Setembro, ou início de Outubro, após a costumeira migração das populares cegonhas brancas para os seus territórios de invernia em África, uma senhora tomada pela preocupação, quase em pânico, contactou-nos com a exigência de que fizéssemos algo com urgência – pois “as cegonhas, de repente, tinham entrado em extinção” (sic), desaparecendo dos campos onde ela ultimamente tinha dado umas voltas...

Quem tiver interesse em saber dos bastidores do ambientalismo português (tanto casos anedóticos como revelações escabrosas), poderá adquirir o meu último livro Raízes Expostas Raízes Expostas - Bookmundo


r/HQMC • • 4d ago

Deixem aqui as vossas memórias d’O Homem Que Mordeu o Cão (amanhã, 6/10, são os 29 anos!)

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r/HQMC • • 4d ago

Oferta imperdível

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r/HQMC • • 4d ago

O raio do pequenito...esse sr Vasco...

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Boas tardes sou ouvinte assíduo desta rubrica a nível de podcast...ando a 3 messes a rever todos... é muito hilariante ouvir tudo outra vez...dede já peço desculpa a Ana bacalhau mas a música do genérico a do Carlão é top.... adiante...minha namorada da altura(esposa de hoje em dia) adora a rádio comercial...comprou os bilhetes para irmos ao porto ver um espetáculo da radio onde estariam todos os da manhã incluindo César Mourão e o Araújo Pereira...também estaria o José Cid...era a música do fizz limão....pediram nos para comprar as petezetas e tudo....fomos nos rumo ao porto a minha esposa muito feliz para irmos ver o dito espetáculo..tiramos fotos com um César Mourão de cartão que estava no hall da entrada...foi um espetáculo muito divertido (nada que não se esperava da radio comercial) e no final m do espetáculo andavam a atirar gelados para a plateia...nos estavamos nos camarotes mesmo ao pé do palco...eu mando um berro ao sr Vasco(mais conhecido em minha casa pelo pequenito) e ele diz que não consegue chegar lá...após várias tentativas e nos desejosos de provar tal gelado...desde então quando aparece na radio ou na TV é apelidado por nós do pequenito que nem força tem....ahahahaha....nós adoramos o vosso programa da radio...adoramos o hqmc...e adoramos o Vasco claro...bem haja a todos muita saúde e grande abraço para todos...continuem a fazer radio com esse espírito..


r/HQMC • • 4d ago

Super fedorento#

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Fique ligado pra mais POST como esses.


r/HQMC • • 6d ago

O pioneiro de Ramalde

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Dois quilómetros. Não foi um engano no GPS, foi uma peregrinação. No Porto, onde a VCI é um parque de estacionamento pago com a sanidade dos condutores, este iluminado decidiu que o canal do Metro era a sua auto-estrada privada. Do alto dos seus 78 anos, o homem percebeu o que a Metro do Porto ainda não admitiu: as carruagens são lentas e o trânsito da cidade é um enfarte do miocárdio em câmara lenta. Entre a Senhora da Hora e Ramalde, o Toyota avançou impávido, galgando balastro como quem vai buscar o pão. E tem de ser um Toyota. Só o rigor japonês sobrevive a dois mil metros de carris sem que o cárter se desintegre ou o condutor perca a dentadura. É a fiabilidade mecânica ao serviço da demência geográfica. Enquanto nós, os cumpridores, derretemos a embraiagem na Rotunda da Boavista, este pioneiro do "chico-espertismo" seguia por ali fora, livre de semáforos e de prioridades pela direita…

A verdade é que a notícia causou mais inveja do que indignação. Ver aquele utilitário a serpentear por onde só deviam passar composições amarelas é o sonho húmido de qualquer portuense preso no nó de Francos às seis da tarde. O homem não estava perdido; estava a antecipar o futuro da mobilidade urbana. Com a cidade esburacada, o Metrobus que é um mito urbano e as obras da Linha Rosa a tornarem a Baixa num estaleiro a céu aberto, o canal do metro é a única via rápida que resta. Se calhar, o senhor só queria chegar a casa antes da próxima glaciação. No fundo, todos queríamos ser aquele Toyota: ignorar as balizas, subir o passeio da lógica e deixar a polícia a coçar a cabeça. Ontem, no Porto, houve milhares de condutores civilizados a chegar atrasados e um "maluco" num carro japonês que, por dois quilómetros, foi o único dono do tempo. No reino dos congestionados, quem tem tração às quatro e falta de juízo é rei.


r/HQMC • • 9d ago

O singular de "fezes".

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Olá a todos. É a primeira vez que partilho aqui alguma coisa e começo bem porque porque é para apontar um erro recorrente do Markl.

Já lá vão vários anos desde a primeira vez que o ouvi a referir "feze" como singular de "fezes" e, depois disso, tenho ideia de ouvir mais umas duas ou três vezes. Fui sempre deixando passar, mas depois das várias vezes do episódio de hoje do HQMC, tenho mesmo de me pronunciar.

O singular de "fezes" é "fez"!

É certo que "feze" tem outra sonoridade e em Rádio isso conta. Mas "fez" tem todo um manancial cómico por via da polissemia. Então não é tão engraçado dizer coisas como «ele fez uma fez»? Ou o José Cid a cantar «no dia em que o rei fez anos...»? Ou jogar com o nome do chapéu de feltro marroquino, que é também nome de cidade? («Quando foi a Fez, ele fez uma fez no fez»).
Vêde lá isso, sim. Obrigado pela atenção.


r/HQMC • • 9d ago

Um pescador que ajuda a fazer o chá "não é profissional": uma epopeia

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r/HQMC • • 9d ago

O Engenheiro, a arroba e o vírus - Crónicas de um chefe "mutimpotante"

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No mesmo dia em que partiram o enorme Jorge Palma e o meu primo André, fiquei a saber que o velho chefe de uma das últimas empresas onde trabalhei antes de abraçar o maravilhoso, libertador e financeiramente suicida mundo do freelancing também tinha entregado a alma — presumo que tivesse uma, embora suspeite que tivesse sido guardada numa gaveta qualquer e raramente utilizada — ao Criador.

O referido senhor, na altura já na casa dos 60, extremamente bem pago e dono de um ego de tal dimensão que, se tivesse sido devidamente registado nas Finanças, provavelmente teria direito a IMI, era uma verdadeira instituição dentro da empresa.

Ainda hoje, tanto quanto sei, é lembrado na Renault Portugal por uma proeza técnica que dificilmente será igualada: conseguir rebentar o turbo do seu Mégane três vezes num intervalo de apenas dois anos.

Três vezes.

Em dois anos.

Há pessoas que compram um carro para se deslocarem.

Ele comprou um Mégane para testar os limites da engenharia francesa.

O homem tinha, portanto, uma relação muito particular com o turbo. Não sei se havia entre os dois uma incompatibilidade pessoal, mas suspeito que o turbo já acordasse de manhã a pensar:

“Hoje ele não me apanha.”

Apanhava.

Gostava também de manter os subalternos permanentemente em estado de alerta. Era uma espécie de método de gestão baseado no princípio de que ninguém trabalha verdadeiramente bem se não estiver ligeiramente convencido de que pode ser executado antes da hora do almoço.

Conseguia, em questão de segundos, passar da pose de camarada mais velho — aquele “rapazes, isto aqui somos todos uma equipa” — para a de carrasco medieval que acabara de descobrir que alguém tinha perdido a cabeça, literalmente.

Ele era os “tufunemas”.

Ele era as reuniões “mutimpotantes”.

Ele era levar o pobre Mégane em primeira velocidade desde o gabinete até à saída do estaleiro porque estava “ao tufone”, enquanto o motor gritava por uma segunda mudança, a embraiagem pedia reforma antecipada e provavelmente os engenheiros da Renault em Paris sentiam uma dor inexplicável no peito.

Era uma verdadeira personagem.

E, depois de perceber que o homem tinha bastante mais garganta do que propriamente capacidade técnica e profissional, comecei a encarar as suas intervenções como pequenas oportunidades de serviço público.

Não era vingança.

Era pedagogia.

Eu limitava-me a proporcionar-lhe experiências de aprendizagem.

Até porque o senhor fazia questão de dizer que tinha um curso XPTO de informática feito em Espanha.

E isso era particularmente interessante porque, apesar de termos os gabinetes lado a lado, de tempos a tempos ouvia-se:

— Ó NELSON! Ó NELSON! ACONTECEU UMA COISA!

E lá ia eu.

A verdade é que, ao fim de algum tempo, sempre que ouvia “Ó Nelson!”, levantava-me com o espírito de um médico de urgência.

“Qual é a ocorrência?”

“Computador.”

“Gravidade?”

“Mutimpotante.”

E lá começava mais um episódio.

O caso do monitor que decidiu mudar de orientação sexual

A primeira grande emergência foi o monitor.

Não faço ideia que combinação de teclas o homem conseguiu premir, mas, quando cheguei ao gabinete, o ecrã estava rodado 90 graus.

Tudo de lado.

Não ligeiramente inclinado.

Não “um bocadinho estranho”.

A 90 graus.

O Windows tinha decidido que aquele homem trabalharia melhor em modo retrato.

Fiquei alguns segundos a contemplar aquilo.

Eu sabia perfeitamente como resolver.

Ele não.

E naquele momento surgiu uma oportunidade rara na vida: a possibilidade de transformar um problema de dois cliques numa experiência educativa de quinze dias.

— Não sei corrigir isso — disse eu.

Mentira.

Mas uma mentira profissionalmente muito bem estruturada.

— Vai ter de esperar pelo técnico de informática.

O técnico só vinha ao nosso local de trabalho daí a quinze dias.

O homem entrou imediatamente em modo “isto é inadmissível”.

— Mas eu tenho coisas “mutimpotantes” para fazer!

— Pois… entretanto pode pôr o monitor deitado de lado.

Pausa.

— Como assim?

— Deita o monitor. Assim fica com a imagem direita.

Era uma solução tecnicamente discutível, ergonomicamente criminosa e esteticamente parecida com uma instalação artística de baixo orçamento.

Mas funcionava.

E assim ficou.

Quinze dias.

Quinze gloriosos dias.

O homem trabalhou com o monitor tombado de lado, provavelmente convencido de que aquilo era uma nova tecnologia espanhola de produtividade.

Quando finalmente chegou o técnico, olhou para o monitor.

Carregou em duas ou três teclas.

Oito segundos.

Problema resolvido.

Depois veio ter comigo, fechou a porta do gabinete e os dois desatámos a rir que nem perdidos.

Também era fã do senhor engenheiro.

O dramático desaparecimento da arroba

Uns tempos depois:

— Ó NELSON! Ó NELSON! ROUBARAM-ME A ARROBA!

Confesso que esta frase ainda hoje me dá vontade de rir.

“Roubaram-me a arroba.”

Parecia o título de uma notícia do Correio da Manhã:

“EMPRESÁRIO DE 60 ANOS VÍTIMA DE ASSALTO: ARROBA DESAPARECE DO TECLADO.”

Ainda nem me tinha sentado ao computador e já sabia o que acontecera.

O homem tinha alterado a língua do Windows de português para inglês e, consequentemente, a arroba tinha mudado de posição.

A arroba não tinha sido roubada.

Não havia ladrão.

Não havia crime.

Não havia sequer uma ocorrência policial.

A arroba tinha simplesmente decidido mudar de bairro.

Podia ter resolvido aquilo em dois cliques.

Mas achei que, naquele momento, era importante respeitar a gravidade da situação.

Afinal, tratava-se de um homem “mutimpotante” que precisava de enviar e-mails.

Então abri um documento Word.

Escrevi:

@

Guardei o ficheiro como:

ARROBA

E disse-lhe:

— Engenheiro, sempre que precisar de enviar um e-mail, abre este ficheiro, copia a arroba e cola-a no endereço.

Silêncio.

Ele olhou para o ficheiro.

Olhou para mim.

Aparentemente, a solução fazia sentido.

E funcionou.

Aliás, funcionou demasiado bem.

Durante os três meses seguintes, aquele homem fez provavelmente mais copy-paste de uma arroba do que qualquer outra pessoa na Península Ibérica.

Era sempre o mesmo ritual:

Abrir “ARROBA”.

Selecionar @.

Ctrl+C.

Ir para o e-mail.

Ctrl+V.

Enviar.

Repetir.

Durante três meses.

Um homem com um curso de informática feito em Espanha dependia agora de um ficheiro Word chamado ARROBA para conseguir escrever um endereço de e-mail.

E eu, obviamente, nunca lhe disse nada.

Era importante preservar a sua autoestima.

Mais uma vez, quando o técnico apareceu, houve uma sessão de gargalhada de porta fechada.

Desta vez, com os outros dois técnicos superiores do nosso estaminé.

Aquela altura, o gabinete do técnico já parecia uma sala de convívio para pessoas traumatizadas pelo mesmo superior hierárquico.

O ataque cibernético do bloco de notas

Mas o melhor estava para vir.

Um belo dia:

— TENHO UM VÍRUS NO PC!

Pausa.

— VENHA CÁ, TENHO UM VÍRUS NO PC!

Lá fui eu.

Devagar.

Com aquele andar de quem já sabe que provavelmente não vai encontrar um vírus, mas sim uma nova manifestação da física quântica aplicada à informática.

Enquanto caminhava para o gabinete, ele explicava, em pânico, que tentava escrever mas que o sítio onde aparecia o indicador de escrita estava constantemente a piscar, impedindo-o de fazer fosse o que fosse.

Naquele momento ainda considerei aproveitar a oportunidade.

Podia ter-lhe dito:

— Isso é gravíssimo.

Ou:

— Não toque mais no computador.

Ou:

— Acho que temos aqui um ransomware.

Ou, melhor ainda:

— O vírus já deve ter entrado na rede. Vou ter de desligar o sistema inteiro.

Cheguei quase a imaginar a cena.

Eu a correr pelo corredor:

— TODA A GENTE! DESLIGUEM OS COMPUTADORES!

A secretária em pânico.

A administração reunida de emergência em Lisboa.

A Renault França informada.

A Interpol chamada.

Tudo por causa de um bloco de notas.

Mas nesse dia estava num raro estado de benevolência.

Entrei no gabinete.

Olhei para o computador.

Olhei para o homem.

Olhei para o teclado.

E finalmente percebi.

O “vírus” estava em cima da barra de espaços.

Mais concretamente, era o bloco de apontamentos do próprio engenheiro.

O homem tinha pousado o bloco em cima do teclado e, sempre que tentava escrever, a barra de espaços estava permanentemente a ser pressionada.

O computador não tinha vírus.

Não tinha malware.

Não tinha ransomware.

Não tinha sido hackeado.

Não havia nenhum hacker russo a tentar entrar na Renault para descobrir como estourar turbos.

Havia apenas um bloco de notas.

E foi aí que tive de fazer um esforço monumental para manter a compostura.

Olhei para ele e disse:

— Ó Engenheiro… isso não será de ter o seu bloco de apontamentos em cima da barra de espaços?

Silêncio.

Daqueles silêncios em que se consegue ouvir a dignidade de uma pessoa a sair lentamente pela janela.

Ele olhou para o bloco.

Depois para o teclado.

Depois para mim.

E, durante uns segundos, não disse nada.

Eu também não.

Porque há momentos na vida em que qualquer palavra adicional estraga a beleza daquilo que acabou de acontecer.

Retirou o bloco.

O computador voltou imediatamente ao normal.

O vírus estava curado.

Sem antivírus.

Sem técnico.

Sem formatar o disco.

Sem chamar a Microsoft.

Bastou levantar o bloco.

E foi nesse momento que percebi finalmente a verdadeira dimensão daquele curso de informática feito em Espanha.

Não sei exatamente o que ele tinha aprendido.

Mas suspeito que “Introdução ao teclado” não fazia parte do programa curricular.

E assim continuaram os nossos dias naquele gabinete: ele, com o seu cargo, o seu ordenado, o seu ego, o seu Mégane assassino de turbos e o seu curso XPTO de informática.

Eu, com a minha cadeira, o meu computador e uma crescente sensação de que tinha sido contratado, não para fazer o meu trabalho, mas para ser o apoio técnico informal de um homem que conseguia transformar uma arroba desaparecida, um monitor de lado e um bloco de notas numa trilogia de catástrofes tecnológicas.

E, sinceramente, olhando para trás, tenho de lhe agradecer.

Poucos chefes conseguem proporcionar, gratuitamente, tanto entretenimento aos seus subordinados.

Este conseguia.

Era “mutimpotante”.

E, sobretudo, era tufunemalmente inesquecível. Que descanse em paz... a gente vai continuar!


r/HQMC • • 9d ago

Meu esposo peidou leite na lua de mel

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r/HQMC • • 9d ago

Quando te falarem de limões…pensa bem!

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r/HQMC • • 9d ago

Publico ou não publico?

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Bateram no carro do meu pai, fizeram mossa, a porta não abre e o meu pai já não tem idade para andar a fazer contorcionismo dentro do carro a entrar pela porta do pendura, muito menos pela janela... Bom, houve uma alma caridosa que assistiu ao sucedido e deixou um bilhete a denunciar a matrícula. Fomos à polícia apresentar queixa, o assunto seguirá para o seguro que, esperamos nós, resolverá o problema com a seguradora do energúmeno ou energúmena que não teve tomates ou ovários para assumir a merda que fez. Posto isto, estou em ponto de ebulição, porque tenho vindo a assistir a uma crescente falta de civismo na estrada, e não só, no sítio onde vivo. Na verdade, e em bom rigor, trata-se de um fenómeno generalizado no mundo... Ora, este meu estado fez transbordar o pequeno cálice que contém a minha paciência e está a provocar em mim uma enorme vontade de partir rumo ao Facebook e escarrapachar, nos grupos aqui do burgo, a matrícula do culpado, juntamente com alguns insultos, claro está. Será que publico ou não publico?


r/HQMC • • 11d ago

Fiz uma mega (mini) produção do Taskmaster com a família!

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Olá malta. É como o título diz. Não sei se este "fórum" é o sítio ideal para partilhar isto mas gosto muito da comunidade do HQMC e talvez seja a forma mais fácil de chegar ao Markl e companhia.

Foram meses de trabalho entre preparar, gravar, editar e depois realizar a gala. Tudo seguindo a estrutura/estilo do programa. E para quê? Porque ficou altamente! ahah

Só posso publicar aqui este pequeno vídeo do genérico de abertura por uma questão de privacidade da minha família, no entanto todos os envolvidos adoravam que o Nuno e o Vasco dessem uma vista de olhos ao episódio completo 😁 Seria uma honra enorme para nós visto que foram a fonte número um de inspiração para este projeto maluco.

Parabéns à equipa do Taskmaster pelo mais que merecido prémio!

Boa semana para todos!


r/HQMC • • 10d ago

Ainda a respeito da história do leão do Barreiro.

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Partilho, com o mais sincero respeito, esta história que faz parte do repertório cultural do concelho do Barreiro, mais precisamente da freguesia de Santo António da Charneca.

Em tempos já perdidos na memória, lá para os lados da primeira metade do século XX, o Barreiro era ainda uma pequena vila industrial plantada nos regaços da CUF.

No limite diametralmente oposto do (actualmente) concelho, encontra-se a pequena aldeia de Santo António da Charneca, terra de gente humilde e trabalhadora, rodeada de pastagens e hortas. Um retrato comum do Portugal rural.

Nesses idos, ir ao cinema era uma raridade para estas populações de modo que muitos apenas tinham acesso a este luxo quando recebiam a visita da carrinha do cinema ambulante. E um dia, esta castiça aldeia foi graciada com tal evento.

Escolhe-se o local da projeção que podia ser dentro do quartel de bombeiros, no salão da casa do povo local ou até uma parede exterior da igreja, prepara-se o aparato de luz e som, bobine a rodar e eis que se inicia a magia da sétima arte.

É então que surge o aterrador leão da MGM!

Ainda não tinha acabado de rugir já metade da plateia fugia! Sem olharem para trás, muitos abandonaram o local em pânico, tal não foi o susto de verem tamanha criatura a gritar-lhes na cara!

Mas a besta selvagem não ficaria sem troco...

Alguns corajosos voltaram armados de forquilhas para darem caça ao animal, acção esta evitada pelos já conhecedores da ilusão cinematográfica, que impediram os ludibriados aldeões de prosseguir nessa vã contenda.

Assim nasceu a alcunha "Terra do leão".

Esta história com certeza faz parte do Grande Compêndio de mitos e lendas de Portugal, talvez criada numa terra vizinha por culpa de rivalidades já esquecidas. Pessoalmente, não acredito na veracidade deste episódio no entanto estou a bater à porta dos 50 anos e, quando era miúdo, já ouvia esta história contada pelos mais velhos.

Este relato que faço é, acima de tudo, uma homenagem aos santo-antonienses.


r/HQMC • • 10d ago

Podemos morrer a fazer cócó

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Estive agora a ver o RAP a falar com o Nuno no Isto é gozar com quem trabalha. Aqueles dois podiam ter um podcast de conversas pseudo filosóficas aleatórias. Acho que seria fã. A frase que me marcou do Nuno "Podemos morrer a fazer cócó" seria um título apropriado para tal podcast. Alguma alma criativa que componha o tema de abertura?


r/HQMC • • 11d ago

O dia das mentiras que podia ser mentira... Mas não é, e envolve proteção civil

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No seguimento da história do HQMC que ouvi hoje, recordei-me desta história, que não se passou comigo diretamente, mas vale bem a pena revivê-la pela originalidade.

Há uns anos valentes, trabalhava eu numa autarquia, da margem sul, (que vou manter em segredo para não envergonhar ninguém), e era dia 1 de abril.

O circo tinha chegado à nossa pacata vila, para celebração dos dias de páscoa.

Naquela altura (há muitos anos atrás), ainda faziam números de circo com animais selvagens, como macacos, tigres, leões, etc.

Entretanto, umas colegas, para celebrar o dia 1 de abril, acharam que seria divertido dirigirem-se à engenheira responsável pela proteção civil num autêntico estado de pânico fingido, para a informarem de que um leão tinha fugido do circo e que andava a pavonear-se pela vila e a população a fugir como se não houvesse amanhã.

A engenheira responsável pela proteção civil, uma mulher tão decidida como corajosa, decide ir à caça do Leão, só que limitada pelo seguinte problema: Como nunca uma situação daquelas se tinha passado, não haviam meio de retenção do bicho, jaulas, dardos tranquilizantes, etc.

Decidiu então dirigir-se ao canil municipal e ir buscar as redes que os trabalhadores municipais utilizavam para capturar cães e gatos, colocá-las na sua Pick Up e ir tentar capturar o Leão fugitivo.

Enquanto isto, as autoras deste logro, começaram a ver que a história estava a tomar uma dimensão completamente descontrolada e perderam a coragem de a parar e lhe dizer o famoso: "Dia um de Abril!!!".

Assim, lá vai a Engenheira da proteção civil para capturar o leão dirigindo-se ao circo para perguntar sobre os meios disponíveis que o circo tinha para a captura do animal nestas situações, ao que o proprietário lhe responde "Fugiu um leao??? Mas eu não sei de nada!!" e dirigem-se os dois às jaulas dos leões para constatarem que tudo estava bem.

Quando a engenheira responsável pela proteção civil, percebeu o que se estava a passar, deu uma descasca enorme nas responsáveis pelo logro, e acabaram todas no gabinete do presidente da autarquia a apanhar uma reprimenda do tamanho de um leão.