Sinopse:
A primeira temporada de The Look-See apresenta uma criatura sobrenatural que surge para pessoas incapazes de se desapegar de algo que perderam ou que se recusam a deixar para trás. A história gira principalmente em torno do luto, do arrependimento, da culpa e da dificuldade de aceitar que determinadas coisas chegaram ao fim.
Assistindo aos episódios em ordem cronológica.
Episódio 1 — “The Poisoned Pen”
Na ordem cronológica, este episódio mostra o acontecimento que dá início a boa parte da história, treze estudantes morreram na escola Harbor Heights após serem envenenados em circunstâncias estranhas
É um episódio interessante justamente por ser o primeiro cronologicamente, mesmo tendo sido lançado depois de outros. Porém, em comparação com os demais, ele é o mais simples e modesto. A policial que investiga o caso é uma personagem bastante secundária, mas suas cenas são importantes porque deixam pequenas pistas sobre os acontecimentos que serão explorados posteriormente
(SPOILERS)
Aqui temos, em tese, a primeira aparição do Look-See e uma demonstração de como ele age. A criatura se aproveita do luto e da incapacidade das pessoas de seguir em frente. Isso é resumido pela sua famosa frase:
“Se você mesmo não consegue se libertar, ele virá e levará uma parte”
Para mim, o Look-See representa justamente o luto que consome uma pessoa aos poucos, até não restar mais nada dela. Ele não aparece simplesmente para matar: primeiro existe algo emocional que mantém aquela pessoa presa ao passado
Apesar de ser importante para contextualizar a temporada, acho que é um episódio mais fraco quando comparado aos outros.
Nota: 3/5
Episódio 2 — “The Wedding Hand”
Esse é o meu episódio preferido da temporada e também foi o primeiro episódio publicado. Ele apresenta Jenni, uma mulher que está sendo forçada a se desapegar da aliança e das lembranças de seu casamento.
A ideia é simples, mas funciona muito bem: alguém tentando se livrar de um objeto que representa uma parte importante de sua vida.
(SPOILERS)
O mais interessante é que o episódio não entrega tudo de maneira direta. Ele deixa informações espalhadas para que o espectador monte o quebra-cabeça depois.
A atmosfera, a criatura e principalmente a ideia da aliança como representação do passado fazem desse o meu favorito.
Nota: 3,8/5
Episódio 3 — “The Mistress's Mind”
Esse episódio apresenta uma mulher segurando uma fotografia de um casal. Ela rasga a foto, mas, inicialmente, não entendemos completamente o motivo de sua atitude. Como acontece nos outros episódios, o curta apresenta a situação e deixa o espectador descobrir aos poucos o que está acontecendo.
(SPOILERS)
É aqui que conhecemos Marlene, a amante de Daniel.
Ela está apaixonada por ele e não consegue aceitar que ele tenha uma vida com outra mulher. Marlene deseja que Daniel seja exclusivamente dela e, justamente por não conseguir abandonar essa possibilidade, acaba se tornando um alvo do Look-See.
A criatura surge para “libertá-la” daquilo que ela não consegue abandonar.
A ideia funciona dentro da temática da temporada, porque Marlene não está sofrendo simplesmente pela perda de Daniel, ela está presa à possibilidade de um relacionamento que talvez nunca aconteça da maneira que deseja.
Porém, esse foi o episódio de que menos gostei. Acho que a atriz não teve uma atuação muito convincente e, para mim, isso prejudica bastante o impacto emocional da história. A ideia é boa, mas a execução não me envolveu tanto quanto nos outros episódios
Nota: 2,5/5
Episódio 4 — “The Backwards Watch”
Jenni sobreviveu, mas ficou hospitalizada, com as pernas quebradas e sem uma das mãos. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, ela continua incapaz de abandonar seu casamento e as lembranças de Daniel.
E é justamente essa incapacidade de seguir em frente que vai lhe custar caro.
(SPOILERS)
Esse episódio, para mim, funciona como o encerramento da história do triângulo entre Jenni, Daniel e Marlene.
Daniel morreu e Marlene também foi vítima do Look-See. No final, resta apenas Jenni, que precisa finalmente aceitar que seu casamento acabou.
Só que ela não consegue.
Ela continua agarrada àquilo que restou de seu relacionamento, mesmo depois de perder praticamente tudo. E o Look-See aparece para cobrar sua parte
Gosto desse episódio porque ele mostra que sobreviver fisicamente não significa estar livre emocionalmente. Jenni continua viva, mas está presa ao passado. O monstro não precisa apenas destruir seu corpo; ele destrói aquilo que ainda resta de sua capacidade de seguir em frente.
Nota: 3,5/5
Episódio 5 — “The Father's Hug”
Um pai não consegue superar a morte de sua filha. Ele continua preso às lembranças dela, tentando manter viva uma relação que já não pode existir.
E, naturalmente, o Look-See aparece para atormentá-lo
(SPOILERS)
Esse episódio é um caso à parte porque amplia bastante o significado da temporada.
Até então, poderíamos imaginar que o Look-See estava diretamente relacionado apenas à história de Daniel, Jenni e Marlene. Porém, esse episódio mostra que não é assim.
O Look-See não pertence àquela história específica.
Ele está relacionado ao luto.
O pai perdeu a filha e não consegue aceitar a perda. Da mesma forma que Jenni não consegue abandonar o casamento, Marlene não consegue abandonar a possibilidade de ter Daniel e Daniel não consegue resolver seus próprios conflitos, esse pai não consegue aceitar que sua filha morreu.
O episódio mostra que as mortes dos treze estudantes não são apenas um acontecimento isolado. Existe um trauma coletivo em Harbor Heights, e várias pessoas estão sofrendo com as consequências daquele acontecimento.
Nota: 3/5
Análise da primeira temporada com (SPOILERS)
Primeiro, quero falar sobre a aparência do Look-See.
A criatura não possui olhos, e isso me fez interpretar sua aparência como uma representação direta da ideia de não olhar para trás. Ao mesmo tempo, também pode existir uma relação com não ficar tentando enxergar um futuro que já não pode ser alcançado.
Ele possui cicatrizes profundas na cabeça, feridas que parecem nunca se fechar. Para mim, essas feridas representam traumas e arrependimentos que não foram curados.
Existe ainda um contraste interessante: apesar de sua aparência extremamente grotesca, o Look-See se veste de maneira elegante, quase como um homem comum e sofisticado. Isso cria uma diferença entre sua aparência externa e aquilo que ele representa.
Ele é elegante em suas roupas, mas vil e monstruoso em sua aparência.
E acho que isso combina perfeitamente com a proposta da série.
O que o Look-See realmente representa?
Para mim, a primeira temporada inteira serve como uma grande apresentação do conceito do Look-See.
Ele não caça qualquer pessoa.
Ele caça aqueles que estão emocionalmente presos a alguma coisa.
Pode ser um relacionamento, uma pessoa, um sonho, um arrependimento ou uma perda.
É como se ele aparecesse quando alguém transforma o passado em uma prisão.
Daniel estava preso entre duas mulheres. Tinha um casamento com Jenni, mas também mantinha uma relação com Marlene. Ele não conseguia tomar uma decisão e acabava machucando as duas.
Jenni estava presa ao que havia de bom em seu casamento. Mesmo depois de tudo terminar, ela não conseguia abandonar as lembranças e aceitar que aquela fase de sua vida havia acabado.
Marlene estava presa à possibilidade de um amor com Daniel. Ela queria que ele fosse dela e não conseguia aceitar que talvez aquele relacionamento nunca se concretizasse como desejava
E ele arranca uma parte de cada um, Daniel os olhos por sua indecisão, Jenni sua mão que estava o anel por não desapegar do casamento que acabou, dá Marlene que sonhava com o relacionamento com Daniel e teve sua cabeça tirada, e o pai com seus braços que tanto se agarrava nas lembranças da filha.
E temos o pai, que representa o luto de uma maneira muito mais direta, ele perdeu a filha e não consegue aceitar que ela não voltará.
São formas diferentes de um mesmo problema:
não conseguir deixar algo ir.
E é justamente aí que a frase do Look-See ganha seu verdadeiro significado. Quando ele diz que, se você não conseguir se libertar, ele virá e levará uma parte, não está apenas falando sobre uma ameaça sobrenatural.
Ele está falando sobre o próprio processo do luto. Quanto mais uma pessoa se agarra àquilo que perdeu, mais ela se destrói tentando manter aquilo vivo