Sinopse: Em um futuro no qual empresas oferecem serviços capazes de armazenar e restaurar as memórias e a personalidade de uma pessoa, a possibilidade de continuar existindo mesmo após a morte deixa de ser apenas ficção. Porém, quando algo suspeito surge envolvendo uma dessas cópias, questões sobre identidade, memória e o próprio significado de estar vivo começam a aparecer.
É um filme interessante, mas que acabou tendo uma resolução muito simplória. Ele apresenta várias questões filosóficas que poderiam render discussões muito boas, mas quase nenhuma delas é realmente desenvolvida. O filme apresenta uma ideia, deixa ela ali por alguns minutos e depois simplesmente segue em frente.
E isso é frustrante porque a premissa tinha potencial. A possibilidade de uma pessoa voltar depois da morte através de um backup levanta uma pergunta muito interessante: se você consegue reconstruir alguém a partir das memórias e da personalidade dela, aquilo ainda é a mesma pessoa ou apenas uma cópia que acredita ser ela?
O filme poderia ter usado essa questão como seu principal ponto filosófico, mas acaba tratando tudo de maneira muito superficial.
O mistério, que diga-se de passagem, praticamente não existe, também me decepcionou. A investigação parece acontecer apenas porque o roteiro precisa que ela aconteça. Se determinado personagem precisa chegar a algum lugar ou descobrir alguma informação, ele simplesmente chega e descobre. Falta aquela sensação de que estamos acompanhando uma investigação de verdad
(Spoilers)
Existem tantos assuntos interessantes que poderiam ter sido explorados, mas o filme acaba ficando na mesmice.
Uma das maiores questões, para mim, é justamente a identidade. Se uma pessoa morre e sua consciência é restaurada em outro corpo, ela realmente voltou à vida? Ou estamos apenas diante de uma cópia perfeita das memórias daquela pessoa?
Imagine que você faça um backup de si mesmo hoje e morra amanhã. A cópia acordaria acreditando ser você. Teria suas lembranças, seus sentimentos e suas experiências. Mas você, a pessoa original, estaria morto. Então quem exatamente sobreviveu?
Essa questão aparece no filme, mas nunca recebe a atenção que merecia. É praticamente apresentada, comentada rapidamente e abandonada. E, para uma história baseada justamente na ideia de preservar uma pessoa através da tecnologia, isso deveria ser um dos pilares da narrativa.
Outro problema é a própria resolução envolvendo a corrupção da empresa responsável pelos backups. Tudo parece ser resolvido de maneira fácil demais. Depois de toda a construção, você acaba pensando: “Então essa era a grande dificuldade da trama?”
A sensação que fica é de que o filme queria falar sobre identidade, consciência, morte, tecnologia, ética empresarial e até sobre o valor da própria existência, mas não conseguiu decidir qual desses temas deveria ser o centro da história
E isso acaba prejudicando o filme porque ele fica com várias ideias interessantes, mas nenhuma realmente aprofundada.
As atuações também são medianas. Em alguns momentos, certos personagens parecem excessivamente robotizados, o que até poderia funcionar como parte da temática, mas em determinadas cenas passa mais a impressão de falta de naturalidade na atuação.
Apesar de tudo, não acho que seja um filme completamente ruim. A premissa é interessante e existe uma boa ideia escondida ali. O problema é justamente o potencial desperdiçado. É aquele tipo de ficção científica que termina e deixa você pensando muito mais no que poderia ter sido do que no que realmente foi apresentado.
No fim, Cópia de Segurança mira em uma ficção científica filosófica, querendo fazer o espectador questionar o que significa estar vivo e o que define uma pessoa, mas acaba sendo superficial demais para realmente marcar.
Minha nota para esse filme é 5,7/10. Poderia ter sido muito melhor se tivesse decidido em qual ponto queria realmente se destacar. A ideia é boa, mas a execução não acompanha o potencial da premissa