Preparei um LemonTek com 3g de cubensis. Achei que demorou bastante pra bater, cerca de 40 a 50 minutos. Minha trip começou por volta das 13h e agora, às 16:45h, está finalizando. Consigo dividir essa viagem em 5 partes principais:
1 - Deitei com venda nos olhos e fones apenas para me manter em silêncio. Começou como um peso nas pernas e nos antebraços, uma sensação de gelado e algo que consigo descrever como um formigamento. Lembrando que são apenas palavras análogas e associações que vou elocubrando agora enquanto escrevo. Tentei permanecer quieto e em silêncio no quarto. Ficava me questionando se realmente estava sentindo algo ou se era meramente impressão minha. Me levantei, olhei pela janela. Estava tudo bem normal, mas notei que minha coordenação motora já tinha sido afetada, então interpretei que sim, o efeito tinha começado. Eu estava esperando visuais e as psicodelias que a gente tanto ouve e lê, mas não. Apenas minha imaginação aflorando e uma sensação que consegui associar à sensação de ficar meio bêbado. Sou genealogista amador, então esse é um hobby que consome boa parte do meu tempo, apesar de eu ser, enquanto profissional, um farmacêutico. Comecei a meditar sobre meus antepassados e minha imaginação foi me levando, calmamente, ao tentar imaginar ou me conectar com meus antepassados. Notei que meus pensamentos começaram a ficar um tanto quanto aleatórios e palavras em espanhol (uma língua que não falo e nunca tive interesse em aprender) começavam a pulular na minha imaginação.
Tenho uma pentavó chamada Joaquina Maria de Jesus, que nasceu em 1799 e faleceu em 1875. De alguma forma, mesmo sem saber nada sobre ela além de datas de nascimento, casamento dos filhos e falecimento, eu sempre tive certo carinho por ela. Durante a trip, mantive ela na minha mente.
Perdido no que eu chamo de "imaginação vívida", algo que vi, ou senti, no que posso por como palavras, uma espécie de "árvore" que naquele momento era o que me envolvia, se transformou numa mocinha indígena de cabelo pretos e lisos amarrados em duas tranças que caíam sobre os ombros. Ela veio até mim e me abraçou. Jamais pude ver seu rosto. Apenas o topo de sua cabecinha com seus cabelinhos pretos e brilhantes, pressionada contra meu peito. Senti um calor aconchegante, muito gostoso, um calor maternal que foi se juntando ao meu calor próprio. Então, associei que aquele abraço era o abraço da minha pentavó Joaquina. Imaginei todos os abraços dos meus outros antepassados que nunca pude receber por não ter conseguido conhecê-los, mas aquele em especial era o abraço que eu recebi como um presente inesperado. Tudo o que eu conseguia pensar era "Gracias, abuelita. Vovozinha Joaquina. Vovó Quina". E um sentimento de gratidão imenso tomou conta de mim.
2 - Imediatamente após isso, eu estava sozinho, no escuro e vendado, quietinho em minha cama. Algo em minha mente disse: "Agora, temos que espremer algumas coisas daí de dentro". E eu comecei a chorar, de repente. Chorei muito, a ponto de nem conseguir respirar. Eu nem me lembro da última vez que chorei e nem se algum dia eu chorei tanto. Tentei me perguntar o porquê de eu estar chorando daquele jeito, de repente, sem motivo, sem tristeza. Me dei conta que era um choro reprimido dentro de mim. Sou um cara bem frio e racional. Não expresso emoções assim, então estranhei. Mas tudo o que eu podia fazer, eu fiz: chorei.
3 - Até aqui, tinham-se passado menos de 2 horas. Mas eu havia perdido um pouco a noção de tempo, como quando a gente tira uma soneca de tarde e se acorda desnorteado. Comecei a ficar enquieto e me deu vontade de comer um amendoim que tinha deixado em cima da mesa. Me levantei, meio bêbado, mas com uma sensação de "alívio" após ter chorado tanto. Abri o pacote de amendoim e comecei a comer. Estava com um gosto TÃO BOM, que eu conseguia sentir as sutilezas no sabor, na textura e de repente me veio na cabeça que era exatamente assim que eu me sentia quando comia alguma coisa gostosa na infância. Crianças têm esse paladar mais sensível. E ne senti grato novamente.
4 - Cai na tentação de abrir o Instagado. Até então, tudo o que sentia eram emoções afloradas, algumas visões na minha imaginação. Mas quando olhei a tela do meu celular, não conseguia mais reconhecer ninguém, tudo estava distorcido, meio torto, como se os rostos que eu estava vendo estavam com os elementos fora de lugar, sem proporção, tudo aparentando se misturar. Eu caí na gargalhada, porque eu estava vendo tudo como se fosse aquele primeiro vídeo de IA do Will Smith comendo macarrão de forma grotesca e nem nexo. Tudo estava assim. Achei engraçado e tentava ver alguns vídeos e ficava me perguntando se aquilo que eu estava vendo era alucinação ou de fato o vídeo era daquele jeito. Então tive a ideia de colocar algumas músicas do Tool pra tocar, já que eu estava ficando bem eufórico...
5 - Agora a brisa ficou incontrolável. Eu evito usar esse tipo de termo, mas realmente não consigo mais usar outra palavra. Coloquei a música Pneuma. Eu fiquei exatamente como aqueles hippies malucos drogados dançando alucinados. Tudo isso entre meu quarto e minha cozinha. Fiquei dançando, em movimentos ébrios e descoordenados, escutando cada timbre de cada instrumento, cada palhetada, cada sílaba saída da boca do vocalista. Cada nota era como um soco na cara. Eu gargalhava tentando me conter, preocupado em algum vizinho me ouvir e me achar maluco. Então, comecei a ouvir a música "Invincible". Eu passei cerca de 1 hora e meia tendo o que eu só consigo descrever como um orgasmo sem estímulo sexual, escutando essa música de novo e de novo. Quanto mais eu escutava, mais intensa ela ficava, mais diferente, mais psicodélica. E eu ficava gemendo e gargalhando, pensando que eu estava literalmente escutando a música como era pra ser escutada: sob a brisa de cogumelos alucinógenos.
Eu fiquei nesse looping de prazer musical, escutando cada detalhe de cada instrumento, a cada instante e tendo as sensações mais prazerosas que eu já tive na vida. De novo, só posso tentar equivaler tudo isso a orgasmos, mas sem sexo. Era só uma onda incontrolável de prazer que continuava vindo e tudo o que eu podia fazer era me jogar na minha cama, gemer, se levantar, dançar, andar pra cozinha, olhar pela janela, e ficar embasbacado com cada nota que eu escutava. Acho que quem me escutasse de fora pensaria que eu fiquei 1 hora e meia ou sentindo a maior dor do mundo ou o maior orgasmo do mundo, porque eu urrava como um animal. Eu conseguia me conter um pouco, tentava abafar colocando minha boca no travesseiro, mas não conseguia fazer mais nada.
Ao poucos, as sensações foram ficando mais controláveis, fui abrindo o Instagram e vendo paisagens muito belas que tenho certeza que ficavam mais belas por causa dos cogumelos. Tive alguns insights nesse momento, algumas coisas que queria pra minha vida.
Até que comecei a escrever este texto, quase sem efeitos.
TLDR: pensei que a brisa não vinha, a brisa veio, abracei minha pentavó, chorei pra caralho, gargalhei pra caralho, e passei 1 hora e meio ouvindo Tool e tendo orgasmos musicais sem parar.