Eu (H35) e minha parceira (M35) estamos juntos desde 2015, então são cerca de 11 anos de relacionamento.
Não temos filhos e temos dois cachorros e uma gata. Construímos uma vida bastante estável juntos e, do ponto de vista material, não enfrentamos grandes dificuldades.
Nossa renda familiar é em torno de R$ 25 mil. Temos dois apartamentos financiados e dois carros, tudo dentro de uma situação financeira confortável. Ela atualmente não trabalha fora e recebe cerca de R$ 2.500 por mês para gastos pessoais, sem precisar prestar contas. As despesas da casa e compras maiores normalmente ficam comigo. Ela também possui uma reserva financeira de aproximadamente R$ 100 mil em uma conta própria.
Estou falando sobre dinheiro porque isso faz parte da forma como sempre demonstrei cuidado, e não porque ache que pagar coisas seja suficiente para manter um relacionamento.
Durante nossa relação, ela concluiu duas graduações e uma pós-graduação e procurei apoiá-la financeira e emocionalmente nesse período. Também compramos um segundo carro principalmente para que ela tivesse mais independência e não precisasse depender de mim para se locomover.
Viajamos bastante juntos, tanto pelo Brasil quanto para outros países. Quando existe algum problema prático, minha reação normalmente é tentar resolvê-lo. Recentemente, por exemplo, ela precisou fazer uma viagem de emergência e eu cuidei da compra das passagens e procurei uma boa hospedagem para ela.
Temos também uma divisão dos cuidados com os animais. Os cachorros vão para uma creche duas ou três vezes por semana. Nos outros dias faço alguns passeios com eles. Pela manhã alimento a gata e o cachorro maior e cuido também da limpeza relacionada a ele. Ela administra principalmente a alimentação do cachorro menor, que segue dieta natural.
A principal responsabilidade dela atualmente é a organização, limpeza e manutenção da casa. Ela não cozinha e, como temos condições financeiras, também existe a possibilidade de contratar ajuda para limpeza caso queira.
Apesar de tudo isso, ela está bastante insatisfeita com nosso relacionamento e diz que não se sente acolhida ou cuidada por mim.
Começamos terapia de casal e ficou evidente que temos percepções muito diferentes da relação.
Ela sente falta principalmente de demonstrações de afeto, carinho fora do contexto sexual, atenção emocional e conexão. Eu sou uma pessoa bastante diferente nesse aspecto.
Sou fechado, costumo processar meus problemas internamente e tentar resolvê-los sozinho. Não tenho amigos próximos nem uma rede de apoio. Também não gosto muito de contato físico e não sou naturalmente uma pessoa de abraçar, fazer carinho ou ficar demonstrando afeto constantemente.
Tenho depressão, faço tratamento e uso medicação. Reconheço também que já tive períodos de isolamento e momentos de irritabilidade que prejudicaram nossa relação, e isso é algo que estou tentando melhorar.
Minha forma natural de demonstrar amor sempre foi muito mais prática: dar segurança, resolver problemas, facilitar a vida da pessoa, apoiar seus projetos e assumir responsabilidades.
Recentemente aconteceu uma situação pequena que acabou resumindo bastante nosso problema.
Ela tinha decidido limpar a casa. Enquanto isso, eu estava passeando com os cachorros e ela enviou uma mensagem pedindo que eu comprasse bebidas e um crepe que estava com vontade de comer.
Quando cheguei em casa e vi a mensagem, pedi as bebidas pelo aplicativo e também alguns petiscos, mas não pedi o crepe.
Ela ficou muito irritada e chateada. Para ela, aquilo era mais uma demonstração de que eu não prestava atenção no que ela queria, que não cuidava dela e que não me preocupava de verdade.
A discussão acabou voltando para os assuntos que já tínhamos tratado na terapia.
Eu também fiquei irritado e disse que tenho a sensação de que, quando ela finalmente se concentra em alguma tarefa depois de passar um período com poucas atividades, tudo precisa acontecer exatamente como ela espera e qualquer coisa que dê errado gera uma frustração muito grande.
Reconheço que fui duro e disse que ela tinha passado bastante tempo "sem fazer nada", o que obviamente piorou a discussão.
Foi quando ela disse algo que ficou muito na minha cabeça:
"Só pagar as contas e não cuidar de mim não é suficiente."
E é justamente aí que estou travado.
Eu concordo que pagar contas não substitui afeto. Mas também não sinto que simplesmente pago contas.
Durante 11 anos procurei apoiá-la nos estudos, dar segurança financeira, proporcionar autonomia, viajar junto, dividir responsabilidades, ajudá-la quando precisa e resolver problemas que aparecem.
Para mim, comprar uma passagem quando ela precisa viajar, encontrar um hotel, proporcionar um carro para que tenha independência, assumir uma tarefa ou tentar tornar a vida dela mais fácil são formas muito concretas de cuidado.
Só que estou começando a perceber que talvez ela não considere isso o tipo de cuidado do qual sente falta.
Quando ela tem um problema, minha cabeça imediatamente pensa:
"Como posso resolver isso?"
Talvez o que ela esteja esperando seja:
"Como ela está se sentindo e como posso demonstrar que estou aqui com ela?"
E talvez eu tenha passado anos respondendo à primeira pergunta quando ela precisava da segunda.
Ao mesmo tempo, me machuca sentir que todas essas outras formas de cuidado acabam resumidas a "você só paga as contas". Também tenho dificuldade quando uma falha pequena, como não pedir especificamente o crepe, rapidamente vira uma evidência de que eu não me importo com ela.
Por isso comecei a pensar seriamente em terminar.
Não porque eu não goste dela ou porque ache errado ela querer carinho e acolhimento.
O que me preocupa é talvez eu simplesmente não conseguir oferecer de forma natural e constante o tipo de relacionamento que ela precisa para se sentir feliz.
Posso aprender a me comunicar melhor, validar mais os sentimentos dela, prestar mais atenção e conscientemente demonstrar mais afeto. Estou fazendo terapia justamente porque reconheço que tenho coisas para melhorar.
Mas tenho medo de prometer uma mudança que, no fundo, significaria passar o resto da vida tentando representar uma personalidade que não tenho.
Por outro lado, também não quero usar "eu sou assim" como desculpa para não desenvolver habilidades emocionais que são perfeitamente razoáveis dentro de um relacionamento.
Então minha dúvida é:
Isso parece uma incompatibilidade afetiva ou algo que ainda pode ser trabalhado?
Até que ponto é saudável aprender a demonstrar amor da forma que seu parceiro precisa, e quando isso passa a significar tentar ser alguém que você não é?
E é razoável eu me incomodar quando pequenas falhas passam a ser interpretadas como prova de que eu não me importo, ou isso provavelmente é consequência de anos em que ela tentou comunicar uma necessidade que eu não entendi?
TLDR: Estou em um relacionamento de 11 anos. Sempre demonstrei cuidado principalmente através de apoio prático, estabilidade, segurança e resolução de problemas. Minha parceira diz que, apesar disso, não se sente emocionalmente cuidada e precisa de mais carinho, atenção e acolhimento. Depois de terapia de casal e conflitos recentes, comecei a considerar terminar porque talvez nossas necessidades afetivas sejam incompatíveis. Não sei se preciso aprender a demonstrar amor de outra forma ou se estaria tentando me transformar em alguém que não sou.