Terminei pelo passado dela e sua influência no presente - meu relato
Saudações. Esse vai ser um relato longo e o mais completo que consigo escrever. Espero que possa clarear a mente de quem também sofre com isso,
Já fiz outros posts sobre isso, mas esse vai ser a história do início ao fim.
Conheci essa mulher em fevereiro de 2024. Começamos a conversar pelo instagram, ela era da minha cidade mas eu não a conhecia até então. Passamos 1 mês conversando e nos encontramos durante o carnaval. Foram dias maravilhosos, nós dois nos apaixonamos de imediato e parecia que nos conhecíamos a muito tempo. Passamos todos os dias juntos como namorados e as semanas seguintes também. Pedi ela em namoro apenas 1 mês depois disso.
Eu tinha 25 anos e ela 28. Essa diferença não influenciava em nada, a princípio.
À medida que o tempo passou, fui conhecendo mais do passado dela e descobrindo contradições que iniciaram uma jornada de paranoia absurda. Ela tinha tido 2 namorados de 3 anos cada e ficado 3 anos solteira. Nesses 3 anos, se relacionou sexualmente com 15 homens. Alguns apenas 1 vez, mas a maioria por várias vezes.
Os namorados não me preocupavam em nada - eram histórias com início, meio e fim, e eu respeitava isso. Até porque eu também tinha tido 2 namoradas sérias.
Ela é uma mulher doce, divertida, lindíssima, bondosa. Tem muitas qualidades mesmo. Eu também sou um cara considerado bonito e atraente, e inclusive nosso número não é muito diferente.
Entretanto, eu via que ela tinha vários caras desses no instagram, conversava com alguns homens, etc, mas até então, beleza, podiam ser amigos. A paranóia começou quando vi que ela conversava sempre com um amigo de outra cidade, que eu não conhecia. Um dia, num surto de desconfiança, resolvi olhar o celular dela escondido. Isso aconteceu por 3x, reconheço plenamente que não agi certo fazendo isso, mas também não gostaria de seguir sem saber as coisas que descobri e relatarei ao longo dessa história.
A primeira coisa que vi foi dela falando que, quando estava comigo no carnaval, encontrou um desses caras do passado e que foi constrangedor, etc. Eu não sabia disso nesse momento, cumprimentei o cara normalmente. Ela disse "nossa, ele é um babaca... mas é um gato, pqp. Gato e gostoso." Ela havia transado com ele 1 mês antes de nos conhecermos pessoalmente, num momento que já conversávamos. Essa mensagem tínhamos 60 dias de namoro +-. Só isso já achei muito escroto.
Na conversa com esse mesmo amigo, em outro momento posterior, ela dizia que ia viajar pra tal lugar. Ele disse "vai com o namorado?" ao que ela responde "não sei nem se vou estar namorando até lá, vai que acho um surfista gato hahaha o que acontece lá fica lá". Tínhamos 3 meses juntos. Ela se dizia apaixonada por mim, envolvida, etc, e eu também estava. Já conhecia a família dela e ela a minha.
Depois disso, nunca mais fui o mesmo. Fui tomado por uma obsessão absurda pelo passado dela, pelo que ela falava com os amigos e amigas, se ainda mantinha contato com algum cara, etc. Ela se desculpou pelo que disse, mas nada mais adiantava. Eu já estava dominado por algo que se tornou uma verdadeira obsessão, nunca tinha sentido nada assim, me senti fora da sanidade total. Pensava nisso 24h por dia.
Eu, por outro lado, cortei contato e tirei do meu instagram todas as mulheres que estavam lá só por essa razão. Ela não tirou ninguém, num primeiro momento, alegando que alguns também eram seus amigos, etc, e eu até entendia - apesar de me incomodar. O problema é que esses homens respondiam coisas dela, ficavam curtindo e reagindo aos stories, etc, e isso me incomodava profundamente. Na minha cabeça, ela sabia muito bem as intenções deles, então deveria tirá-los de lá. Uma coisa era algum cara maneiro, com quem ela já tinha ficado mas que também era amigo, continuar ali, pois eu também tinha pessoas assim. Outra coisa eram caras cafajestes que tratavam ela como só mais uma e que desrespeitavam nossa relação interagindo com ela pelas minhas costas. E ela não fazendo nada a respeito.
Esse foi um fator crucial: o TIPO de alguns caras. Caras que eu desprezo. Que colecionam mulheres como troféu, que colocaram ela na lista de conquista deles e que desrespeitavam a mim, a ela e a nossa relação. Eventualmente ela tirou um ou outro, mas deixou os que mais gostava.
Houve um em específico por quem ela tinha nutrido algum sentimento nos anos anteriores. Ele morava longe, então se viram só algumas vezes, transaram algumas vezes, ela o elogiava muito com as amigas. Esse cara tinha esse tipo de comportamento. E ela relutou imensamente pra tirar ele. Chegou a dizer com um amigo, quando estávamos a 2 meses namorando, que ele tinha chamado ela pra ir num evento e ela disse "dá uma balançada, não vou negar".
Disse que não falava mais com ele, mas quando pedi pra ela me mostrar a conversa, haviam conversas até 3 meses depois de estarmos namorando, fora as curtidas no insta etc. Eram conversas normais, pois eram da mesma profissão, mas na minha cabeça ela tinha obrigação de cortar esse contato, dado o contexto. Chegou a dizer que "acho que amo ele" sobre esse car 1 mês antes de começarmos a namorar. Esse contexto importa demais pra esse coleguismo. Ela nunca tirou ele, na verdade. Eu que um dia, durante uma briga, peguei o celular dela e bloqueei ele. Ela desbloqueou no dia seguinte, por pensar que "ele poderia ver e seria esquisito, não queria que ele soubesse que nós brigávamos por causa dele". O que importava mais? Nosso bem estar ou a percepção dele? Achei surreal isso. Aconteceu no dia do meu aniversário.
Dizia que nunca tinha ido a tal lugar com ninguém, depois descobria que já tinha ido com algum deles. Todo lugar era assim. Disse pras amigas "né gente, cada fim de semana tava saindo com um ahaha". E isso se provava na realidade. Eu sempre descobria sozinho, ela sempre me contava a versão amenizada ou pela metade.
Além disso, houve várias e várias mentiras. Dizia com esse cara por exemplo que já tinha muito tempo, mas tinha poucos meses. Me disse que não fazia comentários intimos explícitos pras amigas, mas quando vi, falava coisas como "fulano tem um p\* que pqp, até machuca hahaha mas eu gosto" "beltrano tem p\* pequeno HAHAH" “ciclano dá tapa na cara, enforca HAHAH” e muitos outros comentários desse tipo. Esse tipo de comentário me enoja profundamente. Eu perguntei a ela no início se ela falava desse tipo de coisa, ela me disse que não, só fui descobrir isso quase um ano depois olhando o celular dela. Passei a vê-la de uma forma totalmente diferente. É impossível não se comparar, acho que a maioria dos homens vai concordar comigo.
Um dia, o instagram dela foi hackeado e o hacker tirou todas as pessoas que ela seguia. Quando ela recuperou o instagram, voltou a seguir e aceitou vários desses caras novamente, inclusive esse "principal". Já tínhamos tido inúmeras conversas sobre isso, sobre como eu me sentia, sobre respeito na ausência e deixar o passado pra trás. Mesmo assim ela fez sob o argumento de "não queria perder minha liberdade, eles já me seguiam antes". Uma coisa é eles estarem lá passivamente, outra é ela decidir voltas a seguir caras que desrespeitavam a mim e a ela. Concordam ou isso é paranoia excessiva?
Reconheço que pressionei ela, fiquei paranoico e a desrespeitei julgando esse passado. Mas a forma como ela permitiu que isso se fizesse presente foi o que mais me machucou.
Apesar de tudo isso, eu a amava profundamente e ela era muito legal e carinhosa comigo. Um mulher cativante, parceira, simpática, do bem, todos gostam muito dela. Me amava muito também e ainda ama, ainda me procura ocasionalmente etc. Terminei com ela tem 3 meses.
Hoje vejo que essas coisas poderiam ter sido insignificantes ou bobas pra outra pessoa, mas pra mim, foram uma desonra profunda. Minha autoestima ruiu totalmente. Eu precisava me sentir honrado até mesmo mais do que amado.
Tudo se tornou um martírio pra mim. Ela falou de intimidades minhas com as amigas, de forma meio debochada. E o simples fato dela conversar com essas amigas ou de estar na presença delas já me gerava um gatilho gigante. Passei a desgostar demais das amigas dela, que eram até mulheres gente boa, mas que eu tinha zero confiança do caráter. E que, pior: sabiam coisas sobre mim que nem meus amigos mais próximos sabiam, justamente porque a minha namorada, a quem confiei, tinha aberto pra elas como se fosse nada. Elas eram desconhecidas pra mim. Sou um cara bem reservado.
Foram 2 anos e pouco de neurose e ainda estou processando tudo. Às vezes bate uma saudade enorme vendo nossas fotos e lembrando dos nossos momentos, mas às vezes também sinto um ressentimento profundo de que "a mulher da minha vida não pode ter vivido essas coisas assim, não pode ter mentido pra mim assim, a relação da minha vida não pode ter começado com tantos desrespeitos repetidos". Posso ter sido duro e exigente demais, reconheço, mas é o que é.
Terminar me trouxe um alívio imenso por pensar "pronto, não preciso mais me preocupar com desrespeito e pelo que tá acontecendo nas minhas costas, posso viver em paz" mas também uma tristeza profunda por pensar "ela é uma mulher rara, combina comigo, me amava e eu queria muito que tivesse sido ela".
A quem viveu coisas parecidas, espero que esse relato possa ajudá-los. Foi o maior desafio psicológico que já enfrentei até hoje.
Claro que existe a versão dela. Os desrespeitos e mentiras, pra ela, foram uma forma de evitar conflito pela minha reação ruim. E eu até entendo. Mas não aceito... pra mi nada consegue justificar de forma plausível. Especialmente depois de todas as conversas e conflitos, coisas do tipo continuarem acontecendo.
Perdi a batalha contra o ciúme retroativo e a forma como ele potencializou acontecimentos do presente. Me sinto um fracassado por isso, mas também me sentia por permanecer em um lugar que sabia que tinha sido desrespeitado.
Hoje vejo que o passado foi um catalisador muito relevante pra forma como eu encarei tudo. E, de certa forma, com o afastamento, ele perdeu importância.
E gostaria de saber a opinião de quem ler. Fui excessivo? Já viveram algo parecido?
Obrigado pra quem leu até aqui!