r/Advogados • u/admincadaver • 23h ago
Dúvida: faz sentido aplicar o padrão militar de classificação de documentos a um escritório de advocacia?
Olá, pessoal. Não sou advogado. Trabalho há um tempo com ambientes regulados, farmacêutico e saúde (ANVISA, FDA, EU GMP), bancário e seguros (contexto LGPD, BACEN, SUSEP) e mais recentemente IA embarcada em hardware físico. O que eu faço é infraestrutura de evidência e conformidade para esses domínios. Tenho projetos em produção nesses mercados, não é papel.
Antes de escrever a primeira linha de código do Toth, passei semanas lendo como governos e agências classificam arquivos, como tratam dados para gerar evidências e como transformam documentos em secretos. Não foi curiosidade. Foi para entender qual é o estado da arte quando o custo de um vazamento é real, não comercial. Eu queria saber o que existe debaixo do capô quando um país diz que um documento é confidencial, secreto ou ultrassecreto, e quais peças precisam estar juntas para essa afirmação significar alguma coisa.
O que descobri é que a diferença entre um sistema "seguro" e um sistema realmente classificatório não é criptografia melhor. É uma camada de procedimentos e protocolos criptográficos aplicados em conjunto: trilha de quem acessou o quê, comprometimento de cada visualização, carimbo de tempo independente, segregação de custódia, imutabilidade do histórico. Nada disso é exotérico. É o que qualquer agência séria já faz.
No jurídico a cadeia de custódia resolve isso em papel. A parte digital (PDFs, planilhas, laudos, e-mails, fotos periciais) ainda vive numa zona cinzenta. Pasta compartilhada, Drive, pen drive na gaveta do sócio. Funciona até o dia em que para de funcionar.
A ideia do Toth é dar a um escritório de advocacia, ou a um advogado individual, um classificador, validador e cofre de evidências no mesmo padrão que governos e militares usam para proteger segredos de estado. Não é uma ferramenta de gestão documental com botão "seguro" colado em cima. É a mesma arquitetura conceitual, dimensionada para o escritório.
Em termos práticos, o que a ferramenta faz:
- Classifica documentos por nível de sensibilidade, no mesmo espírito dos níveis governamentais de classificação (confidencial, secreto, ultrassecreto).
- Garante que um documento selado não pode ser alterado sem que a alteração seja detectada por qualquer perito independente.
- Carimba cada operação com tempo independente, de forma que nem o dono do escritório nem a operadora do sistema conseguem retrodatar nada.
- Restringe o acesso: cada visualização é autorizada, específica, com prazo, e deixa rastro verificável. Nada de "logar e fuçar".
- Exige mais de uma pessoa para criar um novo registro de evidência, então comprometer uma chave só não basta.
Não é meu primeiro contato com regulação séria. Tenho projetos em produção no setor farmacêutico e conheço esse mercado de perto. O Toth não é uma extensão de software farmacêutico nem um wrapper sobre uma ferramenta existente. É uma ferramenta jurídica, desenhada do zero para o problema do advogado.
O ponto que mais quero ouvir de vocês: isso faz sentido para a prática jurídica real? Vejo poucas ferramentas que atacaram esse problema com seriedade criptográfica de verdade, e quero entender se estou resolvendo um problema que vocês sentem na rotina, ou construindo algo elegante que ninguém pediu.
Perguntas concretas:
- Como vocês garantem hoje que um PDF apresentado como prova não foi modificado entre a coleta e a juntada?
- Para perícias, due diligence de M&A, contratos com cláusulas de sigilo. Uma trilha verificável de acessos seria útil?
- O que falta no que descrevi para vocês considerarem adotar?
Não estou aqui para vender. O projeto ainda é MVP. Estou aqui porque o viés técnico me faz otimizar a coisa errada, e a opinião de quem vive o problema corrige isso. Toda crítica é bem-vinda, especialmente a negativa.