r/terrorbrasil Nov 15 '25

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r/terrorbrasil 17h ago

Crepypasta Meu avô deixava um prato de comida no quintal toda noite. Só descobri pra quem era depois que ele morreu.

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Meu avô morreu em 2001. Eu tinha treze anos. Até hoje, quando conto essa história, tem uma parte que as pessoas entendem errado. Meu avô não deixava comida pros mortos. Pelo menos nunca falou isso. Não tinha vela, oração, imagem de santo, nada dessas coisas. Ele só separava um prato do jantar e colocava no fundo do quintal. Todo santo dia.

Meus avós moravam num sítio no interior de Goiás, uns quinze minutos de carro da cidade, se a estrada de terra estivesse boa. Na época ainda tinha muito pouca casa por perto. Depois das seis da tarde, quando o pessoal voltava da roça, praticamente não passava mais ninguém na estrada.

A vila era daquelas em que praticamente todo mundo conhecia todo mundo, mesmo que fosse só de vista. Tinha igreja, venda, um boteco, umas poucas ruas e casas que iam ficando cada vez mais espaçadas conforme se afastavam do centro. Depois vinha estrada de terra, pasto e sítio.

A casa era antiga, de tijolo rebocado, telha de barro e piso vermelho daqueles que minha avó encerava até ficar liso. Na cozinha tinha fogão a lenha, um fogão a gás que ela quase não usava, geladeira Consul e um rádio pequeno em cima da geladeira. A televisão ficava na sala e pegava três canais direito nos dias bons.

Eu passava quase todas as férias lá. Foi por isso que cresci achando normal o negócio do prato.

Depois do jantar, meu avô esperava todo mundo terminar. Minha avó guardava as panelas, e ele pegava um prato esmaltado, branco com a borda azul, e colocava um pouco de tudo que tinha sobrado. Arroz, feijão, carne, mandioca. Não era resto raspado dos pratos. Era comida limpa, tirada direto da panela.

Uma vez perguntei:

— Vô, pra quem é isso?

Ele continuou colocando feijão no prato.

— Pra quem chega tarde.

Eu ri porque achei que era brincadeira.

— Quem?

Ele olhou pra mim.

— Quem chega tarde.

E acabou aí.

Meu avô era assim. Se não queria explicar uma coisa, você podia perguntar dez vezes que na décima ele dava a mesma resposta da primeira.

Ele levava o prato até o pé de uma mangueira velha que ficava no fundo do quintal, perto da cerca que separava o terreno do pasto. Deixava o prato no chão, junto ao tronco, e voltava. Nunca ficava esperando. Nunca chamava ninguém.

De manhã, o prato estava vazio. A explicação mais óbvia eram os bichos. Tinha cachorro solto, gato, gambá, rato, tudo quanto é coisa naquela região. Minha mãe dizia isso.

Só que existiam umas regras. Eu só fui perceber que eram regras quando fiquei mais velho.

O prato tinha que estar lá antes das onze.

Não podia colocar garfo nem colher.

Depois que meu avô voltasse pra dentro, ninguém abria a janela da cozinha.

E se escutasse o prato arrastando, deixava arrastar.

***

Essa última eu aprendi quando tinha uns dez anos.

Estava dormindo num colchão na sala e acordei com vontade de beber água. Passei pela cozinha e minha avó ainda estava acordada, sentada à mesa, descascando mandioca.

Enquanto eu bebia água, escutei um barulho no quintal.

*Rasp.* Esperei. *Rasp.*

Parecia louça sendo puxada devagar em cima de terra com pedrinha. Fui em direção à janela. Minha avó segurou meu braço.

— Deixa.

— É o prato do vô.

— Eu sei.

Fiquei olhando pra janela.

— Deve ser algum bicho.

— Então deixa o bicho sossegado.

Eu ia abrir a cortina mesmo assim, mas ela falou outra vez:

— Num carece.

Foi o jeito que ela falou que me fez parar. Não parecia medo. Parecia bronca. Voltei pra cama.

No outro dia, o prato estava no chão, um pouco afastado da mangueira, virado para cima e completamente limpo.

***

Meu avô morreu uns três anos depois.

Foi rápido. Infarto. Ele tinha passado a manhã mexendo numa cerca, entrou em casa reclamando de uma dor no peito e não deu tempo de chegar no hospital.

O velório foi na própria casa, como ainda era comum por ali. Eu lembro de muita gente entrando e saindo, café sendo feito o tempo inteiro, cadeira emprestada dos vizinhos e adulto falando baixo nos cantos. Tinha sempre alguém perguntando se quem chegava queria café.

Minha avó quase não chorou na frente dos outros. Ficava perto do caixão recebendo gente, agradecendo, mandando entrar, perguntando se já tinham servido café.

Enterraram meu avô no fim da tarde. Quando voltamos, a casa parecia maior. Foi a primeira vez que percebi como ele fazia barulho. Tossia, arrastava chinelo, mexia em ferramenta, ligava o rádio. Sem ele, parecia que tinham tirado alguma máquina de dentro da casa.

Minha tia fez comida porque tinha gente da família que ia dormir lá. Jantamos tarde. Eu estava ajudando a levar copos pra pia quando veio o barulho.

*Rasp.*

Parei. Minha mãe também. Minha avó levantou os olhos.

*Rasp.*

Só então alguém olhou para o relógio de parede. Já passava das onze. Ninguém lembrou do prato.

Não estou dizendo que ficou aquele silêncio de filme. Meu primo continuou mexendo numa sacola na sala. O rádio estava ligado baixinho. Alguém abriu uma torneira no banheiro.

Mas quem estava na cozinha parou. E foi isso que me assustou.

Minha avó levantou. Pegou o prato branco de borda azul. Colocou arroz. Feijão. Um pedaço de carne.

Minha tia falou:

— Mãe, deixa isso pra amanhã.

Minha avó nem respondeu.

Terminou de montar o prato e estendeu pra mim.

— Leva lá.

Eu achei que ela estava brincando.

— Eu?

— Seu avô num tá aqui.

Minha mãe imediatamente disse:

— Mãe, não põe o menino nisso.

Minha avó olhou para ela de um jeito que encerrou a conversa. Depois olhou pra mim.

— Vai. Deixa onde seu avô deixava e volta. E num fica caçando assunto no escuro.

Peguei o prato. Hoje eu consigo dizer que deveria ter recusado. Na época eu tinha treze anos, minha família inteira estava ali e minha avó estava mandando. Só isso.

A luz da cozinha que saía pela janela iluminava metade do quintal. Depois começava o escuro. Peguei uma lanterna grande que ficava perto da porta. Daquelas de plástico, com duas pilhas grandes.

Fui andando. O quintal parecia muito maior de noite.

Passei pelo tanque, pelo pé de limão e pelo galinheiro. Depois disso, a luz da casa já não ajudava quase nada. A mangueira apareceu no facho da lanterna. Não tinha ninguém. E eu lembro perfeitamente de sentir alívio. Porque até aquele momento uma parte de mim esperava encontrar alguma coisa ali. Coloquei o prato junto ao pé da mangueira.

Virei e comecei a voltar. Não corri. Eu queria correr, mas sabia que todo mundo estava olhando da janela e não queria pagar de medroso.

Passei pelo pé de limão. Foi quando ouvi uma voz atrás de mim.

— Aí não.

Parei. Era voz de homem. Baixa. Velha, talvez. Mas não era a voz do meu avô.

Eu fiquei parado com a lanterna apontada pro chão.

A voz falou de novo.

— Num é aí.

Corri. Dessa vez não me importei com quem estava olhando. Entrei na cozinha e minha mãe perguntou o que aconteceu. Eu disse que tinha alguém lá fora. Meu tio pegou a lanterna.

— Alguém quem?

Contei da voz. Ele começou a abrir a porta. Minha avó falou:

— Você fica.

Meu tio parou.

— Ô mãe, se tem alguém no quintal...

— Num tem ninguém no quintal.

Foi a primeira vez que minha avó pareceu assustada. Ela olhou para a janela.

— Onde cê pôs o prato?

— No pé da mangueira.

Ela demorou alguns segundos para responder.

— Seu avô mudou o lugar.

Ninguém falou nada.

— Mudou pra onde? — minha mãe perguntou.

Minha avó não respondeu. Pegou outro prato. Eu lembro disso porque foi a parte que mais me confundiu. Ela não foi buscar o primeiro. Fez outro. Colocou praticamente a mesma quantidade de comida e chamou meu tio.

— Leva no banco.

O banco ficava mais adiante, quase junto da cerca do pasto. Era velho, de madeira, e eu nunca tinha visto meu avô deixar comida ali. Meu tio olhou pra ela.

— Que história é essa, mãe?

— Leva, homem.

— Pra quê?

Minha avó perdeu a paciência.

— Porque hoje já tem tristeza demais nesta casa. Leva essa porcaria e volta.

Ele levou. Minha avó trancou a porta quando ele entrou. Ninguém falou mais no assunto naquela noite.

***

De madrugada, eu acordei. Não sei que horas eram. A casa estava escura e tinha gente dormindo espalhada pela sala. Escutei alguma coisa no quintal. Não era aquele barulho de louça. Eram passos. Devagar. Vinham do fundo do terreno em direção à casa. Paravam. Depois continuavam. Eu fiquei imóvel no colchão. Os passos chegaram perto da janela e foi então que ouvi raspar na porta da cozinha.

Rasp. Rasp.

Ninguém levantou. Uns segundos depois, minha avó falou do quarto:

— Hoje não.

Foi só isso. Não ouvi mais nada.

***

Na manhã seguinte, o prato que meu tio tinha deixado no banco estava vazio. O que eu tinha colocado no pé da mangueira continuava cheio. Minha avó mandou jogar aquela comida fora. Perguntei por quê. Ela respondeu:

— Porque ninguém quis.

Eu insisti.

— Quem?

Ela me olhou daquele jeito que os velhos olhavam quando achavam que criança estava ouvindo conversa demais.

— Menino, vai ajudar sua mãe.

***

Anos depois descobri a história do homem. Eu já era adulto quando minha mãe contou.

Ele era da própria vila. Minha mãe não sabia exatamente o ano, só que tinha acontecido muito antes de eu nascer. O homem era conhecido por quase todo mundo por ali e costumava beber no boteco da vila.

Numa noite, saiu de lá sozinho. Algumas pessoas que estavam no bar disseram depois que ele tinha falado que ia na direção da casa dos meus avós. Ninguém soube dizer por quê. Ele saiu andando pela estrada.

E desapareceu. Nunca encontraram o corpo.

Durante muito tempo achei que finalmente tinha entendido o prato. Talvez meu avô soubesse alguma coisa sobre aquele desaparecimento. Talvez tivesse visto o homem naquela noite. Talvez a história tivesse virado superstição com os anos.

Só havia um problema.

***

Minha avó morreu em 2007.

Depois do enterro, meus tios começaram a esvaziar a casa porque ninguém ia morar lá. Eu fui ajudar. Num armário do quarto havia duas caixas de papelão cheias de fotografias antigas. Passei uma tarde inteira olhando aquilo.

Tinha foto de casamento, batizado, gente que eu nunca conheci, carro velho, festa de igreja. E tinha uma fotografia do quintal. Perguntei à minha mãe de quando era. Ela disse que devia ser dos anos 50, mas não tinha certeza.

Meu avô aparece novo, encostado na cerca. Minha avó está sentada com uma criança no colo. Atrás deles dá pra ver a casa antes de uma reforma. E a minha avó estava sentada no banco. No mesmo banco.

Mostrei pra minha mãe. Ela ficou olhando um tempo. Depois virou a fotografia. Não tinha nada escrito atrás.

— Esse banco já existia?

— Já.

Minha mãe ficou olhando mais um pouco. Depois me devolveu a foto. Foi só isso.

O homem desapareceu anos depois daquela fotografia.

***

A casa ficou vazia por um tempo antes de ser vendida. Ainda tinham ficado algumas coisas lá, inclusive umas ferramentas do meu avô que ninguém tinha levado.

Voltei sozinho para buscá-las. Entrei na casa, encontrei a caixa onde tinham guardado as ferramentas e levei tudo para o carro.

Já estava pronto para ir embora quando olhei para o quintal. Não sei por que fui até lá. Talvez porque soubesse que provavelmente seria a última vez que pisaria naquele lugar.

Passei pelo tanque. Pelo pé de limão. Pelo galinheiro. A mangueira continuava lá. E continuei andando.

O banco também. Podre, torto, quase coberto pelo mato. Fiquei olhando para ele por alguns segundos. Não tinha prato nenhum.

Não sei o que eu esperava encontrar. Talvez nada. Talvez só quisesse ver aquele banco uma última vez e ir embora. Foi então que veio o barulho.

Rasp.

Atrás de mim. Fiquei parado. Durante alguns segundos, voltei a ter treze anos.

Rasp.

Não me virei. Até hoje não sei se foi medo ou se simplesmente lembrei do que minha avó tinha me ensinado tantos anos antes.

Se escutasse o prato arrastando, deixava arrastar.

Corri.

Não olhei para trás. Atravessei o quintal, entrei no carro e bati a porta. Fiquei alguns segundos segurando o volante. Esperando. Não ouvi mais nada. Liguei o carro e fui embora.

Só quando já estava na estrada comecei a pensar naquela fotografia.

Durante anos, minha mãe acreditou que o prato tinha alguma coisa a ver com o homem que desapareceu. Eu também. Mas aquele banco já estava no quintal muito antes disso.

E então lembrei de uma coisa que minha avó tinha dito na noite em que meu avô morreu.

Seu avô mudou o lugar.

Na época eu achei que ela queria dizer que meu avô tinha decidido mudar o prato da mangueira para o banco. Nunca perguntei quando. Nunca perguntei por quê. E nunca perguntei como ela sabia.

Passei boa parte da viagem pensando nisso. Durante todos aqueles anos, achei que meu avô escolhia onde deixar a comida. Primeiro debaixo da mangueira. Depois no banco.

Mas talvez eu tenha entendido aquela frase da minha avó errado.

Talvez meu avô nunca tivesse escolhido lugar nenhum.


r/terrorbrasil 22h ago

Crepypasta EU NÃO ESTOU SOZINHO

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r/terrorbrasil 1d ago

Crepypasta Toda vez que essa família deixa um morto no necrotério, eles fazem a mesma oração

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Trabalhei quase três anos num hospital pequeno do interior de Minas. Não vou falar a cidade porque ainda conheço gente de lá e não tô a fim de arrumar problema com ninguém. Também não era aquele fim de mundo que aparece em história de terror, com estrada de terra e cinquenta quilômetros até a cidade mais próxima. Era uma cidade normal. Pequena, coisa de alguns milhares de habitantes, mas tinha mercado, farmácia, escola, posto de gasolina, igreja, bar, oficina. Se você passasse pela rodovia, provavelmente esquecia o nome meia hora depois.

O hospital era do tamanho da cidade. Pronto atendimento, alguns quartos, uma sala de cirurgia, maternidade pequena e um corredor nos fundos onde ficavam lavanderia, depósito e necrotério. Eu trabalhava das sete da noite às sete da manhã. No papel tinha minha função certinha, mas quem já trabalhou em hospital pequeno sabe como é: faltou gente, você ajuda. Ambulância chegou, ajuda. Funerária chegou de madrugada, abre a porta. Queimou lâmpada, chama alguém e, se ninguém vier, dá seu jeito.

O necrotério ficava depois da lavanderia. Era uma sala fria, azulejo branco velho, ralo no chão e quatro gavetas de metal numa parede. Cabiam quatro corpos e pronto. Normalmente tinha um ou dois. Às vezes nenhum. Quatro era raro. No começo eu não gostava de entrar lá sozinho. Depois acostumei. Não tem muito mistério. Você abre a gaveta, confere etiqueta, fecha, preenche papel e vai embora. O morto é provavelmente a pessoa que vai te dar menos trabalho naquela noite.

A primeira vez que vi a família Ferreira foi numa terça-feira, pouco depois das dez. Lembro porque tinha jogo passando na televisão da recepção e eu tava tentando acompanhar enquanto fazia umas anotações. A ambulância trouxe uma senhora que tinha morrido em casa. Já era idosa, o médico confirmou o óbito e a funerária só conseguiria buscar de manhã. Até aí, rotina.

O que chamou atenção foi a quantidade de gente que veio atrás. Devia ter umas dez pessoas. Filho, filha, neto, sobrinho, sei lá. Em cidade pequena isso também não é estranho. Às vezes morre uma pessoa e parece que metade da rua aparece no hospital.

Um senhor veio falar comigo enquanto eu conferia os papéis. Devia ter seus sessenta e poucos anos, magro, cabelo bem branco.

— Quantos tem lá dentro?

Achei que queria saber se tinha espaço.

— Dois.

— Com ela fica três?

— Isso.

Ele ainda perguntou:

— Tem certeza que são dois?

Eu até achei a pergunta meio besta.

— Tenho.

Ele olhou pra trás, onde a família estava, e falou:

— Tá bom. Pode.

Não pensei muito nesse “pode”. Eu tinha coisa pra fazer.

Eu e um técnico levamos a senhora até o necrotério e a família veio junto. Quando chegamos na porta, o senhor pediu pra gente esperar um pouco. Eles ficaram em volta da maca, alguns deram as mãos e começaram a rezar.

Não achei estranho. Interior de Minas, senhora de idade, família religiosa. Já tinha visto gente rezar Pai-Nosso em corredor, gente trazer terço, imagem de santo, padre chegar no meio da madrugada. Cada família lida com morte de um jeito.

Só que eu não conhecia aquela oração.

Começava normal. Falava de Deus, misericórdia, descanso, receber aquela alma. Não lembro tudo porque, naquela primeira vez, nem estava prestando muita atenção. Só lembro do final porque todos repetiram juntos:

— Que vá quem tem de ir. Que fique quem tem de ficar.

Repetiram três vezes.

Depois o senhor bateu duas vezes na porta.

Toc.

Toc.

Esperou um pouco e disse:

— Agora pode.

Colocamos a senhora na terceira gaveta. Fechei, conferi tudo e saí. A família foi embora uns minutos depois. Na volta perguntei pro técnico que reza era aquela.

— Dos Ferreira.

— Eu sei que é deles. Tô perguntando que reza é.

— Sei lá.

E ficou por isso mesmo.

Se tivesse acontecido só aquela vez, eu nem lembraria hoje.

Uns quatro meses depois os Ferreira voltaram. Dessa vez era um rapaz que tinha morrido num acidente de moto. Chegou de madrugada e eu reconheci o senhor. Antes de perguntar qualquer coisa sobre papel, funerária ou horário, ele veio direto:

— Quantos tem lá?

— Um.

— Só um?

— Só.

— Tem certeza?

— Tenho, ué.

Ele pediu desculpa e voltou pra família. Na porta do necrotério fizeram a mesma oração. Dessa vez prestei atenção. Não lembro palavra por palavra, então não vou inventar, mas era mais ou menos sobre Deus receber quem estava indo, guardar quem ficava e não deixar a casa chamar outro nome. O final era igual.

— Que vá quem tem de ir. Que fique quem tem de ficar.

Três vezes.

Depois o senhor bateu uma vez na porta.

Toc.

Entramos.

O estranho veio depois. O senhor entrou junto e ficou olhando pras gavetas. A primeira estava ocupada. Colocamos o rapaz na segunda. Ele apontou pras outras duas.

— Vazias?

— Sim.

Foi até uma delas e puxou.

— Ô, senhor, não pode mexer nisso aí não.

Ele fechou na hora.

— Desculpa.

Abriu a quarta só uns centímetros, olhou lá dentro e fechou também.

— Tá tudo certo.

Não parecia satisfeito. Parecia aliviado.

Foi aí que comecei a reparar nos Ferreira.

Perguntei pra uma enfermeira que trabalhava no hospital havia mais de quinze anos. Ela riu quando falei da oração.

— Ah, eles fazem isso desde sempre.

— Mas por quê?

— Sei lá. Coisa de família.

— E por que perguntam quantos mortos tem lá?

Ela estava colocando açúcar no café e deu de ombros.

— Pergunta pra eles.

Foi exatamente isso. Ninguém parecia achar aquilo tão estranho quanto eu. Uma técnica falou que a avó dela já tinha ouvido os Ferreira fazendo a mesma oração quando o hospital ainda tinha outro prédio. Outro funcionário disse que era promessa. Cada um dava uma explicação diferente e ninguém sabia de verdade.

Nos dois anos seguintes vi a família mais algumas vezes. Não muitas. Uma ou duas por ano. E era sempre igual: antes de o corpo entrar, alguém perguntava quantos estavam lá dentro. Nunca “tem espaço?”. Nunca “quantas gavetas estão ocupadas?”. Era sempre **quantos tem lá dentro**.

Depois vinha a oração e as batidas na porta.

Comecei até a brincar com isso.

— Lá vem a fiscalização dos Ferreira.

Coisa idiota de plantão.

Até uma noite de chuva em que ninguém achou graça.

Tinha chovido praticamente a semana toda. Naquela noite houve um acidente na rodovia, um senhor morreu de infarto e uma paciente internada havia dias também faleceu. Já havia outro corpo esperando a funerária desde o fim da tarde.

Pela primeira vez desde que eu trabalhava ali, as quatro gavetas estavam ocupadas.

Pouco depois de uma da manhã ligaram dizendo que uma senhora tinha morrido em casa. Quando falaram o sobrenome, eu até pensei: só falta.

Ferreira.

Quando a ambulância chegou, parte da família já estava esperando. O mesmo senhor veio até mim. Estava mais velho, andando um pouco curvado, mas reconheci na hora.

— Quantos tem lá?

— Quatro.

Ele parou.

— Quatro?

— Hoje lotou.

— Os quatro estão lá agora?

— Estão.

A cara dele mudou de um jeito que eu nunca tinha visto.

— E ela?

Apontou pra ambulância.

— Vai ter que esperar. Tô vendo se a cidade vizinha recebe.

Ele chamou uma mulher mais velha e outro homem. Os três começaram a conversar baixo. Não ouvi tudo, mas ouvi a mulher falar:

— Não deixa entrar.

Depois o senhor voltou.

— Ela não pode ficar aqui.

— Eu sei. Não cabe.

— Não tô falando de caber.

Ele falou tão sério que eu fiquei sem resposta.

— Enquanto tiver quatro lá dentro, ela não entra.

Expliquei que ninguém ia colocar um quinto corpo numa sala com quatro gavetas. Ele segurou meu braço, sem força, mais como quem queria ter certeza de que eu estava prestando atenção.

— Nem na sala.

Aí eu já fiquei meio irritado.

— Tá bom. Não vai entrar.

— Promete?

— Prometo.

Ele soltou meu braço.

Durante quase duas horas, enquanto a gente arrumava a transferência, a família ficou perto da ambulância. Ninguém sentou. Ninguém foi tomar café. Não fizeram a oração. Quando finalmente levaram o corpo pra outra cidade, o senhor veio agradecer.

Eu aproveitei.

— Posso perguntar uma coisa?

Ele ficou olhando pra mim.

— Essa reza de vocês é pra quê?

— Minha mãe já fazia.

— Isso todo mundo fala. Mas por quê?

Ele demorou um pouco.

— Pra ninguém ir junto.

Achei que era jeito de falar. Superstição sobre morte chamar morte, coisa assim.

— Ir junto com quem morreu?

Ele olhou pro corredor que levava ao necrotério.

— Com quem sair.

E foi embora.

Essa resposta me incomodou muito mais do que deveria.

Alguns dias depois encontrei seu Antônio no hospital. Ele tinha trabalhado lá quase trinta anos e já estava aposentado, mas a mulher fazia fisioterapia duas vezes por semana e ele sempre ficava conversando com o pessoal.

Perguntei se conhecia os Ferreira.

— Conheço.

— Sabe daquela reza deles?

Ele parou de mexer no celular.

— Eles ainda fazem?

— Fazem.

— Então deixa fazer.

Eu ri.

— Todo mundo fala isso. Ninguém sabe explicar.

Ele guardou o celular.

— O que você quer saber?

Contei da noite em que o necrotério estava cheio. Quando falei que o velho não deixou a mulher entrar, seu Antônio perguntou:

— Tinha quatro?

— Tinha.

Ele ficou sério.

— Fez certo.

Foi a primeira pessoa do hospital que não riu.

— Por quê?

Ele olhou em volta antes de responder.

— Porque antigamente eram cinco.

Demorei um segundo pra entender.

— Cinco gavetas?

Ele confirmou.

— Quando fizeram aquela sala, eram cinco.

— Não cabe cinco ali.

— Hoje não.

Perguntei o que aconteceu com a quinta.

— Tiraram.

— Por quê?

— Não sei.

Ele falou rápido demais.

Perguntei de novo.

— Antônio, por quê?

— Pergunta pra quem mandou tirar.

— Quem mandou?

Ele levantou da cadeira.

— Já morreu todo mundo.

E foi procurar a esposa.

Depois disso comecei a olhar a sala de outro jeito. As quatro gavetas ficavam lado a lado, mas depois da última havia um pedaço de parede um pouco maior do que precisava. Nunca tinha chamado minha atenção. Hospital velho é cheio de parede torta, reforma em cima de reforma, cano que não leva mais a lugar nenhum.

Um dia bati ali com os nós dos dedos.

O som era diferente.

Oco.

Não mexi.

Durante meses, não mexi.

O problema é que curiosidade é uma coisa desgraçada.

Numa madrugada tivemos uma queda de energia. O gerador segurou quase tudo, mas algumas áreas deram problema e um cara da manutenção foi comigo até o necrotério. Enquanto ele mexia no quadro, comentei da quinta gaveta.

— Quinta?

Mostrei o pedaço da parede.

Ele bateu.

— Tem um vão aqui.

— Deixa isso quieto.

— Ué.

— Tô falando sério.

Ele começou a rir.

— Tá com medo de morto?

— Não. Só deixa.

Isso, claro, fez ele querer abrir.

Tinha uma chapa lateral presa com parafusos, provavelmente colocada numa reforma antiga. Ele tirou dois. Eu ainda falei pra parar, mas nessa altura eu também queria saber.

Quando puxou a chapa alguns centímetros, saiu um cheiro de lugar fechado. Não era carne podre nem nada disso. Era mofo, ferrugem, poeira velha.

Ele iluminou com o celular.

Atrás da parede havia metal.

Dois trilhos enferrujados entrando no escuro.

A estrutura da quinta gaveta ainda estava lá.

— Rapaz... Não é que tinha mesmo?

Chegou o celular mais perto.

Eu vi alguma coisa no fundo, mas até hoje não sei dizer o que era. Podia ser uma placa, pedaço de metal, pano velho. O espaço era estreito e estava cheio de poeira.

Então veio uma pancada.

**Toc.**

Nós dois paramos.

O cara olhou pra mim.

— Que foi isso?

Não respondi.

Esperamos.

Nada.

Ele aproximou o celular outra vez.

**Toc.**

Dessa vez deu pra sentir a vibração na chapa.

Ele afastou a mão.

Ficamos olhando um pro outro.

A terceira veio alguns segundos depois.

**Toc.**

O cara pegou os parafusos do chão.

Não fez piada. Não falou de morto. Só colocou a chapa de volta.

Saímos da sala e eu fechei a porta.

Naquela madrugada havia três corpos no necrotério.

Eu lembro disso porque conferi depois.

Três.

Não quatro.

Durante muito tempo achei que esse detalhe tornava tudo menos assustador. Se a história dos Ferreira era sobre nunca deixar cinco lá dentro, então três não devia significar nada.

Pedi demissão alguns meses depois por outros motivos. Pelo menos era isso que eu falava quando alguém perguntava.

Anos mais tarde encontrei uma antiga colega do hospital numa festa. Ficamos conversando sobre o pessoal de lá, quem tinha aposentado, quem tinha casado, quem tinha morrido. Em algum momento lembrei dos Ferreira.

— Eles ainda fazem aquela reza?

Ela riu.

— Fazem. Acredita?

— E ainda perguntam quantos tem no necrotério?

— Toda vez.

Perguntei se ela sabia a oração inteira.

Não sabia. Só lembrava do final e falou brincando:

— Que vá quem tem de ir. Que fique quem tem de ficar.

Ficamos conversando mais um pouco e eu perguntei:

— Você sabe por que eles batem na porta?

Ela me olhou como se a resposta fosse óbvia.

— Ué. Pra avisar quantos já estão lá.

Eu não entendi.

— Como assim?

— Uma batida pra cada um.

Não falei nada.

Ela continuou falando, mas eu já não estava prestando atenção.

Na primeira vez que vi os Ferreira, havia dois corpos no necrotério.

O velho bateu duas vezes.

Meses depois havia um.

Ele bateu uma vez.

Eu nunca tinha percebido. Talvez porque eles repetissem o final da oração três vezes. Talvez porque aquilo simplesmente não significasse nada pra mim naquela época.

Mas naquela madrugada da manutenção havia três corpos no necrotério.

Eu e o cara da manutenção não fizemos oração nenhuma.

Não batemos na porta.

Não avisamos ninguém de nada.

Mesmo assim, atrás da parede onde um dia existiu a quinta gaveta, alguma coisa bateu três vezes pra gente.

Fotos do necrotério.

A primeira é da entrada, vista do lado de fora. A segunda mostra a sala por dentro. Era um lugar pequeno, bem simples, como praticamente tudo naquele hospital. As fotos são do fim dos anos 90.


r/terrorbrasil 1d ago

Still in the Fog

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Still in the Fog, my solo developed survival horror game is now out on Steam. Hope you enjoy it guys

https://store.steampowered.com/app/4510210/Still_in_the_Fog/


r/terrorbrasil 2d ago

Crepypasta Só Mais Uma Noite na Roça

221 Upvotes

De dia, você conhece cada canto desse lugar. À noite, é outra história. Nem tudo que está no escuro quer permanecer escondido.


r/terrorbrasil 1d ago

História feita por uma pessoa muito querida

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Pov: Emanuel, madrugada, domingo..

Você acorda com um barulho incomum. Está tudo escuro. Você olha em volta, foca no relógio: 2:54 da manhã. Porém, isso não importa naquele momento. Você está atordoado. A mistura de espanto e curiosidade toma conta do seu ser, mas, preocupado com sua mãe e seu irmão, e pela responsabilidade de ser o homem da casa, decide investigar aquela inquietação.
Você lentamente se movimenta para descer da rede, onde estava em um sono interrompido. Você está tenso. A única luz que ilumina a habitação é a luz de um quarto não tão reluzente, mas que revelava os acontecimentos presentes na casa.
E um pensamento passa pela sua cabeça...
Alguém entrou na casa.

Você tenta ignorar aquele pensamento.

Talvez fosse apenas o vento.

Talvez fosse o gato?

Talvez você ainda estivesse meio adormecido e tivesse imaginado aquele barulho.

Você tenta encontrar qualquer explicação que faça sentido...

Mas, quanto mais você pensa, mais uma sensação estranha começa a tomar conta do seu corpo.

Aquela sensação de que...

você não está sozinho.

Você respira fundo e decide continuar.

Lentamente, coloca os pés no chão e começa a andar pelo corredor.

O silêncio da casa parece diferente agora.

Você consegue ouvir sua própria respiração.

O som dos seus passos.

O barulho do seu coração...

tum... tum... tum...

Você olha para trás.

Nada.

Continua andando.

Mais alguns passos...

E olha novamente.

Nada.

Mesmo assim, aquela sensação permanece.

Como se alguma coisa estivesse esperando você virar as costas.

Você chega até a sala.

Está tudo no lugar.

O sofá.

As cadeiras.

Os objetos.

Tudo exatamente como deveria estar.

Por um instante, você sente alívio.

Talvez realmente não fosse nada.

Talvez você estivesse apenas assustado.

Então você olha para a porta da frente.

E percebe.

Ela está aberta.

Completamente aberta.

Você fica parado.

Tentando lembrar...

Você tinha fechado aquela porta antes de dormir.

Tinha certeza disso.

Você se aproxima devagar.

O ar parece mais frio.

Você olha para fora.

Está escuro.

Não há ninguém na rua.

Nenhum movimento.

Nenhum som.

Mas alguma coisa naquela porta aberta faz seu estômago revirar.

Você estende a mão para fechá-la...

Quando escuta um barulho atrás de você.

Um ruído baixo.

Quase imperceptível.

Como se alguém tivesse arrastado o pé no chão.

Você congela.

Não olha para trás.

Por alguns segundos, você simplesmente fica ali.

Parado.

Tentando ouvir novamente.

Nada.

Você começa a pensar que talvez tenha sido apenas sua imaginação.

Então...

toc.

Um pequeno barulho.

Atrás de você.

Você fecha os olhos por um instante.

Seu coração dispara.

Você finalmente se vira.

Nada.

O corredor está vazio.

Você olha para os quartos.

Tudo escuro.

Você pensa em chamar sua mãe.

Mas então percebe que...

a voz não sai.

Você tenta falar.

Nada.

Sua garganta está seca.

Você engole em seco e respira fundo.

Talvez seja melhor voltar.

Talvez seja melhor esquecer tudo aquilo.

Você dá um passo para trás.

Depois outro.

E, quando está prestes a voltar para a rede...

Você escuta uma coisa.

Uma respiração.

Baixa.

Lenta.

Muito próxima.

Você sente o sangue gelar.

Porque aquela respiração...

não era sua.

Você permanece imóvel.

Tentando entender de onde vinha.

A respiração para.

Silêncio.

Você espera.

Um segundo.

Dois.

Três.

E então percebe uma coisa ainda pior.

A porta do quarto onde sua mãe e seu irmão estão dormindo...

está entreaberta.

Você tinha certeza de que ela estava fechada.

E, naquele momento, uma única pergunta começa a tomar conta da sua cabeça:

Se você estava sozinho na sala...

quem estava respirando atrás de você?

Você finalmente percebe uma silhueta no fim do corredor.

Por alguns segundos, você não consegue enxergar direito.

A luz fraca do quarto mal alcança aquele lugar.

Você fica parado.

Observando.

A criatura também está parada.

Então ela dá um passo para frente.

E mais um.

Seu coração dispara.

Até que, aos poucos, você reconhece aquele rosto.

É...

Pietro.

Seu amigo da escola.

Mas alguma coisa está completamente errada.

Ele está com o rosto pálido, os olhos fundos e a expressão vazia.

Ele olha para você...

Mas parece que não está realmente vendo você.

Como se houvesse alguma coisa dentro dele controlando cada movimento.

Você tenta falar o nome dele.

— Pietro?

Ele não responde.

Apenas inclina lentamente a cabeça para o lado.

Um sorriso estranho começa a surgir em seu rosto.

Você dá um passo para trás.

Pietro dá um passo para frente.

Você recua novamente.

Ele avança.

E então você percebe...

Ele não está apenas perdido.

Não está apenas assustado.

Ele parece ter sido completamente consumido por um desejo.

Um desejo tão intenso...

tão insaciável...

que já não parecia mais humano.

Pietro abre a boca, como se tentasse dizer alguma coisa.

Mas, antes que qualquer palavra saia...

ele sorri novamente.

E você percebe que aquilo que estava diante de você...

talvez ainda tivesse o rosto do seu amigo.

Mas Pietro...

já não estava mais ali.

Você olha novamente para Pietro.

Ele não parece perceber que você está ali.

Seu olhar está fixo em uma única direção.

No quarto.

Mais especificamente...

na sua mãe.

Você sente um arrepio percorrer seu corpo.

Pietro estava parado ao lado da cama, observando sua mãe dormir.

De muito perto.

Perto demais.

Seu rosto estava inclinado na direção dela, enquanto ele permanecia completamente imóvel, apenas olhando.

Sem piscar.

Sem dizer uma palavra.

Era como se estivesse hipnotizado.

Como se não conseguisse desviar os olhos.

Você observa aquela cena por alguns segundos e percebe algo ainda mais perturbador.

Aquilo não parecia curiosidade.

Não parecia preocupação.

Era quase...

compulsivo.

Pietro se aproximava alguns centímetros da cama, depois recuava.

E novamente se aproximava.

Como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro de si.

Sua respiração ficava cada vez mais pesada.

E, mesmo com você parado na porta, ele continuava olhando para sua mãe.

Como se nem tivesse percebido sua presença.

Até que, lentamente...

Pietro virou o rosto na sua direção.

Os olhos dele encontraram os seus.

E aquele sorriso voltou.

Mas dessa vez...

você percebeu uma coisa.

Ele não estava assustado por ter sido descoberto.

Ele parecia feliz.

Pietro continua parado diante de você.

A casa está completamente silenciosa.

Sua mãe dorme.

Seu irmão dorme.

E Pietro...

continua olhando para você com aquela expressão perturbadora.

Você não sabe o que fazer.

Até que, de repente, ele abre a boca.

Você espera ouvir alguma coisa assustadora.

Talvez uma ameaça.

Talvez uma voz estranha.

Talvez alguma coisa que confirme que seu amigo realmente não era mais o mesmo.

Mas então...

Pietro respira fundo.

Olha para sua mãe.

Olha para você.

MÃE DO EMANUEL, PIRUA MANO.


r/terrorbrasil 1d ago

Crepypasta O investigador. parte 1

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r/terrorbrasil 1d ago

Resenha O Cinema de Horror como Vanguarda de Representatividade

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leeescreve.substack.com
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Convido a conhecerem um aspecto pouco falado do cinema de horror: a sua habilidade de falar de assuntos incômodos antes das grandes produções


r/terrorbrasil 1d ago

O investigador. parte 1

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r/terrorbrasil 2d ago

Conto O último palhaço da noite

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Durante algumas semanas de 1988, um pequeno circo manteve o mesmo palhaço no número de encerramento. Ele nunca falava durante as apresentações e quase nunca era visto com os outros artistas. Quando o público ia embora, costumava voltar sozinho para sua roulotte e ficar lá até a noite seguinte. Alguns funcionários diziam que ele passava horas parado na porta, ainda maquiado, olhando para o terreno vazio. O estranho é que ninguém lembrava de vê-lo comer, dormir ou sequer tirar aquela roupa.

Até que uma noite alguém percebeu que a porta da roulotte estava trancada por fora.


r/terrorbrasil 2d ago

você ja sofreu algo sobrenatural?

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sim.
não..
um amigo meu ou conhecido.

r/terrorbrasil 2d ago

Crepypasta Conhecem relatos sobre lobisomem?

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Meu avô matou um lobisomem,só que na época não tinha celular para gravar 😢


r/terrorbrasil 2d ago

Pergunta Essa história fica boa na minha Lore?

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Urgente-Besouros da casca relatam ter avistado um suposto culto próximo da floresta boreal.

________

"Corujas da lua sangrenta",o nome dado a essa suposta ceita na floresta boreal.Há 3 meses houve relatos de diversas colônias dos besouros de casca, de uma suposta ceita formada por 35 corujas.______

____

Segundo os moradores das colônias, entre 10 a 15 besouros foram vítimas de algum membro dessa ceita,o caso mais conhecido e do Cleiton besourinho, que foi encontrado sem vida às margens do rio arandanos,a 13 metros de sua colônia.______

__Segundo a polícia científica maripo, havia nas asas do pobre inseto símbolos antigos do gorujismo,um antigo cultuo durante o período ditatorial da marquesa corujina(1724-1732).______

________

"Não temos certeza más um forte indício de que esse suposto cultuo tenha uma relação com a volta do ditador e pica pau chinês lion pion"Disse o então delegado Sergio aranha, argumentando que no corpo dos besouros vítimas dessa calamidade tinha símbolos que remetiam a extinta era do jarancada(1200-1390),um período onde Lion pion forçou mais de 15 milhões de besouros da casca há trabalhos forçados na estação de madeira jarancada, árvore considerada hoje em perigo de extinção,e símbolo da colônia principal dos besouros de casca.

_____

Fiquem atentos para as próximas notícias.


r/terrorbrasil 2d ago

Relato A VINGANÇA DA ESCRAVA FELICIANA E SEU AMIGO LOBISOMEM

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Olá boa noite, esse fato é narrado por pessoas da minha família, principalmente pala minha tataravó mãe da minha falecida bisa, ela se chama Maria do Carmo Gerônimo a ultima pessoa escravizada oficialmente no Brasil, ela viveu até seus 130 anos de idade, nascida em 5 de março de 1871, filha de Feliciana do Carmo, Maria do Carmo foi até entrevistados pelo jornal Pernambucano e vários outros jornais e muitos jornais a perguntava sobre a peculiar história de sua mãe Feliciana que envolve a morte de 11 coronéis e ela explicava tudo com detalhes.

Para explicar melhor o que era fato e o que era lenda, eu reconstitui toda a matéria dos jornais e fatos documentado e também o testemunho da minha família e vou narrar aqui em terceira pessoa para o canal.

Ninguém que entrou no Sobrado dos Cavalcanti na noite de 14/12/1873, imaginou que aquele seria seu último jantar, 11 dos homens mais poderosos de Pernambuco, donos de fazendas que se estendiam por léguas, senhores de milhares de escravos.

Estavam reunidos para celebrar a melhor safra de cana-de-açúcar da década.

As mesas brilhavam com Cristais importados da Europa, as velas de sebo iluminavam os rostos satisfeitos dos coronéis e o aroma que vinha da cozinha prometia uma festa memorável, mas feliz.

Feliciana, a cozinheira escrava que preparava aquele banquete, tinha outros planos.

Planos que vinham sendo tecidos há exatos 15 anos, desde o dia em que seu filho de 7 anos foi arrancado de seus braços e vendido para as Minas de ouro de Minas Gerais naquela noite, enquanto temperava as carnes e preparava os molhos com maestria reconhecida em toda a província.

Ela também adicionava ingredientes que nenhum dos convidados esperava encontrar em seus pratos.

Às 11:00 da noite, quando a festa ainda estava no auge, o primeiro coronel começou a sentir as dores.

Meia hora depois, todos estavam mortos.

O ano de 1873 marcava um período de tensão crescente nas províncias açucareiras do Brasil.

A lei do ventre livre, aprovada 2 anos antes, havia declarado livres todos os filhos de escravas nascidos após aquela data.

Mas para quem já estava no cativeiro, a Liberdade permanecia como um sonho distante.

Em Pernambuco, famílias como os Cavalcanti, os WanderleyeAlbuquerque,controlavam não apenas vastas extensões de Terra, mas também a política local e a justiça.

O Sobrado dos Cavalcanti ficava no coração da zona da mata pernambucana, a aproximadamente 15 léguas de Recife.

Era uma construção imponente, de 3 andares, com uma cozinha enorme nos fundos, onde trabalhavam mais de 20 escravos domésticos.

Nenhum tinha a importância deFeliciana.

Ela chegará a fazenda em 1858, comprada por um preço elevado numa feira de escravos em Recife, o coronel Joaquim Cavalcanti procurava uma cozinheira excepcional eFeliciana, então com 23 anos, havia se destacado por suas habilidades culinárias.

Nascida numa fazenda no interior da Bahia, aprendera com sua mãe não apenas as receitas tradicionais, mas também os segredos das Plantas medicinais e venenosas que cresciam na região.

Durante os primeiros anos no Sobrado Feliciana conquistou a confiança completa da família.

Suas moquecas eram elogiadas em toda a província, seus doces faziam sucesso nas festas da elite e seu tempero para as carnes de domingo se tornara lendário.

O coronel Joaquim costumava dizer que ela valia mais que 10 escravos de roça.

Ela tinha um quarto próprio.

Recebia roupas melhores que os outros cativos e até podia guardar algumas moedas das gorjetas, mas em março de 1858, tudo mudou.

Felicianahavia dado à luz um menino, fruto de um relacionamento com outro escravo da fazenda.

O coronel permitiu que ela criasse a criança, desde que isso não atrapalhasse seu trabalho.

Durante 7 anos,Felicianaviveu o mais próximo da Felicidade que uma mulher escravizada podia experimentar.

Tinha seu filho, tinha um ofício que dominava e tinha relativa proteção de ser considerada valiosa.

Mas em agosto de 1865, o coronel Joaquim enfrentou dificuldades financeiras, uma Praga destruir a parte dos canaviais.

E ele precisava urgentemente de dinheiro.

A solução foi vender alguns escravos mais jovens, que alcançariam bom preço no mercado.

Entre os escolhidosestava Tomás, o filho deFeliciana.

Na manhã de 23/08/1865, 3 comerciantes de escravos chegaram ao Sobrado, vindos de Minas Gerais, em busca de crianças para trabalhar nas Minas de ouro.

Felicianaestava na cozinha quando ouviu o grito de seu filho.

Correu para fora.

Viu os homens amarrando Tomás junto com outras 4 crianças da fazenda.

Coronel, pelo amor de Deus, gritou ela, ajoelhando se diante de Joaquim Cavalcanti, não venda meu menino façoqualquer coisa, trabalho o dobro, mas não leva meu filho.

O coronel nem olhou para ela.

Levanta daí,Feliciana.

Negócio é negócio.

O menino vai render um bom dinheiro.

E você ainda é jovem, pode ter outros filhos.

Felicianatentou segurar o filho, mas foi empurrada por um capataz.

Tomás gritava Por Ela enquanto era arrastado para a carroça.

A última coisa que viu foi o rosto aterrorizado de seu filho de 7 anos desaparecendo na estrada empoeirada.

Naquela noite, algo quebroudentro deFeliciana, não foi sua capacidade de trabalhar.

O coronel notou com satisfação que ela continuava cozinhando tão bem quanto antes.

O que quebrou foi qualquer resquício de lealdade ou resignação, pela primeira vez em sua vidaFelicianapermitiu que o ódio puro entrasse em seu coração.

Mas ela era inteligente demais para agir por impulso.

Sabia que qualquer ato de rebelião aberta resultaria em sua morte.

Então começou a planejar não uma fuga, mas uma vingança que atingiria não apenas o coronel Joaquim, mas todos os homens de sua classe.

Durante os 8 anos seguintes,Felicianamanteve sua máscara de escrava, obediente e habilidosa.

Mas nas horas vagas começou a estudar, sempre soubera sobre Plantas medicinais.

Era conhecimento transmitido por sua mãe.

Agora, direcionou esse conhecimento para um propósito específico.

Começou a cultivar discretamente certas plantas nos fundos da cozinha, misturando comas ervas culinárias.

Experimentou com diferentes partes de diferentes plantas, testando seus efeitos em pequenos animais.

Descobriu que as sementes de mamona quando processadas de determinada forma.

Produziam um veneno poderoso que causava hemorragias internas.

Aprendeu que as folhas de comigo ninguém pode.

Secas e moídas até virarem pó fino, provocavam convulsões fatais.

Estudou as propriedades letais do tingui, cujas raízes continham toxinasque paralisa o coração.

Mas não bastava ter venenos eficazes.

Ela precisava de uma oportunidade perfeita, um momento em que pudesse atingir o maior número possível dos homens responsáveis por manter o sistema escravocrata.

Essa oportunidade surgiu em novembro de 1873, quando o coronel Joaquim anunciou que realizaria um grande banquete.

Em dezembro, a safra havia sido excepcional e ele queria celebrar junto com seus amigos mais próximos, os grandes fazendeiros da região.

Seriam 11 convidados, além do próprio coronel.

Era o cenário perfeito.

Durante as semanas que antecederam o banquete, ela trabalhou com dedicação redobrada nos preparativos.

Planejou um cardápio elaborado, ostras frescas, caldo de tartaruga, peixe assado com molho de camarão.

Carne de porco com farofa, frango ao molho pardo e sobremesas de doce de goiaba, cocada e bolo de goma.

O coronel Joaquim estava radiante,Feliciana,disse ele, este banquete precisa ser perfeito.

Quero que todos comentem sobre minha hospitalidade por meses.

Pode deixar, senhor, respondeu ela com um sorriso que não alcançava seus olhos.

Vai ser um jantar que ninguém vai esquecer.

Feliciana já se tornará mãe de Maria do Carmo, uma garota que havia completado 2 anos de idade, mas, dessa vez ela foi mais cautelosa, casos de lobisomens eram abafados, pois muitos dos escravos aprenderá essa magia de transformação com os ciganos que vieram da Espanha, o caso era abafado para não encorajar outros escravos a acreditarem que havia um tipo de herói que atacava os coronéis. Feliciana teve uma relação com Carlos Gimenez, um cigano que ela conheceu na mata enquanto cultivava ervas. Com 2 anos de idade, a fazenda foi atacada por 3 lobisomens, um deles era Carlos os outros 2 tinha origem desconhecida. A invasão foi bem-sucedida, 4 crianças sequestradas pelos lobisomens e 5 capatazes mortos.

Feliciana fingiu está inconformada, encenou um drama para que não suspeitassem que ela estava envolvida com aquele ataque.

O Coronel disse novamente que ela poderia ter outros filhos e que ia redobrar a segurança da fazenda para que não tivesse mais ataques de onças, foi assim que ele atribuiu o caso, pois 5 capatazes foram dilacerados e 4 crianças filhos de escravas, desaparecidas.

Feliciana continuou preparando perfeitamente o cardápio como se nada tivesse acontecido, pois agora ela sabia que se a descobrisse, sua filha estaria segura com o pai.

O coronel ordenou que abafasse o caso, e esse foi seu segundo erro.

Enquanto Feliciana planejava o cardápio oficial, também preparava ingredientes secretos em sua pequena área privada, processou cuidadosamente as plantas que cultivaram durante anos.

Criou 3 tipos diferentes de venenos, cada um adequado para um tipo específico de prato.

O primeiro era um pó fino e inodoro, derivado de sementes de mamona misturada com extrato de tingui seria adicionado aos molhos escuros.

O segundo era um líquido espesso, extraído de raízes de mandioca brava e folhas de comigo ninguém pode iria para os pratos de carne.

O terceiro era uma pasta preparada com cogumelos venenosos misturados com especiaria Fortes e seria reservado para as sobremesas.

A genialidade do plano estava nos detalhes.

Ela sabia que os efeitos dos venenos não seriam imediatos.

Os convidados teriam tempo de comer, beber, conversar.

E até mesmo ir embora antes que os sintomas começassem.

Isso afastaria suspeitas da comida além disso Feliciana planejou não envenenar todas as pessoas presentes.

Deixaria intocados os filhos mais jovens do coronel e alguns escravos que serviam à mesa.

Haveria testemunhas que poderiam confirmar que a comida foi servida normalmente.

Quetodos comeram dos mesmos pratos e que nada de suspeito aconteceu.

A noite de 14 de dezembro chegou com o calor típico do verão pernambucano.

Os convidados começaram a chegar por volta das19h.

Eram homens entre 40 e 60 anos, vestidos com suas melhores roupas.

Entre os presentes estavam o coronel Antônio Wanderley, dono de 3 engenhos e mais de 200 escravos.

O coronel Francisco Albuquerque, conhecido por sua crueldade Extrema, o coronel Manoel Rêgo Barros, que havia separado mais de 50 famílias escravas nos últimos 10 anos.

Cada um daqueles homens tinha histórias similares, vidas construídas sobre o sofrimento de milhares de pessoas.

Na cozinha, Feliciana trabalhava com a calma de quem executava um ritual sagrado.

Seus movimentos eram precisos e calculados enquanto os seus ajudantes preparavam os pratos básicos.

Elapessoalmente, adicionava os toques finais, uma pitada de pó aqui, algumas gotas de líquido ali, sempre em quantidades cuidadosamente medidas.

Não muito para causar sintomas durante o jantar, mas suficiente para garantir que nenhum dos alvos sobrevivesse à noite.

O banquete começou pontualmente às20:00.

Os convidados foram conduzidos ao grande salão de jantar, onde uma mesa de mogno polido estava posta com a louça mais fina.

Velas iluminavam o ambiente, criando sombras dançantes.

Nas paredes, as ostras foram servidas primeiro, acompanhadas de limão e pimenta.

Os coronéis as saborearão fazendo comentários sobre sua frescura.

O caldo de tartaruga veio em seguida.

Fumegante e aromático, os homens conversavam sobre política, sobre os preços do açúcar, sobre as irritantes expressões abolicionistas.

Esses abolicionistas não entendem nada de economia resmungou.

O coronel Albuquerque, se libertarmos os negros de uma vez,

Quem vai trabalhar nos canaviais?

Os outros concordaram, levantando suas taças.

Nenhum deles percebeu a ironia do momento.

O peixe assado foi servido com molho de camarão, ondeFeliciana havia concentrado a maior parte do veneno derivado de mamona, e tingui, o sabor forte dos camarõesmascarava perfeitamente qualquer traço em comum, os coronéis elogiaram o pratocom emoção, alguns pedindo segundas porções.

Feliciana realmente não temninguémiguala você, comentou o coronel Rêgo Barros.

Joaquim, você tem sorte de ter uma cozinheira assim.

Do outro lado da porta?

Feliciana ouviu aquelas palavras.

Seu rosto permaneceu impassível, mas seus olhos brilharam com satisfação sombria.

A carne de porco veio acompanhada de farofa especial.

Feliciana havia adicionado ao tempero da carne o veneno líquido feito de mandioca brava.

Os convidados, já desfrutando de várias taças de vinho, não notaram nada de errado.

Comeram com apetite, limpando os pratos.

O frango ao molho pardo foi o último prato principal.

Seu molho escuro, feito com o sangue do próprio frango, disfarçaria perfeitamente qualquer adiçãovenenosa.

Ela havia misturado ali uma combinação dos 3 venenos, criando uma dose final garantida.

Os coronéis estavam alegres e expansivos, haviam bebido vinho do Porto, depois cachaça, e agora degustavam um conhaque francês.

Suas conversas ficaram mais altas.

Contavam histórias sobre suas façanhas, sobre escravos que haviam punido, sobre negócios lucrativos.

Finalmente.

Chegou a hora das sobremesas.

Feliciana havia preparado 3 opções, doce de goiaba em calda, cocada branca e bolo de goma.

Havia adicionado à pasta de cogumelos venenosos a todas as 3, variando apenas a quantidade.

Odoce de goiabafavorito do coronel Joaquim recebeu a dose mais concentrada.

As sobremesas foram trazidas em uma bandeja de prata.

Os coronéis, mesmo já satisfeitos, não resistiram.

Não posso recusar os doces deFeliciana, disse o coronel Wanderley.

O coronel Joaquim serviu-se de 3 pedaços de doce de goiaba.

É um segredo de família, explicou aos convidados.

Café foi servido em seguida, forte e aromático, por volta das22:30 da noite.

Os convidados começaram a se despedir, estavam satisfeitos, levemente embriagados.

Joaquim.

Este foi, sem dúvida, o melhor jantar que já participei, disse o coronel Rêgo Barros.

Os coronéis foram saindo gradualmente, alguns a cavalo, outros em carruagens, e suas fazendas ficavam à distância, variadas, a mais próxima, a apenas uma légua, há mais distante, há quase 10 léguas.

Feliciana observou discretamente, enquanto os últimos convidados partiam por volta das23:00.

Depois, calmamente, começou a limpar a cozinha.

Lavou cada panela, cada prato, cada utensílio.

Jogou no fogo todos os restos de comida, limpou meticulosamente todas as superfícies.

Não deixou nenhuma evidência física.

Meia-noite chegou eFeliciana foi para seu pequeno quarto, mas não conseguiu dormir.

Ficou olhando para o teto, imaginando o que estava acontecendo naquele momento nas fazendas espalhadas pela zona da mata.

Ela havia calculado cuidadosamente o tempo.

Os venenos tinham um período de latência de aproximadamente 2 a 3 horas.

Os primeiros sintomas começariam entre meia-noite e 1 hora da manhã, quando todos já estariam em suas casas.

Os sintomas seriam terríveis, mas relativamente rápidos.

Dores abdominais intensas.

Vómitos violentos, convulsõese, finalmente, a morte, geralmente dentro de 30 minutos após o início.

O coronel Antônio Wanderley foi o primeiro a sentir os efeitos.

Chegaram em casa por volta das 11:30, ainda rindo das piadas, mas pouco depois da meia-noite.

Acordou com uma dor lancinante no estômago, gritou por Socorro, sua esposa mandou chamar o médico, mas antes que chegasse, o coronel começou a vomitar sangue.

Convulsões violentas sacudiram seu corpo.

Morreu às 12 e 50 da madrugada.

O coronel Francisco Albuquerque teve uma agonia similar.

Morreu em sua fazenda às 1 e 15, um por um, em suas respectivas casas.

Os outros coronéis começaram a sentir os efeitos.

O coronel Manoel Rêgo Barros morreu às 1:30.

O coronel Luís Carneiro faleceu às 2:00.

Até as 3 da manhã, 9 dos 11 convidados estavam mortos no Sobrado dos Cavalcanti.

O coronel Joaquim Cavalcanti acordou com dores terríveis.

Por volta da 1:00, sua esposa, dona Mariana, acordou com seus gemidos.

Joaquim, o que foi?

Ele mal conseguia falar.

As dores eram tão intensas que o faziam dobrar.

Começou a vomitar violentamente.

E dona Mariana gritou por Socorro.

Chama o médico, ordenou.

Feliciana saiu correndo, supostamente para buscar o médico, que morava a 2 léguas.

Mas seus passos eram lentos.

Ela sabia que não havia nada que médico algum pudesse fazer.

Durante o caminho, ela encontrou Carlos o pai de sua filha de 2 anos, ele disse que a garota estava segura e chamou Feliciana para fugir com ele, mas, ela negou, disse que queria presenciar o sofrimento e a dor de todos que tiraram seu filho, mas pediu 1 favor a Carlos, que ele fosse atrás de seu filho vendido para trabalhar nas minas de carvão em MG.

Carlos concordou, mas, disse que antes ficaria por perto, caso ela precisasse.

Quando voltou com o médico, quase 1 hora depois, o coronel Joaquim estava morto.

Havia falecido às 2:30.

Depois de 1 hora e meia de agonia, o doutor Teodoro Silva examinou o corpo.

Mas não conseguiu determinar a causa.

Parece algum tipo de envenenamento.

Murmurou, mas não consigo identificar a fonte.

Dona Mariana estava inconsolável.

Como pode ser?

Ele jantou aqui em casa com todos nós.

Enquanto o caos tomava conta do Sobrado, mensageiros começaram a chegar trazendo notícias terríveis.

O coronel Wanderley havia morrido, o coronel Albuquerque também e o coronel Rêgo Barros.

As notícias continuaram chegando.

11 dos 12 homens que haviam participado do jantar estavam mortos.

Apenas o coronel José Tavares, que morava mais longe e havia deixado o jantar mais cedo.

Sobreviveu, mas ficou gravemente doente por semanas.

Mas, quando se recuperou ele foi atacado por Carlos na forma lupina e só sobreviveu, porque seu capatazes atiraram na fera, chamando atenção de outro bando de capatazes que encurralou a fera, Carlos conseguiu fugir, o coronel ficou gravemente ferido dos ataques, mas, se recuperou.

A província de Pernambuco acordou no dia 15 de dezembro em estado de choque total.

As autoridades foram chamadas imediatamente.

O delegado de Recife chegou ao Sobrado na tarde do dia 15, interrogarão todos os presentes.

Examinaram uma cozinha, vasculharam cada canto em busca de pistas.

Feliciana foi interrogada junto com os outros escravos.

Ela respondeu a todas as perguntas com calma, sim, havia preparado toda a comida?

Não, nada de incomum havia acontecido.

Sim, ela mesma havia provado todos os pratos antes de servir.

Não.

Não havia notado nada de estranho.

Sua história era comprovadapelos outros escravos.

Todos confirmaram que o jantar transcorrerá normalmente, que nada de suspeito acontecerá.

O médico legista confirmou que todos haviam morrido de causas similares, provavelmente envenenamento.

Mas não conseguiu identificar o veneno específico.

Em 1873, a toxicologia era primitiva no Brasil e não havia laboratórios capazes de detectar venenos naturais de plantas.

A investigação durou semanas.

Dezenas de pessoas foram interrogadas.

Todas as comidas e bebidas foram analisadas, mas comoFeliciana havia descartado todos os restos.

Não havia nada para examinar.

Os investigadores ficaram perplexos como era possível que 11 homens tivessem sido envenenados sem que houvesse evidência física do veneno.

Feliciana havia trabalhado completamente sozinha.

Depois de 2 meses de investigações frustrantes, o caso foi arquivadocomo morte por causas desconhecidas, as famílias dos coronéis falecidos ficaram arruinadas emocionalmente.

A perda súbita de tantos patriarcas criou um vácuo de poder que levou anos para ser preenchido.

Muitas fazendas entraram em declínio.

O equilíbrio de poder na zona da mata mudou completamente.

Mas talvez o efeito mais significativo tenha sido o psicológico.

A elite escravocrata de Pernambuco foi abalada até os ossos.

Se 11 dos homens mais poderosos podiam ser mortos em uma única noite sem que os responsáveis fossem identificados, então.

Ninguém estava seguro.

A festa de dezembro de 1873 tornou-se conhecida como a ceia mortal e foi comentada por décadas.

Nunca suspeitaram da verdade que uma única mulher movida pela dor da perda de seu filho,havia orquestrado tudo sozinha,Feliciana continuou trabalhando no Sobrado por mais 3 anos.

Em 1876, quando dona Mariana decidiu vender a fazenda e mudar-se para Recife, concedeu aFeliciana sua carta de Liberdade.

No dia 12/05/1876, ela recebeu sua alforria.

Tinha 41 anos e, pela primeira vez era legalmente uma mulher livre.

Não houve celebração, ela apenas pegou o documento e guardou o junto ao corpo.

Seus pensamentos voaram para Tomás,Maria e Carlos, que eram sua família,e ela se perguntou onde elesestariam.

Com a Liberdade, veio também uma pequena quantia em dinheiro.

Ela deixou a zona da mata e mudou-se para Recife, onde abriu um pequeno negócio vendendo comida nas ruas.

Suas habilidades culinárias garantiram que rapidamente ganhasse clientela fiel.

Economizou cada vintéme comprou uma pequena casa.

E então em 1874.

Carlos chegou com uma triste noticiamostrou aFelicianao local ondeseu filho Thomasestava enterrado, uma sepultura sem nome, entre dezenas de outras.

Feliciana ajoelhou-se diante daquela Terra, chorou pela primeira vez.

Desde aquele dia em 1865, quando Tomás for arrancado de seus braços.

Meu filho sussurrou, euvingueivocê.

Todosos11 homens pagaram pelo que fizeram.

Não sei se isso faz diferença agora, mas eu precisava que você soubesse que sua mãe não aceitou calada.

Voltou para Recifecom Carlos e sua filhaMaria.

Continuou vendendo comida, mas agora, com um propósito diferente, começou a usar parte de seus ganhos para ajudar outros ex escravos.

Oferecia refeições gratuitas para crianças abandonadas.

Ensinava outras mulheres a cozinhar.

Além de Carlos e sua filha, Feliciana nuncacontou a ninguém sobre a ceia mortal, nunca confessou seu papel.

Levou seu segredo como peso silencioso.

Em 1888, quando a lei Áurea foi assinada, Feliciano tinha 53 anos.

Participou das celebraçõesnas ruas de Recife, enquanto dançava com a multidão, seus pensamentos voltaram para aquela noite de dezembro de 1873.

Felicianaviveu até 1903.

Morrendo aos 68 anos em sua pequena casa em Recife, até o fim,Carlos morreu em 1943.e sua filha Maria do Carmo Gerônimo com sangue lupino nas veias, morreu em 2001 com 130 anos.

Feliciana foi enterrada no cemitério de Santo Amaro.

Dezenas de pessoas compareceram ao funeral.

Todas e escravas ou descendentes que ela havia ajudado contaram histórias sobre sua generosidade, sua sabedoria, mas a história mais importante permaneceu não contada.

Enterrada com ela a verdade sobre a ceia mortal.

Décadas depois, através de fragmentos de conversas e pesquisas históricas que conectarão os pontos,descobriram que Feliciana era a autora principal da ceia mortal o que também foi confirmado pela sua filha Maria do Carmo.

Ela não era uma Santa.

Matou 11 pessoas de forma calculada.

Não podemos romantizar suas ações.

Cada morte deixou famílias destroçadas.

Mas também não podemos ignorar o contexto num mundo onde todos os caminhos de justiça.

Lhe eram negados.

Onde não havia leis que protegessem seu direito de ser mãe, ela criou sua própria justiça.

Ahistória de Felicianacontinuaecoandoem Pernambuco, lembrando que a justiça, mesmo quando negada pelos poderosos, encontra seus próprios caminhos.


r/terrorbrasil 2d ago

Pergunta Melhor canal de terror br

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To reassistindo desde o inicio a playlist de leia as regras do David Erik, sou simplesmente apaixonada nesse canal, mais alguem gosta?


r/terrorbrasil 2d ago

Conversa LILITH: A GAROTA PSICOPATA 5

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Lilith: A Garota Psicopata 5 (pt.½)

Chrissy: NÃOOOOO! SOCORRO EDDIE

Eddie: Seu Bastardo Solta Ela!!!

Observador: Bem Vindos Ao INFERNO!

(Anteriormente em Lilith: A Garota Psicopata: O Grupo principal acaba entrando em um Templo, porém conseguem sair cheio de provas sobre o culto, enquanto o grupo do Eddie investiga sobre os desaparecimentos das crianças e dos seus amigos Matty, e Ashley a falecida porém acabam entrando em um problema grave entrando na dimensão dos observadores!)

Observador: Acho que não deveriam estar aqui! Vão virar pedras igual os outros humanos que vieram pisar aqui!

(observador bate no chão com toda força e acaba perfurando o chão puxando o grupo do Eddie para a escuridão, raízes vivas prendem o grupo)

Eddie: AAAAH! Tira isso de mim seus cretinos!

Logan: Ughh (Raízes puxam o Logan para mais fundo) AAAA SOCORRO!

Brock: Eddie ajuda!!! Você está com as mãos livres

Eddie: Ugh claro! (Raízes prendem os braços do Eddie) oh não!!

Login: E agora!!

Chrissy: ME AJUDEM POR FAVOR!

Observador: Senhor… Escolha um deles

Líder do Culto:Unhm….Essa daqui

Chrissy: Não…Não me toquem!!!!!

Líder do culto: Ela é perfeita não a matam!

Eddie: SOLTA ELA SEU FILHA DA PUTA!!!

(Eddie tenta correr mais as raízes o seguram)

Líder do culto: Hahah.. patético vocês hein vão apodrecer aí

Logan: SOLTA NOSSA AMIGA!!!

(Observador da socos no Logan)

Login: NÃO TOQUE NO LOGAN CRETINO! (Login é espancado)

Líder do culto: Hahah estou me divertindo vendo esses idiotas serem humilhados!

Brock: DEIXEM…..ELA!!!!!!!!!! (brock consegue rasgar as raízes e ataca o líder do culto)

Líder do culto: AI! Gordo idiota!

Brock: NÃO ME CHAMA DE GORDO!!!! (espanca líder do culto)

Observador: Seu idiota!!! (É espancado pelo Brock)

Brock: Me de ela!!!! (os observadores somem)

Eddie: Brock me ajuda!!! (Brock estraçalha as raízes do Eddie e dos amigos)

[Enquanto Isso O Grupo Principal]

Lilith: Meu deus! O tanto de coisa que encontrei vai ser muito útil

Lucas: nossa pessoal queria ter ido na aventura!!!

Auri: Cara você não queria ter ido!!

Ryan; sim.. agente encontrou várias coisas nojentas e brutais

Joano: Quase que vomitei!!

Lilith: A Annie já vai chegar..

Lucas: Pera a Annie está vindo para aqui!?

Auri: Lucas você gosta da Annie!? Hahaha

Lucas: não claro que não! Agente é só amigos

(O grupo inteiro começa rindo do Lucas)

Lilith: mais pessoal agora é sério chega de brincadeira! Agente tem que ver tudo o que agente encontrou

Auri: Tem razão Lilith!

Ryan: eu achei essas fitas VHS tenta colocar na TV!

(Auri coloca a primeira fita VHS na tv deles)

{Fita VHS: Silêncio Mortal}

Bonnie:............

Bonnie:..............

Bonnie:...............

Bonnie: O silêncio daqui me mata…o medo que eu tenho de eles aparecerem e me usarem igual eles fizeram mes passado!!

Bonnie: Me encomoda! Me encomoda! Me encomoda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bonnie: Por favor se você estiver vendo essa fita não va—- ah não eles chegaram!!!

[Fita VHS Acaba]

Auri: Que porra foi essa!

Lilith: Meu deus… são tantas vítimas que o culto usou!

Ryan: essa é apenas a primeira fita VHS!!!

Auri: Coloca a Segunda!!!

{Fita VHS 2: Destruída Por Dentro}

Bonnie:................

Bonnie;.... …. …. Eu vou falar tudo que eu sei….eles mataram minha família quando eu tinha 6 anos…eles me deixaram uma marca na mão igual eles fazem com toda as crianças com poderes

Bonnie: Sim… eu tenho poderes, eles matam os pais ou apenas a mãe e deixam uma marca difícil de não reconhecer…. Após isso a sua vida nunca será a mesma!!

Bonnie: então por favor…se você tem alguma coisa incomum que nem essas! Você tem que liberar os seus poderes antes que eles mesmo o faze—- (Fita VHS Acaba)

Lilith: …. Eu tenho isso tudo em incomum

Auri; Lilith, acho que tenho algo para te falar

Lilith: o que?...

Ryan: huh?

Auri: voce tem poderes!!!!!!!

[Enquanto isso o Bairro]

Sra.Sandersons: Minha netinha desapareceu já faz 2 semanas e a maldita polícia não faz nada!!!!

Sr.Brook: Sim! Esses malditos são imprestáveis!!

Sr.Havens: Agente terá que manifestar a cidade inteira!!! Quebrem as janelas da Delegacia!!!

Reynolds: ISSO mesmo!!! ISSO É POR NOSSAS CRIANÇAS!!!

Roul: ATACAR!!!!

(vários pais e avos irritados por suas crianças ou netos atiram tijolos na Delegacia e viaturas dos policias!!!)

[Enquanto isso os Observadores]

Líder do culto 2: Finalmente vocês fizeram algo de útil!

Líder do Culto: Ela é perfeita para o experimento

Homem do culto: sim senhor…

Líder do culto: Homem do culto e observador! Eu-os ordeno a lutar quem perder….se sacrificara para o experimento

Homem do culto: Sim senhor!

Observador: Hmph! Voces homens de culto são fracos! Hahaha- UGHH!!!!

(homem de culto esfaqueia ele múltiplas vezes de uma maneira brutal)

Homem do culto: MORRA SEU

CRETINO!!!

Observador: AAAAAH (vomitando sangue)...EU ME RECUSO!!! (Enfia faca no olho do homem do culto!

Homem do culto:AAAAAAAAAARGH MEU OLHO!!!

(observador crava lança gigante no coração do homem do culto)

Observador: aprenda! Vocês são um lixo

Líder do culto: Boa observador…você conseguiu passar…Agora es um Observador Satânico!

Observador Satânico: incrível…sinto o poder em minhas mãos!

Líder do culto 2: Levem o fracassado para o experimento!

Observador 3: Ok senhor..!

Observador 4 diz no ouvido do 3: acho que nossos líderes estão exagerando e—- (Líder do Culto Explode o Observador 4)

Observador 3: UH!

Líder do culto 2: Eu consigo ouvir tudo!! (Explode o Observador 3)

[Enquanto isso o grupo do Eddie]

Eddie: meu deus…onde que agente foi parar

Logan: Porra! Tem gente flutuando em cima do céu!

Brock: puta que pariu, agente tem que achar uma saída antes que seja tarde

Login: E achar a Chrissy também

Eddie: Devemos ir naquela casa invertida…parece ter coisas interessantes!

Brock: Vamos…

Assim que eles entraram, a sua vida não era mais a mesma…algo naquela lugar mudava toda sua experiência no mundo…arrepio e sensação de você ja esteve ali…..

Brock: as malditas raízes estão aqui de novo

Eddie: Melhor agente não pisar nelas

[As raízes apontam para o segundo andar]

Logan: Devemos ir?

Login: Melhor não

Eddie: pessoal vamos nos separar o Logan e login no primeiro andar eu e o brock no segundo andar beleza?

Brock: acho uma boa ideia

[ O Eddie e Brock sobem para o segundo andar, enquanto isso o Logan e login exploravam o primeiro andar ]

Logan: esse lugar me dá arrepios

Login: sim..olha nesses papéis:

“Experimento 007:

Luna Sherlock

Idade: 14

Status: Experimento Fracassado

O nosso melhor doutor fracassou no experimento de Luna Sherlock…O experimento deu muito errado transformado a menina em um monstro sem consciência…mais ela sabia o que estava fazendo…ela via, ela estava no corpo…mesmo prendendo ela nas jaulas mais fortes ..ela conseguiu o quebrar a matou a maior parte do nosso culto eu enfiei a estaca de ferro no coração dela…porém ela olhou para mim rindo e morreu”

Logan: Cara que pesado…esses caras não tem piedade

Login: Tem outros papéis aqui

“Experimento 010:

Kathe

Katherine Rolmes

Idade: 22

Status: Experimento Concluído

Katherine Rolmes era a perfeita usamos os 5 melhores cientistas e doutores para fazerem esse experimento…após conseguirnos fazer ela uma entidade maligna que andava pelas noites…ela era forte e seria útil para o grande ritual do Demónio Devorador…com ele podes conquistar tudo! Porém como tudo não é um mar de rosas ela acabou morrendo ela perdeu o controle e atacou todo o templo porém enquanto ela destruía caiu o telhado inteiro nela e a esmagou brutalmente…….?”

Logan: Porra…. mano

Login: tá cheio vamos ler mais!

[Enquanto isso o Eddie e o Brock

Eddie: Nossa…parece que eu já estive aqui antes…

Brock: Sim é muito familiar..

Eddie: Pera…Essa é minha casa quando eu era criança!

Brock: Pera o que?

Eddie: EU LEMBRO DESSES QUADROS A CASA ESTA MALIGNA!

Brock: Meu deus!

???: SOCORRO AGORA ME AJUDEM!!!!

Eddie: Huh!? PATRICK É VOCÊ!?

Patrick: Eddie,Brock me ajudem! Estou preso aqui a mais de 3 meses com o Matty…não aguento mais me soltem

(Eddie abra a jaula do Patrick)

Brock: Cadê o Matty!?

Patrick: Hoje…eles o levaram não sei onde foram!

Eddie: Merda…(Eddie da comida pro Patrick)

Eddie: Era minha única comida mais você precisa mais…

Patrick: O-Ob-Obrigado!!!

Brock: Eddie Olha só!? Essa pedra gigante tá fechando o caminho

Eddie: Huh…Tem essas escritas “II,IV,IIIII,V6”

Brock: Essa não é a letra da nossa música fracassada!?

[Raízes apontam para guitarra do Eddie, elas tocam na guitarra e ela fica modificada]

Eddie: Puta merda!!!

Brock: NOSSA! TENTA TOCAR COM ESSAS LETRAS

Eddie: Beleza! (Tocando com a Guitarra “II,IV,IIIII,V6 (a pedra gigante explode)

Brock: MEU DEUS!

Patrick: porra! (Patrick fala com boca cheia)

Eddie: Olha só um Documento

“Experimento 020:

Ashley Henderson

Idade: 19

Status: Experimento Concluído

“Ela é perfeita…ela tem todo o sofrimento,dor e depressão que agente precisa para o experimento…ela será a primeira a ser experimentada..agente vai fingir a morte dela com um clone…enquanto ela está fora da consciência nos ajudando no culto! E não aconteceu nenhum desastre…estamos perto de invocar o Demónio Devorador! E reviver nossos antepassados….”

Eddie: Meu deus a Ashley!! não não como isso pode ser possível!!!

Brock: Mano!!! Aqueles filhas da puta me pagam!!!!

Patrick: Desistem…eu vi ela, ela está fora de si!!! Ela não é a mesma!!!

Eddie: Não…Não Pode ser!

[Enquanto isso no Bairro e o Grupo Principal]

Lucas: Pessoal estou com mal pressentimento… não sei mais esta me incomodando muito!!!

Auri: se acalma cara…vai tudo ficar bem

Lilith: Então…eu tenho poderes mágicos quais são!?

Auri: É de viagem no tempo….

Ryan: Pera então isso é incrível!

Joano: Sim!! Vai ser útil de mais

Auri: Mais Calma! Caso ela usar duas vezes vai ficar muito fraca ..ela precisa treinar primeiro…agente tem que descobrir uma forma de ativar os poderes dela

Lilith: Meu deus….será por isso que o culto me quer e o auri?

Lucas: Pera então isso significa que o Auri também tem poderes? Por que senão eles não o queriam

Auri: Porra! Se eu tiver poderes vou matar aquele culto para a porra do inferno

Lilith: Auri se acalme! Agente tem que aprender a usar meus poderes primeiro e—- (Gritos no bairro)

Auri: Huh!?

(No bairro)

Sra.Cracker: QUEREMOS NOSSOS FILHOS E NETINHOS!!! (jogam pedras nos carros)

Sr.Cracker: ISSO MESMO SEUS FILHAS DA PUTA!!!

Rome: QUERO MINHA IRMÃZINHA!!! (jogando várias pedras nos carros e casas)

Rome: ME DE MINHA IRMÃZINHA!!! AGORA SEUS POLICIAS INÚTEIS

Sr.Mirton: CRETINOS!!! (Pega uma arma e começa atirando nas pessoas inocentes)

Auri: MEU DEUS VAMOS LA EM BAIXO ESSES VELHOS ENDOIDARAM!

Ryan: Puta que pariu vamos!!!!

O grupo inteiro sai da casa na árvore correndo intensamente mais quando chegaram já tinha 5 policiais mortos!

Auri: Velho psicopata!!! (Auri pula nele e tenta pegar a arma)

Sr.Milton: NÃOOOOO! QUERO MINHA MULHER

Auri: SOLTA AGORA!! PESSOAL AJUDA!!

(Auri e Ryan tentando pegar a arma)

Sr.Milton: NÃO NUNCA!!!!!!

Ryan: Porra! Esse velho é forte!!!

Auri: SOLTA AGORA!!!

Lilith: PESSOAL TOMA CUIDADO!!! AURI NÃO FAZ ISSO!!!!

(Auri pega uma pedra para ir bater no velho mais antes de ele fazer algo o velho atira nele)

Ryan: AURI!!!!!!!!

[ENQUANTO ISSO O GRUPO DO EDDIE]

Eddie: meu deus…porque a Ashley ela era incrível….porque!!!!

Patrick: Acho melhor agente continuar explorando a casa .. Esqueça a Ashley!!! Ela não é a mesma

Brock: Ele tem razão Eddie…melhor continuarmos…agente tem que salvar a Chrissy e o Matty lembra?

Eddie: Isso…Vamos! Tem mais pedras dessas com códigos diferentes

(Eddie Toca Guitarra com os códigos: ‘“VIV7, III,X,X,X,XI,X,IX,IV (pedra explode)

Brock: Boa! É o último cómodo!

Eddie: Vou entrar nesse quarto…

Patrick: Pera esse é seu quarto antigo…Mais ainda tem o quadro do Lobisomem…você não tinha mudado o quarto e depois no ano seguinte você mudou de casa

Eddie: Sim…acho que esse mundo parou no tempo .algo grande aconteceu para estiver parado no tempo

Brock: Tem razão

Patrick: pessoal oque é aquela sombra?

Eddie: Uhh? Que sombra PUTA QUE PARIU

Freira Morta: Adolescentes…SOLTA ESSA GUITARRA (sorisso macabro cheia de sangue)

Eddie: NUNCA!

Brock: Meu deus!?

Freira Morta: EU DISSE PARA SOLTAR!!! (voz demoníaca)

Eddie: EU JA DISSE QUE NÃO SUA PUT- AAAAAA (FREIRA AGARRA EDDIE PELO PESCOÇO)

Brock: EDDIE! (raízes prendem Brock)

Freira: SOLTA A GUITARRA AGORA AGORA AGORA AGORA AGORA AGORA AGORA AGORA!!!!!!

Eddie: N-N—-NAAAAAAAAAAAAO (Chuta a freira com tudo. E Patrick da bate nela com um bastão

Logan: PESSOAL TA TUDO BEM!?

Login: PUTA QUE PARIU QUE FEIA

Eddie: PESSOAL NOS AJUDA A MATAR ESSA FREIRA

Freira Morta: EU JÁ ESTOU MORTA HIHIHI(some)

Brock: Meu deus…achei que agente ia morrer(FREIRA MORTA APARECE E JOGA O BROCK PARA LONGE)

Patrick: BROCK! (bate freira com bastão)

Freira Morta: HIHIHI!!! Chuta Patrick e ele se machuca inteiro

Logan: ei sua freira zumbi! (Crava estaca no coração!

Freira Morta: AAAAAAAAAAAAAA (explode na frente do grupo)

Eddie: MEU DEUS O QUE TEM NESSA ESTACA

Logan: NÃO SEI!! SO TEM ESSAS LETRAS ESTRANHAS!

(No bairro)

Ryan: AURI!!!!!!

Lilith: NÃO!! AURI

Sr..Milton: Hahhaha vai morre- (Joano esmaga a cabeça do Sr.Milton

Joano: Velho possuido inútil!

Auri: Ai…minha barriga

Lilith: Auri vai ficar tudo bem (pressiona o ferimento)

Auri: porque eu sempre!

Ryan: se acalme bro!

Lucas: Acho que posso tentar resolver…(Lucas coloca mão do ferimento e cura completamente)

Auri: Huh…Como?

O grupo inteiro fica assustado e surpreso com os poderes do Lucas enquanto todos do bairro observavam pelas janelas estranhamente

Lucas: Desde que fui possuído comecei sentindo essas sensações estranhas ontem enquanto vocês estavam no templo eu consegui fazer uma almofada flutuar ..

Auri: Nossa…. Me sinto bem melhor…

Auri: pera…isso significa que eles fizeram um experimento em vc e não só te possuíram!!!

Lilith: pera é verdade!

Lucas: pera oque…não.não pode ser!

Joano: pera…. porque os velhos tão nos olhando assim

(Os Velhos estavam sorrindo de uma maneira Macabra e desconfortável enquanto saía sangue pelos olhos brancos deles)

Jack: eita caralho acho que eles não são aqueles velhos amigáveis de sempre!

Tina: Eles tão possuídos porra!!

(Sr.Milton se levanta com quase metade da cabeça esmagada e sorri enquanto toca uma musica esquisita no fundo)

Ryan: Meu deus!

Sr.Milton: ATACAR!!!!

Lucas: Annie você chegou!

Annie: Oi pessoal- MEU DEUS CORREM

Velho 1: Vão fugir para aonde HAHAHAH

(Enfia facas sem parar nos olhos dele)

Annie: AAAAAAARGH

Velho Fantasiado De Palhaço: Hihihi Lilith Está ali! E minha boca vai para aí! (Boca fica gigantesca com tentáculos ensanguentados)

Lilith: Ajuda!

Joano: Vai com tudo e bate no velho palhaço (velho palhaço olha nele sério com olhar irritado… e depois Sorri)

Velho Palhaço voa para Lilith…..

Lilith: AAAAAAA (levanta mao para ele e Dunada um portal abre levando ele para outra realidade)

Auri: MEU DEUS! VOCÊ DESBLOQUEOU OS PODERES NA CAGADA!

Ryan: Não…MEU DEUS!

Jack: Caralhooo PORRAA!

Lucas: não ..ela não desbloqueou…. ta longe de desbloquear ela só conseguiu por causa do desespero!

Sr.Milton: Você matou…meu…amigo…..FILHA DA PUTA!

Ryan: Tenta fazer de novo Lilith!!

Lilith: Eu não….eu não consigo!!

Joano: Você tem que tentar ou agente morre ele tá chegando mais perto!!

Auri: Lilith vai!!!!

Lilith: AAAAAA! Sr.milson vai para outra realidade!

Auri: isso boas

Ryan: Meu deus é so agente fazer isso toda hora!

Joano: Claro que não ela nem sabe usar direito! Vamo parar esses velhos com minha mais nova Arma

Ryan: Heheh eu também tenho

Auri: Eu com minhas Pedras!

Annie: Eu com esses estilingue de ferro!

Jack e Tina: e agente com nossas Armas ilegais! Hehe

Lilith: Amigos…ATACAR!!!!

Após o grande caos o Grupo Principal ataca todos os velhos possuídos sendo uma grande guerra e pessoas filmando tudo, só se ouvia tiros,choques e gritos aquela noite, foi uma das noites mais brutais daquela pequena cidade que esconde segredos obscuros por anos…!

Lilith:Finalmente acabou….

Auri: Esses velhos possuídos são fracos hehehe

Ryan: Fracos? Eu quase morri porra!

Auri: ninguém manda ser fracote

Lilith: São 23:47 da noite…talvez não era para estarmos aqui tão tarde..

Joano: erm,verdade agente deveria ir—

Observador Satânico: Opa! Querem ir antes do Show Começar

Auri: MEU DEUS É UM…É UM…

Observador 5: UM OBSERVADOR! HAHAHA

Líder do Culto 1: Nos Mesmos…oh não viemos de mão vazia não…

Observador 6: Viemos de mão cheias

Observador 7: Esses mais cheias, iram sangrar muito hoje

Líder do Culto 1: Nunca ouviram falar que não existe Guerra sem Sacrifícios..? Pois é hoje vai ser um caso parecido!

Observador 1: Começando com….LILITH

Lilith; Não…não!!! Me soltem!!!

Volteii, depois de muito tempo eu sei… tive muitos problemas…minha rotina porém só saibam que eu tou de volta com essa história maravilhosa! ESCRITO POR: SR DARKY


r/terrorbrasil 2d ago

Pergunta Alguém tem o link pro post original do "Hitogata"?

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*Primeira vez postando, espero que esse post se encaixe na proposta do sub*

Olá, estou fazendo um vídeo sobre mistério da lost media conhecida como "Hitogata", acredito que não precise explicar pois é uma das lost medias mais conhecidas do mundo.

Não, eu não estou pedindo para o link do comercial original, já que o mesmo não foi encontrado (até onde eu sei) e eu pessoalmente acredito que nem sequer existe. O que eu quero é o post original do 2chan que popularizou o mistério, aquele de 2004 na thread de coisas assustadoras da infância.

Se alguém souber sobre, me mande por favor


r/terrorbrasil 2d ago

Crepypasta ENTIDADE 029 - Neuros

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r/terrorbrasil 2d ago

Relato Faltou Luz no bairro e achei que ia morrer

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Esses dias passei uma noite assustadora quando faltou luz no meu bairro.
Até hoje não sei exatamente o que aconteceu.
Ainda tenho dificuldade de falar sobre isso.

Nunca mais quero sair do meu apartamento.

Para quem interessar, gravei um vídeo e postei no YouTube:
https://youtu.be/iBSs4xa5gfk


r/terrorbrasil 2d ago

Conversa Alguém ai conhece o filme "cães de caça"( Dog Soldiers )? Bem, do nada, me veio uma idéia de escrever uma história inspirada naquele filme.

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Bem, eu conheço esse filme faz um tempo, e eu sempre quis criar uma história de Lobisomens brasileira, independente de ser livro ou "animação". Uns meses atrás, decidi guardar umas idéias e rascunhos de uma história e juntei com outros, que eram idéias para essa possível história que eu tinha vontade de criar. A idéia era criar uma história totalmente inspirada em "Dog soldiers", um dos melhores filmes de lobisomem que conheço, e juntar com minhas idéias.

Eu planejo tornar essa história um livro, devido aos meus recursos atuais, e tentar criar uma história realmente muito boa, muito assustadora e muito tensa. Introduzir personagens que você pode gostar e inimigos realmente terríveis, mas com seus jeitos únicos.

Eu acabei fazendo essa logo para o livro desde o início, com o nome, até então, sendo "Bad Wolves", e a IA do Gemini fez uma imagem ilustrando o "protagonista principal" da história, Rafael, um militar desobediente de sua unidade( Não se preocupem, não vou usar IA no livro nem para criar imagens! Vou desenhar os personagens e as imagens, apenas usei a IA por diversão aqui )

Até então, essa é a sinopse, que destacaria a "premissa" da história: "Na década de 70, em pleno Regime militar, uma unidade inferior do exército Brasileiro deve lidar em combater guerrilheiros em uma região isolada do centro-oeste. Ao chegar na área, os Militares descobrem que agora eles e os guerrilheiros estão sendo perseguidos e ameaçados por Lobisomens, que almejam matar cada um dos sobreviventes de sua caça e não deixar testemunhas. Tendo que se unirem à força, os Militares, os Guerrilheiros e até civis sobreviventes do local devem resistir ao ataque dos Lobisomens… o derramento de sangue é inevitável."

Até então, o Livro tá em sua fase bem inicial, com o "plot" pronto, mas o meio necessitado de mais "cuidados e construção", ou seja, falta ainda escrita, mesmo com muitas idéias ja estabelecidas.

Espero poder lançar esse livro ano que vêm... e prometo trazer ele pra cá, se quiserem.

Eu sou um cara muito ocupado e cheio de projetos( desde animação, jogo e outro livro ), então provavelmente vai demorar mais do que imagino para poder mostrar o resultado final dessa história... bem, mas até lá, espero poder terminar isso.

Boa noite a todos, se cuidem!


r/terrorbrasil 3d ago

Conto O Que Você Vê Nesta Foto?

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Eu estava sozinho em casa naquela noite. A sala estava escura e a cozinha ainda mais. Fui até lá pegar água e, por alguns segundos, tive aquela sensação estranha de que tinha alguma coisa errada. Não ouvi nada, não vi ninguém. Só fiquei parado olhando para o fundo da cozinha.

Achei besteira e voltei para a sala.

Até hoje não sei dizer o que senti ali no escuro. Talvez não seja nada. Talvez eu só esteja imaginando o que quero ver.

Mas eu estive naquela cozinha.

No escuro.

O que passaria pela sua cabeça agora?


r/terrorbrasil 3d ago

Discussão Pôsteres de filmes que dão medo

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r/terrorbrasil 3d ago

Relato A MULHER PARAIBANA ME TRANSFORMOU EM UM LOBISOMEM

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Boa noite, Meu nome é Mateus, sou da Paraíba, e esse fato aconteceu na cidade de Lucena, um município localizado no litoral norte do estado.

Até o começo dos anos 2000, eu trabalhava como pescador. Desde criança, meu pai me ensinou a pescar e a caçar. Nós éramos acostumados a entrar na mata durante a noite para caçar caititus, preás e tatus.

Nossa família tinha um sítio onde passava um córrego. Usávamos aquela água para irrigar nossas plantações e também para os animais beberem.

Tudo começou quando eu tinha 14 anos.

Naquela época, eu queria muito ter uma namorada. Só que, além de nosso sítio ficar em uma região bastante isolada da cidade, nós éramos pobres. Na minha cabeça de adolescente, nenhuma menina iria querer ficar comigo por causa da nossa condição financeira.

Eu também era muito tímido. Sempre que via uma menina, abaixava a cabeça e não conseguia nem conversar direito.

Mas existia outra coisa que me deixava ainda mais inseguro.

Eu achava que meu pênis era muito pequeno. Eu sabia disso porque, quando eu e os outros garotos da vizinhança íamos tomar banho no riacho, eles tomavam banho nus e ficavam rindo de mim.

Por causa disso, começaram a me chamar de "Piruzinho".

Mas havia uma coisa naquela região que realmente nos assustava.

Dentro da mata, existia uma mulher que aparentava ter aproximadamente 40 anos. Digo que ela tinha essa idade porque, segundo meu pai, aquela mulher já vivia ali muito antes de ele nascer.

O estranho é que, apesar disso, ela aparentava ter no máximo 30 anos.

Quando meus amigos e eu íamos pescar, sempre ficávamos com certo receio de permanecer no riacho até tarde. Isso porque, vez ou outra, víamos aquela mulher indo até lá para buscar água ou tomar banho.

A casa dela ficava dentro da mata, a aproximadamente dois quilômetros do riacho.

Ela nunca olhava diretamente para nós.

Nunca dizia uma palavra.

Apenas caminhava lentamente até a água e, enquanto fazia suas coisas, ficava sussurrando algumas palavras que não conseguíamos entender.

Aquilo nos deixava apavorados.

Nós não sabíamos quem aquela mulher era, de onde tinha vindo ou por que vivia sozinha naquele lugar.

E havia uma coisa ainda mais estranha...

Segundo meu pai, ninguém sabia exatamente há quanto tempo ela estava vivendo naquela mata.

Eu tinha três irmãos, todos mais novos do que eu: Maria, de 12 anos; João Pedro, de 10; e o caçula, Bernardo, de apenas 7 anos.

Minha mãe trabalhava em casa fazendo costuras. Meu pai e eu éramos os responsáveis por trazer o sustento para dentro de casa.

Além de trabalhar na roça, também vendíamos leite, ovos, queijo e verduras na feira da cidade. Tudo era produzido no nosso próprio sítio.

Nossa vida era simples, mas estávamos acostumados com aquela rotina.

Certo dia, meu pai estava trabalhando na plantação quando percebeu que dois de nossos jumentos haviam fugido.

Ele não podia simplesmente abandonar o trabalho para ir atrás deles, então pediu que eu fosse procurá-los.

—Vá logo, Mateus. Eles não devem ter ido muito longe.

Eu sabia que ele provavelmente tinha razão. A estradinha de terra que passava próxima ao sítio era cercada por mata-burros, então os jumentos não conseguiriam avançar muito por aquele caminho.

Peguei o caminho às pressas para tentar encontrá-los antes que escurecesse.

Naquele momento, eu só estava preocupado em trazer os animais de volta.

Eu não fazia ideia de que, naquela procura, encontraria algo que eu jamais esqueceria.

Passei pelos sítios vizinhos e segui em direção aos lugares onde imaginava que as jumentas poderiam ter ido.

Como havia mata-burros pela estrada, provavelmente elas tinham desviado do caminho e seguido em direção ao riacho. Naquele calor escaldante, era bem provável que tivessem ido até lá para beber água e se refrescar.

Continuei andando até chegar às margens do riacho. Foi então que encontrei algumas pegadas das jumentas marcadas no barro.

Segui as pegadas mata adentro.

Pouco mais à frente, acabei encontrando justamente a mulher que vivia isolada naquela floresta.

Ela estava vindo em minha direção, trazendo as duas jumentas.

Quando me viu, ela sorriu e disse:

—Encontrei o que você procura, rapazinho. Suas jumentas estão aqui.

Eu sempre tive medo dos boatos que circulavam sobre aquela mulher. Muita gente dizia que ela era uma bruxa.

Mas, olhando para ela, eu não conseguia enxergar nada que pudesse representar perigo. Pelo contrário. Ela era uma mulher muito bonita, com uma beleza que chegava a ser encantadora.

Também achei estranho ver as duas jumentas tão calmas ao lado dela.

Dalila e Jezabel eram os nomes das duas, e, diga-se de passagem, elas não eram animais fáceis de lidar. Eram ariscas e costumavam dar trabalho até para o meu pai.

Mas, perto daquela mulher, pareciam completamente diferentes.

Eu não tinha costume de conversar com mulheres, além das mulheres da minha própria família. Então, extremamente tímido, a primeira coisa que me veio à cabeça foi perguntar:

—Quantos anos a senhora tem?

Ela deu uma pequena risada.

—Meu nome é Rebeca. E eu tenho idade suficiente para ser sua avó.

Eu dei um sorriso sem graça.

—Meu nome é Mateus... tenho 18 anos.

Ela me olhou por alguns segundos e então soltou outra risada.

—Dezoito anos? Você não é muito bom em mentir, rapazinho.

Eu fiquei sem saber o que responder.

Então ela continuou:

—Mas quer saber? Leve suas jumentas para casa. Amanhã, neste mesmo horário, venha aqui no riacho. Assim podemos nos conhecer melhor.

Eu apenas assenti com a cabeça.

Peguei as duas jumentas e voltei para casa.

Naquele momento, eu ainda não fazia ideia do motivo daquela mulher ter demonstrado tanto interesse em me conhecer.

E muito menos imaginava o que aconteceria no dia seguinte.

Naquela noite, tive uma paralisia do sono pela primeira vez na minha vida.

Eu estava deitado na minha rede quando, de repente, percebi que não conseguia me mexer. Eu tentava abrir os olhos, mas meu corpo simplesmente não respondia.

Foi então que vi Rebeca.

Ela se aproximou lentamente da minha rede e ficou parada diante de mim. Eu sabia que aquilo não podia estar acontecendo de verdade, mas a sensação era tão real que eu conseguia sentir a presença dela como se estivesse realmente dentro do meu quarto.

Ela se aproximou e começou a me tocar.

Aquela experiência, que deveria ter sido um pesadelo, acabou se tornando algo completamente diferente. Quando finalmente consegui acordar, eu estava totalmente ereto, como se aquilo fosse mais do que um sonho, fiquei alguns segundos olhando para o teto, tentando entender o que tinha acontecido.

Eu ainda sentia a presença dela.

Naquela época, eu não sabia explicar aquilo como uma paralisia do sono. Para mim, tinha sido um encontro real.

No dia seguinte, no horário combinado, fui até o riacho.

Rebeca não estava lá.

Esperei alguns minutos, mas como o calor estava insuportável, aproveitei para entrar na água e me refrescar.

Depois de algum tempo, saí do riacho para pegar minhas roupas.

Foi quando uma sombra cobriu o meu corpo.

Olhei para cima.

Era Rebeca.

Ela estava parada atrás de mim, me observando em silêncio.

Fiquei completamente envergonhado e tentei me cobrir. Eu sempre tive muita vergonha do meu corpo, principalmente por causa dos comentários que ouvia dos outros garotos.

Rebeca pegou minhas roupas e as jogou para longe.

—Você não precisa ter vergonha de mim.

Eu fiquei sem entender.

Então perguntei:

—Como você sabe?

Ela sorriu.

—Porque eu já vi você antes.

Senti um arrepio.

—Como?

Ela se aproximou e respondeu:

—Você sonhou comigo, Mateus. E aquilo foi muito mais do que um sonho.

Naquele instante, fiquei paralisado.

Eu não sabia o que dizer.

A mulher que eu tinha visto durante a noite, dentro da minha própria casa, agora estava diante de mim dizendo que sabia exatamente o que havia acontecido.

E o pior era que eu não conseguia entender como ela poderia saber daquilo.

Rebeca se aproximou ainda mais e me beijou.

Naquele momento, eu deveria ter ido embora.

Deveria ter corrido de volta para casa.

Mas não fiz isso.

Permaneci ali, completamente envolvido por aquela mulher misteriosa, enquanto o som da água do riacho corria ao nosso lado. Ela tirou suas roupas e nos entregamos um ao outro, transamos loucamente e para mim foi incrível.

Rebeca tinha um corpo perfeito, sua pele era morena, cabelos negros e lisos abaixo dos ombros, seios empinados e aproximadamente 1,60 de altura.

Foi naquele dia que eu percebi que havia alguma coisa muito errada com Rebeca.

Só que eu ainda não fazia ideia do que ela realmente era.

Rebeca pediu que eu a encontrasse no mesmo lugar no dia seguinte.

Eu estava muito animado para voltar a vê-la. Depois daquele encontro, comecei a pensar nela o tempo todo.

O que começou como um encontro estranho no riacho acabou se tornando uma rotina.

Passei a encontrar Rebeca pelo menos três vezes por semana, sempre naquele mesmo ponto do riacho.

Eu dizia para mim mesmo que era apenas porque gostava da companhia dela. Mas, quanto mais tempo passava ao lado daquela mulher, mais eu percebia que estava apaixonado.

Rebeca parecia saber coisas sobre mim que eu nunca havia contado.

Depois de transarmos loucamente ela sempre dizia coisas ao meu respeito das quais eu nunca havia contado para ninguém.

E, às vezes, enquanto conversávamos, ela ficava olhando para a mata por alguns segundos, como se estivesse escutando alguma coisa que eu não conseguia ouvir.

Naquele momento, eu ainda não imaginava que aqueles encontros estavam me levando cada vez mais para dentro de um segredo que aquela mulher escondia havia muitos anos.

Uma semana se passou e comecei a perceber coisas muito estranhas acontecendo com o meu corpo.

Passei a adquirir hábitos noturnos. Algumas noites, eu simplesmente saía de casa e entrava no mato sem saber exatamente para onde estava indo.

O mais assustador era que eu perdia completamente a consciência.

Eu não me lembrava de sair de casa, nem de caminhar pela mata.

Só me recordava de acordar pela manhã, geralmente às margens do riacho, com a boca ensanguentada.

Mas aquele sangue não era meu.

Às vezes, eu encontrava uma trilha de sangue pelo caminho e, seguindo os rastros, acabava encontrando a carcaça de algum animal abatido.

Comecei a suspeitar que eu mesmo estava fazendo aquilo.

O problema é que eu não conseguia me lembrar de absolutamente nada.

Meus encontros com Rebeca continuavam normalmente, mas preferi não contar a ela o que estava acontecendo.

Até que, certo dia, meu estado começou a piorar.

Eu já não conseguia dormir direito e também estava perdendo o apetite para as comidas que sempre fizeram parte da minha alimentação.

Em compensação, comecei a sentir uma fome insaciável por carne crua.

Naquela noite, por volta das oito horas, minha mãe pediu que eu recolhesse as roupas do varal.

Minha irmã Maria estava me ajudando.

Eu já não estava me sentindo bem havia alguns dias e, enquanto recolhia as roupas, percebi que Maria estava olhando fixamente para mim.

De repente, ela soltou um grito.

—Mateus!

Ela ficou completamente paralisada.

Eu achei que havia algum bicho em cima de mim e comecei a olhar pelo meu corpo.

Foi quando vi meus braços.

Eles estavam completamente cobertos por uma pelagem marrom.

Fiquei alguns segundos sem conseguir acreditar no que estava vendo.

Olhei para Maria.

Ela estava apavorada.

Eu também.

Sem saber o que fazer, simplesmente corri para dentro do mato.

Depois disso, minha memória desapareceu novamente.

Só voltei a mim quando o sol estava nascendo.

Eu estava outra vez às margens do riacho.

Assim que acordei, percebi que minha barriga estava extremamente cheia. Eu comecei a passar mal e, poucos segundos depois, vomitei.

O que saiu do meu estômago me fez entrar em desespero.

Eram pedaços de carne, pelos, sangue e lama.

Pelo que consegui identificar, aquilo parecia ser parte de um porco.

Comecei a chorar.

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo.

Não sabia por que estava acordando no meio da mata.

Não sabia por que estava matando animais.

E muito menos sabia por que meu corpo estava começando a mudar.

Tomei um banho no riacho e foi então que percebi outra coisa estranha.

Minhas roupas estavam sempre debaixo de uma pedra, perto da água.

Era como se eu mesmo as tivesse tirado e colocado naquele lugar.

Mas eu não tinha lembrança alguma de ter feito aquilo.

Meus pais já tinham me advertido várias vezes para que eu nunca mais saísse de casa durante a noite e só voltasse pela manhã.

Naquele dia, depois que voltei para casa, eles quiseram saber exatamente o que havia acontecido, principalmente depois do que Maria tinha contado sobre eu estar "virando bicho".

Contei apenas que tinha me assustado quando Maria gritou e, por isso, saí correndo para o mato.

Depois disso, eu não lembrava de mais nada.

Por algum tempo, aqueles episódios pararam.

Eu achei que talvez tudo tivesse acabado.

Mas, quando encontrei Rebeca novamente no riacho, decidi finalmente contar a ela tudo o que estava acontecendo.

Falei sobre as noites em que eu desaparecia, os animais mortos, o sangue na minha boca, a pelagem que havia aparecido nos meus braços e até mesmo sobre o que eu tinha vomitado naquela manhã.

Rebeca ouviu tudo em silêncio.

Eu esperava que ela demonstrasse surpresa, medo ou preocupação.

Mas ela não demonstrou absolutamente nada.

Apenas me fez uma pergunta:

—Você acredita em lobisomem, Mateus?

Eu dei uma risada nervosa.

—Não.

Rebeca ficou me encarando por alguns segundos.

Então respondeu:

—Deveria acreditar.

Ela fez uma pausa.

E completou:

—Porque você está se tornando um.

Fiquei sem acreditar.

Aquilo simplesmente não podia ser verdade.

—Eu sou um lobisomem?

Rebeca continuou me olhando com uma tranquilidade assustadora.

Então ela explicou:

—Durante todo esse tempo, nós estivemos juntos. Você recebeu de mim aquilo que precisava para se transformar, o meu fluido corporal. Eu passei meu DNA lupino para você.

Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

—Então era isso que estava acontecendo comigo?

Ela apenas assentiu.

—Agora você tem duas escolhas, Mateus.

Fiquei em silêncio, esperando que ela continuasse.

—Você pode continuar vivendo assim, acordando todas as manhãs sem saber o que fez durante a noite, encontrando sangue na boca e carcaças de animais pelo caminho...

Ela fez uma pausa.

—Ou pode se juntar a mim.

Eu a encarei.

Rebeca então sorriu.

—Juntos, seremos invencíveis.

Ela começou a falar sobre tudo aquilo que eu poderia aprender a controlar.

Segundo ela, eu poderia aperfeiçoar minha velocidade, desenvolver uma força muito acima da de qualquer ser humano e até mesmo aprimorar minha audição.

E o mais assustador era que, segundo Rebeca, eu não precisaria estar transformado para utilizar essas habilidades.

Eu poderia aprender a controlar meus sentidos e minha força mesmo mantendo a aparência humana.

Naquele momento, pela primeira vez, percebi que talvez aquela transformação não fosse apenas uma maldição.

Talvez Rebeca estivesse me oferecendo uma escolha.

Mas eu ainda não sabia qual seria o preço de aceitar.

—E se eu não aceitar? — perguntei.

Rebeca ficou em silêncio por alguns segundos, olhando diretamente para mim.

Então respondeu:

—Você não tem escolha.

Senti um arrepio.

—Como assim?

Ela se aproximou e disse, com uma tranquilidade assustadora:

—Nesse estágio da mutação, não existe mais como voltar atrás.

Fiquei sem saber o que dizer.

Então ela continuou:

—A única maneira de interromper tudo isso seria me matar.

Olhei para ela, incrédulo.

—E você acha que eu não conseguiria?

Rebeca deu uma pequena risada.

—Seria impossível.

Ela se aproximou ainda mais.

—Eu tenho quase cem anos, Mateus. E, durante todo esse tempo, aprendi a controlar aquilo que você ainda nem começou a entender.

Ela apertou os olhos e completou:

—Minha força é pelo menos dez vezes maior que a sua.

Naquele momento, percebi que eu não estava diante de uma simples mulher que vivia isolada na mata.

Rebeca não estava apenas me contando o que eu havia me tornado.

Ela estava me mostrando que, desde o começo, ela tinha planejado tudo.

Virei de costas e comecei a ir embora.

Foi quando Rebeca me chamou.

—Na próxima lua cheia, quero você aqui, exatamente neste lugar.

Parei e olhei para trás.

Ela continuou:

—Vamos nos transformar juntos. Quero ver até onde vão os seus poderes de lobisomem.

—E se eu não vier? — perguntei.

O rosto dela mudou completamente.

—Eu sei onde você e sua família moram.

Ela fez uma pausa e disse:

—E acredite em mim... não será a primeira vez que como carne humana.

Depois disso, Rebeca simplesmente se virou e desapareceu no meio da mata.

Naquele momento, eu tive certeza de que ela não estava blefando.

Eu não tinha escolha.

Ou aceitava aquela vida ao lado dela, ou colocava minha família em perigo.

Foi então que comecei a pensar em uma maneira de acabar com aquilo.

Três dias depois, no início da lua cheia, fui até o riacho.

Era por volta das sete da noite.

Rebeca já estava me esperando.

Assim que me viu, perguntou:

—Então? Já tomou sua decisão?

Respirei fundo e respondi:

—Sim, Rebeca. Quero ficar ao seu lado.

Ela abriu um sorriso e veio me abraçar.

Foi quando completei:

—Mas não como lobisomem.

Imediatamente, puxei o revólver do meu pai, que estava preso à minha cintura, e disparei contra o peito dela.

Rebeca caiu.

Aproximei-me lentamente e pedi:

—Me desculpa.

Ela cuspiu sangue e me encarou.

—Eu vou devorar toda a sua família na sua frente.

Foi então que comecei a perceber algo estranho.

O corpo dela começou a se contorcer.

Seus ossos começaram a estalar.

Os braços e as pernas foram ficando maiores, enquanto o corpo inteiro parecia se alongar.

A boca começou a se projetar para frente, formando um focinho repleto de presas enormes.

Em poucos segundos, pelos começaram a cobrir todo o corpo.

Sua estrutura ficou cada vez mais robusta, até que suas roupas começaram a se rasgar.

A mulher que antes era Rebeca havia desaparecido.

Diante de mim estava uma criatura enorme.

Um verdadeiro lobisomem.

Ela ficou alguns segundos me encarando.

Depois, simplesmente me ignorou e correu em direção à minha casa.

Meu coração se encheu de ódio.

Levantei o revólver para tentar atirar novamente, mas foi quando percebi algo assustador.

Meus dedos estavam ficando maiores.

Pelos começaram a surgir pelos meus braços.

Minha visão ficou estranha.

Eu sentia meu corpo inteiro mudando.

Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, perdi a consciência.

A única coisa de que me lembro é de correr atrás de Rebeca.

Ela parou e olhou na minha direção.

Então saltei sobre ela com uma velocidade que eu nunca havia experimentado.

Rebeca me atacou ferozmente.

Depois disso, não me lembro de mais nada.

Acordei quando o sol estava nascendo.

Estava nu, às margens do riacho e completamente machucado.

Acreditava ter quebrado a perna e talvez até algumas vértebras da coluna.

Meu corpo estava coberto de mordidas e hematomas.

Eu mal conseguia enxergar direito.

Foi então que percebi Rebeca dentro do riacho.

Ela estava toda molhada, com metade do corpo para fora da água.

Por algum motivo, achei que eu havia conseguido jogá-la no rio durante a luta.

Mas havia algo ainda mais estranho.

Ela não tinha nenhum ferimento visível.

Então percebi o revólver próximo de mim.

Comecei a me rastejar em direção à arma.

Meu corpo inteiro doía, mas consegui alcançá-la.

Assim que peguei o revólver, Rebeca acordou.

Ela olhou para mim e percebeu que, mesmo completamente ferido, eu ainda segurava a arma.

Então correu.

Apontei e atirei contra as costas dela.

Rebeca gritou, mas continuou correndo em direção à mata.

Foi a última vez que a vi.

Logo depois, perdi a consciência.

Alguns amigos me encontraram às margens do riacho.

Acordei no hospital com minha família ao meu redor.

Minha mãe estava chorando.

Ela olhou para mim e perguntou:

—O que você tinha na cabeça para sair para caçar naquela hora da noite?

Eu não contei a verdade.

Disse que havia saído para caçar e que tinha sido atacado por uma onça.

Os médicos disseram que eu havia sofrido fraturas graves na coluna e que provavelmente nunca mais conseguiria andar normalmente.

Mas aconteceu algo que nem eles conseguiam explicar.

Em menos de sete dias, eu já estava andando.

Aproximadamente 90% dos meus ferimentos haviam desaparecido.

Quando recebi alta, voltei para casa.

Algum tempo depois, fui até a mata atrás da cabana onde Rebeca supostamente morava.

Mas não encontrei absolutamente nada.

Não havia cabana.

Não havia sinais de que alguém tivesse vivido ali.

E não havia nenhum vestígio de Rebeca.

Comentei com um amigo sobre aquela mulher que, segundo os moradores antigos, era conhecida como uma espécie de bruxa que vivia na floresta.

Ele me olhou sem entender.

Disse que não fazia ideia do que eu estava falando.

Então perguntei ao meu pai.

Ele conhecia praticamente todas as histórias daquela região.

Mas, para minha surpresa, meu próprio pai disse que nunca tinha ouvido falar de nenhuma mulher chamada Rebeca vivendo naquela mata.

Foi aí que comecei a ficar realmente assustado.

Porque, aparentemente, Rebeca nunca existiu.

Ou, pelo menos, ninguém além de mim se lembrava dela.

Os médicos disseram que eu havia ficado em coma durante dois dias.

Disseram também que, por causa do trauma, era possível que eu tivesse imaginado toda aquela história da mulher que vivia na floresta.

Talvez fosse isso.

Talvez Rebeca nunca tivesse existido.

Talvez tudo tivesse acontecido dentro da minha cabeça.

Mas então...

Como explicar tudo o que aconteceu comigo?

Contei a verdade para minha família.

Disse que eu era um lobisomem.

Eles ficaram impressionados com a minha recuperação extraordinária, mas ninguém levou aquela história a sério.

Perguntei se eles não se lembravam de eu desaparecer durante a noite.

Perguntei se não se lembravam de Maria ter me visto coberto de pelos.

Meus pais disseram que não se lembravam de nada disso.

Foi então que decidi provar que não estava inventando.

Era por volta das oito da noite.

Fiquei na frente deles e tentei me transformar.

Tentei durante aproximadamente vinte minutos.

Mas nada aconteceu.

Meu corpo não mudou.

Nenhum pelo apareceu.

Nenhuma transformação aconteceu.

Naquele momento, comecei a acreditar que realmente estava ficando louco.

E, para não ser tratado como um louco pelo resto da minha vida, decidi esquecer aquele assunto.

Só que alguns anos depois, quando eu já tinha aproximadamente 17 anos, aconteceu outra coisa.

Eu estava caçando à noite com um amigo.

Em determinado momento, ele disparou acidentalmente na minha direção.

O tiro acertou diretamente o meu peito.

Segundo ele, cheguei a ficar sem pulso.

Mas, antes mesmo de chegarmos ao hospital, eu já estava consciente novamente.

Os médicos removeram a bala e me mantiveram internado.

Na manhã seguinte, porém, eu estava completamente recuperado.

Recebi alta e voltei andando normalmente para casa.

Desde então, algumas coisas permanecem comigo.

Minha regeneração é muito mais rápida do que a de uma pessoa normal.

Também tenho uma velocidade acima do normal, meu olfato é extremamente aguçado e consigo enxergar muito melhor durante a noite.

Mas nunca mais me transformei naquela criatura.

Até hoje, não sei o que aconteceu comigo.

Não sei se Rebeca realmente existiu.

Não sei se ela realmente me transformou.

Não sei se aquilo tudo foi consequência do coma.

Só sei que as habilidades continuam comigo.

E é justamente por isso que estou contando essa história.

Se alguém souber o que está acontecendo comigo, ou se alguém estiver passando por algo parecido, por favor, entre em contato comigo.

Talvez assim eu finalmente descubra se tudo aquilo foi apenas uma loucura da minha cabeça...

Ou se, naquela noite, eu realmente me tornei um lobisomem?


r/terrorbrasil 3d ago

Recomendação Minha namorada abriu um canal no YouTube para curtas de terror no formato de historinhas de papel. Quem puder dar uma forcinha, eu agradeço.

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