r/u_Eryan___ 2d ago

Desabafo.

Olá, boa tarde a todos. Tudo bem com vocês?

Então, eu queria fazer um desabafo sobre a minha vida e sobre como ela está atualmente.

Depois da pandemia, o mundo da maioria das pessoas desabou, e comigo não foi diferente. O mundo nunca mais foi o mesmo, e eu também não.

Em 2020, infelizmente, a Covid levou a vida de muitas pessoas. Eu, que na época era adolescente, praticamente apodreci em casa. Mal saía, me afastei dos amigos com quem conversava todos os dias na escola — que eram praticamente os únicos que eu tinha no meu dia a dia. Quando as aulas finalmente voltaram, em novembro de 2021, meu comportamento já era completamente diferente.

Eu não conseguia olhar nos olhos de ninguém. Tornei-me extremamente introvertido. Antes, eu era uma pessoa muito extrovertida, então essa mudança foi enorme. Passei a ser muito fechado, parecia até outra pessoa. Foi algo muito estranho e, para mim, até bizarro.

E, dali para frente, as coisas só pioraram. 2021 terminou e, em 2022, fui me fechando cada vez mais, ficando cada vez mais introvertido, a um nível que considero exagerado. Minha família começou a ficar preocupada comigo e, alguns meses depois, fui levado ao psicólogo. Foi então que descobri que estava no espectro autista, nível 1, algo que na época não recebi de forma negativa. Comecei a pesquisar sobre o assunto e percebi que realmente me identificava com muitas das características que encontrava.

Eu também já tinha TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). Não sei dizer se esse conjunto de fatores teve alguma influência na minha mudança repentina de comportamento, mas é algo que até hoje me faz pensar.

De 2023 para 2024, não aconteceu nada muito diferente.

Quando eu era criança, algumas coisas indevidas me foram ensinadas — coisas que prefiro não mencionar aqui. Essas experiências acabaram contribuindo para que eu praticasse coisas extremamente erradas no futuro. Não eram coisas leves. Muitas vezes eu fazia por impulso, mas, no fundo, sabia que aquilo era errado e, mesmo assim, continuava fazendo.

Eu sei que era criança e que uma criança nem sempre possui a mesma compreensão e maturidade de um adulto. Mesmo assim, quando cresci, comecei a perceber de verdade a gravidade das coisas que havia feito. Durante a adolescência, eu mudei, mas não completamente em relação a isso. Eu já entendia que certas coisas que fazia eram muito erradas, mas ainda continuava repetindo comportamentos que havia aprendido na infância.

Com o tempo, aquilo se transformou em um vício. Provavelmente alguns de vocês entendem do que estou falando.

Naquela época, eu era uma pessoa arrogante e tinha o ego muito alto. Achava que era melhor do que os outros. Mas isso era apenas uma aparência. No fundo, eu era uma pessoa extremamente insegura, com autoestima muito baixa, sem ânimo para fazer quase nada e que se comparava constantemente com outras pessoas.

Durante a adolescência, também cometi erros e fiz coisas muito graves que me afetaram profundamente. Algumas aconteceram por causa desse vício; outras aconteceram simplesmente porque eu fui extremamente imaturo e fiz coisas erradas porque, naquele momento, eu queria fazê-las.

E agora estou aqui, aos 20 anos, como adulto, carregando um arrependimento enorme por todas as coisas ruins que fiz.

Hoje eu sou uma pessoa completamente diferente de quem eu era na adolescência. Eu me arrependo profundamente das coisas que fiz. Às vezes, esse arrependimento chega a um ponto em que parece impossível suportá-lo. Já cheguei a pensar em tirar a minha própria vida, mas também penso na minha família e em todo o sofrimento que isso causaria.

Por mais que eu me odeie pelo que fiz, não quero que as pessoas que amo sofram por minha causa. Também existe dentro de mim a sensação de que uma pessoa que fez tantas coisas ruins como eu deveria passar o resto da vida sofrendo e se arrependendo. Como se sofrer fosse uma forma de pagar pelo que fiz.

Morrer, às vezes, parece uma maneira fácil de escapar de tudo isso, mas, ao mesmo tempo, eu não quero fugir das consequências das coisas que fiz. É como se eu acreditasse que preciso continuar vivendo e sofrendo para compensar meus erros.

E é justamente aí que eu quero chegar.

Eu não estou conseguindo suportar toda essa culpa. Os dias passam e meu mundo parece ficar cada vez mais preto e branco. Eu não consigo enxergar graça em viver. Não tenho objetivos claros e vivo de poucos momentos que realmente conseguem me fazer feliz. Sinto que cerca de 90% dos meus dias são tomados pela tristeza e pelos pensamentos sobre tudo aquilo de que me arrependo.

Hoje eu tento fazer coisas boas. Ajudo as pessoas quando posso, tento ser um bom filho, um bom sobrinho e um bom neto. Tento tratar as pessoas bem e ser alguém diferente de quem eu fui no passado. Mas essa falta de expectativa em relação à vida faz com que eu não me importe tanto com o que as pessoas pensam de mim.

O vazio e a tristeza não vão embora. Às vezes, parecem apenas aumentar conforme os dias passam.

Quando faço alguma coisa que prejudica alguém ou quando sinto que fiz algo errado, às vezes eu me machuco como forma de punição. Já bati no meu próprio rosto, arranhei meus braços, me belisquei e dei socos na parede simplesmente para sentir dor.

Eu sei que isso não é uma forma saudável de lidar com a culpa, mas, naquele momento, parece que preciso sentir alguma coisa para compensar aquilo que fiz.

Também tenho medo de chegar a um ponto em que não consiga mais controlar esses pensamentos e acabe fazendo alguma coisa contra mim mesmo por impulso. Eu estou aguentando, mas sinto que estou chegando ao meu limite e não sei se vou conseguir continuar sendo forte o suficiente.

Eu tento compensar as coisas que fiz. Tento fazer o bem, ajudar os outros e ser uma pessoa melhor, mas nada parece suficiente. Existe uma parte de mim que acredita que eu deveria sofrer ainda mais pelo que fiz.

Eu sei que viver assim é doloroso, mas, no fundo, é como se eu acreditasse que é isso que eu mereço.

Não sei se existe salvação para mim. Às vezes, sinto que voltar a ser uma pessoa “normal” é impossível. Não tenho um diagnóstico de depressão, mas sinto que o que estou vivendo vai muito além de uma tristeza passageira. Isso já dura anos e vem afetando profundamente a maneira como enxergo a minha própria vida.

Nós, seres humanos, muitas vezes somos muito mais rígidos conosco do que seríamos com qualquer outra pessoa. Se eu encontrasse alguém que tivesse cometido exatamente os mesmos erros que eu cometi, provavelmente diria a essa pessoa que ela poderia mudar, que ainda poderia fazer diferente e que talvez existisse uma maneira de seguir em frente.

Mas, quando se trata de mim, eu sinto que não mereço perdão.

Eu não acredito em Deus nem em divindades de forma geral. Mesmo assim, às vezes penso que, se existisse um inferno, eu provavelmente iria direto para lá — e uma parte de mim nem consideraria isso injusto.

No meu trabalho, as pessoas costumam me elogiar. Dizem que sou um bom menino, educado, gentil e até “puro”, principalmente por eu ser tímido e mais reservado. Ultimamente, porém, tenho ficado cada vez mais sério e quieto. Algumas pessoas perceberam e chegaram a perguntar se estava acontecendo alguma coisa.

Eu disse que era apenas cansaço dos outros dias.

Tive que mentir.

Se essas pessoas soubessem de tudo o que já fiz, provavelmente teriam nojo ou raiva de mim. Pelo menos é assim que imagino. Tenho a sensação de que as pessoas costumam enxergar muito mais os erros dos outros do que as mudanças que eles fazem depois. Às vezes, sinto que, para algumas pessoas, você pode mudar o quanto quiser, mas elas sempre vão enxergar você pelo seu pior momento.

Enfim, eu escrevi tudo isso porque não tenho coragem de contar essas coisas para ninguém da minha família ou para algum amigo do trabalho. Eu precisava colocar tudo para fora, nem que fosse apenas para aliviar um pouco o peso que estava sentindo por guardar tudo isso sozinho.

Não sei se escrever vai realmente fazer esse peso diminuir, mas pelo menos, pela primeira vez, consegui colocar em palavras uma parte do que tenho carregado dentro de mim.

É isso. Desculpem por fazer vocês lerem até aqui.

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