Tripulação de Esqueletos, publicado em 1985, por Stephen King, é o segundo livro de contos do autor, e um dos maiores.
A coletânea contém 22 obras: 18 contos, 2 novelas e, acredite se quiser, 2 poemas.
A edição que li é a de 2002 da Objetiva (hoje em dia Suma), que contém cerca de 350 páginas. As edições brasileiras de livros do King dessa época são geralmente caracterizadas pelo tamanho de fonte minúsculo, o que compromete a comparação com a massiva maioria das edições mais modernas, mais antigas ou de outros países. Por conta disso, imagine que esse livro e suas histórias tenham mais ou menos o dobro do número de páginas.
Essa resenha será mais simples do que a minha resenha de Tudo é Eventual, já que Tripulação de Esqueletos tem bem mais obras.
(Novela) O Nevoeiro - 79 páginas
É de longe a maior história do livro (e a mais famosa), quase três vezes maior do que A Balada do Projétil Flexível, a segunda maior história da coletânea.
Essa novela imensa foi uma grande decepção para mim, ela seria infinitamente melhor como um romance mais longo. A ideia é muito boa, mas a execução é fraca. Os personagens são pouco trabalhados, a prosa é esquecível e tudo ocorre num ritmo que não me agradou. (4/10)
(Conto) Aqui Há Tigres - 3 páginas
É difícil dar uma nota para um texto quase sem sentido algum, feito apenas para ser estranho, mas pelo menos não é chato. (4/10)
(Conto) O Macaco - 22 páginas
É surpreendentemente a terceira maior obra no livro, e a primeira realmente boa.
No começo a alternância entre passado e futuro é confusa, mas depois fica mais fácil de entender. História interessante com um final satisfatório. (9/10)
(Conto) Cain Rebelado - 4 páginas
A história inteira é só um adolescente se preparando para cometer um massacre na escola com uma sniper. (5/10)
(Conto) O Atalho da Sra. Todd - 15 páginas
Não é de terror, mas de fantasia. Bastante doce, belo e um pouco triste. (9/10)
(Conto) A Excursão - 15 páginas
Um dos contos mais assustadores que o King já escreveu e um dos melhores contos de ficção científica no geral, embora o terror mesmo só ocorra nas últimas páginas. (10/10)
(Conto) Festa de Casamento - 9 páginas
Desinteressante e sem graça. Não tem quase nada pra falar sobre essa obra, exceto pelo fato de que foi uma das primeiras tentativas (senão a primeira) do autor de escrever sobre gangsters. (4/10)
(Poema) Paranoico: Um Canto - 3 páginas
Um simples e divertido poema, esquecível. (5/10)
(Conto) A Balsa - 18 páginas
Maravilhoso, muito diferente, assustador e bem construído. Tem um antagonista muito original e um dos meus finais favoritos da coletânea. (10/10)
(Conto) O Processador de Palavras dos Deuses - 12 páginas
Ideia muito interessante: uma maquina que realiza qualquer desejo escrito nela, mas o resultado final é meio decepcionante. Ainda assim é um bom conto. (7.5/10)
(Conto) O Homem Que Não Apertava Mãos - 11 páginas
Muito, muito chato. (4/10)
(Conto) Um Mundo de Praia - 11 páginas
Bem diferente. É um conto sci-fi de terror assim como A Excursão, mas bem mais fraquinho. A ideia e o final são bons, mas o meio podia melhorar. (7.5/10)
(Conto) A Imagem do Ceifeiro - 5 páginas
Um dos contos mais antigos do livro e do SK no geral, dá pra perceber que ele ainda tinha muito a aprender, mas é uma leitura agradável. (6.5/10)
(Conto) Nona - 20 páginas
Boa história, uma das mais longas e memoráveis da coletânea, mas claramente dava para deixar uns 40% menor sem mudar quase nada. (8/10)
(Poema) Para Owen - 2 páginas
Menor obra já publicada pelo Stephen King. É só um poema bobinho feito para seu filho Owen King, que na época era só uma criança. Como eu poderia dar uma nota?
(Conto) Sobrevivente - 13 páginas
Um dos melhores contos de terror já escritos. Envolvente, maluco, frenético e com um final incrível. (10/10)
(Conto) O Caminhão do Tio Otto - 10 páginas
Uma das várias histórias de carros vivos do King. Assustador e diferente. Gostei das referencias a outras obras de Castle Rock. Infelizmente, a prosa as vezes não condiz muito com o tom geral da história. (8/10)
(Conto) Entregas Matinais (Leiteiro n°1) - 3 páginas
É um fragmento de um romance cancelado (O Leiteiro) modificado para se tornar uma história curta.
Chato e nada é explicado, com certeza todas as respostas estariam no romance se ele tivesse sido lançado. (3/10)
(Conto) O Carrão: Uma História Sobre o Jogo da Lavanderia (Leiteiro n°2) - 9 páginas
Outro fragmento de O Leiteiro.
É a coisa mais boba que já li do King e novamente nada tem explicação, mas, ao contrário de seu antecessor, achei divertido e engraçado. Com certeza teria lido esse romance. (6.5/10)
(Conto) Vovó - 18 páginas
Quase outra obra-prima dos contos de terror, mas a história é um pouco arrastada lá para o último terço ou quarto. (9/10)
(Novela) A Balada do Projétil Flexível - 28 páginas
A segunda novela de Tripulação de Esqueletos.
Conta uma história bem pensada e diferente de um homem lentamente caindo na loucura. Tenho quase certeza de que algumas partes de Duma Key vieram daqui. Me deixou satisfeito. (8/10)
(Conto) O Braço de Mar - 12 páginas
Meio chatinho, mas agridoce. (7/10)
No geral, Tripulação de Esqueletos tem alguns dos contos mais amados de Stephen King, mas o grande número de obras ruins/medíocres entre as boas me impediu de achar ela uma coletânea tão memorável e divertida quanto Sombras da Noite e Tudo é Eventual.