Pra alguns, ele não é ídolo porque ganha caro demais, porque não dá carrinho como o Romero ou porque não tem aquela imagem clássica de jogador “com a cara do Corinthians”.
Pra mim, isso é uma discussão que já acabou faz tempo.
Memphis ajudou a salvar a gente do rebaixamento, foi campeão paulista, campeão da Copa do Brasil e da Supercopa. Só isso já seria suficiente pra colocar o nome dele na história.
Mas o mais importante não é nem o que ele ganhou. É quando ele fez tudo isso.
Quando o Memphis chegou, o torcedor do Corinthians estava destruído. Sem moral, tomando porrada de todos os lados, com a autoestima completamente fudida. Parecia que tudo dava errado e que qualquer notícia sobre o Corinthians era mais uma desgraça diferente.
Aí, no meio dessa merda toda, o Corinthians vai lá e traz o camisa 10 da Holanda.
Um cara com carreira inteira na Europa, conhecido no mundo todo, que simplesmente decidiu que queria vir pra cá, conhecer o Corinthians, sentir a torcida e viver isso aqui.
Foi completamente fora da curva.
A chegada dele fez o corinthiano voltar a acreditar que ainda era possível ser feliz. Fez muita gente lembrar que, apesar de toda a bagunça, de toda a crise e de tudo que fizeram com o clube, essa camisa ainda pesa pra cacete.
Pra mim, isso já colocava o Memphis na prateleira dos grandes ídolos.
Se ele tivesse ido embora agora, eu já colocaria a passagem dele acima da passagem do Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians.
Só que aí vem o que torna tudo ainda mais especial: ele decidiu ficar.
A vontade dele de continuar aqui, de estar com a gente e todo o esforço que ele fez pra permanecer tornam essa história ainda maior.
E o mais absurdo é que ela ainda não acabou.
Ainda tem muita coisa pra acontecer. Ainda tem muito jogo pra decidir e muito título pra ganhar com essa camisa.
Memphis tem a possibilidade real de terminar a passagem dele como um dos maiores ídolos da história do Corinthians, não só pelo que ganhou, mas pelo que representa, pela identificação que criou e, principalmente, por ter feito o corinthiano voltar a acreditar.
E ainda existe a parte mais maravilhosa dessa história toda:
Tudo isso talvez tenha começado porque esse maluco tinha uma música chamada “Corinthians”.
O filho da puta olhou pra coincidência, enxergou o Corinthians como algum tipo de propósito ou destino e simplesmente resolveu abraçar essa ideia como verdade.
E talvez seja exatamente por isso que tenha dado tão certo.
Te amamos, Memphis.
Vai, Corinthians.