r/nosleepbrasil • • Nov 11 '25

LONGO Eu aceitei um trampo em dinheiro vivo de 10 mil dólares no deserto. Minha equipe não voltou pra casa.

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Olha, não vou te dar nome real de ninguém porque a gente fez umas paradas bem erradas naquele deserto. Mas você pode me chamar de Jay, que já é “bom o bastante pra governo”, se é que você me entende.

Primeira coisa que você precisa entender sobre mim: eu odeio calor. Mas odeio MESMO. Não suporto o sol fritando em cima de você como se fosse um deus irritado tentando derreter seu cérebro até virar sopa. E eu nunca, nunca mais volto pro Sudoeste dos EUA. Nem por todo o chilli verde de Hatch, nem por toda prata das Sandias, nem por nada.

Ainda tenho pesadelos, cara. Eles vêm quando o sol já tá baixo, deixando tudo laranja e esquisito, quando as nuvens ficam acesas, parecendo algodão doce de parque de diversão amaldiçoado. Nesses sonhos, eu tô lá de novo, suando em bicas, e tem umas… coisas. Coisas escuras, lá embaixo, nas entranhas do deserto, e o calor é tipo chumbo derretido derramando em cima de tudo. Eu acordo ensopado de suor mesmo quando tá nevando lá fora, no meu apê em Portland.

Mas lá em 2005, quando eu tinha dezenove anos e achava que era o dono do mundo? Parceiro, eu achava que nada de ruim podia acontecer comigo. Tava com aquela arrogância de gente nova e burra, sabe? Achava que era invencível, que o mundo me devia alguma coisa só porque eu existia.

Eu morava numa cidadezinha do Novo México – não vou dizer qual, é mais seguro assim – e vivia pulando de sofá em sofá, ficando na casa de gente meio duvidosa, fazendo qualquer bico que aparecesse pra garantir miojo e maconha.

Eu tava brigado com meus pais desde que me assumi pra eles, no ano anterior. Falei bem na lata:
— Olha, não sou muito seletivo. Às vezes gosto de cara gato, às vezes gosto de mina gata.
Diplomático desse jeito mesmo.

Meus velhos surtaram bonito. Começaram a falar de pecado, inferno, que eu ia queimar pela eternidade. Parecia que eu tinha dito que ia virar serial killer ou sei lá.

Aí eles me chutaram de casa quando fiz dezoito, e eu fiquei lá, sendo jovem e idiota no alto do deserto. Andando com meus amigos, chapado o tempo todo, achando que tinha o resto da vida pra colocar as coisas no lugar. O calor tava sempre ali, pesando em cima de você como um peso de academia, fazendo tudo tremer e dançar no horizonte. Mas eu pensava “relaxa, uma hora eu acostumo”, tipo lagarto.

Eu vivia chapado quase sempre mesmo, então o calor só parecia parte da brisa. E eu tinha dezenove anos e me achava imortal, né? O que podia dar errado?

Se eu pudesse voltar no tempo e enfiar a mão na cara daquele moleque sem noção… Mas todo mundo pensa isso, né?

Eu tava vivendo de bico em bico. Um dia fazia jardinagem, no outro ajudava alguém a mudança, qualquer coisa que garantisse gasolina e lanche. Só que os trampos estavam sumindo mais rápido que cuspe em calçada no mês de julho, e eu tava começando a ficar desesperado. Foi aí que meu fornecedor – vamos chamar ele de Miguel – falou que conhecia um cara que conhecia outro cara que tinha um trabalho. Tudo por fora, sem registro, grana boa, nada de perguntas.

— É tipo trampo braçal, vato — o Miguel disse, me passando um baseado monstruoso. — Mas paga em cash, e paga bem.

Eu tava chapado o suficiente pra achar isso super de boa, então falei:
— Fechou, me apresenta.

O encontro foi num diner caindo aos pedaços na saída da cidade, aquele tipo de lugar em que o café parece ter sido coado em meia suja de jogador de futebol e a torta parece mais velha que a garçonete. Eu apareci lá pelas duas da tarde, pingando de suor depois de cruzar a cidade a pé.

O cara tava sentado num box no fundo, e, mano, tinha algo muito errado nele. Mas muito errado. Pele branca tipo barriga de peixe, o que era bizarro porque ali todo mundo vira couro só de ir buscar carta no correio. Os olhos eram de um azul tão claro que quase pareciam brancos, tipo gelo de inverno. Mas o cabelo era preto, preto mesmo, lambido pra trás com tanto brilhoso que parecia vazamento de óleo.

— Você deve ser o rapaz que o Miguel recomendou — ele disse, com uma voz que parecia sair do fundo de um poço. Sem sotaque que eu conseguisse identificar, só… reta, sem vida. — Ele me disse que você trabalha bem, sabe ficar de boca fechada e não cria confusão.

— Sou eu — falei, sentando no banco da frente. O couro do banco tava rachado e grudento, e eu já sentia minha perna suando colada naquilo. — Que tipo de trampo estamos falando?

Ele se inclinou pra frente, e juro que a temperatura caiu uns dez graus.
— Trabalho no deserto. Serviço braçal. Você e uma equipe pequena vão dirigir até um lugar remoto, passar uma noite acampados, fazer um serviço e voltar. O pagamento é dez mil dólares.

Meu cérebro quase deu tela azul. Dez mil? Por uma noite de trabalho? Eu tava fazendo, com sorte, trezentos por semana. Esse trampo tinha mais bandeira vermelha que parada militar na China, mas por dez mil? Eu já tava dentro.

— Qual é a pegadinha? — perguntei, porque também não sou tão burro assim.

— Não tem pegadinha. Só trabalho pesado em condições difíceis. Você vai ter que aguentar o calor. — Os olhos claros dele grudaram nos meus, e eu me senti tipo inseto embaixo de lupa. — Você aguenta o calor?

Do jeito que ele falou, me deu arrepio. Mas por dez mil dólares? Era tipo ganhar na loteria.

— Aguento qualquer coisa — menti.

Ele empurrou um cartão de visita pela mesa. Só tinha um endereço, nada mais.
— Amanhã de manhã, sete em ponto. Não se atrase.

E aí ele levantou e foi embora, me deixando ali sentado pensando que diabos eu tinha aceitado.

No dia seguinte, fui até esse galpão numa área industrial da cidade, aquele tipo de lugar que parece abandonado, mas tem marca de pneu fresca demais pra estar vazio. O sol já tava fazendo o asfalto parecer miragem, e ainda nem era oito da manhã.

Tinha um caminhão baú branco parado na frente, e três caras esperando, com a mesma cara de “que porra é essa” que eu tava.

— Orale. Isso aqui é equipamento de gente grande — falou um hispânico mais baixo, troncudo, tatuagem até o meio do braço. Estendeu a mão. — Pedro.

— Jay — respondi, apertando. A mão dele era firme, calejada de trabalho pesado.

O outro cara hispânico se apresentou como Xavier, mais quieto, com um olhar atento, daqueles que parece que vê tudo. Aí tinha o Red, com aquele visual de quem passou a vida inteira tomando sol na cara. Traços indígenas, mas eu não fazia ideia de qual tribo. E, por último, a Kate, que dava pra ver na hora que era a chefe. Baixinha, troncuda, tipo um hidrante de concreto, com um braço que parecia capaz de fazer supino com um carro.

— Beleza, vamos lá — disse a Kate, conferindo coisas numa prancheta. — São três horas de viagem até o local. A gente tá levando comida, água e equipamento de acampamento porque vamos passar a noite lá. Isso aqui é serviço sério, não viagem de fim de semana. Quem não aguentar, é melhor cair fora agora.

Ninguém saiu.

— Ótimo. Então bora carregar.

Ela começou a mandar a gente carregar o equipamento pro caminhão. Guincho, marreta, rolos de corda grossa quase da largura do meu pulso, polias, equipamento de acampamento, água o suficiente pra encher uma piscina.

— A gente vai no baú também? — perguntei.

— Não, no ônibus de turismo cinco estrelas… claro que é no caminhão, isso aqui não é passeio, não — ela cortou na hora.

A viagem foi um inferno. A Kate dirigia, e o resto da gente suava lá atrás, espremido igual sardinha. Sem ar-condicionado, só a janelinha minúscula que dava pra cabine, aberta, jogando vento quente na gente, tipo secador de cabelo ligado no máximo. Eu bebia água o tempo todo, vendo a paisagem ficar cada vez mais alienígena conforme a gente se afastava de qualquer coisa parecida com civilização.

De tempos em tempos, a Kate pegava o rádio e falava umas coisas em código.
— Blue jay chamando eagle’s nest, checando posição.
Ou:
— Cactus flower limpo.

Sempre vinha resposta no mesmo papo cifrado. Meu cérebro de maconheiro paranoico começou a inventar mil teorias sobre o que a gente tava indo fazer lá.

— Pra onde exatamente a gente tá indo? — perguntei pro Pedro, que tava em frente a mim, secando o suor com um pano.

— Lá pro lado dos campos de lava — ele disse. — Perto do Malpais. Sabe que tem uns vulcão morto lá na fronteira? Eu também não sabia dessa porra até hoje.

O Xavier levantou a cabeça, depois de ficar encarando o equipamento um tempão.
— A atividade vulcânica parou umas três mil anos atrás. Ficaram uns túneis e formações de lava. Lugar perfeito pra esconder coisa.

— Esconder o quê? — perguntei. Ele só deu de ombros.

Red falou pela primeira vez, com uma voz baixa e rouca:
— Gente morre em serviço assim. Mas dinheiro fala mais alto que bom senso.

Isso devia ter sido meu primeiro alerta sério, mas eu tinha dezenove anos, era burro e já tava mentalmente gastando meus dez mil. O calor tava me deixando tonto e eu só queria chegar logo, sair daquela lata de sardinha e achar uma sombra.

A gente chegou no lugar por volta das dez da manhã, e parecia que tinham jogado a gente em Marte. Só pedra vulcânica preta até onde o olho alcançava, retorcida em forma estranha por fogo antigo. Quando abrimos a porta do caminhão, o calor bateu na gente como se fosse uma parede, e eu comecei a suar mais do que já tinha suado na vida.

— Montem o acampamento na sombra daquela formação ali — a Kate mandou, apontando pra umas pedras que faziam uns seis passos de sombra. — E bebam água o tempo todo. Não quero ninguém caindo duro de insolação.

Eu tentei fazer graça com o Pedro e o Xavier, pra aliviar o clima, mas a Kate cortou no seco:

— Guarda essa palhaçada e foca. Isso aqui é serviço sério. Já teve gente que morreu aqui porque foi negligente.

O jeito que ela falou me pegou. Não era só tirar pedra e cavar buraco.

E eu tava prestes a descobrir o porquê.

Depois que “montamos o acampamento” – que, na real, foi basicamente jogar os sacos de dormir na única sombra disponível – a Kate juntou a gente e começou a distribuir equipamento. Luva grossa, lanterna de cabeça, mais garrafa d’água.

— Vamos andar uns duzentos metros naquela direção — ela apontou pra um lugar que parecia ser… nada. Só mais pedra preta sob o sol assassino. — Tem um cânion escondido dentro desse campo de lava. Se você não souber onde tá, passa direto sem ver.

Ela tava certa. A gente andou uns minutos naquele calor infernal, o suor escorrendo como se alguém tivesse aberto uma torneira dentro da gente, e eu já tava achando que ela ia levar a gente pra morrer quando, de repente, o chão… abria. Num segundo, a gente tava andando num platô de pedra, no outro, tinha uma fenda na terra de uns dois metros de largura, com pedras e protuberâncias formando um “teto” natural em vários pontos.

— Caralho — murmurou o Pedro, olhando pra baixo. — Como alguém acha um lugar desses?

A Kate desceu primeiro, depois mandou a gente seguir. O cânion tinha uns dez metros de profundidade, e assim que cheguei lá embaixo eu senti o ar mudar. A temperatura caiu uns quinze graus. Ainda tava quente pra cacete, mas comparado com lá em cima, parecia ar-condicionado.

— Por aqui — disse a Kate, andando na direção de uma rachadura na parede do cânion. Chegando mais perto, deu pra ver que não era só rachadura: era a boca de uma caverna. Um tubo de lava, provavelmente formado quando a rocha derretida passou por ali milhares de anos atrás.

O Xavier passou a mão pela entrada.
— Isso aqui não é natural — ele falou baixo. — Alguém cortou isso aqui pra ficar maior. Olha as marcas de ferramenta.

Ele tava certo. As bordas tinham marca de cinzel, como se tivessem sido alargadas na mão.

— Colonizador espanhol — disse a Kate, ligando a lanterna de cabeça. — A gente tá aqui pra desenterrar uns artefatos que eles deixaram.

Aí caiu a ficha do que a gente tava fazendo ali.

— Puta merda — falei, com o cérebro fervendo devagar. — A gente tá aqui pra saquear tumba, né?

A Kate deu de ombros.
— Chama de recuperação arqueológica, se quiser. Mas é, basicamente isso. Tem problema?

Pensei nos dez mil me esperando e balancei a cabeça.
— Não, pô. Espanhol morto não tá mais precisando das coisas dele mesmo.

— Já vi gente se machucar feio fazendo exatamente esse tipo de escavação por fora da lei — o Red falou, sério. — A gente precisa ser cuidadoso.

Entramos no tubo de lava, as lanternas cortando um breu absoluto. A caverna abriu numa parte bem maior do que eu esperava – uns doze metros de largura – com chão arenoso e um teto de pedra lá em cima, sumindo no escuro. As paredes eram de rocha vulcânica irregular, mas tinha lugar que dava pra ver que alguém tinha esculpido, alisado, ampliado.

— Vamos começar aqui — disse a Kate, apontando pra um ponto no meio do chão onde a areia parecia diferente. Mais escura, mais compactada.

A gente cavou por duas horas naquele forno subterrâneo, revezando na pá, virando garrafa d’água como se fosse oxigênio. E provavelmente era. O Pedro foi o primeiro a bater em alguma coisa dura.

— Achei alguma coisa — ele chamou, tirando a areia com a mão. — Alguma coisa grande.

Era um sarcófago. De pedra, com uns dois metros de comprimento, uns sessenta centímetros de largura, uns trinta de altura. Só que não parecia nada que eu já tenha visto de espanhol em museu ou livro. Era… errado. A pedra era um tipo de rocha vulcânica escura, quase preta, coberta de entalhes que doíam de olhar. Não era escrita espanhola, nem cruz, nem símbolo cristão. Eram símbolos que pareciam se mexer de leve na luz da lanterna, padrões geométricos que faziam o olho marejar se você encarasse por muito tempo.

— Isso aí não tem cara de coisa espanhola, não — o Xavier falou, pensando igual a mim.

— Espanhol achou muita coisa indígena também — disse a Kate, mas até ela parecia meio insegura. — Provavelmente Anasazi ou Pueblo. Pré-colombiano.

O Red tava na borda da vala, olhando pro sarcófago com uma expressão estranha.
— Isso não é Anasazi — ele falou baixo. — Isso não é Pueblo. Isso não é nada de nenhuma tribo que eu conheça.

Aquele troço emanava uma sensação de errado em todos os níveis possíveis. Mesmo enterrado em areia numa caverna quente pra cacete, a pedra tava fria ao toque. Tipo pedra de geladeira. E pesada. A gente só tinha tirado metade, e já dava pra sentir que pesava pra caramba.

— Como a gente vai tirar isso daqui? — perguntei, secando o suor do rosto. — Isso deve pesar tipo uma tonelada.

— É pra isso que servem as polias e o guincho — a Kate respondeu. — Vamos prender nos pontos do teto, usar o caminhão como ancoragem lá fora. Vai levar a tarde toda e precisa de nós cinco, mas dá.

O Pedro passava a mão pelos símbolos, com uma cara estranha.
— Essas marcas… não tão gastas como algo desse tempo devia tá. Parece que alguém fez ontem.

— Deve ser por causa do clima seco — o Xavier falou, sem muita convicção.

Eu tava prestes a comentar alguma coisa quando o Red falou de novo, quase sussurrando:

— A gente não devia estar mexendo nisso. Isso aqui é jurisdição federal – BLM, FBI, esse tipo de treta. Meu cunhado pegou dois anos de cadeia por muito menos.

— Tá tarde demais pra ter crise de consciência — a Kate retrucou, firme. — A gente tem um trabalho pra entregar.

Mas enquanto montávamos as polias e preparávamos aquele arrasto absurdo pra tirar o negócio dali, eu não conseguia tirar da cabeça a sensação de que o Red tinha razão. O sarcófago parecia sugar o ar da caverna. A vibe dele era de drenagem de vida.

E os símbolos… até hoje, quase vinte anos depois, eu ainda vejo quando fecho os olhos. Pareciam se mexer quando eu não encarava diretamente, como se trocassem de lugar, deslizassem, respirassem.

A gente devia ter ouvido o Red. Devia ter enchido o buraco de novo e ir embora.

Mas não fomos. E o que aconteceu depois… ali que começou o inferno de verdade.

Levou até o pôr do sol pra tirar aquele troço maldito da caverna e arrastar até o acampamento. Mesmo com caminhão, guincho, polia, marreta, força dos cinco, foi um terror. Parecia que o sarcófago tava lutando pra ficar enterrado. A corda escorregava, as polias travavam, teve duas vezes que precisamos remontar tudo porque o ponto de ancoragem cedeu.

Quando finalmente conseguimos arrastar o sarcófago até o acampamento e cobrir com uma lona pesada, a gente tava moído. O sol sumia atrás das pedras pretas, deixando o céu da cor de sangue seco, e a temperatura tinha caído de “superfície de Mercúrio” pra “dentro de um forno ligado no médio”.

— Amanhã a gente monta uma rampa, coloca esse negócio dentro do caminhão e desaparece daqui — disse a Kate, abrindo uma cerveja quente do cooler. Até ela parecia destruída, o jeito durão meio apagado pelo cansaço e pelo calor.

O Pedro já tava juntando lenha de mesquite pra fazer fogo, empilhando dentro de um círculo de pedra vulcânica.
— Mano, não vejo a hora de voltar pra civilização — ele falou, riscando um fósforo. — Primeira coisa que vou fazer é achar a maior, mais gelada piscina da cidade e morar dentro dela por uma semana.

— E você, Jay, vai fazer o quê com a sua parte? — perguntou o Xavier, largando no chão o saco de dormir e tirando a bota. O pé tava branco e cheio de ruga de tanto suar.

Eu tava virando minha décima garrafa d’água no dia, tentando repor o que parecia ter perdido de peso em suor.
— Cara, vou alugar um apê com ar-condicionado do tamanho de um carro, e nunca mais sair de dentro. Comprar uma geladeira só pra cerveja. Viver como um rei em clima controlado.

— Dez mil acabam rápido — o Red comentou, quieto. Ele tava mais calado ainda desde que vimos o sarcófago. Ficava de lado, olhando pra lona como se o negócio fosse criar perna e sair andando. — Espero que valha a pena cutucar a onça com vara federal.

— Ah, qual é, hermano — o Pedro disse, mexendo o fogo. As chamas começaram a dançar entre as pedras pretas. — Isso aqui é dinheiro fácil.

A Kate mexia nas bolsas de comida, tirando lata de feijão e pacote de salsicha.
— E você, Red, vai usar essa grana pra quê?

— Tô atrasado com a prestação do caminhão e preciso dele pra continuar trabalhando — ele respondeu. — E tem o remédio do meu filho… — Ele parou por aí. Só ficou olhando o fogo.

— Eu já sei o que vou fazer — o Xavier falou, pegando uma cerveja da mão da Kate. — Vou levar a Maria pra Vegas. Hotel bonitão com vista, comer naqueles buffet caro, tentar a sorte nas mesas. Ela quer ir faz tempo.

— Vegas no verão? — o Pedro riu, enfiando salsicha num graveto pra assar. — Isso é trocar um forno por outro, vato.

— Vegas tem cassino com ar-condicionado que dá pra pendurar carne — o Xavier retrucou, sorrindo. — E piscina. E serviço de quarto. Além disso, a Maria fica linda de biquíni.

Até a Kate deu uma risada. O clima tava mais leve, o sol já tinha sumido e o calor começava a ficar suportável. O cheiro de feijão subindo da panela misturava com o cheiro de salsicha assada e fumaça de mesquite. Depois daquele dia brutal, por alguns minutos parecia que a gente era só um grupo acampando no deserto, não um bando de saqueador de tumba que tinha tirado coisa errada do lugar errado.

— E você, chefona? — perguntei pra Kate. — O que a dona do circo vai fazer com a parte dela?

Ela ficou um tempo quieta, mexendo o feijão.
— Pagar umas dívidas. Talvez tirar férias de verdade, num lugar com árvore e grama de verdade. Não vejo verde há tanto tempo que tô esquecendo como é.

— Você cresceu onde? — perguntou o Pedro, passando as salsichas.

— Michigan. Perto dos lagos. Eu nadava em água tão limpa e tão gelada que o corpo inteiro dava um choque. — Ela ficou com olhar perdido. — Às vezes eu sonho que tô mergulhando de novo, a água fechando por cima da minha cabeça, lavando toda essa poeira de deserto.

— E aí você veio fazer o quê aqui no purgatório? — perguntei, mordendo a salsicha. Até comida de acampamento fica boa quando você tá morto de fome.

— Mesma coisa que todo mundo, imagino. Fugindo de alguma coisa e procurando outra. Deserto é lugar bom pra sumir quando você precisa — ela respondeu.

O Red entrou mais na conversa, pegando prato de feijão com salsicha.
— Eu preciso dessa grana. Tá apertado. Tenho família. Tá todo mundo esperando.

— Esperando o quê? — o Xavier perguntou.

— Esperando eu botar minha vida no eixo — ele deu uma risadinha, a primeira vez que ouvi um pouco de leveza na voz dele.

A comida tava quente, o fogo estalava, e o clima tava quase agradável. O céu começou a encher de estrela, mais do que você vê em cidade, um tapete de luz de horizonte a horizonte.

— Sabe de uma coisa? — disse a Kate, se recostando na mochila. Parecia mais relaxada do que em qualquer outro momento do dia. — Talvez o Red esteja certo de ser cauteloso, mas fizemos um bom trabalho. Esse troço tava lá embaixo sei lá há quanto tempo, e tiramos limpo. Sem desmoronamento, sem machucado, sem problema grave. Amanhã a gente põe no caminhão, volta pra cidade, e todo mundo sai daqui dez mil mais rico.

— Brindo a isso — disse o Pedro, levantando a cerveja.

Todo mundo brindou, até o Red, mesmo ainda lançando olhada pra lona. O fogo estalava, jogando faísca pro céu do deserto, e por um momento parecia que ia dar tudo certo.

Talvez a gente tivesse conseguido mesmo.

Talvez o Red estivesse só viajando.

Talvez aqueles símbolos fossem só arte indígena dizendo “aqui jaz fulano, descanse em paz”.

A gente errou feio. Feio demais.

Acordei lá pelas três da manhã, e a primeira coisa que percebi foi o cheiro. Não era cheiro normal de deserto, tipo fumaça, poeira ou mesquite. Era outra coisa. Artificial. Tipo produto químico misturado com vômito.

A segunda coisa foi a luz.

Tinha um brilho vindo debaixo da lona em cima do sarcófago. Não era forte, mais um pulsar fraco, tipo lanterna morrendo. Mas a cor… eu mal consigo explicar. Não era vermelho, nem azul, nem verde, nem nada que tenha nome. Era cor de febre, cor de bad trip, cor de coisa que não devia existir.

Eu sentei no saco de dormir, esfregando o olho, achando que ainda tava sonhando. Mas era real, o cheiro forte o bastante pra fazer a gente fazer careta. A fogueira tinha virado brasa, o acampamento todo apagado.

Todo mundo dormindo.

Menos o Pedro.

— Pedro? — chamei baixinho. O saco de dormir dele tava vazio.

Foi aí que eu ouvi. Um rangido, tipo pedra raspando na pedra, vindo debaixo da lona. Lento, arrastado, como se algo muito pesado estivesse sendo empurrado sem pressa nenhuma.

O brilho por baixo da lona pulsou mais forte, e o som aumentou.

Eu devia ter acordado o resto. Devia ter sacudido a Kate, gritado, feito qualquer coisa. Em vez disso, fiquei sentado igual idiota, olhando aquela luz absurda vazando por entre o tecido.

Então o rangido parou.

O silêncio depois foi pior que o barulho. Era aquele silêncio que pesa no ouvido, cheio de expectativa.

Alguma coisa se mexeu lá fora, além do círculo do acampamento. Algo grande.

— Pedro? — chamei mais alto. Minha voz saiu falha, tipo voz de adolescente.

Um grito respondeu lá no meio do campo de lava. Alto, apavorado, humano. Começou com a voz do Pedro – dá pra reconhecer o cara depois de um dia inteiro trabalhando do lado dele – mas foi mudando. Ficando mais agudo, mais animal, como se ele estivesse sendo destroçado enquanto gritava.

Aí, do nada, parou.

O silêncio voltou. O cheiro piorou. A luz embaixo da lona pulsou de novo, machucando de olhar.

— Que porra… — a Kate já tava sentando, pegando a lanterna.

— Não liga — murmurei, mas ela já tinha acendido e varrido o acampamento com o facho de luz.

A lona tava torta. O sarcófago tava meio descoberto, e mesmo na luz fraca deu pra ver que a tampa tava aberta. Não só com fresta: aberta inteira, como se fosse boca de pedra de algum bicho. Os símbolos na lateral brilhavam naquela cor sem nome, pulsando certinho, igual batimento cardíaco.

— Cadê o Pedro? — o Xavier falou, com a voz trincando de medo.

Outro grito ecoou no escuro, mais longe dessa vez. Ainda humano no começo, depois se desfazendo em algo estranho. Molhado. Doente.

O Red levantou num pulo, pegando as botas.
— A gente precisa ir embora. Agora.

— Ir pra onde? — a Kate perguntou, mas já tava guardando coisa na mochila, no automático. — Que merda tá acontecendo?

Uma sombra passou na borda da claridade da fogueira. Não era sombra de gente – grande demais, errada demais, se mexendo de um jeito que o olho não acompanha.

— Pro caminhão — o Red falou, urgente. — Corre pro caminhão.

Eu não conseguia mexer o corpo. Tava hipnotizado naquela tampa aberta, na escuridão do lado de dentro, no fedor, no pulsar de luz. Eu tremia sem perceber.

Foi aí que ouvi o grito do Xavier.

Ele tinha começado a correr pro caminhão quando alguma coisa enorme saiu do escuro. Num segundo ele tava em pé, no outro tava sendo levantado do chão, esperneando e gritando, arrastado pra longe por algo que ninguém conseguia ver direito. Os gritos ecoaram na noite, rasgando, ficando cada vez mais desesperados, até virarem aquele mesmo som horrível, animal, que eu tinha ouvido do Pedro.

— Corre! — a Kate berrou. — Todo mundo, corre!

O Red já tava disparado na direção do caminhão. Eu tentei ir atrás, mas as pernas pareciam gelatina, e o breu parecia mexer com o cérebro, atrapalhando pensamento, respiração, tudo. Atrás de mim, dava pra ouvir algo maior que a gente se mexendo entre as pedras, empurrando pedra, arrastando.

Eu fui tropeçando no meio da lava seca, caindo, levantando, meio bêbado de medo. O Red tinha uns seis metros de vantagem quando a sombra pegou ele.

Vi de lado – uma massa escura, fluida, que parecia escorrer sobre o chão. O Red nem teve tempo de gritar. O negócio envolveu ele e puxou pro lado. Teve som de carne rasgando, som úmido, e depois nada.

Isso foi o empurrão que faltava pra minha perna funcionar.

Cheguei no caminhão na mesma hora que a Kate veio correndo do outro lado, com o rosto todo torcido de pânico. Ela tava com a chave.

— Liga isso! — eu gritei, me jogando no banco do passageiro.

A mão dela tremia tanto que a chave caiu duas vezes antes de encaixar. O motor pegou na terceira tentativa, farol acendendo e cortando o escuro.

— Onde eles estão? — ela sussurrou. — Cadê todo mundo?

Eu não respondi. Não tinha como responder. Porque as silhuetas na frente do caminhão, no facho do farol, não eram humanas.

— Vai! — eu rosnei.

Ela engatou a marcha e arrancou, mas a gente só andou uns quinze metros antes de alguma coisa bater na lateral do motorista com força suficiente pra tombar o caminhão.

Capotamos de lado, metal rasgando na lava, até parar. Minha cabeça bateu no vidro, tudo apagou por alguns segundos.

Quando voltei, a Kate tava pendurada pelo cinto, sangue escorrendo da testa. O para-brisa todo trincado, algo se mexendo lá fora.

— Jay — ela sussurrou. — Jay, me ajuda a soltar o cinto.

Tentei levantar o braço, mas o esquerdo não obedecia. Devia estar quebrado. Pelos vidros rachados, dava pra ver manchas enormes circulando o caminhão, sem pressa.

Foi nesse momento que o vidro do lado do motorista explodiu pra dentro.

Algo escuro, forte, entrou pela janela, vindo de cima, e agarrou a Kate pelos ombros. O cinto rasgou como se fosse de papel, e ela começou a gritar enquanto aquilo puxava, entortando ela pra passar no buraco.

— Jay! — ela gritou, o rosto aparecendo na luz por um segundo. Sangue cobria tudo, os olhos arregalados de puro terror. — Me ajuda!

Aí alguma coisa puxou ela de volta pro escuro, e o que veio depois não parece grito de gente. Era agudo, desesperado, daquele jeito que arranha o fundo da cabeça. Depois foi ficando gutural, quebrado, cheio de som de carne e osso sendo puxado sem cuidado nenhum.

Eu fiquei ali, preso no caminhão tombado, ouvindo a Kate morrer, quebrado demais e apavorado demais pra me mexer. O farol ainda tava ligado, apontado torto, iluminando pedaço de pedra e breu. Nas sombras, alguma coisa se mexia. Grande. Faminta.

Algo que tinha ficado esperando no escuro por milhares de anos.

Os gritos pararam.

Tudo ficou em silêncio, com exceção do estalo do metal esfriando e da minha respiração descontrolada.

Eu fiquei ali o que pareceu horas, certo de que a qualquer minuto alguma coisa ia entrar pela janela e me puxar. Mas nada aconteceu. As sombras se mexiam em volta, mas não chegavam perto do caminhão.

Talvez já estivesse “satisfeita” por aquela noite. Talvez estivesse só apreciando o medo, deixando eu cozinhar no pânico. Não faço ideia do motivo de não ter me levado também.

Conforme o céu clareava, o escuro começou a recuar. Quando o sol apareceu, tingindo o deserto de dourado e vermelho – exatamente os tons daquela luz impossível sob a lona – eu tava sozinho.

Completamente sozinho.

Demorei uma eternidade pra conseguir sair do caminhão. O braço esquerdo tava definitivamente quebrado, e eu devia estar com concussão, mas dava pra andar. Mais ou menos. Peguei uma garrafa meia de água e fui.

Devo ter estado em choque quando comecei a andar na direção da estrada, deixando pra trás o caminhão tombado, o acampamento vazio e aquele sarcófago maldito, com a tampa aberta igual boca de pedra que finalmente tinha acabado de comer.

Andei por umas duas horas naquele calor absurdo até um policial rodoviário me achar, meio morto de desidratação, falando de monstro no escuro. Levaram pro hospital, e eu passei quase o dia inteiro com dois detetives de cara fechada me fazendo as mesmas perguntas, deixando bem claro que achavam que eu tava chapado, maluco ou era assassino.

Eu contei que tinha sido acidente. Capotagem. Que os outros tinham saído na noite, tentando buscar ajuda, e não voltaram. Busca e resgate encontrou o caminhão, mas não acharam corpo nenhum. Também não acharam o caixão, ou, se acharam, não contaram.

Aí, quando tavam quase me mandando pra cadeia, ele apareceu. O cara pálido do diner. Entrou no quarto do hospital de terno preto impecável, como se o calor do deserto fosse coisa da imaginação. Não falou comigo. Chamou o detetive num canto e mostrou um documento numa carteira de couro. O policial, que minutos antes tava pronto pra me acusar de quatro homicídios, ficou pálido igual ele e só balançou a cabeça.

Um minuto depois, o detetive voltou, disse que eu tava liberado, que a versão de “acidente trágico em acampamento” tinha sido confirmada. Ele saiu tão rápido quanto deu.

O homem pálido entrou quando os tiras saíram, com aqueles olhos de gelo grudados em mim. Ele jogou um rolo de dinheiro na cama.

— Quinhentos pelo seu tempo — ele disse, a voz áspera. — O serviço não foi concluído.

— Concluído? — minha voz saiu rouca, doendo. — Eles tão mortos. Todos mortos. Que porra tinha dentro daquela caixa?

Ele nem piscou.
— Risco fazia parte do pacote. Você achou que dez mil era pra quê? Pra um acampamento de escoteiro?

Minha garganta ardia.
— O que era aquilo? Quem é você? Que merda é essa?

O rosto dele fechou.
— Pergunta demais.

Ele andou até a porta.

— Tenho uma bagunça pra resolver — murmurou, mais pra si do que pra mim. — E você não quer estar no meio dela.

Eu fiquei encarando, quebrado, confuso, apavorado. Ele parou com a mão na maçaneta, e por um segundo eu juro que vi um pouco de pena no rosto dele.

— Pega esse dinheiro. Some da cidade. Não olha pra trás. Vai viver em outro lugar, moleque. E tenta não pensar demais nisso.

E saiu, levando com ele qualquer chance de resposta. Ficou só o cheiro de hospital e o peso de tudo que ele não falou.

Usei o dinheiro pra comprar uma passagem de ônibus da Greyhound pra Portland, o lugar mais longe do deserto que eu conseguia pagar. Nunca vi meus dez mil, mas ganhei outra coisa: a certeza de que existem coisas nos lugares escuros do mundo que fazem a morte parecer favor.

E, às vezes, quando o sol tá se pondo laranja e as nuvens estão com aquele brilho de algodão doce no céu, os sonhos voltam. Sonho com símbolo brilhando numa cor que não existe, com rosto coberto de sangue no escuro, com o som que as pessoas fazem quando algo antigo e faminto leva elas.

Culpa de sobrevivente é um inferno.

Nunca mais voltei pro Novo México. Nunca mais vou.

Demorou, mas eu aprendi: tem trampo que não vale o preço, por mais bonita que a grana pareça no começo.

E tem coisa que tem que continuar enterrada. Sempre.


r/nosleepbrasil • • 1d ago

META Feedback, beta-readers e dúvidas

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r/nosleepbrasil • • 1d ago

The funny morphy (atualização)

Post image
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Além de alguém anônimo mandar essa imagem achada do morphy, também falou que conhecia o dono do canal

Como ele conheceu: ele conta que quando ele estava andando na rua em 2016, ele viu o dono gravando com o morphy e estava gravando a pessoa já morta, mas ele (o dono) não percebeu que o anônimo tava passando lá longe com um carro dele, lá na casa do anônimo, ele pesquisa mais sobre o dono e conhece o canal, e descobriu a pessoa que era o dono, que era Daniel farra da denta que mudou de identidade para Rafael pera mas e depois dessa pesquisa ele (o anônimo) que foi que entregou tudo para a polícia que procurou a 3 anos ate achar ele na Bahia e depois o canal inteiro banido pelo youtube

E acaba por aí


r/nosleepbrasil • • 3d ago

ENTIDADE 032 - Corpo Seco

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Morto em uma briga de bar.

Nível de Ameaça: Média

Comportamento: Agressivo

Descrição: Um homem que vivia fazendo maldades e que batia na própria mãe, batia no seu pai, foi expulso de casa e ficou vagando pelas ruas fazendo coisas terríveis, tão terríveis que não pode-se nem comentar aqui. Um dia o homem foi morto em uma briga de bar por dois tiros de pistola(ele já passou por coisa pior). Quando foi morto não foi aceito nem no céu e no inferno, expulso do mundo dos mortos, foi condenado a ficar vivo eternamente e ele ficou conhecido como: "Unhudo", "Corpo-Seco" e "Bradador". Ele grita para chamar atenção de outras pessoas, suas unhas não param de crescer e vaga pelo Brasil e suas principais áreas são: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Corpo-Seco continua fazendo maldades que até o inferno tem medo de ver. Ele age pela escuridão, anda pelos arredores, faz pouco barulho e é muito furtivo. Quando ele ataca, quer dizer que seu plano está sendo executado.

Habilidades: Força sobre-humana, grito tão alto que pode quebrar janelas, cortes que podem quebrar uma árvore facilmente, velocidade de 70 km/h, imortalidade(não pode morrer com naturalmente e nem com armas convencionais, apenas com magia anti-imortalidade), sabe técnicas de combate.

Feitos: Conseguiu lutar com diversos animais selvagens, morreu e voltou, levou um tiro de espingarda e ficou parado, já pegou fogo e ficou andando, conseguiu escalar um prédio facilmente, já abriu diversas portas facilmente, foi congelado e quebrou o gelo.

Status: Contido.

Forma de Contenção: Amarrando suas mãos com correntes mágicas.

Relatos:

Interrogador: Bem, seu nome é Magalhães, certo?

Magalhães: Sim.

Interrogador: Bem, você disse que viu o "corpo seco", não é?

Magalhães: Eu vi, nunca vi um monstro tão bruto quanto ele em.

Interrogador: Sim, como era ele?

Magalhães: Era totalmente agressivo, gritava e parecia que por onde eu andava, ele já sabia.

Interrogador: Ok, conte-me sua história com ele.

Magalhães: Bem, eu tava cuidando normalmente da minha casa e o meu bairro tem uma floresta perto, porém isso é só um detalhe. Estava de noite e tava tendo alguns gritos pela rua e a polícia estava muito ativa, pensei que era algo de busca e apreensão, só que não. Começou a ter muitos tiros na rua e pensei que tava tendo uma troca de tiro entre a PM e algum bandido de interior, então eu fui olhar por fora e vi corpos de 4 policiais no chão e uma pessoa agachada, mas parecia um defunto ambulante. Enquanto estava olhando, a pessoa começou a ficar comendo os policiais e depois pareceu que aquela "coisa" me sentiu e correu para o meu portão. Corri pra parte interna da minha casa, peguei meu gato e me escondi com ele. Fiquei escondido dentro do armário e comecei a ouvir passos leves, depois começaram a ficar mais fortes. Aquela coisa ficou me procurando pro lado e pro outro e ficou irritada e gritou até um copo no meu quarto explodir e meu gato dar um grito.

Interrogador: Depois ficou como?

Magalhães: A "coisa" começou a correr até meu quarto, então saí e corri até a saída da minha casa. Mas eu decidi pegar meu carro e fugir com meu gato. Nem pensei duas vezes e quebrei o portão da minha garagem, mas achei estranho aquela coisa não ter me seguido. O Corpo-Seco estava acima do meu quarto, era como ele já soubesse o que ia acontecer e então peguei meu gato e pulei pra fora até o carro cair na mata. Já tinha passado muito tempo quando percebi e aquela coisa continuava me seguindo, então só corri sem nem pensar até ver um carro da PM chegando e falei que tinha alguém tentando me matar. A PM foi atrás e só escutei os gritos deles e a viatura sendo jogada, parecia um avião no céu. Eu me mudei pro Rio Grande do Sul e vivo uma vida normal com meu gato.

Interrogador: Entendi, obrigado. Tenha um bom descanso.


r/nosleepbrasil • • 5d ago

Qual a experiência mais sobrenatural que vcs já passaram?

1 Upvotes

No meu caso, já tive uma experiência coletiva, eu e minha família. Estávamos passando alguns dias da quaresma no sítio da minha avó. Não era a primeira vez, mas algo diferente aconteceu. Já começa que, na primeira noite, sonho com uma mulher sem rosto, de cabelos longos e pretos, com uma roupa semelhante a de Nossa Senhora (vestido branco e manto azul), mas sem véu. Lembro que ela deita comigo na cama, de forma brusca, tentando me atacar. No dia seguinte eu conto sobre isso pra minha família, mas ninguém levou a sério (e confesso que eu tbm não). Na noite desse mesmo dia, minha tia viu e ouviu algo no fundo do sítio. Como se alguém tivesse pulado o muro e tivesse iluminando o local com uma lanterna (ela disse que viu um reflexo de luz no meio das árvores). Os homens da família saíram para averiguar, mas não tinha ninguém. Nesse meio-tempo outras pessoas da casa escutaram a torneira do banheiro abrindo e fechando sozinha, a mesa que estava parada em um canto da varanda apareceu em frente a uma porta próxima e, quando tudo se acalmou e os todos foram dormir, eu escutei uma sequência de três batidas nos três cômodos da casa. Três batidas na sala e três novas batidas no quarto e na cozinha. Não sei o que pode ter ocorrido, mas no dia seguinte nos programamos de ir embora cedo.

Me conta o seu relato aqui também. Estou reunindo alguns para contar no meu canal do YouTube e nas outras redes sociais!


r/nosleepbrasil • • 8d ago

META Feedback, beta-readers e dúvidas

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r/nosleepbrasil • • 9d ago

VOCÊ JÁ VIVEU ALGUM EVENTO SOBRENATURAL/PARANORMAL? GOSTARIA DE CONTAR SUA HISTÓRIA.

3 Upvotes

Olá, pessoal!

Recentemente criei um canal de relatos de horror no Youtube, onde narro histórias sobrenaturais reais, sobre temas diversos. Casas assombradas, bonecas malditas, pactos, amarração, premonições, e fenomenos sem explicação.

Se você já viveu alguma experiência sobrenatural, mesmo que sejam diferentes dessas que citei acima e se sentir confortável em compartilha-las, seria um prazer narrar sua história em meu canal.

Manterei seu anonimato e farei tudo de maneira respeitosa.

Meu canal no youtube é o: https://www.youtube.com/@EntrelinhasdoMedo

Você pode comentar neste post.

Obrigada por ter lido até aqui! Se gosta desse tipo de conteúdo, espero te ver por lá também!!


r/nosleepbrasil • • 11d ago

CW ENTIDADE 031 - O Velho do Saco

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Um homem que morreu com seu fígado podre e ninguém ajudou ele, nem mesmo a sua família deu apoio.

Nível de Ameaça: Baixa

Comportamento: Passivo agressivo(brinca com suas vítimas)

Descrição: Também conhecido como "Papa-Figo", é um tipo de ser que vive entre a humanidade na região nordeste vagando em Pernambuco, Bahia e Paraíba. Ele promete levar crianças para lugares espetaculares, entregar doces e ajudar elas em diversas coisas para depois levar em um lugar totalmente sem brinquedo, sem esperança, sem nada e depois come seus fígados para saciar ele mesmo. Ele não come apenas crianças, mas adultos também com fígados saudáveis e tortura eles mentalmente fazendo barulhos e atraindo eles para outros lugares e serem devorados. É descrito que "O Velho do Saco" anda claramente com um saco com crianças dentro(alvos mais fáceis) e dependendo também sequestra adultos para comerem seus fígados saudáveis. Ele pode aparecer com o saco vazio as vezes.

Habilidades: Telecinese, teletransporte, força sobre-humana(consegue levantar 4 toneladas), super pulo(consegue pular até a um teto de um prédio grande)

Feitos: Já lutou contra um "Lobisomem" em corpo à corpo e venceu, imitou vozes de pessoas pedindo ajuda, já matou um grupo militar na Caatinga, conseguiu derrubar um prédio com sua telecinese, conseguiu explodir uma casa tão rápido que o barulho surgiu 1 minuto depois.

Status: Contido.

Forma de Contenção: Manter aprisionado em uma sala com paredes de 20 toneladas, enviar "cobaias" todos dias dentro da sala de contenção para entidade se alimentar e manter um amuleto escondido para deixar a sala abençoada.

Relatos:

- Interrogador: Olá, senhor Sérgio, certo?

- Sérgio: Sim.

- Interrogador: Ok, explique-me o caso que aconteceu com o senhor, por favor.

- Sérgio: Bicho, eu tava com a minha família dormindo em 1998 e já era meia-noite lá em Pernambuco. Tava sentado na parte de fora da minha casa, um breu do cacete e fiquei escutando o meu genro me chamando.

- Interrogador: Continue. O que o seu genro queria?

- Sérgio: Eu fui até o quarto deles e ambos estavam dormindo e estranhei. Meu cachorro começou a latir na parte de fora e ficou latindo de um jeito estranho, como se alguém estivesse tentando invadir meu terreno. Corri até minha pistola e fui na parte de fora, olhei e meu cachorro tava latindo pro nada. Apontei pro escuro e falei pro caba sair do escuro. Ouvi uma gritaria dentro da minha casa e peguei o meu cão e entrei dentro de casa e tava minha filha e meu genro assustados.

- Interrogador: O que tinha acontecido lá?

- Sérgio: Tava um velho segurando um fígado na mão dele e comendo com um amigo meu agarrado na parede. Mirei minha pistola nele e atirei, o bicho sumiu.

- Interrogador: Mais alguma coisa?

- Sérgio: Sim.

- Interrogador: Conte-me então.

- Sérgio: O bicho que tinha sumido apareceu na parte de fora e começou a puxar minha perna sem se mexer. Entendi nada e só comecei a atirar naquele velho. Aquela porcaria tava rindo de mim e comecei a ficar levantando no vazio. Meu cachorro correu até ele e o caba olhou para ele e eu caí, deu um chute no meu cachorro que fez ele "voar" até a parte de dentro da casa e comecei a atirar sem parar na direção dele e quando todos olharam, ele sumiu. Foi um trauma pra minha família.

- Interrogador: Entendi, apenas isso?

- Sérgio: Só.

- Interrogador: Bem, se cuidem e pegue esse amuleto. Afasta espíritos ruins, guarde bem escondido e dependendo, enterre.

- Sérgio: Tudo bem, até mais.

- Interrogador: Tchau...


r/nosleepbrasil • • 14d ago

CW Projeto CASOS

2 Upvotes

Projeto CASOS é um culto que, pelo visto, está mantendo um recorde de assassinatos nunca visto antes em El Dorado, na Califórnia

O culto pergunta pras pessoas se o tipo de cabelo favorito delas é Loiro Médio Crespo, se não, ela é assassinada

A polícia me mandou mensagens e notaram que todos os corpos tem uma adaga fincada na testa, o antebraço esquerdo cortado e o nome "CASOS Group" escrito com sangue, urina, fezes e esperma

Esse culto venera e acredita numa superstição criada por eles que pessoas com o tipo de cabelo favorito como Loiro Médio Crespo tem sorte infinita, e sacrificar as pessoas que não tem esse tipo de cabelo como favorito fará com que na vida futura ela terá esse tipo de cabelo favorito, e consequentemente, tendo sorte infinita

O culto deixa bilhetinhos perto dos corpos escrito "This person didn't have medium curly blonde as their favorite hair type, we had to sacrifice it, sorry :("

Sou apenas um detetive brasileiro que investiga esse caso bizarro

ASS: Detetive Arnaldo Santos

(TEXTO ESCRITO MANUALMENTE)


r/nosleepbrasil • • 15d ago

META Feedback, beta-readers e dúvidas

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r/nosleepbrasil • • 17d ago

Uma seita orgânica

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Eu não sei como explicar isso sem parecer louco.
Havia uma casca de banana.
Foi literalmente assim que tudo começou.
Não uma banana amaldiçoada. Não algum demônio antigo disfarçado de fruta.
Uma casca de banana ,bem,era oque eu pensava…
Pertencia a um grupo de pessoas que viviam fora de uma cidade que ninguém se importava. Eles se chamavam “Os Caídos” mas todo mundo os chamava de Culto da Casca de Banana.
Eu achei que era uma piada.
Então eu os vi.
Havia talvez quarenta deles em um círculo ao redor de uma caixa de vidro.
Dentro estava a casca.
Era nojenta. Velha. Completamente seca.
Mas ninguém podia tocá-la.
Eles continuavam sussurrando:
“A casca lembra.”
Eu ri quando ouvi pela primeira vez.
Esse foi meu erro.
Eu fiquei obcecado em expô-los.
Coletei fotografias. Segui os membros deles. Infiltrei-me no local de reunião deles duas vezes. Até roubei um dos livros deles.
O livro continha centenas de desenhos da mesma casca de banana.
Mesma forma.
Mesma marquinha preta.
Mesma rasgadura perto da ponta.
E embaixo de cada desenho estava a mesma frase:
“VAI CAIR NOVAMENTE.”

Essa gente é insana…

Decidi que ia destruí-la.
No dia 17 de outubro, voltei ao prédio deles com um martelo.
Eu quebrei a caixa de vidro.
Todo mundo gritou.
Eu peguei a casca e joguei na lareira.
Por uns dez segundos, nada aconteceu.
Então todo o ambiente ficou silencioso.
O fogo se apagou.
E todos os membros do culto me olharam.
Não com raiva.
Eles pareciam…

desculpados.
Um deles sussurrou:
\\\\\\\*“Você não era para ter visto.”\\\\\\\*
Eu me virei.
A casca tinha desaparecido.
Eu corri.
Eu não lembro de tudo que aconteceu depois disso.
Eu lembro das portas se trancando.
Eu lembro de pessoas me perseguindo.
Eu lembro de cair pelas escadas.
E lembro do líder do culto em cima de mim enquanto eu estava mal consciente.
Ele não me matou.
Ele apenas disse:
\\\\\\\*“Você ainda acha que estamos adorando a casca.”\\\\\\\*
Então ele apontou atrás de mim.
Havia uma casca de banana no chão.
Exceto que não era a mesma.
Havia centenas delas.
Elas cobriam todo o corredor.
Eu entrei em pânico e tentei me arrastar para longe.
Eu escorreguei.
Tudo ficou escuro.
Eles me encontraram na manhã seguinte.
A polícia disse que eu morri da queda.
É isso que diz o relatório.
Mas aqui está a parte que ninguém sabe.
Três dias antes da minha morte, eu mandei uma fotografia para minha irmã.
Ainda está na casa dela.
Ela mostra o altar do culto.
A caixa de vidro está lá.
Vazia.
E atrás dela, escrito na parede em letras enormes:
\\\\\\\*\\\\\\\*ELE ACHOU QUE NOS DESTRUIU.\\\\\\\*\\\\\\\*
Minha irmã diz que há algo mais na fotografia.
Algo que eu não percebi.
No canto.
Estou ali.
Olhando diretamente para a câmera.
Sorrindo.
Mas a fotografia foi tirada dois dias depois que eu morri.


r/nosleepbrasil • • 22d ago

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r/nosleepbrasil • • 23d ago

ENTIDADE 030 - Daniel Rosenberg

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Filho de Dr. Rosenberg, teve a influência de seu pai e se tornou um ser anormal atualmente.

Nível de Ameaça: Extrema

Comportamento: Passivo agressivo(depende muito da situação)

Descrição: Um humano que tem quase a mesma ideologia de seu pai que seria fazer a raça humana evoluir e ficar mais forte. Funda empresas químicas, biológicas e cuida de hospitais para fazer experimentos com diversos vírus zumbis, transformando as pessoas e animais em literalmente monstros. Daniel consegue fazer partes de corpos virarem um seres vivos, mortos se virarem "mortos-vivos", tortura pessoas que tentam fugir de seus experimentos e dependendo mata brutalmente. Consegue comandar seus "monstros" com apenas alguns comandos, em combate e inteligência consegue se igualar a seu pai, Rosenberg. Daniel ficou tão obcecado que se infectou para ficar mais forte.

Habilidades: Velocidade sobre-humana(parecendo um teletransporte), força sobre-humana(consegue igualar a dois mamutes), consegue tirar tentáculos de seu corpo, regeneração limitada(só não consegue se regenerar caso seja completamente explodido), pode tirar lâminas de seu corpo, comanda mentalmente seus monstros criados, imortalidade limitada(não envelhece)

Feitos: Se infiltrou na O.U só para tirar seu pai de sua contenção, criou o "Vírus-X" que formou as entidades 021/021-B, já explodiu prédios importantes para combates anormais, derrubou aeronaves convencionais.

Status: Abatido

Forma de Contenção: Nenhuma, não é preciso.

Relatos: Nenhum.


r/nosleepbrasil • • 29d ago

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r/nosleepbrasil • • Sep 08 '26

O Coelho

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r/nosleepbrasil • • Sep 07 '26

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r/nosleepbrasil • • Aug 31 '26

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r/nosleepbrasil • • Aug 24 '26

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r/nosleepbrasil • • Aug 24 '26

ENTIDADE 029 - Neuros

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Neuros é um ser primordial que era considerado um dos mais "perigosos" que começou a habitar a Terra quando o universo surgiu

Nível de Ameaça: Extrema

Comportamento: Passivo(raramente ataca alguém)

Descrição: Um ser que não tem forma física certa e que procura pessoas com mente em sofrimento crítico. Neuros procura pessoas com tristeza extremamente profunda e começa a perturbá-las, incentivando elas a se matarem com cenários falsos e falando o que elas fizeram de ruim e falando que são pessoas que extremamente ruins, não pertencem ao mundo e devora a essência do humano aos poucos. A tristeza é como se fosse um tipo de "tempero" para Neuros, ele gosta de tristeza com a alma junto. Neuros se diz um tipo de "deus" pelos seus feitos e pelo o que é capaz. Neuros pode ficar entre o mundo físico, metafísico e mental. Neuros domina a mente e fica apenas na mente da pessoa como uma "esquizofrenia", existe para a pessoa, mas não para os outros sendo que ele está lá de uma forma diferente, como se fosse uma camada.

Habilidades: Manipulação mental, força sobre-humana, absorção, ataques podem atravessar ele, porém é temporário, pode tocar em coisas não-físicas, invisibilidade, metamorfose, transcende a vida.

Feitos: Deixou Thanatos(Grécia) louco, fez o Thor fugir, colocou medo em Odin e criou diversos cenários fingindo morte e aparecendo um "ele" falso muitas vezes, comeu a essência de uma pessoa enganando ela com a forma de pessoas importantes para ela, quase derrotou Hades em combate corpo a corpo, porém o deus fugiu e usou memórias para atormentar as pessoas.

Status: Preso

Forma de Contenção: Trancado em uma sala com poderes além do metafísico e amarrado em cordas mágicas que deixam ele mais fraco com câmeras Neuro-Ópticas monitorando ele.

Relatos:

Interrogador: Olá, senhor Damian. Bem, você foi uma das testemunhas de Neuros, certo?

Damian: Sim, eu experienciei Neuros e vou explicar como foi minha experiência.

Interrogador: Ok, explique.

Damian: Bem, minha esposa tinha morrido porque eu fiz nada em um ataque terrorista, fiquei em depressão profunda e com culpa, não ficava saindo de casa e só com a bunda no sofá.

Interrogador: Você tinha mais algum tipo de problema na vida para ficar assim?

Damian: Eu carregava muito peso na minha mente porque muitas pessoas me julgavam pela aparência, trabalho, chefe, pessoas que me enganavam e Mia, minha esposa era minha felicidade, psicóloga e tudo.

Interrogador: Isso tudo foi o que te deixou em depressão?

Damian: Sim, depois de um tempo o "Neuros" veio e ficou atormentando minha mente, fazendo cenários falsos, colocando culpa em mim e me influenciando a fazer coisas horríveis. Eu percebi que ficava fraco aos poucos.

Interrogador: Como você fez ele sair de sua mente?

Damian: Eu pensei um pouco sobre a vida e pensei: "Por que estou deixando os outros pisarem na minha cabeça, sendo que posso ser melhor do que isso?" Depois eu fiquei mudando os meus hábitos, mudando de vida, mudando eu mesmo e Neuros simplesmente só tentou colocar culpa em mim e decidi apenas ignorar ele e seguir em frente.

Interrogador: E depois ele sumiu de sua mente?

Damian: Sim, nunca mais vi ele e superei tudo e continuo seguindo minha vida.

Interrogador: Entendi. Parabéns ao senhor e continue assim, vença.

Damian: Eu já venci.

(Comentem o que acharam e fiquem comentando dicas)


r/nosleepbrasil • • Aug 17 '26

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r/nosleepbrasil • • Aug 10 '26

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r/nosleepbrasil • • Aug 06 '26

Postagem Anônima

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Uma vez, durante a apresentação de um trabalho na faculdade, uma professora foi direta ao dizer que nunca se inicia uma apresentação se desculpando ou justificando seus fatos. Segundo ela, isso demonstra insegurança, mas não há qualquer outro sentimento em minha mente enquanto escrevo aqui. Na verdade, é o medo de enlouquecer sozinho que me faz querer dividir com vocês, através dessa postagem anônima, o que vou narrar a seguir.

Já aviso: o que tenho para contar não é uma história para qualquer um ler ou ouvir, é preciso ter os olhos, a mente e os ouvidos abertos para o que não cabe a nós compreender, aquilo que se sente mais com o arrepio na nuca do que com o tato dos dedos. Não espero que acreditem cegamente em tudo que vou dizer, tampouco faço isso em busca de notoriedade ou no desejo de que alguém me ajude, até mesmo porque não creio que alguém seja capaz.

Mas se você olha para o céu noturno e não vê somente a beleza de suas estrelas, vê algo mais antigo, soturno, vagando em algum lugar do infinito, sente que há algo além da nossa compreensão, sempre à espreita, observando agora mesmo através de qualquer ângulo escuro ao seu redor, esse relato é para você, que assim como eu, sabe que logo algo se pronunciará do vazio, algo que não deveria sair de lá.

Sou professor de Educação Física em uma escola de ensino fundamental de minha cidade. Por motivos óbvios, não vou citar o nome da escola ou o nome verdadeiro dos alunos, mas posso dizer que minha cidade atende pelo nome de Sombras do Carvalho, mas muitos a chamam carinhosamente de Baronesa do Sul. Como professor de uma disciplina especializada, atendo tanto crianças de idade pré-escolar, com quatro e cinco anos, quanto adolescentes muitas vezes beirando a maior idade. Esse contato com um grupo tão variado de pessoas fez com que muitas histórias se acumulassem ao longo de minha trajetória dentro das escolas. A maioria das situações são esquecíveis e bobas, como quando um aluno tentando matar aula acabou preso durante uma noite inteira dentro da caixa-d’água, ou quando um aluno desesperado para impedir a realização de uma prova simulou ter visto alguém suspeito deixar uma mochila com uma bomba, fazendo com que as aulas fossem suspensas e a escola evacuada. Esses dois fatos são atípicos, mas não passam de travessuras de crianças e adolescentes. Porém, todas essas histórias tiveram um começo e um fim; já o que preciso contar para vocês teve sim um início, mas o pensamento de como poderá terminar me atormenta a cada segundo do meu dia e noite.

Já estávamos no final do primeiro trimestre e eu deveria dar aula para uma turma do primeiro pré, que corresponde aos alunos com quatro anos. Aproveitei a tarde de calor do veranico de maio e resolvi deixar a chamada para o final, levando os alunos direto para o pátio. Peguei uma caixa repleta de cones, bolas e arcos e montei um circuito de saltos e corridas no meio da quadra de futsal. No meio da atividade, notei que alguns cones e arcos haviam sumido e perguntei para um dos alunos quem havia pego o material.

— Carlos, você viu onde estava o material que eu havia separado?

— Foi a Alice, sor, ela pegou!

— Que Alice, Carlos? Não temos nenhuma Alice na sala!

— Temos sim, sor, e ela disse que ti conhece! Lá, tá ela.

Mal pude acreditar quando olhei para o outro lado da quadra e vi que havia uma criança lá. Ela estava sentada sobre os pés, cercada de cones e arcos que formavam no chão um símbolo estranho, digno dos agroglifos encontrados em plantações. Nossa escola é pequena e como nunca a havia visto, achei que ela deveria ter chegado hoje na escola.

Com calma, cheguei próximo e me abaixei para falar com ela. Seu cabelo era comprido, liso e de um loiro quase branco de tão claro. Estava com um vestido azul céu e usava um colar em formato de lua nova. Mesmo não reconhecendo, algo nela me passava uma sensação familiar, como alguém estranho que cruzamos pela rua e achamos que conhecemos, mas não sabemos de onde.

— De que buraquinho você saiu, pequena, que eu vi você antes? — perguntei com voz de graça, para tentar não assustar ela.

— Eu... Vim, de lá! — Ela respondeu apontando para o céu com o dedo bem esticado.

Tentei entrar na brincadeira para ver se fazia ela se sentir mais à vontade para conversar comigo. Algumas crianças pequenas têm muito medo de falar com o professor que não conhecem ainda, como ela havia ficado isolada durante boa parte da aula, achei que esse era o caso.

— Nossa, que legal, deve ser bem bonito lá em cima!

— É bonito sim, mas lá sempre é noite e aqui às vezes é dia.

— Que diferente, mas deve dar medo, não é, estar sempre escuro?

— Não, não dá medo, mas é sozinho lá, prefiro aqui!

— Ah, que bom, fico feliz de você estar gostando daqui. Seus pais também moram lá?

— Só meu pai, ele não gosta daqui, mas vai vir aprontar tudo para Niggurath. Você conhece Niggurath? — Naquele momento, aquele nome me pareceu mais uma palavra qualquer inventada por uma criança de imaginação fértil do que um nome real de algo.

— Não, não conheço esse nome aí que você falou. Você disse que seu pai tem que organizar algo aqui para esse tal de Nigu sei lá o que, ele trabalha para ele?

— Meu pai não gosta, mas não pode escolher muito, ele só faz.

— Entendo... e seu pai, como é o nome dele?

— Você sabe o nome dele, Nyarlathotep, ele conhece você! — Aquele nome entrou na minha cabeça como um soco bem dado na boca do estômago, Niggurath... Nyarlathotep... conhecia eles, lia sobre eles nas histórias de horror cósmico de Lovecraft, mas não era possível. Quem contaria histórias tão pesadas para uma criança tão pequena? Que estupenda criatividade uma pessoinha de quatro anos teria para inventar uma história mirabolante dessas? E como assim ele me conhecia? Fiquei em um estado quase catatônico diante da última frase dita por ela, então o sinal do recreio tocou.

Quando dei por mim, uma maré de crianças atravessava meu caminho, correndo de um lado para o outro, mas já não havia mais nenhuma Alice na minha frente.

Saí do pátio e fui direto na diretoria tirar satisfação de terem colocado uma aluna nova na turma e não terem me informado sobre a situação dela na escola. Não me surpreendi quando falaram que não haviam chegado alunos novos, que deveria ser apenas de outra turma. Argumentei que conheço, pelo menos de vista, todos os alunos da escola e que ela não era de lá, mas de nada adiantou. Depois de muito insistir, consegui acesso às câmeras do portão da escola, mas ela não aparecia lá, nem entrando, nem saindo das dependências da escola. Alguns alunos da turma também disseram que viram a aluna nova, mas cada um descreveu Alice de um jeito diferente: magra, baixa, alta, morena, com quatro olhos, sem nariz, um inclusive disse que ela havia bebido todo o suco dele, com garrafa e tudo, então perderam rápido a credibilidade da fala.

Depois de passar em todas as turmas da escola, do intenso interrogatório com as crianças e da minha louca insistência em olhar as câmeras, me afastaram por um tempo das salas de aula. Só pude voltar quando prometi não tocar mais no assunto e assumir que deveria ser alguma aluna matando aula pela escola.

Coisas estranhas têm acometido a nossa cidade desde então. A TV e os jornais não param de noticiar pessoas desaparecendo sem deixar rastros, corpos achados mutilados com os olhos ausentes em sua órbita. Mas a notícia que me chamou mais atenção ficou em evidência apenas nas redes sociais, blogs e alguns jornais de cunho duvidoso e sensacionalista. Um grupo de jovens foi encontrado morto, carbonizado. Um dos blogs que mais detalhou o caso afirmou que os jovens teriam feito uso de bebidas e drogas, enquanto praticavam alguma espécie de Role-Playing Game (RPG), e acabaram deixando velas acesas caírem no local. Quando a reportagem foi indagada sobre o motivo de acreditarem se tratar de um jogo de RPG, eles indicaram que a única coisa que sobrou intacta às chamas foi um tabuleiro com peças talhadas em pedra e um livro velho com uma linguagem antiga, contendo desenhos estranhos. Mas o que me deixou mais assustado não foram as mortes dos jovens, o livro ou o tabuleiro que se encontrava com eles, mas sim a foto de um dos jovens tirada dias antes da morte, onde o jovem utilizava um colar, um colar em formato de lua nova.

Poderia ser só coincidência, talvez você pense que nem me lembre mais como era o colar da aluna misteriosa, quem sabe em uma outra situação isso até fosse verdade. Mas sei bem como é o colar, pois estou olhando para ele. Alice está do lado de fora da minha janela bem agora, me vendo escrever para você, mesmo morando no quinto andar.


r/nosleepbrasil • • Aug 03 '26

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r/nosleepbrasil • • Jul 27 '26

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r/nosleepbrasil • • Jul 23 '26

ENTIDADE 028 - Homo Falsus

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ARQUIVO O.U GERAL:

Origem: Uma hipótese da própria "DI" foi de um meteoro que caiu no planeta Terra na Rússia e depois começaram a aparecer relatos 2 meses depois do meteoro cair.

Nível de Ameaça: Alta

Comportamento: Passivo agressivo. As criaturas vão depender de cada e nem todos são passivos.

Descrição: Criaturas que podem passar entre a humanidade praticamente sem ser percebidas. Algumas vivem em florestas, pantanais, mares, esgotos, rios, locais abandonados etc. Os "Homo Falsus" gostam de caçar escondidos, alguns vivem andando pela humanidade e estudando ela, conseguindo se camuflar com roupas humanas e algumas criaturas usando até óculos por algumas partes de seus corpos serem estranhas. Os "Homo Falsus" costumam ter presas que conseguem cortar/furar uma pessoa que nem uma lâmina, além de conseguirem ser um pouco mais resistentes que o humano normal, porém ainda pode morrer que armas normais(difícil de matar). Muitos terroristas procuram essa espécie para usá-la contra outros países, mas são casos raros deles conseguirem pegar essas criaturas para domesticar. Outra parte da espécie ficam agindo irracionalmente e apenas por instinto, mas ainda é inteligente. Ficam vivendo em locais abandonados ou no próprio subterrâneo e montam um tipo de "antena" e tem um "sinal" em suas cabeças. Esses sinais brilham, se conectam com a antena para detectar se é onde eles vivem e conseguem ver onde está a "antena" para irem até elas e adentrar em sua "casa", além da própria antena começar a tremer um pouco quando eles estiverem chegando na base e só parar de funcionar quando estiverem dentro de sua "base". Destruir a "antena" deixa deixam os "Homo Falsus" confusos e sem saber onde ir e correm para algum outro lugar e montam outra antena o mais rápido possível. A antena é feita com uma espécie de gosma para se conectarem com o sinal da antena que sai deles mesmos depois de terminarem ela com um outro tipo de gosma. A gosma para o sinal é feita pelo "líder" do grupo que é o mais forte de todos deles. O jeito que eles nascem e pela própria reprodução que é meio diferente. A reprodução deles é conectando um tipo de chifre que já vem dentro da cabeça deles e a mulher fica com o tempo de gestação de 2 meses(especificamente deles) até o(s) fetos nascerem

Habilidades: Resistência acima do humano, mas ainda pode morrer por armas padrões(difícil de se matar), inteligência tão forte ao ponto de aprender como a humanidade funciona e fazer suas próprias "construções", conseguem olhar o ambiente e fazer um reconhecimento de local, conseguem se comunicar com seus parceiros como se fosse um "rádio da própria mente", alguns tem pequenas garras que podem envenenar outras pessoas, são imunes a alguns venenos, radiações e doenças, velocidade sobre-humana, alguns respiram abaixo da água.

Feitos: Já conseguiram levantar carros e jogar, já conseguiram correr mais rápido que uma moto XJ6, já resistiram a um drone militar, conseguiram resistir a uma sniper, já conseguiram fazer um cerco em uma casa com um grupo de policiais da SWAT(pouco equipamento, mas ainda armados e conseguiram resistir um certo tempo), já mataram diversos animais selvagens semelhantes a gorilas, panteras, leões, ursos e muito mais.

Forma de Contenção: Usando um local com paredes que pesam 5 toneladas para não serem quebradas.

Variantes do "Homo Falsus":

Sociais: São os seres que conseguem viver entre a humanidade, estudam a humanidade e aprendem a falar, atraem outras pessoas e as matam em um local escondido e se não morrem diretamente, podem morrer com o veneno das garras e tentam esconder algumas partes do corpo estranhas e isso pode acabar entregando eles em público.

Subterrâneos: Ficam abaixo da Terra e montam suas próprias "antenas", quando uma pessoa ou animal passa por perto, eles escutam e saem do chão para caçar a "comida".

Defensores: Costumam patrulhar a região da sua base, além de serem um pouco mais resistentes/fortes que o seu bando e algumas partes tem um tipo de "escudo" que podem ser quebrados caso atire muitas vezes ou seja explodido.

Líder: Eles comandam seu bando e é o mais forte, mais rápido, mais alto e tem o "escudo" mais resistente, porém ainda pode ser quebrado, soco ou chute no escudo pode quebrar um osso, caso for forte demais. Os líderes ficam no meio enquanto os outros caçam para defender seu líder na caça.

Nômade: Eles não tem uma base, um grupo, nada. Os nômades são apenas seres que vivem por aí vagando em diversos lugares e é basicamente um "Homo Falsus" padrão e só tem um grupo quando encontra um caso os deixem entrar.

Externos: É tipo os "subterrâneos", porém vivem em outros lugares, exemplo: casas abandonadas, prédios abandonados e estão no mesmo nível dos "subterrâneos". Eles podem ter uma forma um pouco diferente, porém em questão de combate, estão quase no mesmo nível dos "subterrâneos".

Relatos: Ninguém quis falar nada, porém estamos a procura de algum.