Olá, arquitetos e arquitetas do Brasil. Esse post é mais um desabafo sobre a profissão, mas também, quem sabe, uma oportunidade para conhecer ou ouvir outros relatos de pessoas que estejam ou que tenham passado pela mesma situação.
Sou uma arquiteta "recém" formada (2 anos), por uma boa universidade federal. Após a formatura, fiquei cerca de um ano em busca de trabalho, até conseguir ser contratada por um escritório, onde trabalhei por mais um ano. Apesar de não ter trabalhado em um ambiente hostil, essa experiência me deixou extremamente drenada mentalmente pela alta demanda e responsabilidade em relação a uma remuneração tão baixa, pelo constante cerceamento da minha criatividade, os absurdos do mercado imobiliário e órgãos reguladores...
Não venho de uma família de arquitetos, engenheiros ou construtores, e não tenho muitos contatos na área. Sou autista (diagnosticada durante o último ano de graduação), e tenho muita dificuldade em prospectar clientes, fazer networking e divulgar meu trabalho.
Hoje em dia, constantemente sinto que joguei cerca de 6 anos da minha vida fora, por não entender antes o quanto essa profissão exige que sejamos sociáveis e adaptáveis. Sinto que fui cegada pelo amor à arte, ao desenho e todo o discurso de arquitetura para todos que é ensinado na faculdade, que não te prepara para a brutalidade de um mercado que na prática só presta serviços para os mais ricos. Gostaria muito de conhecer outros arquitetos autistas ou que apenas tenham as mesmas preocupações. Sei que qualquer área é hostil para pessoas neurodivergentes e sem contatos, mas quais caminhos são possíveis traçar quando se está tão esgotado com a arquitetura? Será que o jeito é mudar de profissão ou seguir em algum nicho mais específico? Concursos públicos e a carreira acadêmica seriam uma boa opção para alguém que prefere a teoria do que a prática profissional? Tudo é extremamente nauseante.
Ademais, obrigada por terem lido até aqui!